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Zonas Autônomas como estratégia

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«Assim como a lagarta escolhe as mais belas folhas para deitar seus ovos, assim o sacerdote lança sua maldição sobre as alegrias mais belas.»
(William Blake, Provérbios do Inferno)


Há algo a ser dito sobre os libertários do século XX. Ainda que o anarquismo tenha como base o princípio do antidogmatismo, um número considerável de anarquistas neste século canonizou certas proposições táticas propostas por autores do século anterior (XIX) a qualidade de sacro-santos dogmas!

Dogmas sempre exigem a criação de listas de ideias sagradas e profanas. Índices de escritos rotulados com roteiros de leitura para que os fiéis possam se guiar e compartilhar da interpretação "mais adequada" do que quer que seja. Listadas as ideias e práticas proibidas começam os expurgos, fogueiras de livros e outros rituais da ordem.

Esta postura dogmática persiste neste início de século XXI com rótulos e divisões sendo cultivadas entre os anarquistas - anarquismo social versus anarquismo como estilo de vida. Seus perpetradores querem fazer crer que os anarquistas do passado eram quase todos filiados a uma das correntes sendo a outra uma consequência do que chamam de "pós-modernidade" ou "cuturalismo".

Como disse certa vez Borges, a história é feita de esquecimento e memória, e notáveis anarquistas no século XIX - entre eles Oscar Wilde, Michel Zevaco, Zo d'Axa e Emma Goldman - têm suas contribuições negadas e são convenientemente lançados ao esquecimento. Entre os expurgados do século XX estão Lewis Call, Bob Black e Hakim Bey.

O expurgo deste último autor é talvez o que proporciona questões mais interessantes a serem pensadas. Não foram poucos os que se ergueram contra a ideia de Zonas Autônomas levantada por Bey, entre eles estava Murray Bookchin, um monstro sagrado do anarquismo do século XX cujas contribuições (como municipalismo libertário e ecologia social) possuem considerável repercussão no meio anarquista dos nossos dias.

No texto "Crítica ao Anarquismo como Caos", Bookchin apresenta sua leitura da obra de Bey, convidando os compas a lerem-no textos como Zona Autônoma Temporária, para que tirem eles próprios suas conclusões. Ao mesmo tempo Bookchin universaliza suas certezas. A Zona Autônoma é um fim em si mesmo, tão efêmera e insignificante, algo bem adequado para as gerações dos 1970, uma atualização da hipongagem que se afastou da revolução enquanto meio e fim de transformação da órdem social.

Geralmente quem conhece mais aprofundadamente a obra de Hakim Bey, compreende a zona autônoma como uma tática de libertação de espaços e subjetividades. Um espaço-tempo com efeitos anarquizantes, aquele momento de vivência específico pelos quais todos os anarquistas passam em sua constituição, do prazer em se relacionar com outrem sem dominar nem ser dominado, que dá sentido a toda uma vida de luta algo que poderia por si só ser considerado revolucionário, na medida em que fosse se tornando algo mais comum e generalizado.


«"Adoro inventar povoações, tribos, as origens de uma raça... Retorno de minhas tribos. Sou, até o dia de hoje, o filho adotivo de quinze tribos, nem mais nem menos. E estas são minhas tribos adotivas, porque eu amo cada uma mais e melhor do que se eu tivesse nascido nelas"»
(Deleuze e Guattari, Mil Platôs v.1, pág.42 )




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