Fandom

Protopia Wiki

Um programa de abolições contra os amantes do trabalho

1 764 pages em
Este wiki
Adicione uma página
Discussão0 Share

Interferência de bloqueador de anúncios detectada!


A Wikia é um site grátis que ganha dinheiro com publicidade. Nós temos uma experiência modificada para leitores usando bloqueadores de anúncios

A Wikia não é acessível se você fez outras modificações. Remova o bloqueador de anúncios personalizado para que a página carregue como esperado.


Os inimigos do trabalho serão acusados de não serem outra coisa que fantasistas. A história teria comprovado que uma sociedade que não se baseia nos princípios do trabalho, da coerção da produção, da concorrência de mercado e do egoísmo individual, não poderia funcionar. Vocês, apologistas do status quo, querem afirmar que a produção de mercadorias capitalistas trouxe, realmente, para a maioria dos homens, uma vida minimamente aceitável ? Vocês dizem «funcionar», quando justamente o crescimento saltitante de forças produtivas expulsa milhões de pessoas da humanidade, que podem então ficar felizes em sobreviver nos lixões ? Quando outros milhões suportam a vida corrida sob o ditado do trabalho no isolamento, na solidão, no doping sem prazer do espírito e adoecendo física e psiquicamente ? Quando o mundo se transforma num deserto só para fazer do dinheiro mais dinheiro ? Pois bem. Este é realmente o modo como o seu grandioso sistema de trabalho «funciona». Estes resultados não queremos alcançar !

Sua auto-satisfação se baseia na sua ignorância e na fraqueza de sua memória. A única justificativa que encontram para seus crimes atuais e futuros é a situação do mundo que se baseia em seus crimes passados. Vocês esqueceram e reprimiram quantos massacres estatais foram necessários para impor, com torturas, a «lei natural» da sua mentira nos cérebros dos homens, tanto que seria quase uma felicidade ser «ocupado», determinado externamente, e deixado que se sugasse a energia de vida para o fim em si mesmo abstrato de seu deus-sistema.

Precisavam ser exterminadas todas as instituições da auto-organização e da cooperação autodeterminada das antigas sociedades agrárias, até que a humanidade fosse capaz de interiorizar o domínio do trabalho e do egoísmo. Talvez tenha sido feito um trabalho perfeito. Não somos otimistas exagerados. Não sabemos se existe ainda uma libertação desta existência condicionada. Fica em aberto a questão se o declínio do trabalho leva à superação da mania do trabalho ou ao fim da civilização.

Vocês argumentarão que com a superação da propriedade privada e da coerção de ganhar dinheiro, todas as atividades acabam e que se iniciará então uma preguiça generalizada. Vocês confessam portanto que todo seu sistema «natural» se baseia em pura coerção ? E que, por isso, vocês teimam ser a preguiça um pecado mortal contra o espírito do deus-trabalho ? Os inimigos do trabalho não têm nada contra a preguiça. Um dos nossos objetivos principais é a reconstrução da cultura do ócio, que antigamente todas as sociedades conheciam e que foi destruída para impor uma produção infatigável e vazia de sentido. Por isso, os inimigos do trabalho irão paralisar, sem compensação, em primeiro lugar, os inúmeros ramos de produção que apenas servem para manter, sem levar em conta quaisquer danos, o alucinado fim em si mesmo do sistema produtor de mercadorias.

Não falamos apenas das áreas de trabalho claramente inimigas públicas, como a indústria automobilística, a de armamentos e a de energia nuclear, mas também a da produção de múltiplas próteses de sentido e objetos ridículos de entretenimento que devem enganar e fingir para o homem do trabalho uma substituição para sua vida desperdiçada. Também terá de desaparecer o número monstruoso de atividades que só aparecem porque as massas de produtos precisam ser comprimidas para passar pelo buraco da agulha da forma-dinheiro e da mediação do mercado. Ou vocês acham que serão ainda necessários contadores e calculistas de custo, especialistas de marketing e vendedores, representantes e autores de textos de publicidade quando as coisas forem sendo produzidas conforme a necessidade, ou quando todos simplesmente tomarem o que for preciso ? Por que então ainda existir funcionários de secretaria de finanças e policiais, assistentes sociais e administradores de pobreza, quando não houver mais nenhuma propriedade privada a ser protegida, quando não for preciso administrar nenhuma miséria social e quando não for preciso domar ninguém para a coerção alienada do sistema ?

Já estamos ouvindo o grito: quantos empregos! Sim senhor. Calculem com calma quanto tempo de vida a humanidade se rouba diariamente só para acumular «trabalho morto», administrar pessoas e azeitar o sistema dominante. Quanto tempo nós todos poderíamos deitar ao sol, em vez de nos esfolar para coisas cujo caráter grotesco, repressivo e destruidor já se encheu bibliotecas inteiras. Mas não tenham medo. De forma alguma acabarão todas as atividades quando a coerção do trabalho desaparecer. Porém, toda a atividade muda seu caráter quando não está mais fixada na esfera de tempos de fluxo abstratos, esvaziada de sentido e com fim em si, podendo seguir, ao contrário o seu próprio ritmo, individualmente variado e integrado em contextos de vida pessoais; quando em grandes formas de organização os homens por si mesmos determinarem o curso, em vez de serem determinados pelo ditado da valorização empresarial. Por que deixar-se apressar pelas reivindicações insolentes de uma concorrência imposta? É o caso de redescobrir a lentidão.

Obviamente, também não desaparecerão as atividades domésticas e de assistência que a sociedade do trabalho tornou invisível, cindiu e definiu como «femininas». Cozinhar é tão pouco automatizável quanto trocar fraldas de bebê. Quando, junto com o trabalho, a separação das esferas sociais for superada, estas atividades necessárias podem aparecer sob organização social consciente, ultrapassando qualquer definição sexual. Elas perdem seu caráter repressivo quando pessoas não mais subsumem-se entre si, e quando são realizadas segundo as necessidades de homens e mulheres da mesma forma.

Não estamos dizendo que qualquer atividade torna-se, deste modo, prazer. Algumas mais, outras menos. Obviamente há sempre algo necessário a ser feito. Mas a quem isso poderia assustar se a vida não será devorada por isso ? E haverá sempre muito o que possa ser feito por decisão livre. Pois a atividade, assim como o ócio, é uma necessidade. Nem mesmo o trabalho conseguiu apagar totalmente esta necessidade, apenas a instrumentalizou e a sugou vampirescamente.

Os inimigos do trabalho não são fanáticos de um ativismo cego, nem de uma também cega madraçaria. Ócio, atividades necessárias e atividades livremente escolhidas devem ser colocados numa relação que se oriente pelas necessidades e pelos contextos de vida. Uma vez despojadas das coerções objetivas capitalistas do trabalho, as forças produtivas modernas podem ampliar enormemente o tempo livre disponível para todos. Por que passar, dia após dia, tantas horas em fábricas e escritórios se autômatos de todos os tipos podem assumir uma grande parte destas atividades ? Para que deixar suar centenas de corpos humanos quando algumas poucas ceifadoras resolvem ? Para que gastar o espírito com uma rotina que o computador, sem nenhum problema, executa ?

Todavia, para esses fins só podem ser utilizados a mínima parte da técnica na sua forma capitalista dada. A grande parte dos agregados técnicos precisa ser totalmente transformada porque foi construída segundo os padrões limitados da rentabilidade abstrata. Por outro lado, muitas possibilidades técnicas não foram ainda nem desenvolvidas pela mesma razão. Apesar da energia solar poder ser produzida em qualquer canto, a sociedade do trabalho põe no mundo usinas nucleares centralizadas e de alta periculosidade. E apesar de serem conhecidos métodos não agressivos na produção agrária, o cálculo abstrato do dinheiro joga milhares de venenos na água, destrói os solos e empesteia o ar. Só por razões empresariais, materiais de construção e alimentos estão sendo transportados três vezes em volta do globo, apesar de poderem ser produzidos sem grandes custos localmente. Uma grande parte da técnica capitalista é tão vazia de sentido e supérflua quanto o dispêndio de energia humana relacionada a ela.

Não estamos dizendo-lhes nada de novo. Mas mesmo assim, vocês sabem que nunca tirarão as conseqüências disto tudo, pois recusam qualquer decisão consciente sobre a aplicação sensata de meios de produção, transporte e comunicação e sobre quais deles são maléficos ou simplesmente supérfluos. Quanto mais apressados vocês rezam seu mantra da liberdade democrática, tanto mais aferradamente rejeitam a liberdade de decisão social mais elementar, porque querem continuar servindo ao cadáver dominante do trabalho e às suas pseudo «leis naturais».

««Que o trabalho, não somente nas condições atuais, mas em geral, na medida em que sua finalidade é a simples ampliação da riqueza, quer dizer, que o trabalho por si só seja prejudicial e funesto - isto sucede, sem que o economista nacional o saiba (Adam Smith), de suas própria exposições.» (Karl Marx, Manuscritos Econômicos-Filosóficos, 1844).»


««A nossa vida é o assassinato pelo trabalho, durante sessenta anos ficamos enforcados e estrebuchando na corda, mas não a cortamos.» (Georg Büchner, A Morte de Danton, 1835).»



Manifesto Contra o Trabalho
A superação do trabalho Um programa de abolições contra os amantes do trabalho A luta contra o trabalho é antipolítica

Mais da comunidade Wikia

Wiki aleatória