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Um Circo chamado COP-15, ou sobre como estamos todos sendo enganados

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Cartaz de Santiago Armengod contra a COP 16 em Cancun, no México de justseeds.org.
Enquanto termômetro sobe indiferente, e o aquecimento global começa a destruir a vida de populações (humanas e não humanas) à margem do sistema capitalista, somos todos feitos de tontos mais uma vez pelos governos do mundo, e por seus discursos eco-reformistas.

Reúne-se esta matilha de líderes, como leões de um circo, sentados em pequenos palcos circulares ao som das chicotadas do capital internacional. Há uma menina de tranças e camiseta do greenpeace da primeira fila, seu nome é Ingênua Perpétua. Ela mantém suas mãozinhas de coletadora de assinaturas em eterna posição de súplica. Menininha esperançosa, o que melhor sabe fazer é esperar: espera sempre que tudo dê certo no final, e que finalmente a paz(ssividade) verde triunfe. Os leões a entretem, porém ela não vê os domadores. Por alguns dias o circo esteve na cidade de Copenhage, mas também já passou por aqui, em 1992, são os mesmos falsários de então. Eles nos entretém por alguns dias com sua balela de estadismo e capitalismo ambientalmente corretos, para que fique claro que eles se esforçaram em uma arena pública de debate em busca de um acordo, uma saída, que infelizmente nunca se concretizou.

Ingênua Perpétua não é capaz de vincular a importante relação existente entre destruição ambiental e crescimento capitalista. Não que não haja um desconforto frente a certos episodios desenvolvimentistas que incorreram em catastofres ambientais, mas os eco-reformistas como ela, não podem levar suas críticas as ultimas consequências, eles não estão preparados para aceitar que certas correlações são estruturais.

Defendem uma atenuação das consequências do capitalismo, mas jamais questionam este sistema de "desenvolvimento a qualquer custo" que é contabilizado em crescimento do produto interno bruto, mas que também poderia ser contado em número de vidas arruinadas. Trabalharam intensamente para disseminar seu discurso ecologista, hoje ele serve para propaganda de carros que poluem 10% que outros, condomínios de luxo que não derrubam meia dúzia de árvores em seu projeto, cosméticos produzidos com base na coleta mal-remunerada de insumos florestais, e outros absurdos.

Eles são necessários, assim como são necessários novos circos para que as próximas vítimas das mudanças climáticas - tanto aqueles ilhéus no pacífico (que logo logo ficarão sem ilha devido o aumento do nível dos oceanos), quanto eu e você - não nos revoltemos. O circo midiático cria uma ilusão de futuro onde o capital e o estado foram ecologicamente reformados, é isso que mantém as pessoas consumindo, trabalhando, votando, pagando impostos. Este elenco de ilustres líderes do mundo, dos ingênuos que os seguem por onde quer que vão, de capetalistas com máscaras humanitárias, eles sim, enjaulados em carros blindados e protegidos por sistemas de seguranças milionários. Fingem descaradamente que o futuro está em suas decisões, basta algumas mudanças, e talvez um voto mais consciente, um consumo mais consciente, um trabalho mais consciente. Tudo para nos manter no eixo.

Os libertários há muito tempo sabem que qualquer um que queira fazer a diferença frente a uma grande injustiça social precisa questionar o que pelas conveninências de uma sociedade é tido por inquestionável. Este saber anárquico está em consonância com a idéia de desobediência civil, faz parte da crítica feita já há mais de uma centena de anos à conveniências como o sufrágio universal eleitoral, à defesa de um estado de direitos pelos legalistas, que no passado foram grandes bandeiras erguidas pelos reformistas que iriam resolver todos os males, e lá estavam sempre os anarquistas prontos para questioná-los, denunciando ingenuidades e hipocrisias que garantiriam a manutenção e o avanço de grandes injustiças.

Nesta geração da qual faço parte uma das principais conveniências inquestionáveis é essa idéia tosca de desenvolvimento sustentável defendida pelo eco-reformismo. Quando todas evidências apontam para a estruturalidade das relações predatórias no capitalismo, circos como COP-15 jamais questionam esta idéia utópica de crescimento eterno, tudo com a conivência passiva dos eco-reformistas, todos qualquer um que o faça automaticamente sofrerá represálias.

Neste grande circo midiático armado em Copenhague os palhaços somos nós. Nós, alvos fáceis que somos do imobilismo que nos foi ensinado em nossas famílias, escolas e serviços, seres que se sentam na frente das televisões do mundo e assistem estáticos a desertos, furacões e tsunamis se formarem e crescerem cada vez mais, esperando que eles ainda demorem a chegar em nossa vizinhança.

Mentiras e falsidades democraticamente representáveis. Fundos de bilhões de dólares não poderão deter a fúria destes fenômenos climáticos. Ao invés disso o papel destas iniciativas é bem claro: servir de paliativo espetacular; garantir a reconstrução da infra-estrutura capitalista afetada, ao mesmo tempo que os mortos nesta ou naquela "catástrofe natural" estão sendo enterrados. A pax verde é a Pax do Dólar, uma paz que pode muito bem coexistir fazendo críticas moderadas a um sistema responsável pela morte de milhões. Mais falsas esperanças e novas frustrações, outro teatrinho espetácular.

Na perspectiva dos libertários a Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP-15) é um chamado para a ação, para que acordemos para vida, abandonemos a mídia circense global cultivadora de ingenuidades, e toda sua falácia; e para que passemos a buscar formas de não mais pagar impostos, ou dar nosso recurso a essas grandes empresas, criar e fortalecer nossos próprios meios sustentáveis de autonomia, atacar em tudo esse espetáculo representativo reformista, denunciá-lo de todas as formas, até que ele não possa mais se manter.

Com o circo vazio e os leões dos estados mortos de fome os ingênuos se depararão com a verdadeira face do capital sem maquiagem, terão então uma escolha - se erguerem conosco contra a mão que segura o chicote, ou tornarem-se eles próprios os dedos desta mão, pinkerton boys do capitalismo corporativo globalizado. Então ainda teremos muitas lutas por recursos vitais entre as comunas libertárias e as corporações com seus mercenários.

Para garantir a continuidade da vida na Terra, toda passividade é criminosa, façamos tudo que estiver ao nosso alcance para que esse circo capitalista pegue fogo.

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