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Vocês não passam de idiotas

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Zo d'Axa
(Versão em Inglês - Original em Francês)

O texto que se segue foi publicado pela revista La Feuille e faz parte da campanha promovida por Zo d'Axa para a candidatura de um asno chamado Ninguém para as eleições para Câmara de Deputados parisiense de 1898. A constatação do título é uma singela referência aos eleitores medianos de então, o texto inicia como se fosse escrito pelo já referido equino, mas antes da metade d'Axa esquece o Ninguém.


Eleitores

Apresentando-me para os seus votos, lhes dirijo umas poucas palavras. Aí vão elas:

Venho de uma antiga família francesa - ouso dizer - então sou um burro com pedigree, um burro no sentido positivo da palavra: quatro patas e, sobretudo, pêlos.

Meu nome é Ninguém, e também o são meus competidores nesta corrida.

Sou branco, como muitos dos votos que foram para urna, mas não foram contados, mas que irão agora pertencer a mim!

Minha eleição está assegurada.

Vocês entenderão que falo francamente.

Cidadãos
Lafeuille.jpg

Capa da revista La Feuille de 1891.

Vocês estão sendo enganados! Foi dito que a Câmara dos deputados, composta por imbecis e ladrões, não representa a maioria dos votantes. Isso é falso!

Pelo contrário, uma Câmara formada por deputados que são idiotas e ladrões representa perfeitamente os eleitores que vocês são. Não protestem; uma nação têm os líderes que merece!

Por que vocês os elegeram?

Entre vocês, não hesitam em dizer que quanto mais as coisas mudam, mais elas permanecem as mesmas; que seus representantes lhes enganam e pensam apenas em seus próprios interesses, de vaidade ou de dinheiro.

Então porque você os elege novamente amanhã?

Vocês sabem muito bem que existem muitos que procuram os legisladores para vender seus votos por um cheque, ou por trabalho, uma funções ou espaço na alta sociedade.

Mas será que a alta sociedade, com suas posições e benefícios não sabe que os Comitês Eleitorais só funcionam se forem pagos?

Os pastores do Comitê são menos ingênuos do que o rebanho. A câmara representa o todo.

Idiotas e diabos cheios de artimanhas são necessários; uma multidão de velhos tolos e Robert Macaires[1] é necessário para incorporar de uma vez e ao mesmo tempo os votantes profissionais e trabalhadores deprimidos.

E é aí que vocês se encontram!

Vocês estão sendo enganados, bons eleitores, vocês estão sendo enganados e bajulados quando lhes dizem que vocês são bonitos, e que leis levam a justiça, que ambas estão ao seu lado. Quando falam sobre a soberania nacional, o povo-soberano, homens livres... aos votos vocês são levados como a uma loja de doces... eles lhes dão doces para que vocês chupem.

Vocês continuam a ser ludibriados. A vocês foi dito que a França ainda é França. Isso não é verdade.

Com o passar de cada dia a França perde seu sentido no mundo, todo o sentido libertário. Não é mais um país sólido, corajoso, divulgador de ideias e esmagador de cultos. É Marianne[2] se ajoelhando frente ao trono dos autocratas. É o corporativismo renascendo mais hipocritamente que na Alemanha: uma tonsura sob o quepe.

Vocês estão sendo enganados, enganados sem parar. Eles lhe falam sobre fraternidade, e nunca a luta pelo pão foi mais evidente ou mais mortal.

Eles lhes falam — para vocês que não têm nada — sobre patriotismo e nosso patrimônio sagrado.

Eles falam pra você sobre integridade, e seus piratas da imprensa, os jornalistas prontos para fazer de tudo, os mestres da enganação e chantagistas que cantam a honra da nação.

Os apoiadores da República, os pequenos burgueses, os pequenos senhores são mais resistentes que os "malandros" que os mestres dos atuais regimes. “Nós vivemos sob os olhos dos supervisores.

Os trabalhadores enfraquecidos - os produtores que nada consomem - contentam-se pacientemente em chupar o osso sem tutano que lhes é atirado, o osso do sufrágio universal. Somente para lhes contar histórias, participação em debates eleitorais, em que movem seus maxilares, mandíbulas que já não sabem mais como morder.

E quando, em ocasiões, em que os filhos do povo se sacodem de seu torpor e passam a se encontrar, como em Fourmies,[3] dão de cara com o nosso bravo exército.... que com o argumento das armas impõem liderança em suas cabeças.

A justiça é a mesma para todos. Os honoráveis ladrões da viagem ao Panamá e seus carregamentos e aqueles que nunca viram um carrinho. As algemas, no entanto, apertam somente os pulsos de velhos trabalhadores trancafiados como se fossem vagabundos.

A ignomínia do momento atual é tal que não há candidato que ouse defender essa sociedade. Do burguês-inclinado à política: os reacionários, os liberais, as máscaras, os narizes falsos, os republicanos, a voz que clama para que você os eleja para que as coisas possam melhorar, para que tudo possa funcionar melhor. Eles que já lhe tomaram tudo voltam para pedir ainda mais!

Lhes deem seus votos, cidadãos!

Os mendigos, os candidatos, os ladrões, os achacadores de votos, todos têm uma maneira especial de fazer e re-fazer o bem público.

Ouça aos bravos trabalhadores, partido de charlatães, eles querem conquistar o poder... para poderem melhor suprimi-lo.

Outros invocam a Revolução, e enganam a si mesmos enquanto tratam de te enganar. Eleitores nunca farão a revolução. O sufrágio universal foi criado precisamente para evitar esta ação viril. Charley gasta um bom tempo votando...

E mesmo se algum incidente levar os homens às ruas, e mesmo que por alguma forte atuação um grupo preferir a ação, o que poderíamos esperar da multidão pululando a respeito, essa multidão covarde e de cabeça vazia?

Que seja! Vão em frente homens da multidão! Vão em frente, eleitores! Às urnas ... e não se queixem. É o suficiente. Não tentem inspirar pena frente ao destino que vocês mesmos se impuseram. Por fim não praguejem contra os Mestres aos quais vocês se deram.

Estes mestres são seus iguais na medida em que eles roubam de vocês. Eles, sem dúvida têm mais valia: eles valem 25 francos por dia, sem contar os seus outros pequenos lucros.

E isso é muito bom.

O eleitor não é nada além de um candidato fracassado.


O povinho - de pequenas poupanças e esperanças miúdas, pequenos comerciantes vorazes, os vagarosos homens do campo - precisam de um parlamento medíocre que irá suprir e sintetizar tudo o que é vil nesta nação.


Então votem, eleitores! Votem! Os parlamentos emanam de vocês. Se algo é, é porque deve ser, porque não pode ser de outra forma. Criar uma Câmara em seu nome. O cachorro voltou ao seu vômito. Voltem para os seus deputados...

Leia tambémEditar


Referências

  1. Personagem de um bandido em uma peça teatral popular de Frederic Lemaitre.
  2. Marianne é a figura alegórica de uma mulher vestindo o barrete frígio e segurando uma bandeira francesa instigando o povo contra a tirania. Encarna a República Francesa e representa a permanência dos valores de Liberdade, Igualdade e Fraternidade entre as camadas populares. Simultaneamente enérgica, guerreira, pacífica e protetora e maternal, seu nome provém da contração de Marie e de Anne, muito frequentes no século XVIII entre o população da França.
  3. Lugar em que no Primeiro de Maio de 1891 houveram grandes manifestações de trabalhadores por direitos e contra a exploração do sistema capitalista, e que acabaram em confrontos sendo os trabalhadores brutalmente reprimidos pelo aparato repressor estatal.



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