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Quem Tem Medo do Lobo Mal?

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Osvandil Silveira Quimas

Grande parte das pessoas se opõe preconceituosamente às teses libertárias defendidas pelo Anarquismo, principalmente devido à desinformação acerca do assunto, ou seja, por ignorância.

A educação conduzida pelo Estado e disseminada através das suas instituições, capachos do sistema vigente, evitam no discurso pedagógico, por ser temerária, a reflexão em torno do tema da liberdade, vinculando o ensino aos objetivos econômicos e políticos de seus próceres, que visam principalmente a manutenção de suas políticas, fios condutores do liberalismo, que nestes tempos apresenta uma das suas fases mais brutais.

A educação orientada pelas normas instituídas não busca o pleno desenvolvimento do potencial inato do educando, mas aparelhá-lo para melhor servir aos propósitos do setor chamado “produtivo” da sociedade, definindo-o dentro da igualdade da expressão “homem-máquina”, que não considera as afinidades e predisposições naturais do indivíduo, mas tão somente a sua “função” no processo econômico.

Um número incalculável de pessoas, talvez a grande maioria, opta por fazer carreira, distanciando-se de suas aptidões naturais e aspirações enquanto indivíduo apenas devido a questões econômicas, pois o mercado de trabalho para algumas profissões ou é limitado, ou dá um retorno financeiro insignificante e, às vezes, mesmo indigno. Assim, em detrimento da sua essencialidade, deixa-se subjugar pelos ditames de um modelo desumano e cede às imposições do determinismo capitalista, ainda mais enfático na sua atual fórmula neoliberal.

No Brasil e em muitos outros países, a escola foca principalmente aparelhar o aluno para o sucesso no vestibular e, conseqüentemente, todo o conteúdo didático espelha essa diretriz. Semelhantemente, em outros, ainda que não haja vestibulares, existe o objetivo de acesso às instituições mais afamadas, de maior projeção no meio acadêmico, e é o currículo escolar o vetor de acesso a tais organizações de ensino. Ambas as fórmulas praticamente representam um mesmo pensamento, uma mesma linha de conduta, pois objetivam pragmaticamente o mesmo fim: tão somente fornecer mão-de-obra adequada ao mercado de trabalho, olvidando o significado do termo “ser humano”.

No discurso pedagógico formal faz-se cautela quanto à livre expressão do pensamento e do comportamento libertário. Há carência de reflexão, da busca do autoconhecimento, essencial ao desenvolvimento pleno do indivíduo enquanto ser único que é.

O modelo do “homem bem sucedido” é aquele estereotipado dos meios de comunicação: detentor de uma conta bancária invejável, vestido das melhores marcas, consumidor dos produtos mais sofisticados, mas que na verdade é um dos baluartes na manutenção de um sistema injusto e causador das grandes distorções sociais. Não há glamour real quando se desfila pelas estradas numa Ferrari e em outras, na África, por exemplo, as pessoas morrem como moscas famintas.

Esse homem não foi formado para ter preocupações sociais, mas para gerar lucro para as empresas que lhe empregam, ou para consolidar as políticas que a ele levam. É uma fera que engole massas de indivíduos e regurgita dólares. Não lhe apresentaram alternativas, mas sempre lhe fizeram crer que o seu papel é o de ser “produtivo” aparte qualquer consideração humanitária, independente de qualquer repercussão social de suas atitudes, no máximo se dentro dos nichos de mercado houve receptividade do público consumidor ao produzido, esta a única preocupação de fato, o resto não passa de dissimulação.

Aonde a educação? Aonde a mídia? Ambas responsáveis pelo calote ao espírito de cooperatividade, à divisão equânime da riqueza, do fruto do trabalho, à solidariedade entre os indivíduos e povos. É através da educação e da informação, instrumentos apropriados pelo poder, que se mantêm os conflitos e as divergências, evitando maliciosamente assim, a solução definitiva que propiciaria a união de todos em prol do bem comum.

Estendendo-se um pouco mais no assunto, moto perpétuo da mídia não independente é transformar a vida em um espetáculo a ser consumido, num “circus” que nega aos protagonistas a sua constituição de carne, ossos e sentimentos. Quem assiste aos jornais televisivos, por exemplo, assiste antes a uma produção hollywoodiana onde as partes envolvidas na trama mais se assemelham a atores em função do que a pessoas reais, daquelas que convivemos no dia-a-dia. À indústria da mídia interessa o espetáculo e vender sua produção e amealhar patrocínios, não, transformar o mundo e esclarecer de fato às pessoas. Evidencia o caos, mas como se este se passasse num planeta distante, ou quando o contrário, para despertar o temor e a impotência, num grau sofisticado de terrorismo.

Quem vê no Anarquismo um Lobo Mal é justamente a classe dominadora, pois quer se perpetuar no poder. Os anarquistas não querem poder algum, querem a liberdade, a ausência de governo, a ausência de determinismos, a igualdade de oportunidades, a construção de uma sociedade solidária capaz de se autogerir.

Se o pensamento anarquista é um mal, o é para aqueles que desejam subverter o indivíduo e escravizá-lo, acorrentando-o indefinidamente aos grilhões da subserviência. Numa sociedade livre cada um governa a si mesmo e colabora livremente com a sociedade da qual faz parte, desenvolvendo integralmente o seu potencial e aplicando-o a favor de todos.

Quem tem medo do Lobo Mal? Você?

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