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Relato de Agropunk de sua viagem em busca de várias Okup@s e centros culturais

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Quando cheguei em Rosario, vindo com a carona que consegui em Vitoria, encontrei a Ale e Manolo, parei um tempo na casa deles até ir a Buenos Aires.

Lunica.jpg

Nesse dia mesmo Ale me ensinou como conseguir muita comida de graça em Rosario, tanto através do desperdicío que existe aqui como em qualquer outro lugar do mundo que utilize uma forma de produção em massa insana, como a nossa já famosa tática de sobrevivência (Yomango) ao grande mal capitalista de nossos tempos.

Bici.jpg

camino para recicle

Na quinta feira fui pegar o trem com destino a Malos Aires, e pude perceber mais uma faceta degradante desse sistema; as diferenças entre o centro da cidade, uma mini-Europa, e as "Villas" ou periferias não tão longe do centro: lixo pelas ruas, crianças descalças, barracos feitos de madeira ao longo da via do trem, e até umas okupações feitas em vagoẽs abandonados que famílias remodelaram como casas.

Chegando em "Malos Aires"

Resita.jpg

Resistência

Chegando em Malos Aires Encontrei pessoas de outra okupa, Kasa Noise, na periferia da capital também, onde mantém uma biblioteca e agora estão começando algumas atividades integrando a população ao redor, como filmes, documentários e debates no espaço da frente da okupa.

No outro dia participei com eles de um ato pela liberdade de um compa anarquista preso a poucos dias, por vários atentados contra o poder e por estar desafiando a ordem e estando em liberdade e sendo procurado já por 5 anos antes de ser preso em uma cárcere pelos lacaios do capital.

Enmanos.jpg

No outro dia por indicação de uma amiga que conheci por lá, fui conhecer um espaço chamado Cucoco, no bairro de Saavedra um espaço que um dia foi um terreno baldio cheio de lixo e que era usado como ponto para consumo de entorpecentes e que a partir de 2001, em plena crise da República Argentina, uma associação de moradores se juntaram, discutiram e resolveram okupar o lugar para reformar o galpão, para ser um espaço de reunião e discussão politíca e começar uma horta orgânica, buscando autonomia alimentar num tempo em que as possibilidades de se coseguir alimentos eram muito escassas. Desde então o espaço têm resistido e agregado cursos de introdução à Permacultura, artesanato, oficina de dança e expressão, debates,charlas e exposições de documentários e filmes politícos. Hoje em dia resiste às tentativas de desalojo para a construção de uma prisão no local, com a destruição de uma das poucas áreas verdes e públicas que ainda existem. Sempre assim, o Governo massacrando iniciativas autônomas para construir centros de encarceramento daqueles que ousam pensar e lutar por algo além de todo este sistema podre e infecto. Isso me lembrou do acontecimento do ano passado (2009) em que o governo ultra-fascista de Macri desalojou a Huerta Orgázmika e invadiu o centro cultural La Sala levando diversas pessoas presas, algumas que nem estavam no momento da resistência e do protesto posterior.

Tomate.jpg

Tomate anárquico

Nomâdes e vagabundos libertam.

Por acaso um livro que peguei na biblioteca da okupa era um livro sobre "Crotos y Linyeras", ou vagabundos errantes, nomâdes anarquistas, insurrecionários, que pelos idos de 1800 e tanto, perambulavam pelo território Argentino em trens de carga cantando suas canções libertas e libertárias e divulgando material anarquista para povoados muito afastados da capital. Lendo as experiências de outros seres humanos, que, assim como nós hoje em dia, possuíam um desejo de conhecer, de destruir, de vagar, de libertar, de construir outros mundos possíveiss livre das rotinas estafantes, da mediocridade que massacra e empacota nossos sonhos, tentando transformá-los em produtos a serem consumidos no grande supermecado da medíocre civilização global.

"Liberdade é pouco, o que eu quero ainda não tem nome". Essa frase que um amigo me disse uma vez no último encontro do Carnaval Revolução voltou a minha mente enquanto perambulava pela cidade atrás de um outro local abandonado transformado em centro cultural, o La Sala, no bairro de Caballito, um antigo bar em que se desenvolvem várias cooperativas como silk-screen, publicação de livros libertários e de produtos de limpeza, e atividades semanais como tokatas e exibição de filmes e documentários com debates.

Lá encontrei com outra pessoa que estava me correspondendo, uma companheira do Brasil que vive em uma outra okupação, uma fábrica abandonada que foi okupada e transformada em um imenso centro cultural e social autogestionado, Tucuy Paj. Lá existem também diversas atividades que integram a população dos arredores, que já vivem em okupações também, e outras que mantém o espaço ativo e prosperando, como uma linda biblioteca e uma horta muito grande que já dá seus primeiros alimentos, que são por vezes até compartilhados.

Conhecer todas as pessoas que tenho conhecido, que tem me recebido em seus espaços, suas casas, enfim confiando em um desconhecido me faz ter esperanças, me faz saber que apesar da cultura de apatia e medo em que vivemos hoje, da educação pensada para nos limitar e padronizar, de tudo aquilo que este sistema executa para minar a autonomia de cada indivíduo, eu confio que podemos, iremos e já estamos construindo outro mundo possível e necessário, integrado, livre. Livre de barreiras, fronteiras, do medo, do desrespeito e cheio de amor, sedução, intensidade, vida, enfim...

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