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Zona Proibida

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(No Go Zone)

Hakim Bey

(Original em Inglês - Versão em Espanhol)


Famous Silverton Beetles.jpg
Seria a teoria um tipo de bola de cristal? Haveria por acaso alguma magia na teoria? (Originalmente a palavra 'teoria' queria dizer visão, o que certamente sugere algum mistério). Poderia a teoria AnarcOntológica ser usada como uma espécie de Tábua Ouija[1] para predizer o futuro com o mesmo grau de clareza com que descreve o presente ou "prevê" o passado? Estará o espectacul-simul-mercantil-ismo em seus momentos finais, da mesma forma que o "Marxismo" na década de 1980? O que causará o seu colapso? O que é o Islã "ressurgente" - unificando ideologias do "Sul" ou a víbora mortal da cultura? E a religião em geral? Os tantos cenários de Ficção Científica? A polícia como o simulacro final do poder, seria ela o último órgão do desaparecimento? Balcanização e limpeza étnica? Seria realmente a teoria um oráculo ao qual podemos consultar? Poderíamos fazermos algumas previsões para o próximo ano, como faz a National Enquirer?[2]

Não vejo o Capitalismo desaparecendo da noite para o dia como o Comunismo – ele é orgânico demais, conectado demais com “o que realmente está acontecendo”. O Marxismo caiu porque entrou em um estado de abstração e negação - fracassou ao abraçar o espetáculo como o verdadeiro local do poder -, o capital no entanto, não cometeu este erro. O capital se desintegrará ou desvanecerá, ao invés de experimentar uma súbita implosão. Os símbolos da desintegração se farão mais e mais visíveis e óbvios para a experiência e a teoria, mas não apagarão o simulacro de totalidade com nenhum colapso "revolucionário". As nuvens escuras dentro do cristal começam a se dissipar. De repente, um conceito: triagem social. Imediatamente uma consequência: a Zona Proibida.

O Estado, como o último lócus do mundo da simulação, se verá forçado a praticar a triagem social, deixando de exercer controle real sobre áreas que cairão abaixo do nível adequado de participação no discurso vazio. Zonas: classes, raças, grupos marginalizados, e até certo ponto, áreas geográficas concretas. Triagem: paulatino e imperceptível abandono dos “serviços”, fundamental para o surgimento de Zonas Proibidas onde o “controle” se reduz ao puro simulacro mediado (a televisão como ímã social). Zonas que foram economicamente abandonadas (os sem-teto, camponeses, trabalhadores imigrantes, os dependentes de programas estatais) serão gradualmente eliminados de todas as outras redes de controle do espetáculo estatal, incluindo a interface final, a Polícia. Claro que 'oficialmente' esta política de retirada e ausência não existirá, o estado espetacular continuará reclamando a jurisdição e a propriedade sobre estas zonas – a autonomia política não será permitida, e o terrorismo ocasional será difundido no espetáculo para proporcionar um verniz de controle-simulação. Mas na realidade econômica crua estas zonas tenderão que ser sacrificadas, como passageiros atirados para fora da troika[3] da história aos lobos da memória.

Considerando que este processo de algum modo já começou, as pesquisas demográficas oferecem uma pista do futuro: - Onde estão vivendo as diferentes classes? Para onde elas vão? - Mike Davis[4] analisou este movimento no microcosmo de Los Angeles, onde ele pode visualizar um complexo padrão de triagem e terror, provando sua condição de profeta visionário, cujo estilo de geomancia lê os ossos dos edifícios e as entranhas do espaço urbano mais do que os sinais "naturais" de animais ou paisagens (já que a cultura possui um inconsciente, ela vomita símbolos e signos mágicos - não a fumaça das oferendas nas chamas, e sim as patrulhas policiais incendiadas). Creio que este processo se acelerará até o ponto em que se fará mais óbvio, em 5 ou 10 anos, esses pedaços dos “Estados Unidos” não estarão mais no mapa. Eles não produzirão "desenvolvimento" e tão pouco "consumirão", e não serão mais atendidos por nenhum escritório do espetáculo em desaparecimento – serviço de impostos internos, serviços de saúde, policiais e militares, impostos de renda, previdência, comunicações e educação. Estas áreas (econômicas, sociais e geográficas) deixarão de existir para qualquer propósito prático de controle. As classes consumidoras abandonarão estas áreas e se mudarão para "qualquer outro lugar", social ou geográfico ou ambos simultaneamente.

Após sermos seduzidos pela mercadoria, seremos abandonados por ela – ou mais que isso, “eles” serão abandonados, os outros alienados, que nunca tomaram parte dela em primeiro lugar. Entretanto, curiosamente estes “eles” gradualmente serão mais e mais indivíduos e grupos que agora pensam em si mesmos como “nós” – os herdeiros do ensolarado e fantástico mundo burguês racional que o espetáculo continua simulando e conservando – aqueles que possuem “direitos”, aqueles que estão “seguros” e destinados a “sobreviver”. Também nessas zonas a triagem será praticada. As rachaduras no monolito vão crescer, e muitos de “nós” perderemos o helicóptero de saída da cidade. Eu poderia me mudar para Boulder ou para Portland agora, me agarrar ao meu status de locatário, sobreviver como um palhaço registrado na margem do espetáculo – e acreditem que a tentação é suficientemente real. Essas Zonas Proibidas não vão ser muito confortáveis - não vão ser utopias - poderiam inclusive acabar deprimentemente como os micro-estados fascistas ressurgentes da Europa Oriental no despertar de 1989. Quem voluntariamente iria viver na Bósnia (ou no sul de Los Angeles) simplesmente porque a desordem e a violência podem gerar "liberdades selvagens", assim como também pânico total e verdadeiro horror? Quanto ao espetacul-simul-capitalismo em si mesmo, o próximo(talvez final?) estágio consistirá no Império da pura Velocidade – o instantâneo da tecnologia das comunicações elevado ao status de ser transcendente (onisciente, onipresente, onipotente): - uma classe de Tecno-gnose na qual o corpo (a terra, a produção) será “transcendido” sob o signo de um espírito puro (a "informação"). Isto revelará a falsa transcendência terminal ou totalidade da mercadoria: a desincorporação final do desejo, a absoluta flutuação do significante – a linguagem como prisão gnóstica, e a morte como a última barganha de feriado. As “linhas” desta estrutura já foram traçadas, e um mapa destas linhas se auto-transforma em um mapa do futuro, ou pelo menos da “história” futura. Se estudarmos este mapa embrionário ou ontogênico, poderemos ver claramente que o “Sul” tem sido apagado do desenho, por um ato de cartomancia imperialista que nega o significado às mesmas áreas às quais o "acesso" a ligações comunitárias foi recusado. O Sul não entrará no paraíso da informação - a informação é gelo glacial e cristalino, enquanto o Sul é o reino do fogo e do ruído.

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Efetivamente o “Sul” é (ou será) o corpo, o domínio de tudo o que não é puro espírito e informação, tudo que for denso e mortal, - o reino da agricultura e da indústria – os últimos vestígios obscuros do neolítico – da produção (este rude obstáculo demiúrgico para a livre mutagênese dos significados e a livre troca de emblemas e imagens – de pura informação). O Sul “nos” proverá de microchips e "suprimentos verdes"[5], assim todos nós poderemos nos esconder em realidades virtuais e descarregar (fazer um upload de) nossas consciências (que alívio) no software. Pode ser que a economia da informação já tenha começado a cortar suas amarras da economia material - não existe nenhuma evidência de que certos tipos de "moeda" conservem algum tipo de lastro - mesmo um lastro simbólico - com a atual riqueza social. Este é dinheiro "virtual". No contexto do especta-simulo-capital este dinheiro é hiperreal, portanto ele parece mais poderoso que o dinheiro meramente real e ainda vinculado ao “principio material corpóreo”. Neste cenário poderemos finalmente “deixar nossos serviçais viverem por nós"[6] enquanto seguimos e nos sublevamos para algo melhor. A máquina não é nossa serva, como alguns autores de ficção científica da velha guarda acreditavam, ela é nosso simbionte. Nosso servo é o Sul.

Então parte do Norte desaparecerá no Ciberespaço, deixando a outra parte deserta e despojada, zonas proibidas, rachaduras no monolito. E o que poderia ser mais natural que isto: - que o Sul penetrando no Norte como micélios em um pedaço de pão? Os buracos e os nichos no Norte vão se tornar mais "Sul", mais Africanos, mais Latinos, mais Asiáticos, mais Islâmicos. (P.K. Dick[7] este verdadeiro visionário gnóstico parece particularmente profético neste ponto.)

Agora a pergunta crucial: É possível imaginar as Zonas Proibidas desempenhando uma função libertadora? (de alguma forma que não seja o retorno à guerra primitiva, interessante talvez para alguns vikings Nietzschanos?) – isto é, pode a Zona Proibida interpretar um papel necessário para a emergência da Zona Autônoma Temporária ou mesmo da Zona Autônoma Permanente? Será que a Zona Proibida representa - de alguma maneira estranha e paradoxal - o renascimento da possibilidade do social?

Esqueça a autonomia política – nem a República do Bronx Sul ou o Estado Livre do de Wisconsin Ocidental — nem Enclaves Libertários ou zonas anarquistas libertas, nem ecotopia, nem Nova África, etc, etc. O espetáculo (até seu último suspiro) destruirá implacavelmente qualquer um que ameace o monopólio da autoridade espetacular. A TAZ, a sociedade clandestina tempo-espacial do festival, proporciona um modelo bem mais realista para a Zona Proibida que o modelo do micro-nacionalismo. O importante é não levantar estampas ou alçar bandeiras - imagens de liberdade (liberdade como mercadoria) - mas a realidade da liberdade ao nível do cotidiano. Podemos dispensar o emblematismo do poder em nome da possibilidade do poder em nossos destinos (ou pelo menos por um fracasso não mediado!).

O sine qua non da Zona Proibida como um possível lugar para a libertação consiste na implementação de uma economia adequada para esta função; e a implementação de tal economia depende (pelo menos em parte) de uma ideia do social. Até o momento nenhuma destas etapas foram alcançadas, não mais que um mero perfil preliminar - então aqui mudamos o tom deste texto da previsão para a prescrição. Trataremos de imaginar o que poderíamos fazer – agora mesmo - para transformar as Zonas Proibidas em Zonas Autônomas, e defender nossa liberdade mesmo no “inferno”, mesmo do “Senhor das Moscas”.[8]

Será possível imaginar uma economia para as Zonas Proibidas que se relacione de algum modo (de incontáveis e complexas maneiras) com a economia do Sul – a qual já está começando a aparecer em regiões marginais do Norte onde o controle começa a cambalear? Não estou totalmente seguro do que isto irá significar, mas imagino um estado avançado de bricolagem sem fronteiras, não só de objetos, mas também de sistemas inteiros e fragmentos de sistemas. Imagino um sistema alternativo de comunicações, autogestionado e não-hierárquico - que chamarei de "teia" para além de uma simples "rede" - a qual deve fazer uso de algumas ideias "cyberpunks", mas só as pobres e toscas (e sinceramente, foda-se o "cyberespaço" -- eu prefiro morar em Rondônia [9]. Não só vejo "trabalho negro" (lavoro nero[10] uma sutil arte italiana), mas também "serviço negro", "produção negra", e "intercâmbio negro" utilizado em tecnologias "alternativas (não somente no PC). Suspeito que teremos uma tecnologia mais humana que "verde", mais interessada na agricultura ou na permacultura e em técnicas rústicas ad-hocismo[11] que nos terrenos selvagens da ecologia profunda. O aspecto verde de nossa tecnologia surgirá sem nenhuma predileção sentimental, mas de uma inescapável lógica econômica, a "louca" lógica do bricolagem e da "pobre" lógica da reciclagem. Estas ideias não são especificamente utópicas no máximo sentido do termo, no entanto podemos aceitá-las como adequadas ao conceito de “mínimo utópico"[12] – e por essa razão, estas formas de tecnologia implicarão em pelo menos algumas satisfações – que não se parece em nada com um modelo de economia mercantil (baseada como é no excedente da imagem como máscara da escassez dos bens). A economia que visualizo não aderirá exclusivamente a nenhum modelo vigente, nem ao humanismo empresarial dos ultra-liberais nem ao estratagema do "Associativismo" do Socialismo, mas tecerá uma mescla de tudo aquilo que funciona dentro de um amplo marco de anti-autoritarismo orgânico . A Zona Proibida deve ser autogestionada em modelos não-hierárquicos, senão, caíra vítima do fascismo criminal ou da pura entropia; nenhuma outra possibilidade parece muito provável, ou pelo menos palatável! Nós estamos procurando um vácuo de controle - se não preenchermos as Zona Proibida de caos positivo, ela se encherá com caos negativo. Essa linha de pensamento prediz que a Zona Proibida se desenvolverá em pelo menos uma forma “política” - a “milícia popular” - a qual pode muito facilmente se confundir com (ou se tornar) um comité de vigilância. Só uma economia que resista à hierarquização, não através de uma convicção ideológica mas sim através do compartilhamento da “vontade de poder”, pode garantir que a milícia popular não se converterá na gangue de uma elite secreta. Uma tarefa vital no presente: - imaginar e começar a construir condições para tal economia imediatamente, nas áreas pré-zonas proibidas que possam desde já servir para esta função - i.e. providenciando "boas coisas" ( conforme o Preâmbulo da IWW[13] as chama); e preparando a semente para o novo social dentro da casca (podre) do velho, parafraseando o manifesto Wobbly[14]. Em todo caso, o “sindicalismo” tem futuro somente nas zonas proibidas, onde a produção será realmente capitalizada diretamente através do trabalho e da acumulação simples, em parte, entre as ruínas dos primórdios da era industrial – Bayonne, Nova Jersey, Detroit, Michigan, etc. – onde quer que que as zonas proibidas primeiro floresçam, florescerá também toda sua horrível feiúra. A mesma verdade mantida para todas as formas de radicalismos agrários - isto é, nenhum futuro exceto nas Zonas Proibidas rurais; - tudo isso, no entanto, não como um museu do social, mas como uma práxis viva e mutante (deriva) situacional ou uma forma de bricolagem nômade de modelos sociais - as experiências da vida real baseadas em necessidades extremas e na paixão obsessiva pela liberdade. Ninguém arriscará a vida de boa fé por mera ideologia na zona proibida - mas a utilidade de certos modelos utópicos pode ser testada.

No entanto, falar destes modelos suscita a questão da ideia do social, a qual é (segundo uma forma muito falha de categorização)ou política ou "religiosa". Assumiremos que a zona proibida tenha abandonado - ou mesmo tenha sido abandonada por - o político. Será que a ideia apropriada do social para a zona proibida seja de natureza "religiosa"? Trago isso por duas razões: (1) a religião não desapareceu como previa o racionalismo, e (2) a religião provou ser um recurso poderoso de coesão social, por exemplo, na história das comunidades intencionais - mais poderosa que a ideologia política ou o planejamento utópico. Minha hipótese é de que há a possibilidade e a realidade de um não-autoritarismo, autonomia, autogestão, e aspectos não-hierárquicos na enorme complexidade que engloba a palavra "Religião" - xamanismo, por exemplo, ou as múltiplos e infinitamente expansíveis formas de "paganismo", na qual nenhuma cultura pode tomar para si o monopólio da interpretação, ou mesmo a hegemonia. Não estou dizendo que a Zona Proibida deva ser "religiosa", estou dizendo que será "religiosa" e é "religiosa" - e se acreditarmos no desejo por algum potencial libertário na zona proibida, nós devemos começar agora a buscarmos uma linguagem "religiosa" que possa refletir e nos ajudar a dar forma e realizar este potencial - caso contrário nos depararemos com uma "religião do fascismo" (fundamentalistas xiitas dominando as zonas proibidas) ou ainda com uma espiritualidade da entropia. Uma boa razão, por exemplo, para saquear da história do protestantismo os modelos radicais (Ranters,[15] Diggers,[16] Antinomianos,[17] etc.) seria para ressuscitá-los e não simplesmente para se disfarçar. A terra e as formas corporais da espiritualidade (xamânicas, neo-pagãs, afro-americanas, etc) - imanentes mais que transcendentes - enfatizando um existencialismo dos feitos e não uma fé, um eticalismo e não um moralismo - tolerância radical a todos os cultos (do modelo "pagão") - descrença aos modelos maniqueístas bem como aos modelos monistas-totalitaristas - místico mas não ascético - festivo mas não sacrificante. Estes poderiam ser algunsa dos modelos propostos para nossa forma de espiritualidade. Certamente nenhum dos meios estabelecidos de propagar uma religião serão apropriados aqui. Agora o que precisamos exatamente é re-imaginar a "Economia do Dom", então nós também precisamos reinventar (ou mesmo fabricar) uma "espiritualidade da liberdade" relevante para o nosso futuro como habitantes da zona proibida – uma espiritualidade da vida cotidiana em todos os seus sentidos.

Penso em certos tipos antigos de pinturas européias que sempre me fascinaram quando eu era garoto, que representavam camponeses gritando e vivendo nas ruínas de algum desvanecido império, normalmente romano. As imagens tinham um apelo bachelardiano,[18] e uma certa aura de sonho e magia comum a certos tipos de "lugares", e determinados tipos de "espaço". Gosto do senso de abandono ontológico ao paradoxo das ruínas abandonas trazidas a vida por boêmios "abandonados", preguiçosos, violinistas breughelianos,[19] e dançarinos - o contraste dos restos pesados de triunfalismo desaparecido com a luz e o brilho de nômades. Posso muito bem estar romantizando as zonas proibidas como um lugar possível e utópico - mas outra vez, posso estar inclinado a defender a utilização do romantismo: - como golpes de desespero. Independente dos nossos temores e romantismos, as zonas proibidas estão a caminho.


Referências

  1. Tábua Ouija é o nome dado a qualquer superfície plana com letras, números ou outros símbolos em que se coloca um indicador móvel, utilizada supostamente para comunicação com espíritos em busca de revelações do passado e do presente, e previsões sobre o futuro. (N. do T.)
  2. National Enquirer é um tablóide mercadológico estadunidense que tem como linha editorial notícias sobre crimes, curiosidades e o cotidiano dos famosos, geralmente expondo aspectos bizarros de suas vidas, visando ao lucro fácil através do sensacionalismo (N. do T.).
  3. A palavra russa troika quer dizer três ou uma associação de três elementos de algum tipo. O termo ganhou notoriedade na União Soviética durante o período stalinista quando as troikas substituíram o sistema legal até então vigente levando à perseguição rápida de dissidentes ou qualquer um acusado de crimes políticos. Rapidamente o sistema das troikas permitiu uma caça as bruxas, atemorizando toda nação soviete (N. do T.).
  4. Mike Davis (1946) é um pensador social estadunidense, teórico do urbanismo, historiador e ativista político que se tornou conhecido a partir de suas investigações sobre poder e classes sociais no sul da Califórnia.
  5. Uma referência à ficção científica "No ano de 2020" (Soylent Green), de 1973. Num futuro distópico onde o crescimento populacional chegou a níveis absurdos e o solo e a água estão contaminados, uma população gigantesca se alimenta de suprimentos supostamente produzidos com plâncton por uma única corporação, a Soylent Company. As investigações do assassinato de um milionário leva um detetive a descobrir a origem da verdadeira matéria prima da qual são feitos os suprimentos, corpos humanos.(N. do T.)
  6. Trecho retirado dos Cantos de Maldoror (Les Chants de Maldoror), literatura poética da metade do século XIX, no entanto publicada bem mais tarde, de autoria do Conde de Lautréamont, pseudônimo de Isidore Ducasse, poeta franco-uruguaio. Uma das obras seminais da literatura fantástica, apresenta um universo bizarro de difícil classificação (N. do A.).
  7. Philip Kindred Dick (1928, Chicago – 1982) também conhecido pelas iniciais PKD, grande escritor de ficção científica norte-americano, um dos maiores expoentes da literatura cyberpunk. Apesar de ter tido pouco reconhecimento em vida, a adaptação de vários de seus romances para o cinema acabou por tornar a sua obra conhecida de um vasto público (N. do T.).
  8. "Senhor das Moscas" é um livro escrito por William Golding, e publicado em 1954. O título faz referência a Belzebu, uma das denominações do demônio bíblico. O livro retrata a regressão à selvageria de um grupo de crianças inglesas de um colégio interno, presos em uma ilha deserta sem a supervisão de adultos, após a queda do avião que as transportava para longe da guerra. (N. do T.).
  9. Originalmente, o autor refere-se a "New Jersey", no sentido de um Estado monótono, onde não acontece nada interessante. Escolhemos um estado parcialmente ao acaso para substituir essa ideia. (N. do T.)
  10. Lavoro Nero. Do italiano, quer dizer "trabalho negro" e é empregado aqui para definir as muitas formas de trabalho sujo, pesado e mal remunerado geralmente efetuadas por imigrantes ilegais (N. do T.)
  11. A expressão latina ad hoc significa literalmente "para isto", por exemplo, um instrumento ad hoc é uma ferramenta elaborada especificamente para uma determinada ocasião ou situação ("cada caso é um caso"). Num senso amplo, poder-se-ia traduzir ad hoc como específico ou especificamente (N. do T.).
  12. O conceito de "Mínimo Utópico" proposto por Charles Fourier trata de um marcador objetivado baseado nas quantidades de comida e sexo desfrutadas por um aristocrata mediano do século XVIII; Buckminster Buller propôs o termo “mínimo nú” como um conceito similar (N. do T.).
  13. IWW é a sigla para Industrial Workes Of The World (Trabalhadores Industriais do Mundo) trata-se de uma organização internacional de trabalhadores do início do século XX que chegou a possuir mais de 300.000 membros ao redor do globo, que pregava a união da classe trabalhadora, militando ativamente pelo estabelecimento do pro-labore em detrimento do sistema salarial (N. do T.).
  14. Manifesto da IWW através do qual esta organização apresentou seus objetivos e princípios (N. do T.)
  15. Ranters (literalmente Faladores), era a denominação dada a uma seita inglesa do século XVII, considerada radical e herética por pregar a ideia de que Deus está essencialmente em todas as criaturas, crença que levou seus membros a negar a autoridade da igreja, das escrituras, do clero e seus serviços, conclamando a todos a ouvirem seu "Jesus interior" (N. do T.).
  16. Diggers (literalmente Escavadores), foi um movimento de trabalhadores rurais pobres, liderado por Gerrard Winstanley entre os anos de 1649 e 1650 na Inglaterra, que pretendia substituir a ordem feudal recentemente derrotada na Guerra civil inglesa por uma sociedade igualitária, agrária e cristã anticlerical (N. do T.)
  17. Os seguidores do Antinomianismo acreditam na idéia de que um grupo religioso em particular não possui qualquer obrigação de obediência com relação as leis éticas ou morais definidas por autoridades religiosas. O Antinomianismo é o completo oposto do legalismo, a noção que obediência a um código de leis religiosas é necessário para a salvação. Existiram diversos movimentos antinomianos antes e depois da era cristã (N. do T.).
  18. Relativo a Gaston Bachelard, filósofo e poeta francês que estudou sucessivamente as ciências e a filosofia durante a segunda metade do século XIX, e as primeiras décadas do XX. Seu pensamento voltou-se principalmente para questões referentes à filosofia da ciência (N. do T.).
  19. Referência ao Pintor holandês Pieter Brueghel, o velho, que no século XIV pintou uma série de quadros sobre a vida das pessoas simples de seu país de origem (N. do T.).



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