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Os Esotéricos de Espírito Livre

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Dias de Guerra, Noites de Amor
CrimethInc
(Original em Inglês)

Durante quase dois milênios, a Igreja Católica manteve um estrangulamento sobre a vida na Europa. Foi capaz de fazê-lo porque o Cristianismo deu a ela um monopólio no significado da vida: tudo que era sagrado, tudo que importava não era para ser encontrado nesse mundo, apenas noutro. O homem era impuro, profano, envolvido numa terra sem proveito com tudo que é bonito fechado além do seu alcance, no céu. Apenas a Igreja poderia agir como um intermediário para esse outro mundo, e apenas através dela as pessoas poderiam aproximar-se do significado das suas vidas. O misticismo foi a primeira revolta contra esse monopólio: determinados a experienciar por si mesmos uma amostra da beleza desse outro mundo, místicos fizeram o que era necessário - jejum, auto-flagelação, todos os tipos de privação - para atingir um instante de visão divina: para pagar uma visita ao céu, e retornar para contar quanta benção é esperada lá. A Igreja rancorosamente aceitou os primeiros místicos, privativamente injuriando que ninguém poderia evitar a primazia da Cúria Romana em todas as comunicações com Deus, mas acreditando corretamente que as estórias que os místicos contavam apenas reforçavam o clamor da Igreja de que todo valor e significado esperava no outro mundo. Mas um dia, um novo tipo de misticismo apareceu; aqueles que o praticavam eram geralmente conhecidos como os esotéricos do Livre Espírito. Eram homens e mulheres que atravessaram o processo místico, mas retornaram com uma estória diferente: a identificação com Deus poderia ser permanente, não apenas passageiro, eles anunciavam. Uma vez que eles tenham tido sua experiência transformadora, não sentiam abismo algum entre o céu e a Terra, entre o sagrado e o profano, entre Deus e o homem. Os heréticos do Espírito Livre ensinaram que o pecado original, o único pecado, foi a divisão do mundo, que criou a ilusão da danação; desde do que Deus era sagrado e bom, e tem feito todas as coisas, então todas as coisas verdadeiras eram inteiramente boas, e o que todos tinham que fazer para serem perfeitos era descobrir isso. Então esses heréticos tornaram-se deuses na Terra: O céu não era algo a ser alcançado, mas o lugar em que eles viviam; todo desejo que eles deveriam sentir era absolutamente sagrado e bonito, e não apenas - era o mesmo como um comando divino, mais importante do que qualquer lei ou costume, desde que todos os desejos foram criados por Deus. Em sua revelaçào da perfeição do mundo e de si mesmos, eles até estavam aptos a ir acima de Deus, e colocarem-se no centro do mundo: aceitando a autoridade da Igreja e da visão objetiva do mundo significava que se Deus não os inventou, eles não poderiam existir, mas agora, aceitando seus próprios desejos e perspectivas como reis, e portanto afirmando sua própria experiência subjetiva do mundo como a única autoridade, eles estavam aptos a ver que se não existissem, então Deus também não existiria. O livro de Schwester Katrei, uma das pesquisas que permaneceram desses tempos, descreve uma busca da divindade através desse tipo de misticismo: no fim, ela anuncia à seu confessor, em palavras que escandalizaram o mundo medieval: "Senhor, regojize-se comigo, eu me tornei Deus."

1 - Mesmo hoje, o Cristianismo ensina que o que quer que seja produtivo sobre você vem de Deus e o que quer que seja imperfeito sobre você é sua própria falha - dessa forma nós temos existência própria apenas na extensão da qual fluímos e nos envergonhamos. Os esotéricos do Livre Espírito nunca foram um movimento ou um grupo de organização religiosa; em realidade, eles precederam o Crimethinc, mais do que qualquer grupo. Seus segredos foram espalhados pelo mundo, entre pessoas de todas as classes, por humildes vagabundos que viajavam de uma terra para a próxima procurando aventura. Eles eram vagabundos que recusavam trabalhar não fora de self denied mas porque eram bons demais para o trabalho, como sugerem que qualquer um poderia ser o que quisesse; coerentemente, eles declinaram de aproveitar suas vidas vendendo suas crenças, assim como muitos Cristãos tradicionais (e comunistas, e até mesmos anarquistas) fazem, mas concentraram-se em vivê-las - o que provou ser mais infeccioso. É claro que a Igreja Católica reagiu a essa heresia desprezando os esotéricos através de milênios. Nada menos do que uma campanha de total terror poderia afirma-la como autoridade, já estava sendo quase inteiramente questionada por essa nova liberação teológica. Fora a violência dessa repressão, no entanto, os segredos do Espírito Livre foram passados por vastas extensões de tempo e espaço, através de corredores esquecidos da história (talvez porque eles consistam em momentos vividos fora da história?) para aparecer em convulsões sociais e períodos pós/pré-revolucionários centenas de anos e milhões de milhas ao longe.(2)

(2) ver também: os Ranters, os Diggers, os Anabatistas, os Antinomianos, etc.

Em muitas ocasiões o poder da Igreja e das nações que a serviam foi quase destruído por essas aparentemente espontâneas alvoradas; eles apareceram durante a história oficial como um batimento de coração num corpo dormente. Os heréticos do Espírito Livre administraram a busca por um estado de total auto-conhecimento e empoderamento que nós anarquistas e feministas apenas sonhamos hoje; eles realizaram isso usando apenas os parcos recursos do Cristianismo, tradicionalmente uma confinadora e obscura religião, que é na verdade emocionante. Frequentemente penso que se apenas nós pudéssemos jogar fora todas nossas dúvidas e inibições e realmente sentir que o que somos é beleza e perfeição (deve ser, se tais conceitos ainda existem!), e o que queremos é não ter nada a temer ou nada a se envergonhar, nós nos tornaríamos invencíveis e o mundo seria nosso para sempre.

Crimethinc.png   Este texto foi originalmente publicado por CrimethInc.


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