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Comunicados da Associação Pró-Anarquia Ontológica
Hakim Bey


Comunicado #10


Para contrabalançar qualquer carma viscoso que possamos ter adquirido com o nosso irado sermãozinho de púlpito contra os cristãos e outros desagradáveis adeptos do fim do mundo ver o último comunicado) e apenas para deixar tudo muito claro: a AAO também denuncia todos os ateus renascidos imbecis e sua fétida bagagem vitoriana de materialismo científico vulgar.


//// Nós aplaudimos os sentimentos anticristãos, é claro - e todos os ataques a todas religiões organizadas. Mas... ao ouvir alguns anarquistas falarem, pode-se pensar que os anos 1960 nunca aconteceram e que ninguém tomou LSD.


//// A maioria dos cientistas, com Alice nos Loucos Países do Quantum e da Teoria do Caos, parte para o taoísmo e para o vedanta (para não falar no dadaísmo) - e ainda assim, se lermos The Match ou Freedom, poderemos pensar que a ciência foi embalsamada com o príncipe Kropotkin - e a religião, com o bispo Ussher.


//// É claro que desprezamos os nazistas da era de Aquário, o tipo de guru louvado recentemente pelo The New York Times por sua contribuição aos Grandes Negócios, o culto aos zumbis yuppies que outorgam franquias, a metafísica anoréxica da banalidade New Age... mas NOSSO esoterismo continua indefinível para esses medíocres contadores de dinheiro e seus servos descerebrados.


//// Os míticos heréticos e antinomianos do Oriente e do Ocidente desenvolveram sistemas fundamentados na libertação interior. Alguns desses sistemas estão maculados pelo misticismo religioso ou psicológicos - e alguns até mesmo se cristalizaram em movimentos revolucionários (os igualitários milenaristas, os Assassinos, os taoístas de turbante amarelo etc.). Quaisquer que sejam suas falhas, eles têm uma certa arma mágica que o anarquismo dolorosamente não possui:


(1) Um sentido de meta-racional (metanóia), formas de ir além do pensamento fragmentado, para se chegar a um pensamento e percepção uniformes (ou nômandes, ou caóticos); (2) uma definição verdadeira da consciência auto-realizada ou liberada, uma descrição positiva de sua estrutura, e as técnicas utilizadas para se chegar até ela; (3) uma visão arquetípica coerente da epistemologia - ou seja, uma forma de conhecimento (sobre história, por exemplo) que usa a fenomenologia hermenêutica para descobrir padrões de significado (algo como a crítica paranóica dos surrealistas); (4) um ensinamento sobre sexualidade (nos aspectos tântricos de várias doutrinas) que valoriza o prazer em vez da autonegação, não apenas por puro deleite, mas também como meio para uma consciência ou libertação aprimoradas; (5) uma atitude de celebração, que pode ser chamada de conceito de júbilo, o cancelamento de débitos psíquicos por meios de uma generosidade inerente à própria realidade; (6) uma linguagem (incluindo gestos, rituais, intenção) com a qual ativar e comunicar esses cinco aspectos da cognição; e (7) um silêncio. //// Não é surpresa alguma descobrir quantos anarquistas são ex-católicos, padres e freiras à paisana, ex-coroinhas, batistas renascidos que escapuliram ou mesmo ex-xiitas fanáticos.


O anarquismo oferece uma missa negra (e vermelha) para des-ritualizar todos os cérebros assombrados por fantasmas - um exorcismo secular -, mas então trai a si mesmo ao criar com remendos sua própria Igreja, toda ela coberta pelas teias de aranha do Humanismo Ético, do Pensamento Livre, do Ateísmo Muscular e da rude Lógica Cartesiana Fundamentalista. //// Há duas décadas demos início ao projeto de nos tornar Cosmopolitas Desenraizados, determinados a peneirar os detritos de todas as tribos, culturas e civilizações (inclusive a nossa) atrás de fragmentos viáveis - e sintetizar, dessa bagunça pós-ortodoxias, o nosso próprio sistema de vida - a última coisa que queremos (como advertiu Blake) é nos tornar escravos de alguém. //// Se algum feiticeiro javanês ou xamã de uma tribo de índios americanos possuir algum fragmento precioso que eu necessite para minha própria maleta de médico, devo eu olhá-lo com desprezo, zombar dele e citar a frase de Bakunin sobre enforcar padres com as vísceras dos banqueiros? Ou devo lembrar-me de que a anarquia não conhece dogma, que o Caos não pode ser mapeado - e servir-me de tudo sem me sentir acorrentado? /// Encontramos as primeiras definições de anarquia no Chuang Tzu e outros textos taoístas; o anarquismo-místico ostenta uma linhagem bem mais antiga do que o racionalismo grego. Quando Nietzsche escreveu sobre os hiperboreanos, acho que estava profetizando a nós - que fomos além da morte de Deus - e do renascimento da Deusa - a atingir um reino onde o espírito e a matéria são uma coisa só. Toda manifestação desta hierogamia, todo objeto material e toda vida, tornam-se não apenas sagrados em si mesmos, mas também algo simbólico de sua própria essência divina. //// O ateísmo nada mais é do que o ópio do povo (ou melhor, o paladino que ele mesmo escolheu) - e não uma droga muito fascinante ou sensual. Se formos seguir o conselho de Baudelaire e estarmos constantemente embriagados, a AAO preferia algo como os cogumelos, muito obrigado. O Caos é o mais velho de todos os deuses - e o Caos nunca morreu.


Comunicados da Associação Pró-Anarquia Ontológica
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