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Porque apoiar a eco-guerrilha da Frente de Libertação da Terra

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«"As agendas corporativa e política têm real e efetivo poder sobre a agenda midiática, que por sua vez tem influência direta sobre a agenda pública. (...) os interesses políticos e as megacorporações manipulam o público através da imprensa, salientando determinados assuntos e acobertando outros, de acordo com seus interesses. O público então discute e dá importância apenas a determinadas questões, sempre introjetadas.
(Maxwell E. McCombs)
«"Terror quem faz no Brasil é o Governo, embora a propaganda tente nos conceituar como terroristas
(Sônia Regina Yessin Ramos, em 1970, militante do Movimento Revolucionário 8 de Outubro, presa e torturada pelo governo brasileiro durante a ditadura)


No último dia 18 de junho, a Frente de Libertação da Terra através de um comunicado lançado na internet assumiu a autoria de uma ação direta na capital paulista. Uma concessionária de carros de luxo ultra-poluentes da marca Land Rover foi incendiada. Ao que tudo indica, a ação foi uma das manifestações da semana de libertação da Terra. Esta foi, provavelmente, a primeira ação de eco-guerrilha no Brasil: outras certamente virão. Torçamos do fundo do nosso ser para que nenhum desses bravos ativistas seja pego pela repressão.


Molotovs.jpg

Quando a vida derramar óleo em você, faça molotovs!

Pois bem, de lá pra cá os mais interessados puderam acompanhar a cobertura dos meios comerciais de mídia, com suas distorções e apagamentos. Todos eles rapidamente aderiram à moda de chamar de terrorismo toda forma de ação de desobediência civil que, baseada em reflexões políticas profundas, ouse ir de encontro à sacralidade da propriedade privada e do estado merdocrático de direito. Mais rápido que um clique, também a classe média brasileira, papagaia de telejornais passou a repetir bobagens preconceituosas e análises superficiais que viram nos jornais e na tevê: em fóruns e blogs da internet proliferaram textos sobre estes eco-terroristas e a ameaça que agora supostamente representam. O que mais poderíamos esperar dessa gente babaca e reacionária além dessa mesmice?


Abaixo estão alguns motivos pelos quais apoio a FLT. Através deste texto pretendo celebrar suas ações, em especial esta do dia 18 como a primeira de muitas! Celebrar sobretudo a capacidade desta ação direta servir de propaganda pela ação, algo que quase foi esquecido pelos libertários do nosso tempo. Propaganda pela ação nada mais é que inspiração através de um ato que, publicizado, busca levar à reflexão outras pessoas, inspirando-as para que elas também se engagem em novas ações que sirvam de propaganda.


A Frente de Libertação da Terra pode ser entendida como uma organização surgida como uma resposta libertária à ineficácia do ecologismo reformista. Este tipo de ecologismo bunda-mole que é a tendência majoritária nos movimentos ecologistas, limita suas críticas às consequências ambientais do modo de vida sob o capitalismo, ao mesmo tempo em que acoberta com cumplicidade as verdadeiras causas.


Obviamente o eco-reformismo não é uniforme, mas possui algumas variações. Algumas delas questionam menos as mazelas do capitalismo apostando nas esferas governamentais para a "proteção ambiental", ignorando convenientemente o fato destas agências estatais servirem de espaços de lobby em favor dos interesses das corporações no âmbito do estado. Outras, inversamente, denunciam as deficiências do estado e apostam na via falaciosa da "produção capitalista ecologicamente sustentável", na "educação ambiental do consumo consciente", no trabalho de ONGs que geralmente são financiadas por corporações altamente destrutivas. Entidades criadas muitas vezes para positivar suas imagens públicas. Nesta conjuntura trabalham para tornar o prefixo "eco" um adjetivo comercializável, uma qualidade acessória vinculada a produtos que permite aos consumidores novos mecanismos de bloqueio a culpa, que pensem que estão fazendo sua parte" na proteção da "natureza", trocando sacolas plásticas por sacolas de pano nos hipermercados. Neste mesmo contexto grifes caras aproveitam o tema do aquecimento global para vender roupas de banho.


Os eco-reformistas são, portanto, cúmplices velados das instituições - estatais ou privadas - responsáveis pela destruição de biomas, servem sobretudo para alimentar uma falsa ilusão de desenvolvimento sustentável que oculta um desastre de proporções planetárias. Em todas as esferas, todas as formas eco-reformistas falidas de protesto - manifestações, campanhas marqueteiras, convenções parlamentares internacionais, legislações ambientais e fundos bilionários - e em todas suas entidades - ONGs, partidos verdes, secretarias e ministérios de meio ambiente - se vê a mesma incapacidade de resolução dos mais graves problemas ambientais. Derramamentos de petróleo, derrubadas das grandes florestas, desertificação dos solos e poluição dos mares - nenhuma manifestação, nenhuma campanha de marketing ou fundo bilionário eco-reformista foi capaz de implementar soluções significativas. Pelo contrário, no nosso tempo a própria destruição torna-se ela própria um produto lucrativo para governos e corporações que passam negociar créditos e débitos de carbono; as legislações dos estados cobram impostos por emissão de carbono ao mesmo tempo em que passam por revisões que permitam a destruição de novas áreas, enquanto o número de refugiados vítimas das mudanças climáticas cresce assustadoramente.


Só nos Estados Unidos as ações dos eco-guerrilheiros da Frente de Libertação da Terra são responsáveis por mais de 200 milhões de dólares em dano ao capitalismo e ao estado. Mas se comparadas ao cenário assustador descrito acima, estas ações parecem ainda tímidas e reduzidas, simples congestões no estomago da besta. Mas a besta capetalista parece conhecer a ameaça em potencial, tanto que reage furiosa a tudo que faça diferença, e tudo que faz diferença só pode ser criminalizado e perseguido. Existem muitos ativistas há décadas confinados em prisões, há em andamento uma verdadeira guerra oculta do governo dos EUA contra a FLT, há campanhas de difamação na mídia, e espiões infiltrados, e até mesmo agentes provocadores em coletivos libertários. Ainda assim o número de ativistas e de ações da FLT continua crescendo, tanto dentro como fora dos Estados Unidos. Ao que tudo indica, estamos diante de uma radical virada da maré dos homens e das mulheres que se cansaram de protestar de braços cruzados.


Devastacao.jpg

Destrua o capitalismo antes que ele te destrua!

As ações de destruição da FLT são fonte de inspiração para outros grupos libertários, e estão em consonância com a constituição de uma nova sociedade pós-capitalista, de coletividades humanas com modos de vida em harmonia com os contextos ambientais que ocupam. Esperamos que essa fonte de inspiração nunca seque, e que seus corajosos ativistas tenham vidas longas e anárquicas. Que seus presos alcancem a liberdade e que caiam as máscaras destes estadistas e capitalistas, eles sim preocupados apenas com seu próprio desenvolvimento econômico, os verdadeiros eco-terroristas. Esperamos também que outras pessoas possam alcançar níveis cada vez maiores de consciência a partir dessas ações, e que se engajem elas próprias contra seus perpetuadores. A Frente de Libertação da Terra merece nosso apoio! E que melhor maneira de apoiar esta causa que através de novas ações? Que lugar melhor que aqui? Que hora melhor que já?


O deserto na região central da China cresce 25 quilômetros por ano, mais rápido que isso a devastação da Amazônia aumenta, e as geleiras nos polos e nas montanhas diminuem. Consegue imaginar o que bilhões de humanos famintos farão quando sua capacidade de produção alimentar estiver esgotada? Em breve talvez a humanidade miserabilizada se tornará algo semelhante às nuvens de gafanhotos de uma praga bíblica - multidões de esfarrapados devorando tudo o que encontram pela frente, até o colapso. Nesse tempo essa geração de miseráveis do futuro certamente nos amaldiçoará - a nós e a todas as gerações vieram antes - por não termos feito algo quando alguma coisa ainda podia ser feita. Pois bem, alguns estão fazendo agora mesmo, que tal nos juntarmos a eles?



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