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Primitivismo e artificialidade

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Companhias de cartão de crédito e sistemas de impostos, mecanismos de domesticação e exploração da vida, o mundo das coisas que substituem o mundo das relações, consumo e poluição, os dois lados da mesma moeda - pânico e desconfiança com relação ao futuro se tornaram sentimentos comuns entre estes que fazem parte das últimas gerações do século XX e do início do XXI.

Também por este período em meio caos capitalista e no coração de um regime autoritário e máquina de guerra estatal disfarçados de potência democrática - os Estados Unidos da América - emergiu entre a resistência libertária uma nova vertente anarquista crítica à civilização - ao consumo e à poluição, ao assomo tecnológico e às castrações da vida cotidiana. Deram-lhe o nome de primitivismo pois a solução, diria mais de um de seus defensores seria um retorno ao modo de vida, não só pré-industrial, mas também pré-agrícola (e quiçá pré-simbólico) existente nos primórdios da humanidade, quando esta supostamente não havia sido ainda apartada do reino da natureza.

Sem medo de se curvar em contradições, seus defensores atacaram o racionalismo através de argumentos racionais. Recorreram à filosofia, e à pesquisas científicas (antropológicas e arqueológicas) para fazer frente à ciência desenvolvimentista (e progressista) que a todo tempo propagandeia as benesses da vida industrial contemporânea contrapondo-a ao lugar do atraso, da fome e das incertezas que ora se situa num passado dos "primitivos", ora num lugar dos "que não se desenvolveram": indígenas, populações pobres do terceiro mundo e seitas de renunciação.

A renúncia à tecnologia e ao modo de vida contemporâneo em nome de uma forma de ser mais "natural" passa a ser a opção adotada por diferentes grupos - até então, em sua maioria, identificados com anarcopunks, anarcohippies e anarcorrastas - que passam a se auto-denominar "primitivistas". Antropologicamente tudo muito interessante! Diversão garantida para toda a família (Flintstone)!

Mas o que serve de amalgama para esse "retorno"? Se trata mesmo de um retorno ou de alguma outra coisa, algo que subjaz fazendo sentido? O que vemos emergir entre os primitivistas é uma variada e colorida junção de referenciais imaginativos, sobre o que vem a ser "povos indígenas intocados" e "seres humanos primitivos" antes de se perderem para essa merda toda que deu origem à civilização. Elege-se quais são os movimentos mais naturais, como comiam e se comportavam uns com os outros, se se comunicavam ou não mais por meio do olhar do que propriamente por palavras, se se pintavam ou não. Pareceriam com os grandes símios atuais? Fariam sons que lembram os chimpanzés? Como se faz tudo isso sem o pensamento simbólico?! Eis um mistério primitivista!

Um de seus principais pensadores, John Zerzan,[1] não dá muitas pistas sobre isso, afirma apenas, com base em um recorte milimétrico e convencional de afirmações científicas de autores da antropologia e da arqueologia que nossos primitivos eram vegetarianos, que viviam em meio ao ócio e não havia entre eles diferença de gênero. Existiam em meio à harmonia sedutora com uma natureza que lhes provia tudo sem esforço, e com a qual se relacionavam com a mais absoluta naturalidade.

Gostaria de fazer algumas considerações especialmente antropológicas nesse sentido, como sou muito iconoclasta, não aceitarei que falsos ídolos primitivos sejam colocados no lugar dos modernos. Parafraseando com todo carinho Vovô Kropotkin - o lugar desses altares é na mais luminosa das fogueiras.

Macacos, cavalos e baleias são seres simbólicosEditar

(Segredos da etologia contemporânea)

A ciência é um campo de batalhaEditar

(Todo recorte é tendencioso)

Reformando mitos do OcidenteEditar

(Do bom centauro e a era de ouro, ao bom selvagem em harmonia com a natureza)

Impérios de bambuEditar

(Para o Sílvio Santos enfiar no cú!)


Referências

  1. Conheci John rapidamente no Carnaval Revolução. Lhe fiz algumas perguntas, mas aparentemente não recebi respostas, a não ser uma crítica já bem batida ao mundo da divisão do trabalho enquanto espaço de exploração e violência. Usava uma camiseta de um bluesman, e óculos escuros, fiquei decepcionado, esperava uma clava segurada por alguém vestido em uma pele de leopardo. A tempos os libertários exigem coerência entre o que se diz o que se faz. Será que alguém pode se colocar acima desse princípio?



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