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O internacionalismo dos bolcheviques e a "questão nacional"

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Teses sobre o Bolchevismo
Helmut Wagner


Durante a guerra, de 1914-1918, os bolcheviques representaram uma posição internacionalista conseqüente, sob a consigna «transformar a guerra imperialista em guerra civil» e comportavam-se, aparentemente, como marxistas coerentes. Mas seu internacionalismo revolucionário era parte de sua tática, assim como o retrocesso em direção à NEP. O apelo ao proletariado internacional era só um aspecto duma ampla política cujo objetivo era ganhar o apoio internacional à revolução russa. O outro aspecto era a política e a propaganda da «autodeterminação nacional», em que a perspectiva de classe era abandonada, ainda mais radicalmente do que no conceito de «revolução popular», em favor dum apelo geral a elementos de todas as classes.

Esse internacionalismo de duas caras dos bolcheviques correspondia à situação internacional da Rússia e de sua revolução. Geográfica e sociologicamente, Rússia estava entre dois centros do sistema imperialista mundial. A coincidência da tendência imperialista ativa e a tendência colonial passiva do capital mundial produziu o desmoronamento desse sistema. As classes reacionárias foram incapazes de restabelecê-lo, como demonstrou sua decisiva derrota no golpe de Kornilov e, mais tarde, na guerra civil. O único perigo autêntico que ameaçava a revolução russa era o de uma intervenção imperialista. Só uma invasão militar por parte do capital imperialista poderia abater o bolchevismo e restaurar o czarismo, instrumento do sistema mundial de exploração imperialista. Para defender-se do imperialismo mundial, o bolchevismo tinha que organizar um contra-ataque nos centros imperialistas de poder. Daí a política internacional de duas caras do bolchevismo.

Em nome da revolução proletária mundial, o bolchevismo lançou o proletariado internacional ao ataque no centro do imperialismo mundial, nos países capitalistas mais desenvolvidos. Em nome do «direito à autodeterminação das nações», o bolchevismo lançou os povos camponeses oprimidos do Extremo Oriente contra o centro colonial do imperialismo mundial. Com essa política internacional em dois tempos, que abria imensas perspectivas, o bolchevismo tentou impulsionar o braço proletário e o braço camponês de sua revolução na esfera do capitalismo mundial.

Para o bolchevismo, a «questão nacional» era uma questão prática. Portanto, não só uma conveniência da revolução burguesa russa – uma revolução que utilizou os sentimentos nacionais das capas camponesas e das minorias nacionais oprimidas do Império russo para derrubar o czarismo. Essa posição reflete também o internacionalismo camponês de uma revolução burguesa que só se realizou na era do imperialismo mundial, e que só podia manter-se fora da rede internacional imperialista com a ajuda duma contrapolítica internacional ativa.

Para conduzir essa política de apoio internacional à revolução burguesa no território russo, o bolchevismo criou duas organizações internacionais: a III Internacional, para mobilizar os trabalhadores dos países capitalistas altamente desenvolvidos, e a Internacional Camponesa, uma organização para a utilização dos camponeses orientais. A finalidade dessa política internacional que se apoiava em duas classes (o proletariado e o campesinato) era a revolução mundial, na qual se incluía a revolução proletária internacional (européia e americana) e a revolução camponesa nacional (essencialmente, oriental), no marco de uma política mundial bolchevique, às ordens de Moscou. Assim, o conceito de «revolução mundial» tinha para os bolcheviques um conteúdo de classe totalmente diferente ao da revolução proletária internacional.

Portanto, a política internacional do bolchevismo era apenas uma repetição em escala mundial da revolução russa (combinando a revolução proletária e a revolução camponesa), política que situava o partido bolchevique russo no comando dum sistema mundial que combinava os interesses comunistas do proletariado com os interesses capitalistas dos camponeses. Esta política foi positiva na medida em que protegeu o estado bolchevique da invasão imperialista, obstaculizando as intenções dos estados capitalistas. E permitiu também ao estado bolchevique ocupar seu lugar no sistema imperialista mundial, utilizando métodos capitalistas de relações comerciais, acordos econômicos e pactos militares de não-agressão. Esta política deu à Rússia a oportunidade de se consolidar no âmbito nacional e de ampliar sua posição internacional. Mas a tentativa de impulsionar políticas bolcheviques ativas em escala mundial fracassou. Com o fracasso da política bolchevique na China, o experimento da Internacional Camponesa faliu. A III Internacional, depois do fiasco do partido “comunista” alemão, deixou de ser um fator importante na política mundial bolchevique. A tentativa gigantesca de transplantar a política bolchevique russa à escala mundial fracassou historicamente, demonstrando as limitações nacionais do bolchevismo russo. Contudo, a experiência bolchevique na política de grande potência internacional forneceu tempo ao bolchevismo para recuar às posições nacionais (russas) e se converter aos métodos capitalistas-imperialistas de política internacional. Em teoria, esse recuo se justificou com a fórmula do «socialismo num só país», por meio da qual o conceito de «socialismo» que a prática econômica russa tinha amputado de seu conteúdo proletário e convertido externamente num capitalismo de estado, não diferia muito do reformismo e do fascismo pequeno-burguês.

É, de fato, inessencial, agora que podemos ver os resultados de 15 anos de bolchevismo, tanto no plano nacional quanto no internacional, se Lênin imaginava, no momento da fundação da III Internacional – e mesmo antes – que sua evolução seria o que foi. Na prática, o bolchevismo, com sua concepção do «direito à autodeterminação nacional», tem desenvolvido as tendências a uma política de grande potência mundial. E também contribuiu, através da III Internacional, decisivamente para que o proletariado europeu tenha sido incapaz de se elevar ao nível de um comunismo revolucionário e tenha permanecido no beco sem saída do reformismo, reformismo suscitado pelo bolchevismo com o enfeite de uma fraseologia revolucionária. Foi assim que o conceito da «Pátria russa» se tornou uma pedra angular dos partidos bolcheviques, enquanto que para o comunismo proletário é a classe operária internacional que deve estar no centro de toda orientação internacionalista.


Teses sobre o Bolchevismo
A revolução Bolchevique O internacionalismo dos bolcheviques e a "questão nacional" O Bolchevismo estatizado e a III Internacional

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