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Na luxuriosa projeção em multi-telas de Baltimore, o cineasta Isaac Julien dá uma guinada pós-moderna, de ficção científica, às convenções da “blaxploitation” dos anos 1970 Editar

Calvin Reid
Afrofuturismo
(Original em Inglês)



Cineasta inglês muito elogiado, Isaac Julien cria exercícios cerebrais, porém intrigantes, de análise pop-cultural que conseguem mostrar o humor dinâmico e a vitalidade sexy da própria cultura pop. Em trabalhos documentais como Looking for Langston (1989), Julien examina muitos dos mesmos contextos culturais, convenções sociais e legados históricos apresentados em seus filmes de arte, mais particularmente Vagabondia (2000), Three (The Conservator’s Dream) (1996-99), e Paradise Omeros (2002).

Raça, classe e sexualidade tal como são mostrados no cinema geralmente formam os fundamentos de sua obra. Seu trabalho também satisfaz as convenções narrativas básicas – uma realização nada desprezível nas produções cinemáticas e de vídeo-arte contemporâneas – oferecendo seções de começo, meio e fim. As narrativas alegóricas iluminam e manipulam questões intensas profundamente incrustadas no assunto tratado.

Black-caesar.jpg

Baltimore (2003), filmado em filme de 16 mm, transferido para DVD e projetado em três grandes telas, é um derivado artístico de BaadAsssss Cinema, o documentário de Julien de 2002 sobre os filmes negros de ação dos anos 1970. Em BaadAsssss Cinema, ele incorpora elementos de representação icônica popular desse período, mostrando divertidos fragmentos da mitologia do gueto urbano e sua coleção de grandes cabeleiras afro, cadilaques, e manos negros de saco cheio dos “tiras”. Baltimore foi recentemente exibido na Metro Pictures em Nova York juntamente com uma seleção complementar de belas fotografias coloridas.

A obra retrata Melvin Van Peebles, diretor do seminal filme blaxploitation Sweet Sweetback’s Badaaaass Song (1971) e arquétipo do gênero, num tributo ao cinema urbano negro. Filmado em diversas instituições de Baltimore – o Museu de Arte Walters, a Biblioteca Peabody e o Museu de Cera dos Grandes Negros – o filme começa com cenas de rua de uma área de gueto que parece saída diretamente de filmes como Foxy Brown ou Black Caesar. A trilha sonora oferece fragmentos de diálogo de Sweetback. Em telas separadas, o verdadeiro Van Peebles e uma linda mulher negra no estilo Foxy Brown usando uma enorme peruca afro pelas ruas da cidade. Ambos acabam em instituições, vendo arte da Renascença no Museu Walters, percorrendo a dramática arquitetura da Peabody, e examinando a documentação pop das figuras políticas, esportivas e do mundo do entretenimento retratadas nos Grandes Negros em Cera. A câmera rastreia seu percurso literal pelas paredes destes armazéns de artefatos e estilos sociais, mas a seqüência também evoca uma jornada metafórica. Os movimentos das duas figuras sugere uma viagem simbólica através do tempo e do espaço, e por uma sucessão de antigas representações da realidade urbana. A sonhadora câmera de Julien se move das ruas quase vazias da Baltimore da classe trabalhadora negra para se demorar no misterioso espaço urbano mostrado em Perspectiva da Cidade Ideal (aprox. 1500)[1], uma pintura de um artista italiano desconhecido na coleção do Walters.

Eventualmente, descobrimos que a bela companheira negra é algum tipo de ciborgue, uma Pam Grier turbinada tecnologicamente, por assim dizer. Julien adiciona efeitos especiais espetaculares e, enquanto assistimos, ela muito de repente se eleva acima do chão e flutua sobre a rotunda da biblioteca à maneira de Matrix antes de descer de volta à terra firme com elegância e atitude. Esta prolongada seqüência oferece uma interessante comparação entre a convencionalmente chamada grande arte (e seus retratos da cidade) e as românticas representações do urbano celebradas na cinematografia “clássica” e popular do gueto negro. O filme pode ser visto como um equivalente artístico da viagem no tempo e uma versão inteligente, extremamente pop, da ficção científica negra. Intencional ou não, o filme também apresenta alusões ao afro-futurismo, um arguto movimento crítico (relativamente associado a escritores/artistas tais como Greg Tate, Samuel R. Delany, Tricia Rose e DJ Spooky) que usa os paradigmas históricos da Diáspora Africana – isolamento edênico, abdução e dispersão, assimilação à alien-nação e hibridização cultural – para imaginar as vidas da gente negra num futuro distante.

Baltimore termina quando Van Peebles confronta um desconcertante agrupamento de heróis negros do museu de cera – Martin Luther King, Jr., Billie Holiday e até uma réplica dele mesmo (que foi feita para o filme e mostrada na Metro Pictures) – todos colocados numa grande galeria de pinturas no Walters. As figuras estão posicionadas como se estivessem ali para ver as pinturas. Representações históricas, o filme sugere, permanecem num curioso diálogo mais além das realidades e fantasias da cultura e do tempo.

Julien captura vividamente uma nostalgia pelo libidinoso funk perceptivo da vida de gueto no cinema juntamente com uma elegante leitura da pintura tradicional, ligando estes diferentes momentos numa engenhosa além de iluminadora meditação visual.


Referências

  1. Também conhecida como Cittá Ideale – Tavola di Baltimora. (N. do Trad.)


Tradução de Ricardo Rosas


Rizoma.png   Este texto foi originalmente publicado por Rizoma.net.


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