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Solidariedade

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InstruçõesEditar

O coração da anarquia é a solidariedade: as pessoas ajudando umas às outras. Enquanto os capitalistas solitários vêem as outras criaturas como inimigos em potencial, os anarquistas vêem os outros como amigos e aliados em potencial ― e essas visões diferentes são profecias que se auto-realizam (veja Lançando Feitiços). Ações de solidariedade são uma meio de trazer amizades em potencial à existência, e tornando o mundo um lugar melhor no processo. Pois afinal, amigos nunca são demais, especialmente se você vive sob a ameaça da repressão estatal. Se você quer fugir do sistema de competição, no qual as pessoas só prosperam à medida que fazem os outros sofrer, a sua vida vai depender das redes de amizade e ajuda mútua ― e não existe maneira mais rápida para fazer amigos do que ajudar os outros. Cada um de nós tem um tipo de recurso que pode ser compartilhado ― o que você tem que as outras pessoas precisam?


Vamos dizer, por exemplo, que você é parte de uma comunidade anarquista formada predominantemente por pessoas brancas e jovens, e um homem negro foi morto a sangue frio pela polícia. Você pode entrar em contato com a família dele e se oferecer para serigrafar camisetas ou posters para eles, a fim de arrecadar dinheiro e conscientizar (veja Serigrafia), ou você pode usar sua habilidade com grafite para pintar o nome dele por toda a cidade, para que a imprensa não consiga varrer tudo para debaixo do tapete (veja Grafite). Ou vamos dizer que você é um professor vitalício na universidade, e conhece umas pessoas que vão ser despejadas das suas terras por uma corporação do petróleo. Você pode se oferecer para sedear palestrar para eles, organizar viagens para estudantes e outras pessoas visitarem as suas terras para testemunhar o que está acontecendo e fazendo uma campanha para forçar a sua universidade e cortar qualquer laço financeiro que ela tenha com a corporação. Ninguém pode fazer tudo, mas todos podem fazer algo.


Solidariedade Começa em CasaEditar

Quando considerar as suas opções para ações de solidariedade, nunca subestime a sua força. Nenhuma vida é tão mundana, nenhum conjunto de habilidades é tão limitado, nenhum presente é humilde demais para uma pessoa ajudar a outra. As formas mais importantes de solidariedade são as cotidianas: bancar a babá, fornecendo apoio emocional, compartilhando bens e comida. Você pode não chamar de Ação passar uma tarde bancando a babá das crianças do seu vizinho, mas são ações modestas deste tipo que tornam possíveis comunidades de resistência. As coisas diárias de ser um amigo confiável, um amante gentil e um aliado corajoso formam o arroz com feijão da revolução ― afinal, nossas amizades formam a base de nossos grupos de afinidade.


Muitos confrontos entre o capital e a comunidade não têm a glória, a fama ou o glamour associados a eles, mas isso não os torna menos importantes. Se todos se mudassem para Chiapas para tomar parte na luta dos Zapatistas, ignorando as lutas que estão acontecendo nos seus próprios quintais, as nossas chances de criar uma mudança global seriam realmente ínfimas. De qualquer forma, os Zapatistas provavelmente não precisam de muitos anarquistas andando sem rumo pelas suas vilas e se perdendo na selva! Como eles mesmo disseram: O que é preciso é que revolucionários vivam e lutem contra o sistema em todos os lugares ― e isso inclui o lugar onde você vive. Afinal, o charme exótico que as lutas distantes exercem é um assunto relativo: para um universitário jovem e branco, ajudar a traduzir as exigências dos faxineiros hispânicos para o inglês pode ser um mundo completamente diferente, assim como um soldado zapatista exausto pode achar romântico e aventuroso ajudar a defender os lares centenários das famílias que vivem nas montanhas Apalaches contra as companhias de carvão.


Provavelmente existem oportunidades para ações solidárias bem na rua onde você vive. Você pode ser o único que sabe delas, ou a única pessoa disposta a ajudar; não perca a chance de fazer isso enquanto sonha em ajudar revolucionários do outro lado do planeta! Se você levar um assunto local com a devida seriedade, ele pode até se tornar conhecido no mundo todo ― e então talvez pessoas de muito longe irão até você para agir em solidariedade.


Viajando para Ações SolidáriasEditar

Solidariedade local é importante ― dito isto, pode também ser bom viajar para compartilhar recursos com pessoas em outras terras e circunstâncias. De tempos em tempos, você pode precisar sair de casa, de qualquer forma, e se você vai visitar outro local você pode muito bem ser útil por lá! Viajar a lugares longínquos para oferecer solidariedade pode lhe dar mais experiência para informar a sua participação em lutas locais; também pode fornecer uma brisa de ar fresco quando as suas lutas em casa se tornaram monótonas ou parecem perdidas.


Grandes distâncias e viagens consomem muito tempo freqüentemente desencorajam as pessoas de irem a lugares distantes para participar em ações solidárias. Entretanto, quando se trata de viajar, muitos anarquistas têm opções que os outros não têm. As armas secretas do desemprego e da carona podem lhe dar o tempo livre e uma passagem grátis para quase qualquer lugar. Aqueles que possuem a oportunidade de usar esses métodos devem utilizá-los para o bem de todos. Conseguir passagens internacionais de avião pode ser mais difícil. Se você tem acesso a um carro, você pode enchê-lo de pessoas ― pelo menos uma delas deve ter conhecimento, nem que seja rudimentar, de conserto de automóveis ― e viaje grandes distâncias, dormindo nele quando necessário.


Muitas pessoas acham que o fato de não saberem uma língua estrangeira as desqualifica de fazer trabalho solidário em outras nações e culturas. Para muitas ações, você não precisa necessariamente conhecer a língua local, você só precisa fazer parte de um grupo com pelo menos um membro que sirva como tradutor e não se importe em sê-lo. É claro, onde quer que você vá, você deve se esforçar para aprender o máximo que puder da língua e dos costumes; muitas pessoas ficarão felizes em ajudá-lo a aprender a sua língua nativa, especialmente se você estiver disposto a devolver o favor. De qualquer forma, a imersão é a melhor forma de se aprender uma língua. Mesmo assim, ter um conhecimento básico da língua e da cultura antes de partir em trabalho solidário em um contexto estrangeiro irá deixá-lo mais eficiente e você aproveitará muito mais a viagem.


Lembre-se que muitas coisas que você considera comuns sobre si mesmo podem afetar as maneiras como as pessoas o tratam em outra cultura. Por exemplo, pele branca freqüentemente significa "turista rico", então se você a possui, imagine que algumas pessoas tentarão conseguir dinheiro de você, não importando por quanto tempo que você tenha sido um revolucionário desempregado em turno integral. Em algumas culturas, o sexismo pode estar tão profundamente arraigado que as pessoas irão rotineiramente ignorá-la se você for uma mulher. Os nossos preceitos serão freqüentemente desafiados: enquanto nos E.U.A. não existem muitos revolucionários mais velhos, nas culturas indígenas geralmente são os mais velhos que lutam mais duro enquanto os seus filhos abraçam o modo de vida norte-americano. Policiais abertamente subornáveis podem não existir de onde você vem, mas em algumas sociedades é um elemento de sobrevivência indispensável. Leia com antecedência, fale com pessoas que já foram lá onde você está indo; se você puder, vá com alguém que já foi e tenha contatos. Não importa quão distante é o local ou quão exótico ele parece, não deixe o desconhecido intimidar você a não levar adiante ações solidárias.


Oferecendo Habilidades e RecursosEditar

Depois que você se sentir pronto para participar de uma ação solidária, pense no que você tem para compartilhar. Ter acesso a computadores ou veículos, sabes como se comunicar com a imprensa, ser da América do Norte ou da Europa Ocidental ― muitas pessoas acham que privilégios como esse não são importantes, mas eles podem ser absolutamente vitais para ajudar outras comunidades. Tempo livre (veja Desemprego) é em si mesmo um recurso muito valioso. Não ter um emprego fixo, ou um trabalho com um horário muito flexível, pode lhe dar a oportunidade de ajudar as pessoas; assim como estar disposto a correr o risco de ser preso.


Às vezes tudo que é preciso é que um grupo ocupe um espaço libertado que corre o risco de ser despejado ou destruído, como uma okupa, sentar em torno de árvores para impedir sua derrubada, ocupações de terra, jardins ou centros comunitários. Podem pedir que você obstrua o caminho dos invasores (veja Bloqueios e Fechamentos), afugente-os (veja Blocos, Negros e de outras cores), ou espalhe a mensagem (veja Colando com Farinha; Grafite e Distribuição, Informação e Bancas). Em outras situações, você pode ser requisitado só para ajudar em algum trabalho, para cozinhar, cuidar de crianças ou até mesmo pastorear ovelhas.


Em algumas partes do mundo, você pode ajudar sendo um observador internacional. Isto não envolve nenhuma grande habilidade técnica além de simplesmente ficar em um lugar sob ameaça e assistindo o que acontece. Em lugares como a Palestina ou Chiapas, as forças da repressão irão pensar duas vezes antes de assassinar pessoas ou demolir suas casas se eles sabem que visitantes internacionais que estão ficando nessas comunidades podem testemunhar essas atrocidades ou, pior ainda, serem feridos nelas. Isso nem sempre é seguro ― na Palestina, por exemplo, as forças invasoras de Israel começaram a matar indiferentemente até mesmo observadores internacionais.


O mundo está cheio de injustiças e de lutas por libertação que não estão recebendo a atenção necessária, então saber como fazer o trabalho básico de imprensa pode ser muito importante. Isto pode significar muita coisa desde postar informações ou relatos pessoais na internet até escrever um release para a imprensa (veja Grande Mídia) ou documentando com vídeo (veja Mídia Independente). Muitas comunidades não possuem dinheiro para comprar câmeras de vídeo, computadores e outros equipamentos do tipo; dando-os de presente, ou levando-os para serem compartilhados enquanto você está presente, pode ser de grande ajuda. Habilidades técnicas como conserto de automóveis ou de computadores também podem ser úteis, assim como uma disposição a realizar tarefas. Qualquer coisa que você tiver ou possa fazer pode ajudar alguma pessoa em algum lugar.


Entrando em ContatoEditar

Estabelecer contato com o grupo que você pretende apoiar pode, em si mesmo, já ser uma tarefa e tanto. Você provavelmente precisará de um contato, se não uma pessoa que já esteva conectada com a comunidade, pelo menos de um grupo de apoio já existente cujos objetivos e táticas se pareçam com os seus. Em trabalhos de solidariedade de longa-distância ou internacionais, ligações telefônicas ou e-mails geralmente são o suficiente, mas se você está tentando entrar em contato com um grupo que está num local sem acesso fácil à e-mail, você tem que estar preparado para esperar um longo tempo pela resposta. Muitos grupos estão tão cheios de trabalho que eles podem perder a sua informação, não conseguir responder a sua mensagem ou esquecer que você está indo, apesar de necessitarem muito da sua ajuda. Lidar com você e com suas necessidades pode não ser a sua principal prioridade; seja paciente, e não faça exigências desnecessárias.


Enquanto alguns anarquistas sedentos de ação podem não estar dispostos a ficar esperarando por instruções, é infinitamente melhor esperar que as pessoas do local lhe digam o que fazer do que entrar afobado em uma situação que você não compreende na sua totalidade. Quando você finalmente conseguir entrar em contato, seja o mais aberto e honesto possível, e pergunte no que eles mais precisam que alguém faça. Freqüentemente, os grupos não vão lhe dar os trabalhos mais duros ou necessários de cara; eles precisam ver do que você é capaz, e construir confiança em você. Lembre-se, muitas pessoas tiveram experiências ruins com radicais incompetentes, que se distraem facilmente ou que fazem o que bem entendem. Seja paciente, confiável e respeitoso, e faça um bom trabalho; com o tempo, você conquistará o respeito e a confiança necessários para se tornar um verdadeiro amigo e aliado.


ChegandoEditar

Se você viajou uma grande distância para chegar ao local da ação solidária planejada, você pode estar exausto quando chegar. Às vezes você chegará imediatamente no meio da ação, e não haverá um só momento a perder antes de subir numa árvore em perigo ou se acorrentar em um portão. Entretanto, se a situação permitir, tire um tempo para descansar e se acostumar com o ambiente.


Se você está trabalhando com um grupo "respeitável", você pode querer se limpar, mas isto nem sempre é o caso. O seu status social como revolucionário de ação firme e sempre de prontidão pode ser parte do que você tem a oferecer. Não importa qual for a situação, não há sentido em se fazer passar por algo que você não é ― você está tentando construir relações com base na honestidade e respeito mútuo, certo?


Para melhor ou para pior, os anarquistas ocasionalmente estão nas manchetes atacando a polícia ou quebrando vidraças. Enquanto este tipo de cobertura tem a intenção de assustar as pessoas para que não se associem conosco, muitas pessoas sabem que não dá para confiar na imprensa corporativa, e algumas respeitam os anarquistas por fazerem frente a este sistema falido, mesmo que seja através de táticas que eles não apóiam. Não tente se disfarçar ou abrandar as suas crenças, não se force a causar uma determinada impressão. Seja aberto sobre as suas paixões, história e habilidades. As pessoas que estiverem trabalhando com você vão avisá-lo do que precisam que seja feito.


Descobrindo o ContextoEditar

Em uma das situações mais comuns para ações solidárias, alguma corporação ou governo nefasto está isolando e maltratando uma comunidade. Dividir e conquistar é a sua especialidade; a última coisa que eles querem é que alguém apareça para expor ou se opor às suas malfeitorias. Freqüentemente, colocar alguns forasteiros no meio pode mudar tudo, levar as injustiças à atenção do mundo exterior e providenciar um apoio crucial à comunidade.


Às vezes as coisas são simples como aparentam, mas não conte com isso. Nunca pressuponha que a comunidade para a qual você está tentando oferecer sua solidariedade é um todo homogêneo. Assim como todas as comunidades, é composta de diversos indivíduos com pontos de vista diferentes sobre a situação e, a propósito, sobre você. Resista à tentação de idolatrar comunidades e de abandoná-las. Dedique um tempo para conhecer os indivíduos com os quais você espera ser solidário; esta é a melhor forma de aprender sobre a sua situação. Se você puder, vá até o local onde a luta está acontecendo, e investigue tudo por si mesmo.


Pode ser que as forças que você está combatendo tenha comprado a aliança de algumas das próprias vítimas. Isto pode levar a situações confusas nas quais uma comunidade que antes era unida fica dividida e brigando entre si mesma. Se é óbvio qual lado é o certo, alie-se com eles, mas em algumas situações será bem confuso. Se você não compreender as dinâmicas internas de uma comunidade, não finja que você entende, e nunca pressuponha que alguém é um vendido sem uma boa razão. Se você sentir que só está piorando as coisas, ou que a maioria das pessoas que você gostaria de ajudar querem que você vá embora, é hora de ir.


Lembre-se, enquanto você pode voltar para casa, a população do local terá que viver com os efeitos das suas decisões. Sempre tente se imaginar no lugar deles antes de fazer escolhas, e pense bem nos resultados a longo prazo das suas ações. Ao mesmo tempo, nunca subestime a capacidade das pessoas de serem radicais. Muitos ativistas liberais têm sonhos secretos de invadir a Casa Branca; um ancião indígena pode ter lutado mano-a-mano com o exército canadense ― e pode estar disposto a fazê-lo de novo, ou pelo menos apoiar você para fazê-lo em seu lugar.


Sendo ConsistenteEditar

Precisamos construir redes de ajuda mútua que possam durar por muitos anos de repressão do governo. Para ocasionalmente para uma ação solidária não será suficiente para alcançarmos isto: é preciso ficar em contato, construir relações duradouras e fornecendo apoio consistente.


Uma grande parte disto pode ser alcançada através da conscientizando pessoas na sua própria cidade sobre lutas distantes, e também unir as lutas locais que ainda não estiverem conectadas. Informe as pessoas sobre os problemas e sobre o que elas podem fazer a respeito. Às vezes é mais fácil envolver as pessoas em lutas locais atraindo o seu interesse em lutas distantes, e então propondo a possibilidade de ações solidárias locais.


Quando você não estiver engajado em ações solidárias longe de casa, existem inúmeras formas que você pode mostrar solidariedade localmente. Você pode organizar mostras de vídeos e outros eventos educacionais para conscientizar, e hospede palestrantes e outros viajantes de locais distantes. Você pode organizar jantares e festas beneficentes para levantar fundos para grupos que precisam de dinheiro. Você pode organizar manifestações na frente ou atacar embaixadas de países envolvidos em atividades inaceitáveis; pode acontecer que governos estrangeiros instáveis levem estes avisos a sério, e diminuam a pressão na comunidade que você está apoiando. Mesmo que não haja embaixada, consulado ou outro alvo óbvio na sua cidade, deve haver algum posto de uma corporação envolvida em injustiças. Através de piquetes, boicotes, destruição da propriedade e sabotagem, deixe-os saberem que existem conseqüências para as suas malfeitorias.


Não importam os detalhes da sua atividade, mantenha os seus olhos na recompensa de se estabelecer redes de solidariedade globais, duradouras, confiáveis. Estamos todos juntos nisso. Trabalho de solidariedade não é caridade: nossas próprias empreitadas, e com elas nossas próprias vidas, depende do sucesso mútuo de nossos esforços combinados contra o capitalismo. Enquanto ninguém cuja vida está em risco respeita os benfeitores liberais, as pessoas irão respeitar você se souberem que você está tão envolvido nas suas lutas quanto eles. Qualquer ajuda que oferecemos a outras comunidades com nossos trabalhos de solidariedade, nos dá de presente experiências e amizades que valem muito mais.


RelatoEditar

Nós recebemos um sinal de fumaça espectral feito de bytes e nybbles requisitando a nossa presença nas planícies geladas de Oneida, no estado de Nova Iorque, nos E.U.A. Não sabendo o que esperar, nosso caloroso bando de improváveis e inadmissíveis andarilhos brancos das planícies do sul partiram numa jornada até as planícies brancas de Oneida. Seguindo as instruções traduzidas às pressas e de qualquer jeito em um orelhão obscuro, chegamos em uma comprida construção de pedra, o lar dos Onyota'a:ka, os tradicionais Oneida da Pedra Ereta. Nós abrimos as pesadas portas de madeira e espiamos.


Um poderosa anciã, a Matriarca Maisie Shenandoah dos Oneida, nos saudou de braços abertos e com um grande sorriso. Uma mulher poderosa, viu gerações irem e virem, e ela temia que esta seria a última a viver em liberdade. Ela explicou que estes doze hectares de terra em que agora estamos ― e as casas sobre ela ― era só o que restava da nação soberana do povo de Oneida, sujeita a nenhuma lei exceto as suas. Este povo orgulhoso e a sua aterra foram atacados por dentro e por fora. Um dos seus foi para Harvard, conseguiu um diploma em administração, e incorporou a tribo como uma corporação, construindo um império financeiro que perspassava o estado de Nova Iorque. Esta era a Nação de Oneida S.A. ― um feudo independente com suas próprias leis, seus próprios impostos, seus próprios tribunais, a sua própria polícia (formada em sua maioria por homens brancos), com Juiz, Executor, Deus, e Estado representado em um homem só: Ray Halbritter.


Conhecido pela população local como "Ray Sem-Rosto" por amaldiçoar o modo de vida dos Oneida e se declarar, contra toda sanidade e tradição, "Chefe Vitalício", Ray estava tentando desenvolver este pedaço de terra, os doze hectares dos tradicionais Oneida, a última terra Oneida soberana restante. Mulheres foram despejadas pelos "Inspetores de Habitação" particulares de Ray, e viram suas casas serem demolidas na frente de seus filhos. Seriam construídos shopping centers, seguindo o padrão do perverso e terrível progresso familiar a qualquer habitante da civilização capitalista ocidental. Se você ficar no limite dos doze hectares, você já pode ver o futuro: um cassino gigante, espalhando-se pela terra como uma carcaça inchada.


O exército particular de Ray estava patrulhando os doze hectares, e nos disseram que a explicação oficial para a nossa presença é que havíamos sido convidados para uma dança tribal. E dá-lhe dança. Uma a uma, todas as famílias Oneida dos doze hectares encheram o pequeno prédio, e com eles trouxeram uma processão interminável de todos os tipos de comida e bebida. Depois de uma refeição agitada, durante a qual o nome de Ray Halbritter foi amaldiçoado do paraíso ao quinto dos infernos, um dos homens mais velhos ficou de pé no meio da sala e começou a cantar em uma língua que meus ouvidos não compreendiam, um som cheio de uma dignidade incomparável. As crianças em seguida acompanharam a sua poderosa voz grave, fornecendo agudos brilhantes. Logo toda a sala, exceto por nós homens brancos, estava dançando como uma tempestade. Eles se recusaram completamente a nos deixar como meros espectadores, nos puxando pela mão até que estivéssemos todos dançando lado a lado, alguns de nós consideravelmente mais desajeitados que outros.


Quando a dança terminou, um homem velho com cabelos brancos puxou dois do nosso grupo para o lado. "Vocês trouxeram tacos de beisebol?" ele perguntou. Não tínhamos certeza do que ele queria dizer, então dissemos que estávamos "prontos para o que for necessário", uma resposta também em código. Ele então começou a nos contar histórias sobre salões de bingo ardendo em chamas e rebeliões dos moicanos, sobre a primeira neve do inverno e as plásticas faciais da mãe de Ray. Depois de um considerável mistério, ele nos deixou com uma mensagem simples: "Parachoques gringo".


Ray Halbritter entraria nos doze hectares para participar de um encontro com seus capangas em uma construção antiga que ele havia fechado para a comunidade há muito tempo atrás. O seu exército particular de gorilas estúpidos estaria lá para espalhar medo nos corações da população. De manhã as palavras do velho se tornaram realidade. Uma pequena fileira de nós totalmente paramentados num bloco negro cercados por uma multidão de Oneidas tradicionais, que iriam pela primeira vez em anos enfrentar Ray abertamente. Nós rezamos para que nossos surrados patches de anarquia e punk nos protegessem das balas. Ray correu para o prédio quando nos aproximamos, e os seus gorilas tentaram prender um dos nossos amigos robustos de máscara preta. Eu gritei, "Deixem ele em paz!"


Mágica.


A polícia de Ray deixou ele em paz. Ficamos em choque. Já que não éramos Oneida, a polícia de Ray não tinha direito legal de nos prender, nem mesmo de nos tocar. Cheios de distintivos, armas e cassetetes, eles simplesmente nos mandaram ir embora. Começamos a rir das suas caras e tirar sarro deles. "Polícia? Vocês nem ao menos são polícia de verdade! Venham, toquem em mim!" "Como vocês se sentem ganhando a vida batendo em mulheres na frente de crianças?" "Não se sentem tão poderosos agora, não é mesmo?"


Os Oneida estavam extasiados, e se juntaram a nós nas provocações. Com a distração da comoção do lado de fora, eles mandaram as suas crianças pela porta de trás do prédio. Lá dentro, Ray e o mundo que ele representava se sentiram como o imperador sem roupas, quando criancinhas corriam pelo seu encontro abertamente desafiando ele e rindo da sua loucura egocêntrica. Logo, a comoção ganhou tamanha proporção que a polícia municipal apareceu, junto com repórteres ― um evento inédito no território de Ray. Os Oneida chamaram a polícia e os repórteres para um lado, mostrando-lhes seus vídeos caseiros da polícia de Ray batendo em mulheres e destruindo seus lares. Sorrisos brotaram em todos nossos rostos quando Ray botou o rabo no meio das pernas e fugiu. O gelo que nos separava dos Oneida começou a quebrar.


Lá estávamos nós, duas tribos ― uma antiga e outra nova ― unidas contra um inimigo comum. A tribo antiga estava lutando para sua sobrevivência e, ao contrário dos nossos ancestrais no Joelho Quebrado, nós demos nossas costas para qualquer aliança por raça, nação e outras invenções para se juntar a eles. A alquimia libertou magia ― a polícia incapaz de policiar, crianças ridicularizando reis. A luta dos Oneida contra a extinção continua, assim como a nossa. Vamos esperar que ela continue unida, enquanto nos damos conta das possibilidades das alianças tribais que podem derrotar nossos momentos mais solitários e os desafios mais difíceis. Vamos lutar ― e dançar ― juntos.

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