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O Bolchevismo e a classe operária

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Teses sobre o Bolchevismo
Helmut Wagner


O bolchevismo resolveu o problema histórico da revolução burguesa, na Rússia feudal e capitalista, com a ajuda do proletariado, que foi o instrumento ativo e combatente. Apropriou-se, também, da teoria revolucionária da classe operária e a transformou para adequá-la aos seus propósitos. O «marxismo-leninismo» não é marxismo, mas um encobrimento, adaptado às necessidades da revolução burguesa na Rússia, do conteúdo social da revolução russa. Apesar de ter permitido compreender a estrutura social russa, esta teoria se converteu, manipulada pelo bolchevismo, num meio para ocultar o conteúdo de classe da revolução bolchevique. Detrás dos conceitos e consignas marxistas, esconde-se uma revolução burguesa que foi realizada, sob a direção da intelectualidade pequeno-burguesa, pelas forças unidas do proletariado socialista e o campesinato ligado à propriedade privada, contra o absolutismo czarista, a nobreza latifundiária e a burguesia.

Sob a concepção bolchevique do papel do Partido em sua relação com a classe operária, oculta-se a absoluta reivindicação da liderança por parte da intelectualidade revolucionária, pequeno-burguesa e jacobina. A intelectualidade pequeno-burguesa somente podia expandir sua organização e converte-la numa arma revolucionária ativa se atraísse e utilizasse as forças proletárias. Por isso chamou de proletário o seu partido jacobino. A subordinação da classe operária combatente a uma direção pequeno-burguesa era justificada pela doutrina bolchevique da «vanguarda» do proletariado, cuja prática se baseia no princípio segundo o qual o partido encarna à classe. Ou seja: o partido não é um instrumento dos proletários, os proletários são o instrumento do partido.

A necessidade de basear a política bolchevique nas duas classes subalternas da sociedade russa foi traduzida pelo bolchevismo na fórmula duma «aliança de classes entre o proletariado e o campesinato», uma aliança na qual se fundem, de modo voluntarista, interesses de classe antagônicos.

Os bolcheviques disfarçaram sua pretensão de dirigir incondicionalmente o campesinato sob a fórmula da «hegemonia do proletariado na revolução». Ora, considerando que o proletariado é dirigido pelo partido bolchevique, a «hegemonia do proletariado» significa a hegemonia do partido bolchevique e sua vontade de dominar ambas as classes.

A pretensão dos bolcheviques de tomar o poder apoiando-se nas duas classes encontra a sua expressão mais elevada na concepção bolchevique da «ditadura do proletariado». Essa fórmula, ligada à concepção do partido como organização dirigente da classe, significa, desde o começo, a onipotência da organização jacobino-bolchevique. Seu conteúdo de classe foi, ademais, completamente suprimido pela definição bolchevique da ditadura do proletariado como a «aliança de classes entre o proletariado e o campesinato sob a hegemonia do proletariado» (Stálin e o programa da III Internacional.) Deste modo, o princípio marxista da ditadura da classe operária foi deformado pelo bolchevismo ao fazer de tal ditadura uma dominação de duas classes opostas por um partido de caráter jacobino.

Os próprios bolcheviques sublinharam o caráter burguês de sua revolução, com sua fórmula revisada da «revolução popular» ("Volksrevolution"), com a qual entendem a luta comum das diferentes classes dum povo na mesma revolução. Essa é a consigna típica de toda revolução burguesa, ou seja: toda revolução que mobiliza, sob a direção burguesia, as massas de pequeno-burgueses e proletários em benefício da burguesia.

Em vista da luta da organização pelo poder sobre as classes revolucionárias, qualquer atitude democrática do bolchevismo converte-se num mero movimento táctico. Isto se viu sobretudo na questão da democracia operária nos sovietes. A consigna leninista, de Março de 1917, «Todo poder aos soviets», continuava fiel à característica fundamental da revolução russa (o sistema de duas classes), posto que os sovietes eram «conselhos de operários, camponeses e soldados» (e os soldados eram camponeses). Ademais, a consigna fora lançada por Lênin na revolução de fevereiro com uma finalidade tática, já que essa fórmula poderia assegurar a transição «pacífica» do domínio da coalizão social-revolucionária menchevique ao domínio dos bolcheviques, através do crescimento da influência destes nos sovietes. Depois da manifestação de Julho, a influência dos bolcheviques sobre os sovietes declinou. Lênin abandonou provisoriamente a consigna sobre os conselhos e demandou a organização doutros órgãos insurrecionais pelo partido bolchevique. Foi só quando, como resultado do golpe de Kornilov, a influência bolchevique cresceu rápida e fortemente nos sovietes, que o partido de Lênin relançou a consigna. Desde que os bolcheviques consideraram os sovietes como órgãos insurrecionais, em lugar de como órgãos de autogoverno da classe proletária, deixavam claro que para eles os sovietes eram somente uma ferramenta, com ajuda da qual o seu partido poderia tomar o poder. Isto ficou demonstrado, na prática, não só com a organização do estado soviético depois da conquista do poder, mas também no caso particular da sangrenta repressão da sublevação de Kronstadt. No final dessa insurreição, as reivindicações capitalistas apresentadas pelos camponeses foram atendidas, pela política da NEP. As reivindicações democráticas do proletariado, contudo, foram afogadas no sangue proletário.

As disputas em torno da forma e da composição dos sovietes russos resultaram, já em 1920, na formação duma genuína - ainda que débil - corrente comunnista no partido russo. A Oposição Operária defendia a execução da democracia conselhista para a classe operária. Como toda oposição séria contra o regime, esta seria desmantelada mediante a prisão, o exílio ou a execução militar de seus membros, mas sua plataforma permaneceu como ponto de partida histórico para um movimento comunista-proletário, contra o regime bolchevique.

O problema dos sindicatos foi determinado igualmente pela atitude dos bolcheviques, de dominar e dirigir os operários. Na Rússia, os bolcheviques despojaram completamente os sindicatos de qualquer traço concernente à organização do trabalho, impondo-lhes, depois da tomada do poder, uma disciplina militar. Noutros países, o resultado final da política bolchevique tem sido proteger as organizações sindicais reformistas e burocráticas. Em vez de desmantelar tais organizações, os bolcheviques têm defendido a «conquista» do seu aparato. Eles eram os mais ferozes oponentes da idéia das organizações de fábrica revolucionárias, que encarnavam a democracia proletária. Os bolcheviques lutaram pela conquista ou renovação das organizações controladas por uma burocracia centralizada, as quais eles pretendiam dirigir ocupando seus postos de mando.

Como dirigentes de uma ditadura jacobina, os bolcheviques combateram sem tréguas a idéia da autodeterminação da classe operária e exigiram a subordinação do proletariado à organização burocrática. Antes da guerra, nas discussões que ocorreram sobre a questão da organização na II Internacional, Lênin fora um veemente e vingativo adversário de Rosa Luxemburgo e se apoiara, abertamente, no então centrista Kautsky, que, mais tarde, durante e depois da guerra, desmascarou-se por completo. Já naquela fase, o bolchevismo demonstrou (e a história posterior o confirmaria) que não só não entendia o desenvolvimento da consciência de classe e das organizações do proletariado, mas também que combatia por todos os meios todas as tentativas teóricas e práticas de articular verdadeiras organizações de classe e uma verdadeira política de classe.


Teses sobre o Bolchevismo
As orientações da política Bolchevique O Bolchevismo e a classe operária A revolução Bolchevique

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