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Osvandil Silveira Quimas
«"A Revolução Francesa, que aboliu todos os privilégios e destruiu todos os direitos exclusivos, deixou, contudo subsistir um: o da propriedade (...) Quando o direito de propriedade não era mais que a origem e o fundamento de muitos outros direitos, era defendido sem esforço, ou melhor, não era atacado; constituía então um muro de proteção da sociedade, cujas defesas avançadas eram todos os outros direitos; os golpes a ele não chegavam; nem sequer se procurava seriamente atingi-lo. Hoje, porém, quando o direito de propriedade torna-se o último remanescente de um mundo aristocrático destruído, o único a se manter de pé, privilégio isolado em meio a uma sociedade nivelada, sem a cobertura dos muitos outros direitos mais contestados e mais odiados, corre um perigo maior, pois só a ele cabe sustentar a cada dia o choque direto e incessante das opiniões democráticas. (...) Logo, a luta política travar-se-á entre os que possuem e os que não possuem; o grande campo de batalha será a propriedade.
(Alexis de Tocqueville, janeiro de 1848)


Passam-se os séculos e no correr das idades a raça humana continua sua trajetória praticamente ainda envolvida com suas angústias mais primitivas: o alimentar-se, o proteger-se das intempéries através do abrigo das moradias, o ter agasalhos no inverno, enfim, ter acesso ao mínimo para a sobrevivência. Tudo isso, independente da condição sócio-econômica, são necessidades quase universais, pois salvo alguns lugares que prescindem de agasalho devido à sua condição climática natural, em todos os demais é imperiosa a sua presença. Quanto ao alimento não há o que se excetuar, pois não há vida humana possível sem ele. As moradias na sua diversidade, desde a choupana erguida nas savanas africanas até as construções de gelo nas regiões árticas, são também essenciais à sobrevivência do homem, mais vulnerável que os demais animais no enfrentamento dos rigores climáticos.

Após um século em que o desenvolvimento de tecnologias possibilitou à humanidade o aumento expressivo da produção e mais diretamente da agrícola, ainda há quem em pleno século XXI passe fome, segregado do meio consumidor que tem acesso pleno à satisfação da mais básica das necessidades, alimentar-se. Milhões de pessoas no planeta sucumbem frente à miséria continuada, desprovidas de meios para satisfazer suas necessidades básicas, entre elas a alimentação. Enquanto isso, nas nações abastadas desperdiça-se toneladas de alimentos, muitas vezes apenas por razões econômicas. Quanto se joga fora em alimentos somente para que o preço se eleve na comercialização? Quanto, também, estraga nas prateleiras dos mercados, pois se degrada sem que tenha comprador, já que muitos não têm o dinheiro necessário para adquirir o produto?

Tudo isso é vergonhoso, imoral. Contudo, a maioria das pessoas vive sem questionar tais fatos, pois não se apercebe do grande calote através do qual é ludibriada. A engrenagem capitalista prevê antecipadamente esse afrontoso desperdício e repassa ao consumidor o custo dessa perda embutindo-a na margem de lucro. Porém não nos importa apenas a contabilidade feita de números, mas também aquela com base em valores reais. Que de cada tonelada se perca cem quilos, foram cem quilos de alimento que custaram o suor de muitos trabalhadores, foram cem quilos que não saciaram a fome daqueles que tinham necessidade de se alimentar e que muitas vezes não tiveram qualquer recurso para adquirir o alimento. E tudo por quê? Porque um grupo de controladores se omite frente à sua responsabilidade social e, com total descaso, não visam senão o lucro, não percebem na suas contas senão o dinheiro, o ganho de capital, pouco se importando se com a sua atitude insensata causem algum mal.

São muitos os que olvidam tal problemática simplesmente por egoísmo, porque não querem se preocupar com essas questões. É mais importante se o time de qualquer esporte será bem colocado no campeonato, se o personagem da série ou da novela finalmente será bem sucedido, se a diversão do fim-de-semana está garantida. Não se apercebem que todas essas artimanhas foram criadas justamente para a sua alienação; o que seria natural e inofensivo é manipulado para se tornar obsessivo, verdadeiro ópio que oblitera a percepção da realidade e faz com que as massas sigam como mortos-vivos, alienados da manipulação que sofrem.

O que o Anarquismo quer? Justamente combater e sanear as causas dessas distorções. Quer a igualdade social, que todos tenham acesso irrestrito à alimentação, à moradia, à educação que possibilite o pleno desenvolvimento das faculdades do indivíduo, que se tenha meios de produzir e de se contribuir com a sociedade livremente e não condicionado à visão do lucro inescrupuloso e aviltante. Quer que não haja mais miséria, mas que a riqueza seja um bem comum de todos.

O Anarquismo só é conflitante com esse jogo sujo de interesses que grassa pelo mundo, com todos os seus mandatários e todos aqueles que praticam a injustiça. A esses não interessa um mundo justo, pacífico e ordeiro, a esses interessa os desequilíbrios, pois deles tiram suas fontes de renda e aferem suas fortunas.

“Quem tem ouvidos de ouvir, ouça. Quem tem olhos de ver, veja.” Quem tem mãos, realize. Quem tem boca, fale. Mas nunca se acovarde frente a essa laia de pervertidos que se fazem homenagear nos banquetes e se dão títulos beneméritos e fazem erguer estátuas suas nas praças. São a escória da humanidade, pois regalam-se às mesas e aos que deles necessitam lançam farelos.

A luta anarquista contra essas bestas jamais cessará, pois enquanto houver uma injustiça, haverá um partidário do anarquismo solidário à causa humanitária, afrontando os inimigos da humanidade.

O Anarquismo não é apenas uma idéia, é a finalidade da existência humana. Mesmo com todas as oposições, vingará inexoravelmente, esse o nosso destino.

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