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Somos Ricos

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Osvandil Silveira Quimas
«"Somos ricos, muitíssimos mais ricos do que cremos. Ricos pelo que possuímos agora; ainda mais ricos pelo que podemos conseguir com os instrumentos atuais; infinitamente mais ricos pelo que poderíamos obter de nosso solo, de nossa ciência e de nossa habilidade técnica, caso se aplicassem a procurar o bem estar de todos".»
(Piotr Kropotkin em A Conquista do Pão.)


Uma das maiores falhas dos Governos e dos Estados está em garantir amplamente o bem-estar das populações submetidas ao seu controle. Independente das riquezas geradas pelos cidadãos seja em economias capitalistas ou em Estados socialistas, a classe dominante é incapaz de atender a esta premissa primordial devido a diversos fatores associados na prática a um só núcleo que se faz derradeiro: o interesse minoritário.

Dentro da hierarquia social definida pelos Estados o controle da grande massa dos indivíduos é exercido por uma minoria privilegiada. Essa minoria determina a priori quais são as necessidades que considera, segundo seu discernimento e arbitragem, prioritárias no atendimento do que se define por bem-estar social. Ainda que por escrutínio, alçada pela maioria dos cidadãos à condição de administradores da coisa pública, não está por esse fato livre da injustiça e da inabilidade em lidar de maneira ética com a administração do Estado e de suas instituições.

Constantemente temos notícias do cair de máscaras não somente nos países considerados de Terceiro Mundo, mas também naqueles que se gabam desenvolvidos. Se os primeiros são historicamente mais propensos à corrupção, às injustiças sociais e toda a gama de distorções, os últimos dissimulam o jogo sujo travado no background da política e da economia, diferenciando-se apenas pela fachada apresentada ao mundo.

Hoje boa parte dos Estados está submissa à política capitalista neoliberal e forçosamente os Governos submetem-se aos ditames da economia de mercado, reduzindo a sua interferência nos negócios privados e muitas vezes cedendo quase inteiramente, senão completamente, às políticas das grandes corporações e conglomerados econômicos e financeiros.

Podemos constatar como esse processo vem se desenvolvendo paulatinamente, por exemplo, pelo avanço das empresas privadas dedicadas à saúde, à previdência e à segurança. Estes três itens eram até não muito tempo atrás atribuições quase que exclusiva dos Governos e seus agentes. Com a ingerência por parte do Estado nestes setores, abriu-se caminho para a privatização dos mesmos de uma forma sutil, porém constante.

Como o Estado por si só já não é capaz de dar garantias efetivas ao cidadão, aproveitaram-se do lapso os agentes econômicos privados e, vendo mais um filão a ser explorado, criaram mega-empresas nestes setores que exploram as vulnerabilidades da administração estatal.

Hoje, ao invés das garantias pelo Estado de previdência social e assistência médica à população de forma adequada, paga-se por planos privados, muitas vezes de modo complementar àquele que se contribui obrigatoriamente com os institutos públicos, ou seja, permite-se ser onerado duplamente apenas para se ter garantias de bem-estar e atendimento de melhor qualidade. Isso não é só vergonhoso, é um roubo descarado, pois se o Estado não dá garantias de bom serviço não deveria recolher pelo serviço mal prestado um só vintém.

De modo semelhante, o setor de segurança privada cresce a passos largos, devido à ineficiência do Estado em assegurar à integridade do cidadão. São quilômetros de fios instalados todos os dias interligando parafernálias eletrônicas que espionam, identificam presença, soam alarmes, e por aí vai. Guardas e mais guardas, veículos e mais veículos, num infindável ir e vir para cobrir as lacunas deixadas por um Estado inepto, ou quem sabe conivente.

Há alguma coisa de muito suspeita em toda essa liberalidade. De um lado o Estado omisso, de outra um Capitalismo que avança criando nichos de miséria material e espiritual, ambiente perfeito para a proliferação da violência e da criminalidade. Nunca ouvi falar de alguém que tenha tido oportunidade plena de desenvolvimento, equilíbrio, boa educação, boa formação ética, que tenha mergulhado na criminalidade. Devemos notar que boa formação não é apenas portar um diploma superior, ou comer frios no café da manhã, mas é ter lastro moral. Quem tem tal base não se entrega fácil ao mal.

Todo esse estresse que inunda a vida moderna só agrava as distorções, degradando o ser humano e contaminando a sua vida com coisas negativas e levando-o ao mais completo desastre como indivíduo.

O Capitalismo tem dois braços: as empresas privadas e os Governos, ambos servem a dois propósitos principais, à expansão do lucro e à manutenção do poder da classe dominante.

Hoje, ao invés da família reunida à mesa, a refeição na rua, pois não há tempo na hora de almoço que permita a confraternização mesmo daqueles que residem não muito longe de seus locais de trabalho. Mais cômodo comer num restaurante self-service ou num fast-food, elimina-se o trabalho de preparar o alimento e o de lavar a louça. Porém, o tempo que economizamos não será dedicado à família ou aos amigos, ou mesmo à elevação pessoal, mas ao emprego. Tiramos de nós mesmos e das nossas afinidades para engordar as contas dos agentes do sistema. Depois, reclama-se da desintegração da família, pudera...

Tudo hoje se articula para a mais radical escravização do homem que já se teve notícias na história humana. E o pior, muitas vezes consentida e aplaudida pelos menos avisados, por aqueles que não têm o hábito da reflexão.

Para que possamos romper com esta profecia nefasta, temos que romper com os atuais valores e percebermos que a verdadeira riqueza é aquela que nos dignifica, aquela que é fruto da equanimidade de direitos e condições de desenvolvimento do potencial de cada um, do acesso pleno aos meios de produção, da justiça social e do bem comum.

Todos somos ricos, mas seríamos muito mais, e de fato, sendo livres, respeitando-nos mutuamente, buscando o bem-estar comum, pautando a nossa existência pela doutrina da paz e, assim, sendo solidários, cooperativos e colaborativos com a sociedade em que vivemos.

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