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O Poder de destruir e o Poder de criar

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Murray Bookchin


O poder que esta sociedade tem para destruir atingiu uma escala sem precedentes na história da humanidade - e este poder está a ser usado, quase sistematicamente, para causar uma destruição insensata em todo o mundo da vida natural e nas suas bases materiais.


Em quase todas as regiões, o ar está a ser viciado, as águas poluídas, o solo está a ser levado pela água, a terra foi drenada e a vida natural destruída. As áreas costeiras e mesmo as profundezas do mar não são imunes ao alastramento da poluição. Com maior significância no fim de contas, os ciclos biológicos básicos, tais como o ciclo do carbono e do nitrogênio, dos quais todas as coisas vivas (incluindo os humanos) dependem para a manutenção e renovação da vida, estão a ser alterados até um ponto irreversível.


A introdução arbitrária dos desperdícios radioativos, pesticidas de longa atividade, resíduos de chumbo e milhares de produtos químicos tóxicos ou potencialmente tóxicos na comida, água e ar; a expansão das cidades em vastas cinturas urbanas com concentrações densas de populações comparáveis em tamanho a nações inteiras; o aumento de ruído ambiente; as pressões criadas pela congestão, pela aglomeração e manipulação das massas; as imensas acumulações de lixo, refugo, dejetos e desperdícios industriais; o congestionamento do trânsito nas auto-estradas e nas ruas citadinas; a destruição pródiga de preciosos metais em bruto; a cicatrização da terra feita pelos especuladores da propriedade, os barões das indústrias mineira e da madeira, os burocratas da construção de auto-estradas. Todos eles fizeram tais estragos numa simples geração, que excede os que foram feitos em milhares de anos pela habitação humana no seu planeta. Se tivermos em mente este ritmo de destruição, é aterrador refletir acerca do que acontecerá no futuro, à geração vindoura.


A essência da crise ecológica do nosso tempo é que esta sociedade - mais do que qualquer outra no passado - está a desfazer literalmente o trabalho da evolução orgânica. É um axioma dizer que a humanidade faz parte do edifício da vida. É talvez mais importante, nesta fase tardia, sublinhar que a humanidade depende perigosamente da complexidade e variedade da vida, e que o bem-estar e a sobrevivência humanas assentam sobre uma longa evolução de organismos em formas crescentemente complexas e interdependentes. O desenvolvimento da vida num tecido complexo, a criação dos animais e plantas primordiais em formas altamente variadas, tem sido a condiçãso prévia para a evolução e sobrevivência da própria humanidade e para uma relação harmônica entre a humanidade e a natureza.


Tecnologia e PopulaçãoEditar

Uma vez que a geração passada tem testemunhado a expoliação do planeta, que ultrapassa todos os estragos feitos pelas gerações primitivas, pouco mais do que uma geração poderá restar antes que a destruição do meio ambiente se torne irreversível. Por esta razão, devemos debruçar-nos sobre as origens da crise ecológica com honestidade implacável. O tempo corre precipitadamente e as décadas que restam do século XX podem bem ser a última oportunidade que teremos para restaurar o equilíbrio entre a humanidade e a natureza.


Assentarão as origens da crise ecológica no desenvolvimento da tecnologia? A tecnologia tem-se tornado um alvo fácil para aqueles que querem evitar encarar as condições sociais profundamente marcadas por máquinas e processos técnicos perigosos.


É tão conveniente esquecer que a tecnologia tem servido não só para subverter o meio ambiente como também para o melhorar. A Revolução Neolítica, a qual produziu o período mais harmonioso entre a natureza e a humanidade pós-paleolítica, foi acima de tudo uma revolução tecnológica. Foi este período que trouxe à humanidade as artes da agricultura, tecelagem, cerâmica, da domesticação dos animais, a descoberta da roda e muitos outros melhoramentos básicos. É verdade que existem técnicas e atitudes tecnológicas que são inteiramente destruidoras do equilíbrio entre a humanidade e a natureza. É responsabilidade nossa separar a promessa da tecnologia - o potencial criativo - da capacidade da tecnologia para destruir. Na verdade, não existe tal palavra como "tecnologia" que presida a todas as condições e relações sociais. Existem sim, diferentes tecnologias e atitudes para com a tecnologia, algumas das quais são indispensáveis para restaurar o equilíbrio, e outras que têm contribuido profundamente para a sua destruição. Do que a humanidade necessita não é rejeitar em grande escala as tecnologias avançadas, mas sim peneira-las, necessita realmente de um maior desenvolvimento da tecnologia a par com os princípios ecológicos, o que contribuirá para uma nova harmonização da sociedade e do mundo natural.


Será o crescimento da população, a origem da crise ecológica? Esta tese é a mais inquietante, e de muitas maneiras a mais sinistra, a ser formulada pelos movimentos ecológicos ativos nos E.U.A. Neste sentido, um efeito chamado "crescimento populacional" baralhado na base de estatísticas e projeções superficiais, transforma-se numa causa. É dada assim supremacia a um problema de proporções secundárias no momento presente, obscurecendo as razões fundamentais da crise ecológica. De fato, se as atuais condições econômicas, políticas e sociais prevalecerem, a humanidade irá com o tempo superpovoar o planeta, e pelo puro peso dos números transformar-se-á num flagelo no seu próprio

habitat global. Há qualquer coisa de obsceno, contudo, acerca do fato de que a um efeito "crescimento populacional", é concedida supremacia na crise ecológica por uma nação que tem pouco mais do que 7% da população mundial mas que consome prodigamente mais de 50% dos recursos mundiais, e que está atualmente ocupada no despovoamento de um povo do Oriente, que tem vivido à séculos em equilíbrio apurado com o seu meio ambiente.


Devemos fazer uma pausa para examinar o problema populacional tão amplamente observado pelas raças brancas da América do Norte e da Europa - raças que têm explorado arbitrariamente os povos da Ásia, África, América Latina e do Pacífico Sul. Os explorados têm explorado delicadamente os seus exploradores que, do que eles necessitam não são dispositivos anticoncepcionais, nem "libertadores" armados, nem do Prof. R. Ehrlich para resolverem os seus problemas populacionais; precisam antes, de uma devolução justa dos imensos recursos que foram roubados das suas terras, pela América do Norte e pela Europa. Equilibrar estas contas é mais premente no momento, do que equilibrar as taxas de nascimentos e mortes. Os povos da Ásia, África, América Latina e do Pacífico Sul podem justamente apontar que os seus "conselheiros" Americanos têm mostrado ao mundo como expoliar um continente virgem em menos de um século e têm acrescentado ao vocabulário da humanidade palavras como "esgotamento precoce".


Isto é claro: quando grandes reservas de mão-de-obra foram necessárias durante a Revolução Industrial dos princípios do século XIX para equipar as fábricas e diminuir os salários, o crescimento populacional foi saudado entusiasticamente pela nova burguesia industrial. E o crescimento populacional ocorreu apesar do fato que, devido ao pesado horário de trabalho e às cidades altamente superpovoadas, a tuberculose, cólera e outras doenças eram epidemicas na Europa e nos Estados Unidos. Se as taxas de nascimento excederam as da morte nessa altura, não foi porque os progressos feitos ao nível de cuidados médicos e sanitários tenham produzido qualquer declínio dramático na mortalidade humana; antes, o excesso de nascimentos em relação às mortes pode ser explicado pela destruição das formas da família pré-industrial, instituições de vila, ajuda mútua e padrões de vida estáveis e tradicionais, às mãos da "empresa" capitalista. O declínio da moral social introduzido pelos horrores do sistema fabril, o aviltamento das populações agrárias tradicionais transformadas em proletários e moradores urbanos, brutalmente explorados, produziu uma atitude concomitantemente responsável para com a família e a procriação. A sexualidade tornou-se um refúgio de uma vida de trabalho duro, bem como o consumo do gin barato; o novo proletariado gerou crianças (muitas das quais nunca sobreviveram até a idade adulta), tão inconscientemente como foi levado ao alcoolismo. É muito semelhante o caso ocorrido quando as vilas Africanas, Asiáticas e Latino-Americanas foram sacrificadas ao santo altar do imperialismo.


Hoje a burguesia "vê" as coisas de uma forma diferente. Os anos dourados da "livre empresa" e do "trabalho livre" declinam perante uma era de monopólio, cartéis, economias controladas pelo estado, formas institucionalizadas de mobilização operária (sindicatos), e de máquinas automáticas ou cibernéticas. Largas reservas de mão-de-obra desempregada não são já necessárias para ir ao encontro das necessidades de expansão do capital, e os salários são em grande parte mais negociados do que deixados à livre atuação do mercado de trabalho. Anteriormente necessárias, as reservas de mão-de-obra inútil acabaram por tornar-se numa ameaça à estabilidade de uma economia burguesa manipulada. A lógica desta nova "perspectiva" encontrou a sua mais aterradora expressão no fascismo alemão. Para os nazis, a Europa estava já "superpovoada" nos anos trinta e o "problema populacional" foi "resolvido" nas câmaras de gás de Auschwitz. A mesma lógica está implícita em muitos dos argumentos neo-Malthusianos que se mascaram hoje como ecologia. Que não haja dúvida quanto a esta conclusão.


Mais tarde ou mais cedo a proliferação descuidada de seres humanos terá de ser detida, mas, ou o controle populacional terá de ser feito por meio de "controles sociais" (métodos autoritários ou racistas e, no fim, ser um genocídio sistemático), ou por uma sociedade libertária, ecologicamente orientada (uma sociedade que desenvolva um novo equilíbrio com a natureza fora da veneração pela vida). A sociedade moderna encontra-se perante estas alternativas mutuamente restritas e deve fazer uma escolha sem dissimulação. A ação ecológica é fundamentalmente ação social. Ou vamos diretamente às origens sociais da atual crise ecológica, ou seremos logrados por uma era de totalitarismo.


Ecologia e SociedadeEditar

A concepção básica de que a humanidade deve dominar e explorar a natureza, provém da dominação e exploração do homem pelo homem. Na verdade, esta concepção vem de tempos remotos em que o homem começou a dominar e explorar as mulheres dentro da família patriarcal. Desde essa altura os seres humanos foram olhados, cada vez mais, como meros recursos, como objetos em vez de sujeitos. As hierarquias, classes, sistemas de propriedade e instituições políticas que emergiram com o domínio social foram transferidas conceitualmente para a relação entre a humanidade e a natureza. Esta, também foi cada vez mais olhada como mero recurso, um objeto, uma matéria bruta a ser explorada tão implacavelmente como escravos num latifúndio. Esta "visão do mundo" impregnou não só a cultura oficial da sociedade hierárquica; tornou-se na maneira como os escravos, servos, trabalhadores da indústria e as mulheres de todas as classes sociais se começaram a considerar a eles mesmos. Contida na "ética do trabalho", na moralidade baseada na recusa e na renúncia, num modo de comportamento baseado na sublimação dos desejos eróticos e noutros aspectos mundanos (sejam eles Europeus ou Asiáticos), os escravos, servos, trabalhadores e metade das mulheres da humanidade foram ensinadas a vigiarem-se a si próprios, a talharem as suas próprias cadeias, a fechar as portas das suas prisões.


Se a "visão do mundo" da sociedade hierárquica começa hoje a declinar é especialmente porque a enorme produtividade da moderna tecnologia abriu uma nova visão: a possibilidade de abundância material, um fim á escassez de uma era de tempos livres (o chamado "lazer") com um mínimo de trabalho duro. A nossa sociedade está a ser impregnada por uma tensão entre "o que é" e "o que poderia ser", uma tensão exacerbada pela exploração e destruição irracional e desumana da terra e dos seus habitantes. O maior obstáculo que dificulta a solução desta tensão é a extensão até à qual a sociedade hierárquica ainda modela os novos pontos de vista e as nossas ações. É mais fácil refugirmo-nos nas críticas à tecnologia e ao crescimento populacional; tratar com um sistema social arcaico, destrutivo sobre as suas próprias condições e dentro da sua própria estrutura. Quase desde o berço temos sido socializados pela família, instituições religiosas, escolas e pelo próprio trabalho, aceitando a hierarquia, renúncia e sistemas políticos, como premissas sobre as quais todo o pensamento deve apoiar-se. Sem esclarecer essas premissas, todas as discussões, sobre o equilíbrio ecológico permanecerão meros paliativos e serão contraproducentes.


Em virtude da sua excepcional bagagem cultural, a sociedade moderna - sociedade burguesa orientada para os lucros - tende a exacerbar o conflito entre a humanidade e a natureza, de uma forma mais crítica do que as sociedades pré-industriais do passado. Na sociedade burguesa, os humanos não só se transformam em objetos mas também em mercadorias; em objetos claramente destinados a serem vendidos no mercado. A competição entre os seres humanos, como mercadorias, torna-se um fim em si, em conjunto com a produção de artigos totalmente inúteis. A qualidade transformou-se em quantidade, a cultura individual em cultura de massas, a comunicação pessoal em comunicação de massas. O meio ambiente natural tornou-se numa fábrica gigantesca e a cidade num imenso mercado: tudo, desde uma floresta Redwood até ao corpo de uma mulher tem "um preço". É tudo equacionado em dólares, seja uma catedral consagrada ou a honra individual. A tecnologia deixa de ser uma extensão da tecnologia. A máquina não amplia o poder do trabalhador; é o trabalhador que amplia o poder da máquina e na verdade ele mesmo se torna numa simples parte da máquina. É assim tão surpreendente que esta sociedade exploradora, degradante e quantificada oponha a humanidade a si própria e à natureza, numa escala mais assombrosa do que qualquer outra no passado?


Sim, necessitamos mudar, mas mudar tão fundamentalmente e em tão grande escala que mesmo os conceitos de revolução e liberdade devem ser ampliados para além de todos os primitivos horizontes. Não é já suficiente falar das novas técnicas para a conservação e promoção do ambiente natural; devemos tratar a terra comunalmente, como uma coletividade humana, sem aquelas peias da propriedade privada, que têm distorcido a visão da vida e da natureza da humanidade, desde a rutura da sociedade tribal. Devemos eliminar não só a hierarquia burguesa mas a hierarquia como tal; não só a família patriarcal, mas também todas as formas de domínio familiar e sexual; não só a classe burguesa e o sistema de propriedade, mas sim todas as classes sociais e a propriedade. A Humanidade deve tomar posse de si própria, individual e coletivamente, para que todos os seres humanos obtenham o controle de suas vidas diárias. As nossas cidades devem ser descentralizadas em comunidades ou ecocomunidades talhadas, fina e habilidosamente, para o aproveitamento da capacidade dos ecossistemas nos quais elas estão localizadas. As nossas tecnologias devem ser readaptadas e formuladas em ecotecnologias, fina e inteligentemente adaptadas para usarem as fontes de energia local e os materiais, com um mínimo ou sem poluição do ambiente. Necessitamos recuperar um novo sentimento das nossas necessidades - necessidades que fomentem uma vida saudável e que exprimam as nossas inclinações individuais, não as "necessidades" ditadas pelos meios de comunicação. Temos que restaurar a escala humana no nosso ambiente e nas nossas relações pessoais, substituto medianeiro das relações pessoais diretas na gestão da sociedade. Finalmente, todas as formas de domínio - social ou pessoal - devem ser banidas das nossas concepções, de nós próprios, dos nossos semelhantes e da natureza. A administração dos humanos deve ser substituída pela administração das coisas. A revolução que pretendemos deve envolver não só as instituições políticas e as relações econômicas, mas também a consciência, o estilo de vida, os desejos eróticos e a nossa interpretação do significado da vida.


O balanço aqui, é o espírito antiquado e os sistemas de domínio e repressão que não só opuseram o homem ao homem, mas a humanidade à natureza. O conflito entre estas é uma extensão do conflito entre o ser humano. A não ser que o movimento ecológico envolva o problema do domínio em todos os seus aspectos, ele não contribuirá em nada para a eliminação da origem das causas da crise ecológica do nosso tempo. Se o movimento ecológico se detém em simples reformas de controle da poluição e conservação, sem tratar radicalmente da necessidade de ampliação de um conceito de revolução, ele servirá meramente como uma válvula de segurança do sistema existente da exploração humana e natural.


ObjetivosEditar

Sobre certos aspectos o movimento ecológico de hoje está a mover uma ação tardia, contra a destruição desenfreada do ambiente. Noutros aspectos os seus elementos mais conscientes estão envolvidos num movimento criativo, pronto a revolucionar totalmente as relações sociais dos indivíduos para com os outros e da humanidade para com a natureza.


Embora elas se interpenetrem intimamente, os dois esforços devem distinguir-se um do outro. Ecology Action East (Ação Ecológica Leste) apoia qualquer esforço para a conservação do ambiente: preservar a água e o ar puros; limitar o uso dos pesticidas e adubos químicos nos alimentos; reduzir o trânsito de veículos nas ruas e auto-estradas; tornar as cidades mais saudáveis fisicamente; impedir que os desperdícios radioativos penetram no ambiente; proteger e aumentar as áreas desertas e os territórios para a vida selvagem; e defender as espécies animais da depredação humana.


Mas a Ecology Action East não se ilude a si própria pensando que estas ações tardias constituem uma solução para o conflito fundamental que existe entre a atual ordem social e o mundo natural. Nem tão pouco que estas ações tardias possam deter o ímpeto esmagador de destruição existente nesta sociedade.


Esta ordem social joga conosco. Ela concede reformas a longo prazo, aos poucos e dolorosamente inadequadas, a fim de desviar os nossos esforços e atenção de atos destruidores ainda mais vastos. Em certo sentido, é-nos oferecido um pedaço de terreno da floresta Redwood em troca das Cascades. Visto numa maior perspectiva, esta tentativa para reduzir a ecologia a uma relação de permuta não salva nada; é um modus operandi barato de negociar a maior parte do planeta por umas quantas ilhas desertas, por parques de bolso num mundo devastado de betão.


A Ecology Action East tem dois objetivos principais: um é incrementar no movimento revolucionário, o conhecimento de que a consequência mais urgente e destrutiva da nossa sociedade exploradora e alienante é a crise ambiente, e que a verdadeira sociedade revolucionária deve ser construída de acordo com preceitos ecológicos; o outro objetivo é provocar na mente de milhões de Americanos que estão preocupados com a destruição do nosso ambiente, uma tomada de consciência de que os princípios da ecologia, levados até ao final lógico, exigem mudanças radicais na nossa sociedade e no nosso modo de olhar o mundo.


A Ecology Action East fundamenta-se na revolução do estilo de vida que, no máximo, pretende uma consciência aumentada de experiência e de liberdade humanas. Nós pretendemos a libertação das mulheres, das ciranças, dos homossexuais, dos povos negros e colonizados, dos trabalhadores de todas as profissões, como parte da crescente luta social contra as tradições e instituições que têm tão destruidoramente modelado a atitude da humanidade para com o mundo natural. Nós apoiamos comunidades libertárias e lutas pela liberdade aonde quer que surjam; apoiamos também qualquer esforço para promover o auto-desenvolvimento espontâneo dos jovens; opomo-nos a qualquer esforço para reprimir a sexualidade humana e negar à humanidade a experiência do erótico em todas as suas formas. Unimos todos os esforços para fomentar um artifício feliz, na vida e no trabalho: a promoção dos ofícios e da qualidade de produção; o planejamento de novas ecocomunidades e ecotecnologias; o direito à experiência, numa base diária da beleza do mundo natural, o parzer aberto, espontâneo e sensual que os humanos podem oferecer uns aos outros, o respeito crescente pelo mundo da vida.


Em resumo, nós temos esperanças numa revolução que produza comunidades politicamente independentes cujas fronteiras e populações sejam definidas por uma nova consciência ecológica; comunidades cujos habitantes determinarão por si mesmos, dentro da estrutura desta nova consciência, a natureza e o nível das suas tecnologias, as formas tomadas pelas suas estruturas sociais, visões do mundo, estilos de vida, artes expressivas e todos os outros aspectos das suas vidas diárias.


Mas nós não nos iludimos a nós mesmos de que este mundo orientado para a vida possa ser desenvolvido, inteiramente ou mesmo parcialmente conseguido, através de uma sociedade orientada para a morte. A sociedade Americana como hoje está constituída, está penetrada de racismo e ergue-se no topo do mundo inteiro não só como consumidora de sua riqueza e recursos, mas como um obstáculo a todas as tentativas de auto-determinação no interior e no estrangeiro. Os seus objetivos inerentes são a produção pela produção, a manutenção da hierarquia e do trabalho árduo à escala mundial, manipulação das massas e controle por meio de instituições políticas centralizadas. Este tipo de sociedade contrapõe-se inalteravelmente a um mundo orientado para a vida. Se o movimento ecológico não tira estas conclusões dos seus esforços para conservar o ambiente natural, então a

conservação torna-se um mero obscurantismo. Se o movimento ecológico não dirige os seus esforços principais para uma revolução em todos os aspectos da vida - social bem como natural - então o movimento tornar-se-á gradualmente numa válvula de segurança para a ordem estabelecida. A nossa esperança está em que os grupos como nós, brotarão através do país, organizados como nós próprios numa base humanista e libertária, empenhada na ação conjunta e com um espírito de cooperação baseado no apoio mútuo. É também esperança nossa que eles tentem fomentar uma nova atitude ecológica, não só para com a natureza mas também para com os humanos: uma concepção de relações espontâneas variegadas dentro e entre grupos, dentro da sociedade e entre os indivíduos.


Nós esperamos que os grupos ecológicos evitarão todos os apelos aos "chefes de governo" e às instituições estatais nacionais e internacionais, os verdadeiros corpos criminosos e políticos que têm contribuído materialmente para a crise ecológica do nosso tempo. Cremos que os apelos devem ser feitos ao povo e à sua capacidade para a ação direta, que lhe possa permitir tomar o controle das suas próprias vidas e destinos. Porque só desta maneira pode emergir a sociedade sem hierarquia e domínio, a sociedade na qual cada indivíduo é o dono ou a dona da sua própria sorte.


As grandes cisões que dividiram os humanos dos humanos, a humanidade da natureza, o indivíduo da sociedade, a cidade do campo, a atividade mental da física, a razão da emoção e geração de geração devem ser agora ultrapassadas. O cumprimento da luta antiquada pela sobrevivência e segurança material num mundo de escassez foi uma vez olhado como a condição prévia para a liberdade e para uma vida inteiramente humana. Para viver nós tivemos que sobreviver. Como Brecht disse: "Primeiro a alimentação e depois a moralidade".


A situação começou agora a modificar-se. A crise ecológica do nosso tempo, crescentemente, inverteu esta máxima tradicional. Hoje, se nós temos que sobreviver, devemos começar por viver. As nossas soluções devem ser proporcionais ao nível do problema, ou então a natureza vingar-se-á, terrivelmente, da humanidade.



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