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Reclame as Ruas

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Receitas Para o Desastre
CrimethInc


IngredientesEditar

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  • Muitas pessoas divertidas
  • Material para bloquear a rua — como sofás, carros de ferro velho, tripés e pessoas experientes para ficarem nos tripés
  • Um lugar para o encontro e uma rota para chegar lá bem explorados e vigiados
  • Panfletos, pôsteres e outros materiais de propaganda anunciando o evento
  • Panfletos para distribuir aos passantes durante o evento, convidando-os as participar e explicando o evento
  • Megafones
  • Faixas e bandeiras com mensagens
  • Giz, tinta spray e estêncils
  • Aparelho de som portátil — isto pode variar desde um caminhão de trio elétrico até uma bicicleta com um micro system; lembre-se, seja lá o que for, poderá ser confiscado pela polícia
  • Decoração — infláveis, bonecos, bandeiras, enormes icosaedros de metal, grandes sóis, luas e animais de papel maché
  • Jogos — como amarelinha, pular corda, etc.
  • Uma câmera polaroid e fotos para dar para as pessoas — e talvez adesivos para colocar nelas
  • Comida, massagens e outras coisas de graça


InstruçõesEditar

Uma ação de Reclame as Ruas ocupa o espaço público para mostrar algumas das formas que ele pode ser usado que são mais criativas, excitantes e dirigidas à comunidade do que o simples comércio ou tráfego; essencialmente, é um carnaval de rua radical e no estilo faça-você-mesmo. Não é tanto um protesto confrontando as autoridades que inibem tais atividades, é mais uma demonstração que escapa ao controle delas para fornecer um exemplo temporário do que todos estamos perdendo. Esta pode ser uma maneira excelente de uma comunidade radical se divertir e praticar a reinterpretação e reorganização da vida pública, enquanto cria novos desejos e uma expansão da noção do que é possível nos passantes.


Você pode divertir a todos colocando sabão em pó para louças em fontes públicas.


O elemento mais básico de tal ação é um terreno a ser reclamado. Antes de escolher um lugar, determine o tamanho do desafio que você está pronto para encarar. Existem muitos parques e calçadas que merecem ter uma nova vida soprada neles, e é sábio não exagerar na primeira vez: se a sua cidade não tem uma vida social, é provavelmente melhor começar a reunir as pessoas de uma maneira discreta e sem riscos do que entrar diretamente em grandes confrontos com a polícia. Ao mesmo tempo, se a sua comunidade estiver pronta, existe muito a ser feito por ocupações altamente visíveis e ambiciosas de áreas que ninguém imaginaria que elas poderiam ser usadas para outras coisas além das funções às quais o capitalismo as confinou. Uma centena de pessoas dançando, jogando bola e fazendo piquenique no meio de uma auto-estrada enquanto todos outros suam e xingam no tráfego certamente deixa claro o conflito entre os partidários do prazer e dos negócios. Tal ocupação com certeza será frustrante para pelo menos algumas pessoas que se aproveitam do status quo; como regra geral, normalmente é melhor ir adiante e incomodar os chefes e burocratas, enquanto se têm o cuidado de entreter e aproximar o João e a Maria ao invés de deixá-los furiosos.


Não importa quanta interrupção nos negócios você planeja causar com o evento, ela deve ocorrer em um lugar onde as pessoas se reúnam naturalmente, em um horário em que será mais provável que elas parem para ver o que está acontecendo. Portanto, se você escolher uma zona comercial no final do horário comercial de sexta-feira será perfeito, enquanto que no sábado à tarde seria melhor fazer em uma praça movimentada. Uma boa ação Reclame as Ruas não é apenas um festival só para quem tem convite com a participação de uma elite, mas sim uma festa surpresa com o grande público como convidado de honra. Pense durante o planejamento sobre como você fará os estranhos se sentirem bem-vindos ao participar do seu evento — se você fizer bem o seu trabalho, eles vão estar participando antes mesmo de pararem para pensar a respeito.


Quando se trata de promoção e de publicidade, uma ação Reclame as Ruas, como qualquer ação não-autorizada, é meio que um nó cego no qual é preciso passar sem ser notado pelo radar das autoridades ao mesmo tempo em que está na cara para todos os demais. Mesmo se você estiver planejando um evento em um parque público, você descobrirá que as regras que cercam o uso tanto de propriedades privadas como do espaço público foram feitas para impedir que as pessoas se reúnam fora do circuito do comércio e do consumo. Pedir uma autorização provavelmente só atrairá mais atenção oficial e, conseqüentemente, tentativas de impedir que o seu evento aconteça, a menos que você esteja pronto para trilhar este caminho até o final e tiver o conselho legal, os recursos financeiros, tempo livre e o privilégio de ser respeitado pelas autoridades. Isto significa que o direito de organizar eventos públicos é reservado para aqueles que mais se parecem com corporações e agências do governo, então pode valer a pena fazer as coisas sem autorização só pelo fato de abrir um precedente em favor da liberdade de expressão.


Se você for trabalhar sem autorização, é melhor fazer bom uso do elemento surpresa, para que a polícia não esteja pronta para acabar com o seu evento imediatamente. Se você só divulgar o seu evento através de canais que não cheguem aos olhos e ouvidos das autoridades, isso pode lhe garantir esta vantagem, mas limitará a participação somente a convidados e passantes. Uma alternativa, é você manter o lugar do evento secreto até o momento que em que ele começar, ou de alguma forma atrair tantas pessoas a mais ou mostrar mais energia e sagacidade do que qualquer pessoa poderia esperar para que a polícia não esteja pronta para lhe impedir.


De acordo com o seu plano, ou você precisa anunciar o seu evento secretamente e de forma segura, ou o mais abertamente possível. Uma forma de combinar as duas abordagens é anunciar o evento com uma gama de pôsteres diferentes — "círculo aberto de percussão para saudar a primavera", "junte-se a uma banda de tambores radical", "concurso de bicicletas modificadas" — enquanto ao mesmo tempo espalha a palavra para todos que você confia de que esses eventos se fundirão num Reclame as Ruas.

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Se você precisa manter a área alvo em segredo, mas quer promover o evento abertamente, divulgue somente um ponto de encontro. Todos podem se reunir lá, e então proceder para o destino secreto. Caso necessário, divida a multidão em pequenos grupos, cada um liderado por alguém que esteja por dentro, para que a polícia tenha dificuldade para acompanhar todos; os grupos podem convergir subitamente para o mesmo local e horário, e a festa começar. Uma bicicletada (veja Bicicletadas) também pode ocorrer, para vigiar a área, para deixar a polícia confusa e somar-se à atmosfera festiva.


Pode ser necessário bloquear a área que você escolheu (veja Bloqueios e Fechamentos). Geralmente é melhor desviar o tráfego do que trancá-lo completamente, tanto para manter relações agradáveis com os outros cidadãos quanto para manter seu evento sustentável. Placas de sinalização, cones e cavaletes caçados e coletados de ambientes urbanos darão um ar oficial à sua barricada, enquanto sofás e poltronas irão enfatizar a divisão entre local de trabalho e local de diversão. Você pode comprar carros de ferro velho — pagando em dinheiro, não deixando nenhum registro de como ele foi comprado — e desativá-los no meio de cruzamentos estratégicos. Ações ambiciosas de grande escala de Reclame as Ruas já utilizaram enormes tripés com pessoas sobre eles para garantir espaço; isto é perigoso, é claro, e só deve ser tentado por pessoas com muita experiência. Se você quiser reservar uma área geralmente cheia de carros estacionados, estacionem com antecedência seus próprios carros em todas as vagas, e então retire-os todos de uma vez, deixando as vagas ocupadas com os materiais descarregados dos carros para o evento. Alternativamente, uma caminhonete ou caminhão cheio dos materiais pode passar por lá no momento certo e ser descarregado pela multidão. Os materiais também podem ficar escondido em algum lugar cerca — numa caçamba de entulho, se necessário, presumindo que você saiba o horário em que ela será recolhida!


Essa é a parte difícil. Agora imagine todas as coisas divertidas e emocionantes que você pode fazer na sua zona liberada! Estenda o tapete vermelho, construa uma caixa de areia, amarre laços por tudo, pendure faixas (veja Faixas Penduradas e Faixas Içadas), jogue flores (veja Revirando Lixeiras), decore toda a superfície da calçada com giz — a decoração conta um monte quando se trata de reinventar um espaço e dar um novo tom para o que pode acontecer nele. Encene casamentos, teatro de bonecos, leitura de poesias, jogos de imaginação, sátiras de discursos políticos, círculos de percussão, teatro de rua. Arme bancas com comida de graça, biscoitos da sorte, literatura (veja Distribuição, Informação e Bancas), massagens, retratos (veja Troca de Retratos) ou leitura de mãos. Leve um tapete para se dançar break. Leve pernas-de-pau, DJs animando pistas de dança, música ao vivo, jardineiros libertários plantando árvores frutíferas e ervas resistentes, malabares e palhaços. Distribua as manifestações pelo espaço de forma que elas não atrapalhem umas às outras. Transmita programas de rádio pirata para informar e convidar as pessoas próximas.


Você pode deixar canos de PVC quase inquebráveis enchendo-os com spray espuma espansiva de poliuretano (encontra-se em ferragens).


Tomadas elétricas não são fáceis de se encontrar em espaços públicos — procure em postes de luz ou mesmo em lojas. Elas serão úteis para fornecer energia para instrumentos musicais, ventiladores para encher infláveis, projetores e luzes e outras máquinas doidas.


Vamos enfatizar isso mais uma vez: crie tarefas silenciosas para a sua festa de rua! Por exemplo, você pode pintar algo divertido num compensado de madeiras com buracos cortado nele, e dar de graça polaroids das pessoas com suas cabeças enfiadas nos buracos, colando um adesivo em cada uma com uma frase para a imagem, informação sobre o evento ou o endereço de um sítio de internet relevante. Tenha também panfletos prontos para distribuir para os observadores explicando o significado do evento e as várias perspectivas dos envolvidos.


Bole maneiras de convidar e envolver as pessoas de todos os níveis sociais. Por exemplo, se você está lecionando para uma turma de jovens, leve a turma, com algo para eles apresentarem ou fazerem para a ocasião. A presença de estudantes pode ajudar a afastar os perigos impostos por agentes da lei emocionalmente instáveis.


A polícia, quando chegar, irá perguntar quem é o responsável. Certifique-se de que todos envolvidos saiba dizer que eram apenas passantes ocasionais que por acaso se juntaram. Por quanto mais tempo as autoridades ficarem confusas e sem saber o que fazer, mais tempo durará o seu evento. Em algum momento, depois que se orientarem, eles se aproximarão para forçar as pessoas a sair do local e talvez efetuar algumas prisões. Geralmente é bom acabar tudo antes que algo deste tipo aconteça, para sair na dianteira e garantir que todos tenham uma experiência positiva — mas lembre-se, a polícia geralmente usará técnicas de intimidação antes de fazer qualquer outra coisa, então é bom desenvolver um instinto para saber quando eles estão blefando. Tenha certeza de que todos podem sair rapidamente da área, e que a polícia não vai saber quais carros estacionados nas redondezas pertencem a pessoas participando do evento. Quando for hora de ir, material precioso pode ser escondido em algu lugar e buscado mais tarde, se necessário.


Tenha um grupo jurídico pronto para pagar a fiança de qualquer pessoa que for presa, e se possível um advogado para lidar com casos relacionados ao evento. No começo do evento, pode-se distribuir cartões com um telefone para se ligar em caso de prisão.


Uma outra dica: durante a preparação, além de tudo mais que você terá que fazer para se aprontar, avise os seus colaboradores que você estará levando uma supresa especial ao evento. Desafie-os a fazerem o mesmo.


RelatoEditar

Em Washington, nós tivemos duas ações de Reclame as Ruas (e algumas outra ações que não foram especificamente rotulada como tal, mas foram planejadas de forma similar). Este é um relato do primeiro Reclame as Ruas de Washington, que aconteceu no sábado, dia 23 de junho de 2001.


Um pequeno grupo começou a planejar a ação alguns meses antes da data definida. Durante as primeiras duas reuniões nós falamos sobre a nossa visão do evento e sobre como organizá-lo. Na segunda reunião nos dividimos em grupos de trabalho: relações públicas e divulgação, tática (e bloqueio, que neste caso significava carros), arte e diversão e jogos. Os grupos se reuniam separadamente e compartilhavam informação com os outros grupos falando só o necessário. Por exemplo, eu estava no grupo central da organização, mas não no grupo tático, então eu não sabia até a manhã do dia do evento, qual seria o destino final ― e só fiquei sabendo neste momento porque eu precisaria levar um material lá com antecedência. Outros no grupo central não sabiam do local até chegarmos lá. Isto era muito importante: para o nosso plano funcionar, precisávamos do elemento surpresa para podermos bloquear as ruas sem que a polícia soubesse o que estava acontecendo.


Canos de PVC se quebram, são estruturalmente fracos, ambientalmente destrutivos e inferiores em inúmeras outras maneiras. Você pode usar bambu, madeira ou canos de metal para fazer praticamente qualquer coisa que faria com ele, e melhor.


O grupo de relações públicas e divulgação dez centenas de pôsteres e panfletos coloridos. Na frente dos panfletos lia-se: "Festa na Rua! Encontro na rótula Dupont, às 15h, sábado, dia 23 de junho, apresentando os DJs (seguido do nome de cinco DJs), Grátis! Reclame as Ruas!" e também informava o nosso endereço na internet e uma imagem de pessoas dançando. No verso, lia-se: "Com DJs ao vivo, dança, música, teatro de rua e futebol. Tragam giz, brinquedos (especialmente pistolas d'água e frisbees), aparelhos de som, faixas, cartazes e fantasias. Descer das calçadas para as ruas nos aproxima e nos permite desafiar a desumanização de nossas vidas. Uma festa de rua é uma zona liberada, onde podemos pôr em prática a vida como gostaríamos que ela fosse — cheia de cores, comunidade e ajuda mútua." Nós queríamos que o pôster fosse atrativo para pessoas de todos os tipos, desde jovens clubbers e ativistas até pais e filhos. Também fizemos pôsteres de 27cm x 34cm e os colamos em postes por toda a cidade usando cola de farinha (veja Cola de Farinha).


O grupo tático estava encarregado de decidir onde realizar o evento, que trajeto tomar para chegar até lá, e como bloquear a rua para que pudéssemos assegurar a área que queríamos pelo maior tempo possível. Em nosso grupo maior, escolhemos o ponto de encontro para a ação, a rótula Dupont. Esse ponto de encontro foi divulgado publicamente nos panfletos. Escolhemos Dupont porque ele era um parque público onde um grande número de pessoas poderia se encontrar em um dia de verão sem chamar muito a atenção, era acessível para quem fosse de transporte público, e, como diversas ruas saíam da rótula, seria difícil para a polícia bloquear o nosso deslocamento.


Um subgrupo do grupo tático era o grupo dos carros, responsável por conseguir carros velhos que pudessem rodar alguns quilômetros mas fossem velhos o suficiente para que não fosse uma grande perda deixá-los para trás. Ele acabaram pagando algumas centenas de dólares, em dinheiro, por dois carros. Os antigos donos transferiram os documentos dos carros para os nomes falsos que os compradores lhes deram; para uma ação não tão urgente, seríamos capazes de conseguir carros de graça com um pouco mais de tempo e procura. Foram também os membros do grupo de carros que, na manhã da ação, dirigiram os carros para os dois extremos da rua que iríamos reclamar, agiram como se os carros tivessem quebrado no meio da rua, e então fingiram ver o que havia de errado com os carros enquanto na verdade os enguiçavam para que fosse mais difícil movê-los. Mais tarde, os seus pneus também foram cortados. Somente o grupo tático sabia quem estava no grupo dos carros, já que o pessoal dos carros estava numa posição de alto risco.


O grupo de artes passou os meses anteriores ao evento fazendo belas faixas e bandeiras, que foram carregadas na passeata até o destino do Reclame as Ruas e penduradas sobres os carros enguiçados e na entrada da festa. Eles também fizeram grandes figuras de papel maché — inclusive um enorme sol, lua e trovão (os símbolos do Reclame as Ruas), que foram carregados no desfile e usados para decorar a festa.


O grupo de diversão e jogos reuniu montes de jogos e brinquedos para serem usados durante a festa — incluindo vários jogos Twister, centenas de bexigas d'água, giz, tinta spray, cordas de pular e coisas para fazer barulho. Este grupo também passou algum tempo resgatando do lixo sofás, cadeiras, cones de trânsito e coisas em geral para decorar o local e ajudar a bloquear a rua.


Nós provavelmente deveríamos ter tido também um grupo para levantar fundos, pois gastamos um bom dinheiro e a arrecadação de dinheiro acabou não acontecendo de uma forma muito organizada. Entretanto, nós conseguimos coletar uma boa quantidade de dinheiro, andando pelo meio da festa com latas de lixo sugerindo que as pessoas "jogassem seu dinheiro fora"!


Um grande problema dentro da nossa organização e que temos tentado corrigir desde o nosso primeiro Reclame as Ruas são as divisões entre gêneros e pessoas com diferentes níveis de experiência. Para dar um exemplo, o grupo tático era composto inteiramente de homens que eram amigos e ativistas experientes, enquanto outros grupos eram compostos por mulheres e muitos dos homens que eram menos experientes com ativismo. Esta divisão, na qual os homens fazem o "sexy" trabalho de vanguarda enquanto as mulheres fazem trabalhos preparatórios nos bastidores, era bem comum em alguns dos grupos ativistas de Washington. Fazer com que as pessoas mais experientes e que se conhecem façam as ações mais arriscadas juntos pode fazer sentido, mas também pode ser uma desculpa para evitar o compartilhamento de habilidades, difusão do poder ou de assumir trabalhos mais ingratos. Toda ação deve ser uma oportunidade para que novas pessoas aprendam novas habilidades e novos desafios, e para desafiar as barreiras de gênero, raça e outras barreiras que nos impedem de assumir novos papéis.


No dia do evento, algo entre uma e duas centenas de pessoas se encontraram na rótula Dupont e caminharam em massa até o nosso destino. Durante a caminhada, a vitrine de uma cafeteria Starbucks foi quebrada. O nosso destino era uma rua movimentada com muito trânsito de pedestres, em um bairro de renda moderada com uma população variada que incluía muitas pessoas como nós (então não estaríamos nos apropriando do bairro dos outros). Os três quarteirões que ocupamos tinha muito comércio independente e algumas lojas corporativas, e seria ótimo como um calçadão — então foi isso que nós criamos por um dia. Os extremos da rua estavam bloqueados com os carros, sofás e outros "lixos", mas deixamos um beco aberto através do qual nós poderíamos fugir ou pelo menos remover o equipamento de DJ caso a polícia viesse, e através do qual os carros que ficaram "presos" na área poderiam sair.


Sob muitos pontos de vista esse Reclame as Ruas foi um grande sucesso. O pessoal de rádios piratas estabeleceram uma transmissão simultânea à ação para anunciar os eventos, encorajar a participação e fornecer música para toda área. O clima estava perfeito, um sistema de som portátil e DJs, círculos de percussão, comida grátis do Comida Não Bombas, jogos de Twister, giz e arte de tinta spray, pernas-de-pau, propagandistas, panfletos convidando os observadores a participar, faixas proclamando "Liberte a Cidade, Mate o Carro, Reclame as Ruas", skatistas que usavam os carros velhos como rampas, crianças brincando e mais.


É claro, havia alguma polícia por perto — mas surpreendentemente, eles não dispersaram o Reclame as Ruas nem entraram na nossa zona autônoma temporária. Como este foi o primeiro Reclame as Ruas em Washington, a polícia estava totalmente confusa com o que estava acontecendo. Eu ouvi alguns policiais discutindo sobre a situação: "Eles devem ter uma autorização. Quero dizer, eles não fariam isso sem uma... fariam?" Eles demoraram algumas horas para se dar conta de que sim, nós estávamos fazendo uma festa de rua sem autorização. Então eles informaram a multidão que teríamos que sair às 18h ou então eles iriam prender todos. Como a intenção desta ação era fazer uma festa diurna e nós não estávamos preparados para ocupar a área por mais tempo que isso, nós concordamos, mas dissemos que iríamos caminhar juntos (nas ruas!) até um parque a mais ou menos oito quadras de distância de forma que as pessoas que quisessem poderia continuar a festa lá. Então, depois de quatro horas reclamando aquele espaço, nós nos movemos novamente, caminhamos até o parque, ficamos por lá, e então nos dispersamos quando nos deu vontade.

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