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Pequeno manual de subversão cotidiana

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Marcelo Träsel


Originalmente publicado na revista eletrônica Fraude


Semear o caos em uma sociedade como a nossa[1], planejada para funcionar como um relógio, não é nada difícil. Um simples grão de areia numa engrenagem, se não acaba com a máquina inteira, ao menos faz com que tenham de chamar o técnico. Seja para minar os pilares do capitalismo, seja por simples diversão, aqui vão algumas idéias de como atrapalhar o bom andamento da ordem e do progresso.


Pichações: Embora uma parte considerável do povo brasileiro não consiga ler mais do que o próprio nome, mensagens em muros ainda podem tocar um ou outro coração que só precise daquele empurrãozinho para cair na real. Infelizmente, o método tem sido desacreditado por desocupados maconheiros, que só conseguem escrever o próprio nome (ou apelido). As mensagens mais eficientes são as engraçadas, sarcásticas, irônicas ou cruéis.


Muros e banheiros são muito óbvios, você pode fazer melhor do que isso usando a criatividade. Ande sempre com um pincel atômico no bolso, em caso de inspiração repentina. Se depredar propriedade pública ou alheia faz você se sentir mal, use giz. Isto até sugere umas questões interessantes a respeito da efemeridade da arte. Um dos meus alvos favoritos para pichações são as notas de 1 e 5 Reais, em que escrevo frases contra consumismo.


Não-cooperação: As pessoas têm a mania de esperar de você que coopere no bom andamento das atividades diárias. Mas, sem infringir a lei, pode-se criar ruído no cotidiano. Alguns funcionários sonolentos talvez até agradeçam pela quebra na monotonia. Como na procura por locais inusitados para pichar, aqui vale também a criatividade.


Balconistas do McDonald's são tão fáceis de constranger que quase não tem graça. Quase. Basta pedir algo que não seja um McMenu, para vê-los como baratas tontas. Vão ficar olhando como se você fosse um elefante cor-de-rosa, se pedir só um McFish e um café - e o McFish sem molho! Um requinte de crueldade seria ficar discutindo se pode trocar a Coca-Cola por um sorvete, ou as fritas grande por dois Mcnuggets.


Quando for ao banco no horário de pico, com calças cargo e jaqueta, espalhe objetos metálicos por todos os bolsos e coloque um por um na caixinha do segurança. Nunca utilize os serviços automáticos. Além de colaborar para a criação de empregos, você ainda pode engrossar a fila no caixa.


No ônibus, dê sempre a nota mais alta que tiver, ou pague a passagem com moedas de um centavo. Enfim, deu para pegar o espírito.


Desinformação: Ressaltar a importância social da informação na aurora do terceiro milênio é absolutamente desnecessário. Necessário é avacalhar com ela. Modificar ou subtrair placas de trânsito gera situações divertidas.


Só cuide para não fazer algo que possa resultar em feridos. As vítimas certamente vão se lembrar de poupar emissões de gás carbônico, da próxima vez. Setas de direcionamento em parques e museus, avisos de "proibido...", as plaquinhas de sexo na entrada dos banheiros, tudo isso dá caldo para um caos em pequena escala. Forjar notificações ou memorandos da diretoria de sua universidade ou empresa, ou ainda distribuir panfletos com os maiores absurdos ridículos e verdade dolorosas é pura alegria. Sempre, SEMPRE dê informações erradas para jornalistas.


Demência: Faça de conta que é um imbecil. Escreva cartas e mais cartas para os jornais, reclamando de não importa o quê. Sentado de frente para aquela senhora no trem, fique olhando fixamente em seus olhos, até ela começar a chorar. Peide e arrote em público. Chame os amigos, alugue uma cadeira de rodas e dê um passeio no Shopping, fingindo ser débil mental. Aproveite para constranger a burguesia e, quando entrar em qualquer loja, agarre-se a um produto e não queira largar, por mais que seus amigos argumentem não ser seu. As vendedoras vão ficar morrendo de pena. Outras opções interessantes são passar-se por cego, surdo ou mudo. Vá ao centro da cidade com uma bíblia embaixo do braço e pregue o sermão mais nonsense na galera.


Sabotagem em geral: Aqui a zona já fica um pouco cinzenta entre a rebeldia saudável e a prevaricação inconsciente. Por melhores que sejam os objetivos, machucar pessoas ou causar danos materiais a quem não merece deslegitima qualquer luta. O melhor jeito de sabotar é não destruir nada irreparavelmente e dar preferência a intervenções que gerem risos ou façam a vítima refletir sobre o quanto a vida é absurda.


Um dos melhores exemplos de sabotagem neste estilo é o dos sujeitos americanos que roubaram um anão de jardim na Califórnia e o levaram numa viagem de carro até Nova Iorque, sempre enviando fotos do desaparecido em pontos turísticos para a casa de seu dono.


Estragar máquinas dispensadoras de refrigerante, além de um protesto contra a impessoalidade da economia de mercado, deixa os ex-usuários mais saudáveis. No supermercado, troque as etiquetas de preço dos produtos por outros mais baratos. Na saída, esvazie os pneus daquele BMW.


Troque os fundos de tela dos computadores da sua empresa por palavras de ordem ou fotos nojentas. Vá à locadora com um filme pornô no bolso e troque-o por A Incrível Fábrica de Chocolate. Compre um gravador de CDs e nunca mais encha os cofres das gravadoras. Misture ecstasy no café de seu chefe. Sei lá, pense um pouco sozinho, só para variar.


Referências

  1. O autor refere-se a cidade de Curitiba, no Paraná.



Textos

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