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O Seqüestro do Washington Post

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Dias de Guerra, Noites de Amor
CrimethInc

Em resposta ao fluxo constante de desinformação da grande imprensa sobre o caso do "Unabomber", um comando do Coletivo Crimidéia liderado por um designer gráfico de cargo baixo no departamento de publicidade do Washington Post removeu um anúncio de calcinhas do caderno principal da Edição de Domingo e substitui pelo texto a seguir:


O Unabomber: Um Herói de Nossos Tempos


"Eu matei mais pessoas que o Unabomber porque eu paguei mais impostos que ele." - Oprah Winfrey


Enquete: como chamamos quando uma das mentes mais brilhantes de uma geração escolhe alguns indivíduos que estão pessoalmente envolvidos na destruição do meio ambiente (um lobista das madeireiras) ou na destruição da capacidade de atenção e de raciocínio de dezenas de milhares de americanos (um executivo de publicidade) e os mata ou mutila em sua busca por ter uma voz sobre suas preocupações com os problemas sociais... preocupações que de outra forma seriam ouvidas por poucas pessoas?

Claramente, é assassinato.

E como chamamos quando uma nação de cabelereiros acima do peso, de balconistas que não foram pagos, de intelectuais de classe média preguiçosos e desempregados, de donas de casa educadas por programas de auditório, de covardes gerentes de redes de lanchonetes, de garotas de fraternidades racistas, conspira para proteger o glorioso status quo de seus "atentados" claramente perturbados?

Pena de morte. E corretamente aplicada, na defesa dos direitos dos desmatadores de floresta e mentirosos profissionais que continuarem distorcendo nosso mundo à sua visão sem a possibilidade de serem molestados por aqueles que preferem florestas ao invés de supermercados, e canções populares a slogans de detergentes.

Falando sério, e deixando a retórica de lado, qual é a diferença entre as duas situações? No primeiro caso, uma única pessoa avalia sua situação e decide fazer coisas que ele acha que são certas. No outro caso, milhões de pessoas, que não estão acostumadas a tomar decisões por si mesmos, se sentem fortes o suficiente juntos decide atacar cegamente um indivíduo que não fica dentro de seus limites de comportamento aceitável.

Agora, nosso leitor gentil e moderado sem dúvida fará uma objeção de que não é o nosso medo de indivíduos livres e decididos que nos faz gritar contra este terrorista, mas indignação moral - pois ele acabou com uma vida "inocente" em sua busca para que ouvissem suas idéias, e isto sempre é errado.

Mas essa nação de aprendizes de imbecis não se indigna normalmente com a morte de vidas inocentes: contanto que se encaixem dentro dos parâmetros do status quo eles não se importam nem um pouco.

Quantas pessoas a mais que o Unabomber a indústria do tabaco feriu ou mutilou, usando publicidade para viciá-los a uma droga extremamente nociva quando ainda são muito jovens e desinformados? E quanto às companhias que anunciam e vendem bebidas alcóolicas baratas em bairros pobres cheios de alcóolatras? Quantos cidadãos de países de terceiro mundo sofreram e morreram nas mãos de governos apoiados por companhias como a Shell ou mesmo pelo próprio governo dos E.U.A.? E quanta vida animal é destruída todo ano, todo dia em granjas industriais sem merecer a menor reflexão... ou na destruição ecológica feita por companhias como a Exxon (nosso leitos se lembrará do Valdez) ou McDonald's (um dos mais conhecidos desmatadores da Amazônia)? Ninguém se preocupa tanto com estes crimes contra vidas "inocentes".

E realmente, é difícil se preocupar, pois estão institucionalizadas dentro de nosso sistema social e econômico... "normal". Além disso, é difícil descobrir quem exatamente é reponsável por eles, pois são resultado de trabalhos de complexa burocracia dentro de um ainda mais complexo sistema socio-econômico.

Por outro lado, quando um indivíduo tenta fazer com que as pessoas escutem suas críticas sobre este sistema destrutivo de uma das poucas formas realmente eficientes, é fácil pegá-lo e amarrá-lo. E nossa indignação hipócrita sobre suas malfeitorias quando comparadas com nossas próprias instituições sociais mostra que é a sua habilidade de agir em cima de suas próprias conclusões é o que realmente nos choca e assusta acima de tudo.

Nosso medo do Unabomber como um indivíduo que age livremente é exposto nas tentativas que a nossa imprensa de demonizá-lo. Aspectos de seu caráter, como suas proezas acadêmicas e sua capacidade de viver uma existência Thoureauana auto-suficiente, que normalmente seriam aplaudidos, são agora usados para demonstrar que ele é um esquisito desajustado. Detalhes insignificantes e aleatórios de sua vida, como casos de amor fracassados e doenças na infância, são usados para explicar seu "comportamento insano". Logo, ao falar, representantes da imprensa insinuam que não há dúvidas de que suas ações foram resultado de sua insanidade, fugindo em terror de qualquer pensamento de que ele possa ser tão racional quanto eles... ou mais. Jornais imprimem os trechos mais arbitrários e desconexos de seu manifesto que possam combinar, e então descrevem o manifesto como sendo aleatório e desconexo - eles até mesmo o descrevem como "desvairios" com o rosto compenetrado, apesar da conhecida pouca duração da atenção da mídia.


Mas não precisamos aceitar a típica super-simplificação do caso pela mídia. O manifesto do Unabomber foi, como resultado de seus esforços, publicado e amplamente distribuído. Podemos lê-lo nós mesmos, não apenas trechos desconexos, mas em sua integralidade, e tirarmos nossas próprias conclusões sobre as suas idéias.

Não tenha medo da disposição do Unabomber de se destacar da multidão e tomar quaisquer ações que ele acredita serem necessárias para alcançar seus objetivos. Numa civilização tão abalada pela submissão idiota a normas sociais e regras irracionais seu exemplo deveria ser refrescante ao invés de assustador; pois seus piores crimes não são piores do que os nossos, ao sermos cidadãos desta nação... e seus maiores feitos como indivíduo inteligente e dedicado ofuscam os da maioria de nossos heróis, que de qualquer forma são em grande parte jogadores de futebol e músicos pop que aparecem em programas de auditório.

Pelo menos, tendo a chance como temos, deveríamos ler seu manifesto e tirar nossas próprias conclusões, ao invés de permitirmos que a imprensa e a opinião/paranóia pública decidam por nós.

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