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Millennium

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Millennium (livro)
Hakim Bey


(Original em Inglês - Versão em Espanhol)


Sub specie aeternitatis..jpg
"Quando dois se preparam para jantar
ou duelar juntos, um terceiro aparece:
tertium guid, parasita, testemunha, profeta, escapista."
M.Serres - Hermes.


JihadEditar

Há cinco anos ainda era possível ocupar uma terceira posição no mundo, uma que não fosse a de recusa nem a de astúcia, um reino fora da dialética - até mesmo um espaço de retirada -; o desaparecimento como vontade de poder.

Mas agora há somente um único mundo - o triunfante fim da história, fim da insuportável dor da imaginação - na verdade uma apoteose de Darwinismo Social cibernético. O dinheiro decreta a si mesmo como lei da Natureza e demanda absoluta liberdade. Completamente espiritualizado, livre de seu corpo desgastado (mera produção), circulando rumo à infinitude & instantaneidade em uma numisfera gnóstica[1] muito acima da Terra, somente o dinheiro, por si só, definirá a consciência. O século 20 terminou há cinco anos atrás; este é o milênio. Onde não há um segundo, onde não há oposição, não pode haver um terceiro, não pode haver o nem um, nem outro. Então a escolha permanece: -- ou aceitamos a nós mesmos como os últimos humanos, ou então aceitamos nós mesmos como a oposição (escolha entre automonotonia e autonomia.) Todas as posições de retirada precisam ser reconsideradas de um ponto de vista baseado em novas demandas estratégicas. Em um certo sentido, estamos encurralados. Como os ideólogos dos velhos tempos diriam, nossa situação é "objetivamente pré-revolucionária" de novo. Para além da zona autônoma temporária, para além da insurreição, existe a revolução necessária - a jihad.[2]

MesmiceEditar

A rock with lichen thereupon.jpg
O dinheiro do século XXI é um caos - enquanto a ideologia do século XX era meramente uma entropia[3]. Tanto o pensamento burguês quanto o anti-burguês propuseram um único mundo – unificado, em sua consciência, pela ciência -- mas somente o dinheiro, por si só, efetivará realmente este mundo.

O dinheiro não é migratório, pois o nômade se move de lugar em lugar, enquanto o dinheiro se move de tempo em tempo, dissipando o espaço. O dinheiro não é um rizoma e sim um caos, uma inter-dimensionalidade, inorgânico mas reprodutivo [infinita bifurcação regressiva] - a sexualidade do morto.

O "Capital", então, deve ser considerado um "atrator estranho". Talvez a própria matemática desse dinheiro ("fora de controle") já possa ser rastreada através de redes esotéricas tais como a SWIFT[4], a internet privada para bancos e casas de investimento, na qual um trilhão de dólares ao dia se diverte no ciberespaço (dos quais menos de 5% se referem mesmo que obliquamente à produção efetiva).

O mundo uno pode lidar com o "caos", mas ele reduz toda verdadeira complexidade a mesmice & segregação. A própria consciência "adentra a representação"; a experiência vivida que exige presença precisa ser negada na medida em que ameaça constituir outro mundo para além do confinamento. Em um paraíso de imagens perdura apenas o pós-vida da tela, o portal estelar gnóstico, a cápsula da transubstanciação. Infinitamente o mesmo dentro de uma infinidade de confinamentos; infinitamente conectado e ainda assim infinitamente só. Imensurável identidade do desejo, imensurável distância da realização.

ADMINISTRAÇÃO DE DESEJOSEditar

生命樹.jpg
O mundo uno não pode mercantilizar prazer em si mesmo, mas somente sua imagem; hermetismo maligno, um tipo de baraka[5] ao contrário, o horizonte dos eventos ou terminal de desejo. A "espiritualidade do prazer" se encontra precisamente na presença que não pode ser representada sem que desapareça; -- inexpressável, inocente, possível somente naquela "economia do dom" que sempre existe (ou que é sempre re-inventada) sob a ortodoxia e a paralisia da troca. Desejo é definido aqui como um movimento ao longo dessa trajetória -- não como o comichão que o dinheiro pode coçar.

A teoria radical recentemente desenvolveu uma problemática do desejo baseada na percepção de que o Capital está preocupado com o desejo e é capaz de satisfazê-lo. O desejo portanto é egoísta e reacionário. No entanto Benjamin[6] demonstrou que a preocupação do Capital é precisamente não satisfazer o desejo (i.e. proporcionar prazer), mas sim, exacerbar o desejo através do dispositivo do "traço utópico" (parafraseando Marx, as patifagens metafísicas da mercadoria). Dizer que o capital liberta o desejo é um absurdo semântico baseado em um "erro de tradução": -- O capital liberta a si mesmo escravizando desejos. Fourier[7] alegava que as doze Paixões -- irreprimidas -- constituíam a única base possível para a harmonia social. Nós podemos não seguir sua numerologia, mas captamos sua deriva.

Contra o hermetismo negativo do mundo único e sua carnalidade fingida, a oposição propõe uma gnose[8] própria, uma dialógica da presença, o prazer de superar a representação do prazer - um tipo de pedra-de-toque[9]. Sem censura, sem administração da imagem, mas o contrário - a libertação da imaginação do império da imagem, de sua tirânica onipresença e singularidade. A imagem por si mesma não tem sabor, como um tomate ou uma pêra bioindustrial -- inodora como a própria civilização, nossa "sociedade da segurança", nossa cultura da mera sobrevivência. Nossa luta é em parte um levante contra a escuta colonial e a fixação do olhar imperial, em pró de odores, toques, sabores - e pelo "terceiro olho".

Se o desejo desapareceu dentro de suas representações então ele deve ser resgatado. Silêncio e segredo são necessários, mesmo uma velação da imagem -- por fim um reencantamento do proibido. Somente um eros[10] que seja capaz de escapar do compartimento no âmbito da banalidade da imagem (e aqui, consciência pouco importa) pode harmonizar com a estética da jihad; se expressada convencional ou não convencionalmente em papéis ou atos parece quase irrelevante.

A sexualidade por si só pode ser considerada enteogênica -- como as "plantas sagradas", pode prover não só a estrutura cognitiva como também o conteúdo imaginário. A festa para nós é ao menos uma "piada séria" [uma velha definição da alquimia] se não uma necessidade ritual. "Iluminação" é também um princípio corpóreo e material -- e nosso segredo é o que nosso projeto precisa para não ser exclusivamente construído no nada de Nietzsche[11].

SOMBRA VERDEEditar

Buddha Head Inbedded in Roots at Wat Phra Mahathat, Ayuthaya, Thailand.jpg
A natureza¹³ simboliza essa irredutibilidade do desejo. O extermínio do não-humano invoca o extermínio do humano; cultura pode apenas ser definida na relação com aquilo que não o é. Aqui permanece a profundidade do paganismo; no Islã, o verde é uma cor heráldica porque "água, verdor e um belo rosto" (como o Profeta disse) são ontologicamente privilegiadas em experiência -- e são de fato a base da rejeição esotérica a semelhança e separação -- o divino como diferença, imanente e imediata -- não somente na "Natureza" como também no jardim ou cidade como uma cristalização orgânica espontânea dos desejos da vida por si mesmos. Talvez toda "real" selvageria tenha desaparecido dentro de uma cartomântica administração dos desejos -- depois de tudo, o mundo uno não conhece nenhum outro -- mas assim sedo, seu espectro assombra esse mundo. Ele pode ser chamado de volta; ele pode ser restaurado.

Se a Natureza é desnaturada na mediação assassina do olhar museológico e se "tudo" é mediado (mesmo "a percepção sensorial direta"), então como podemos nós falarmos de restauração ou de "imediação"? Primeiro, porque (em outros termos de linguagem) nem tudo "embarcou na representação". A reivindicação do mundo único para sua uniformidade é obviamente espúrio -- persiste por definição um alheio de todo compartimento na representação; para não mencionar a liminariedade ao redor de cada fronteira, uma área de ambigüidade. A uniformidade pensa a si mesma como invunerabilidade -- mas sua fraqueza é revelada precisamente no momento de nossa percepção de que ela não está refletida na experiência vivida; mostrando a si mesma como luxação, esvaziamento, tédio, miséria -- esse momento pode constituir a "retirada do véu" que poderia permitir um lampejo do futuro, ou ao menos de nosso desejo para o futuro.

Segundo: podemos falar aqui de restauração por que nem mesmo toda representação subsumida ou produzida dentro do compartimento da uniformidade pode ser considerado efetivo no serviço da repressão. A linguagem por si mesma é assombrada pelas (por vezes não-intencionais) poéticas de sua própria superação, pelo subversivo, a "erupção do maravilhoso". A vida parece conspirar com essa externalidade, de tal forma que mesmo a representação finalmente escapa da representação.

DINHEIROEditar

George is Keeping an Eye On You!.jpg
O Verde foi feito para simbolizar a maldita fertilidade do dinheiro, esta é uma fertilidade contranatural -- a alquimia da expropriação, o infinito peso do olhar privilegiado e maçônico. Transcendendo sua própria textualidade ela se torna representação pura; Desde o início contudo, desde as primeiras tábuas de barro ou as moedas de eletrons, o dinheiro já não era nada além de dívida, nada além de ausência.

O dinheiro "em si mesmo" conserva uma certa inocência como um símples meio de troca, o dinheiro "pobre", por assim dizer, despido de interesse em mera circulação. Neste nível o dinheiro pode desempenhar este papel até mesmo na zona autônoma temporária; em relação com a Jihad no entanto, o dinheiro permanece e deve ser considerado sob o signo do Capital como um meio de expropriação e o mitema¹⁴ básico da separação. E como o dinheiro transcende sua própria textualidade em virtualidade, interesse pode ser extraído em cada transação, em cada perturbação do éter; -- o dinheiro "pobre" dá lugar ao dinheiro "puro". E quem se beneficia?

O maquinário global jamais cairá nas mãos das multidões insurgentes, nem mesmo seu Olho único será permitido ao povo (como a uma das três Moiras cegas¹⁵); não haverá transição, suave ou pedregosa, entre o Capitalismo e alguma utopia econômica, alguma milagrosa salvação para a consciência unificada para o racionalismo e para a cultura universal pós-iluminista (com cantos almofadados para sobreviventes excêntricos e euforia turística) -- nenhuma Social-Democracia tomando o controle em nome do povo. O "dinheiro-poder" (como os velhos agrários o chamaram) não está no poder de uma elite (seja conspiratória ou sociológica) -- a elite é que está no poder do dinheiro, como capangas humanos em uma ficção científica contratados por algum tipo de entidade de inteligência artificial no ciberespaço. O dinheiro-poder é o maquinário global -- ele só pode ser desmantelado, nunca herdado. Surgirá algum tipo de limite teorético na numisfera, para que a bolha exploda "por si própria" de uma vez? Se dirige o Capitalismo em direção à última recapitulação e a crise final para acabar com todas as crises, ou encontrará uma maneira de lidar com e até mesmo se aproveitar de quaisquer "limites ao crescimento" ou perturbações caóticas dentro de sua fechada atmosfera de sufocação? [Não mudem de Canal!]

Em qualquer caso (para lembrar a Gustav Landauer¹⁶) não há nenhuma “inevitabilidade histórica” que trate de um renascimento da revolução no momento mesmo no encerramento triunfante da dialética que opera o Capital. [Em um sentido o Capitalismo parece voltar-se “inevitável” com a invenção da escasez -- o primeiro momento de expropriação. Mas, exatamente onde este momento pode ser encontrado? A agricultura é uma grande crise extensivamente ampliada -- mas muitas sociedades tribais-horticultoras permanecem tão firmemente não-autoritárias e orientadas pelo dom com os mais puros caçadores-coletores. Os Antigos estados hierárquicos (Suméria, Egito, a China Shang, etc.) e mesmo o feudalismo todavia conservaram economias de reciprocidade e redistribuição; -- o mercado, como "previsto" pelas Economias Clássicas, simplesmente falha em não aparecer (ver Karl Polanyi¹⁷). E mais, cada ameaça de sua emergência é recebida com resistência pré-ciente [prescient] (como Clastres¹⁸ previra): -- a separação e a expropriação nunca se vão incontestadas, e assim nunca aparecem em sua forma absoluta. De fato existem saídas, não há lei natural de circulação e de intercâmbio, nenhuma fatalidade histórica, nenhuma destinada atomicidade do social, e nenhum mundo unificado da representação. O capitalismo existe -- mas não está só; a revolução é o seu outro. E vice-versa.]

Não existe nunca um momento certo para declarar-se em estado de rebelião. Eternos hereges que somos, nós já tomamos nossas escolhas -- e se em alguma encarnação anterior, ou em algum tempo mítico fora do tempo, como se tudo se pensava a si mesmo em nós ou sem nós, e a negociação fora um tipo de pré-morte morna, uma resignação em morbidez. Para nós não há um retorno a inocência no êxtase de 600 canais, nenhuma volta a assim chamada "queda do Império Romano" ou mesmo do início do Neolítico. O primórdios do surgimento da segregação nas mais primitivas formas de dinheiro e de Estado chegaram ao cume de uma tradição que possui quase 10.000 anos de antiguidade -- ultimamente não importa se "esta é a crise" ou não. Nós ainda assim a escolheríamos.

ASSALTO NA TELAEditar

What a TV is good for.jpg
Os meios de uniformidade e segregação representam o mundo único em sua forma mais religiosa -- a estruturação do social em imagens. A mera consciência deste processo não pode superá-lo -- oposição precisa ainda assumir uma forma religiosa em um reencantamento do contra-imaginário; aqui um poderia falar de um racionalismo do maravilhoso. O único meio para escapar da mera reação (e assim da sub-assimilação na imagem) poderia estar na "sacralização" de nossa luta contra a uniformidade e a segregação; -- mas somente o fracasso poderia nos induzir a aceitar os termos da "Romantização" como crítica (ou elogio) de nossa proposta.

Há cinco anos os meios da uniformidade e da segregação conquistaram quase a mesma liberdade e autonomia que o próprio dinheiro enquanto meio. Dessa forma eles transformaram sua ênfase da mera supressão em realização e para a confusão da mistura "interdisciplinar" de todos os modelos de representação (da educação à publicidade) em uma singular catástrofe "polissêmica" da forma: -- o corpo definha em frente a tevê, toda a corporalidade degradada na frente da televisão, toda a corporalidade reduzida a uma obscuridade que só tem forma na luz do pleroma gnóstico¹⁹, aquele reino de transcendência de que os corpos são exilados: -- o paraíso de vidro.

O velho Dualismo implodiu a si mesmo em uma topologia totalizada definida pela geosofia gnoseográfica²⁰ do dinheiro e sua menos-que-uni-dimensionalidade. O “espelho da produção” tem sido super-valorizado por uma transparência completa, o vertigo do terror. A terra, o trabalho, a natureza, o si por si mesmo, a própria vida, e mesmo a morte podem ser re-inventadas como a base de todo intercambio -- tudo é dinheiro.

Nota: Não é necessário dizer, que essas generalizações não concernem a realidade, e sim a ideologia do Capital global (a ideologia da pós-canseira "pós-ideológica") -- os pronunciamentos intoxicados da "economia da informação" -- a charada da "desregulação" (Como pode um dizer sobre revolução quando o Capital já rompeu com todas as regras?). Obviamente o Capital não transcendeu a produção realmente, mas simplesmente a realocou -- em algum lugar próximo ao domínio da administração de cemitérios ou da eliminação de desejos. O Capital quer êxtase e não Taylorismo²¹; ele busca pela pureza, pela descorporação.

A mediação extática finalmente bloqueia a expressão em sua raíz, como por exemplo nas próteses biotecnológicas o na indiferenciação entre o corpo e a tela. Nupcias simuladas entre Eros e Tanatos²²: -- clausura terminal. Obviamente a “jihad maior” se ergue contra o separado em si mesmo — contra a sufocação do verdadeiro eu [self] que deve expressar “seu senhor”, seu significado profundo. No entanto a “jihad menor” não é menos vital, nem está menos imbuída de baraka: -- o assalto na tela.

A Moralidade da ViolênciaEditar

Nesse contexto, qualquer reaparição paradoxal da moralidade começará naturalmente sobre as ruínas da ortodoxia -- e não erguerá ali nada mais permanente que as tendas negras dos beduínos de Ibn Khaldun²³. E ainda, cedo ou tarde a Jihad (a luta) conduz a volta (via tawil ou pela exegese hermenêutica) para shariah²⁴ ou lei. Mas shariah também significa estrada, ou trilha -- é também o "caminho aberto" daquele que perambula sem propósitos. Os valores emergem da imaginação, i.e. do movimento. "Onde os deuses foram parar" -- Isto é o real. Os deuses contudo seguem adiante; se movem, como a luz na água nas Odes de Píndaro²⁵.

O atentado não é imoral mas simplemente impossivel. A mensagem do “terrorismo” é que não existe um lá; somente a cibergnóstica história-plena de puro vazio e angústia -- a “responsabilidade limitada” como um princípio cósmico. Alguém poderia considerar uma moralidade (e mesmo talvez uma “moralidade imaginária”) de violência contra idéias e instituições -- no entanto a linguagem carece de termos para o modo como se condena a militância a uma distinção de enfoque, ou até mesmo a um déficit de atenção. Em qualquer caso não é meramente uma pergunta sobre o "estado espiritual" do um, e sim sobre uma efetiva auto-restruturação da cognição -- não um estado mas uma "estação" nos termos Sufi²⁶. Tomando emprestada uma expressão do Ismaelismo, esta é nossa versa da Da’wa al Qadimi ou Propaganda Ancestral -- antiga porque nunca nasce completamente.

FIM DE SÉCULO²⁷Editar

Nada resta de futuridade no conceito de utopia. "Esperança contra a esperança"; nenhuma opção real está está envolvida. A presença segue sendo impura -- só a ausência assume a forma cristalina e esqueletal da eternidade perfeita. O julgamento moral se você assim preferir: intolerância pelo que se opõe a jihad -- mas não mais dandismo, não mais desabamentos e elaboradas construções de si.

A diferença como identidade constitui uma forma de expressão bem como um modo de disposição. Existe um tao²⁸ deste processo, um ordenamento espontâneo mais do que uma atenção [gaze] Cartesiana imperialista. Esta forma de expressão em grande parte se refere e pertence a cultura (o aspecto "auto-fabricado" do social), o configura uma ressonância amplificatória com a "Natureza" e é por tanto capaz de mudar o mundo-como-consenso, ou é mera estupidez criminosa.

Aqui novamente, a consciência meramente pouco importa; por isso emerge para nós uma enfase nos estados não-ordinários que superem a dicotomia da auto-inteleção auto-reflexiva na atenção concentrada e na "habilidade". O auto-fechamento do aestético ou a isolação mental refuta o fato de que todo prazer é uma expansão, de que a reciprocidade é uma expansividade não-predatória. Se a revolta como expressão é uma reação ou resposta à uniformidade e à segregação, esta simultaneamente constitui por definição um movimento na direção da diferença e da presença -- e como diziam os antigos frenólogos²⁹, em direção à "comunicatividade". O que não é mera "comunicação" -- sujeitas ao arrasto da mediação e da descorporalização -- nem "comunhão" (um termo que implica no autoritarismo exacerbado de uma presença reforçada) estática -- mas sim uma conectividade convival -- um eros do social.


A REVOLTA DO ISLÃEditar

Old Praying Woman in Jame' Mosque.jpg
O federalismo proudhoniano baseado em particularidades não-hegemônicas, em uma mutualidade “nomadológica” ou rizomática de solidariedades sinergísticas — esta é nossa estrutura revolucionária. (A própria aridez dos conceitos sugere a necessidade de uma infusão de vida no plano teórico!) A ideologia pós-iluminista experimentará náuseas ao perceber as implicações revolucionárias de uma religião ou de uma forma de vida sempre pronta a se opor à monocultura de à uniformidade e segregação. A reação contemporânea se tornará pálida diante da idéia da interpermeabilidade, a porosidade da solidaridade, convivialidade e presença em quanto complementariedade e ressonância harmônica da “diferença revolucionária”.

Tomando o Islã como exemplo — a hiperortodoxia e a ulemocracia³⁰ não são capazes de reduzí-lo tão fácilmente a uma ideología hegemonista/universalista como que para excluir às formas divergentes de “política sagrada” levadas a cabo pelo Sufismo [por exemplo, os Naqsbandis], o Shiismo radical [por exemplo, Ali Shariati], o Ismaelismo, o Humanismo Islâmico, a “Via Verde” do Coronel Qadafi (em parte neo-Sufismo, em parte anarco-sindicalismo), incluindo também o Islã cosmopolita da Bosnia³¹.

Tradições de tolerância, voluntarismo, igualitarismo, preocupação pela justiça social, crítica à “usura”, utopismo místico — etc. — podem formar constelações de uma nova propaganda dentro do Islã, indubitavelmente opostas ao colonialismo cognitivo da numisfera, orientadas às “liberdades empíricas” mais do que à ideologia, críticas da repressão no Islã, mas comprometidas com sua criatividade, reticência, interioridade, militância e estilo. A preocupação do Islã pela poluição da imaginação, que se manifesta em um velamento literal da imagem, constitui uma poderosa e estratégica realização para a Jihad; -- aquilo foi velado não está ausente nem invisível, uma vez que o véu é um signo de sua presença, sua realidade imaginária, seu poder. Aquilo que está velado é o não-visto.


VOLKWAYS³²Editar

Sociedades tribais, deixadas em seus próprios mecanismos, fazem guerra de uma maneira não tão hegemônista quanto aventurística - e como demonstrado por Pierre Clastres, estas guerrilhas horizontais (assim como outros costumes "primitivos") militam de fato contra o "Estado" e sua verticalidade: -- violência como uma forma de resistência contra a segregação que sempre é percebida pelo grupo tribal como uma possibilidade perigosa ou "demoníaca" -- violência como uma forma de perene fissão ou fragmentação e redistribuição do poder.

Não se espera que a Jihad seja um retorno a esta forma de violência, mas sim uma realização dialógica de seu conteúdo reprimido. A Jihad deve se compor das mais diversificadas formas de ser e de estar em luta e nunca se restringir a um único meio isolado e monolítico. Mas certamente há sempre algo a se aprender com os "selvagens" e por vezes a violência contra o "um" (que é o empoderamento deste sobre "outros") se faz estratégica -- como uma "máquina de guerra".

Gustav Landauer deixa claro que estas formas de agrupamento podem ser elas mesmas consideradas tanto horizontalmente (ou “federalmente”) como verticalmente — não como entificações categorizantes, do que são, mas como volk, povos, "nações" no sentido nativo-americano do termo. Este conceito foi saqueado pela vil reação e distorcido na forma de um hegemonismo do pior tipo, mas pode bem ser resgatado (uma "aventura" em si mesma)³³.

Landauer demonstra também que o Estado é em parte uma relação interior, e não um absoluto. Na medida em que o poder se transforma do mapa nacional ao "puro" Capital o Estado exterior se torna cada vez mais irrelevante como um foco de oposição. A “neutralidade” não é uma opção — ou uma zona é parte do mundo único, ou se torna oposição. Se a zona de oposição coincide com certas entidades políticas,então a revolução deve considerar certas alianças políticas. A grande jihad, aquela que se dá contra relações internas do poder -- permanece sempre a mesma, enquanto a pequena jihad - contra as relações externas - muda constantemente de forma³⁴.

Para a coalescência estratégica, a complexidade não é só uma estética, mas uma necessidade, um baluarte cognitivo ou uma zona de resistência, um reino de ambigüidade onde o levante deve encontrar sua economia, seus centros. Toda “nação”, seja ela tradicional ou auto-formada, e todo grupo que se mova horizontalmente dentro (ou através) deste entorno — conselhos, comitês, sindicatos, festivais — incluso, toda “pessoalidade soberana” — pode considerar a federação como base de uma frente anti-hegemônica ad-hoc³⁵ contra a totalidade auto-proclamada da uniformidade e da segregação, e a favor de um mundo de diferença e presença.

Em um certo viés a força da presença ou da solidariedade emerge da realidade da “classe” -- ainda que se adotarmos este termo precisamos considerar amplos re-alinhamentos e mutações caleidoscópicas de forma que seu sentido seja aberto e apresentado como algo novo, liberto das acepções atávicas do século XIX, e seus telos³⁶ de mundo único e sua estética monocultural -- seu cientificismo, seus desencantamentos, e sua fatalidade. Não é só uma questão de “proletarização das zonas”, mas sim da supressão ininterrupta e “natural” da consciência autônoma (e aqui a consciência importa).


SOTERIOLOGIA REVOLUCIONÁRIA³⁷Editar

Tra la folla....jpg
Assim, o “mundo a ser salvo” pela jihad não consiste só naquela Natureza que não pode sofrer um compartimento final sem o fatal estranhamento da consciência mesma de toda “intimidade original”, bem como também no espaço da cultura, do devir autêntico: Terra e Libertade. A agricultura pode ser considerada nos termos de uma trágica Queda da economia humana "natural" — (coleta, caça, reciprocidade) — e mesmo como uma mudança catastrófica da própria cognição. No entanto, para sustentar a idéia de que sua abolição envolve um niilismo cripto-malthusiano ou ainda um niilismo biofóbico suspeitamente parecido com o suicídio Gnóstico, a moralidade da substrução torna-se imediatamente uma moralidade do resgate (e vice-versa); a semente da nova sociedade já está sempre se formando dentro da casca da antiga. O que quer que seja que o mundo único busque destruir ou denegrir se nos parece com a inconfundível aura da vida orgânica; -- isto se aplica para toda a panóplia³⁸ de nossa atual "idade da pedra tardia", mesmo em seus refinamentos Fourieristas, mesmo em seu urbanismo surrealista (mesmo a “Civilização” poderia ser considerada como uma “boa idéia” se pudesse ser libertada de seu próprio determinismo predatório), — este aspecto define nosso conservadorismo. Assim, apesar de tudo, apesar das titânicas depredações da inteligência artificial do Capital, o “mundo a ser salvo” as vezes difere "deste” mundo somente por um satori³⁹ da espessura de um fio de cabelo. Porém é inteiramente desta fissura que nossa oposição radical emerge. O milênio é sempre uma abertura de um momento presente -- mas é também e sempre o fim de um mundo.

O IMAM OCULTO⁴⁰Editar

Dome, lotfollah mosque, isfahan oct. 2007.jpg
O quid [jist] da jihad: quando a opressão toma paradoxalmente a forma simultânea da uniformidade e da segregação, então a resistência ou a oposição logicamente propõe a diferença e a presença — outro paradoxo revolucionário. A sociedade segmentária e rizomática da identidade que se precipita desta super-saturada lógica de resistência pode ser contemplada de qualquer ângulo, vertical ou horizontal, diacrônico ou sincrônico, étnico ou estético — dentro de um único princípio revolucionário anti-hegemônico da presença.

Nosso presente estado de irritadiça desatenção aparente só pode ser comparado a algum pecado esotérico medieval como a preguiça espiritual ou o esquecimento existencial; nosso primeiro prazer será imaginarmos por nós mesmos uma propaganda tão potente como o "Chamado" gnóstico, uma estética do arrependimento-e-conversão da "auto-superação", um mythos Soreliano⁴¹ -- um Milênio.

O panopticon⁴² cego do Capital permanece, depois de tudo, mais vulnerável no domínio da "magia" -- a manipulação de imagens para controlar eventos, a hermética "ação à distância". Se a tong⁴³ provê um meio possível para a nova propaganda (?)pela escritura(?), então deve se assumir que a mera retirada estética (o desaparecimento como vontade de poder) não pode gerar calor suficiente para eclodir o ovo de seu segredo.Tudo que alguma vez foi tertium quid⁴⁴ está agora (ou logo estará) também comprometido com a capitulação ou com a oposição, como uma conflagração, como levante contra a administração do desejo e da imaginação dentro da prisão do mundo único.

No entanto, em uma situação pré-revolucionária a vantagem tática da clandestinidade, do oculto (a linguagem do coração), restaura de imediato a estética e sua centralidade revolucionária. A arte do oculto foge da absorção no "discurso da totalidade" baseado na imagem -- e assim, sem formas possíveis, ainda sustenta a promessa milenar da arte, a transformação do mundo⁴⁵.

Chamado & RespostaEditar

Há menos de uma década ainda era possível pensar no “inimigo” como a Maquina de Trabalho Planetária, ou o Espetáculo — e também pensar a resistência sob a rubrica da retirada ou mesmo do escapismo. Nenhum grande e misterioso véu nos separava de nossa vontade de imaginar outras formas de produção, lúdicas e autônomas, ou outras formas de significação, autêntica e prazerosa. O objetivo óbvio era formar (ou sustentar) núcleos alternativos baseados na implementação destas formas, utilizando a resistência como uma tática em defesa destas zonas (fossem estas temporárias ou permanentes). No aikidô⁴⁶ não existe nada como o ataque -- um simplesmente retira sua própria força do ataque, do outro e é com esta mesma força (do atacante) que se volta contra ele e vence a si mesma. O Capitalismo atualmente perdeu algum terreno para estas táticas, em parte porque era suscetível às estratégias da "terceira força", e em parte porque enquanto ideologia permaneceu incapaz de lidar com suas próprias contradições internas (a "Democracia" por exemplo).

Bush War Machine.jpg
Agora que a situação mudou. O Capitalismo está livre de sua própria blindagem ideológica e já não necessita conceder espaço a nenhuma “terceira força”. Ainda que o criador do aikidô podia desviar de balas, ninguém pode se esquivar, ficar de lado, diante o ataque violento de um poder que ocupa toda a extensão de um espaço tático. O escapismo é possível para o "terceiro convidado, o parasita", mas não para o único oponente. O Capitalismo tem agora liberdade de declarar guerra e tratar diretamente como inimigos todas as "alternativas" anteriores (incluindo à Democracia"). Neste sentido não escolhemos a nós mesmos como oposição -- nós fomos escolhidos.

No kendô⁴⁷ se diz que não existe essa coisa de movimento defensivo, ou mesmo que a única defesa é um bom ataque. O atacante no entanto, tem a desvantagem (o desequilíbrio) como no aikidô: -- então o que fazer? Um paradoxo, quando atacados, golpear primeiro. Evidentemente nossas "alternativas" já não são meras opções interessantes, e sim posições estratégicas de vida-ou-morte. No entanto, revolução não é um combate de kendô - também não é uma peça de moralidade. Poderia parecer que nossas táticas serão definidas não tanto pela história quanto por nosso empenho de permanecer dentro da história -- não por "sobrevivência", mas sim por persistência.

A questão de "O Que Se Deve Fazer?” precisa agora ser requisitada por duas razões: -- primeiro, já existem milhares de organizações trabalhando efetivamente por objetivos revolucionários de fato (ou pelo menos por boas causas) -- mas nenhum mito organizador, não há propaganda, não há "consciência revolucionária” transformadora capaz de transcender a segregação como institucionalização reformista e esclerose ideológica [”libertando sufragando tais questões”]. Segundo, a maior parte do “ilegalismo” está condenado de maneira desconcertante à contra-produtividade e à recuperação precisamente pela mesma razão — não existe consciência, ou melhor, não há metanóia, não há consciência desfragmentada. De tal maneira que nenhuma coalescência parece factível, e a jihad é enfrentada primeiro e principalmente pela necessidade brutalmente teorética de compreender e articular sua própria historicidade. Falar agora de uma “situação pré-revolucionária” esbarra na ironia do que estes termos acabam inevitavelmente invocando (a história como “pesadelo”) – Quais símbolos deverão surgir e em qual horizonte?

Deve-se recordar aqui que a "propaganda pela ação" pretendia originalmente incluir "grandes ações" assim como feitos violentos; a zona autônoma temporária possui seu valor não só por si mesma, mas também pela própria historicização da experiência vivenciada, talvez até mesmo seja um modo de propaganda-pela-ação. O levante poderia então ser visto como a proposta de uma "zona autônoma permanente"; e através da coalescência de muitos destes grupos constituiria a forma do "milênio". Aqui até mesmo a "retirada"poderia ter seu valor enquanto tática – na medida em que fosse coordenada e praticada militantemente em uma escala massiva — “paz revolucionária”.

Somente a expressão de um esquema como este revela de uma vez o quão distantes estamos de qualquer realização. Até lá poderíamos nos ao direito de nos tornarmos verdadeiros aficionados (a um nível existencial) pela "ação", ou pelo menos por algum tipo de "anti-pessimismo", qualquer discussão sobre táticas reais a esta altura poderiam se mostrar fatalmente (ou absurdamente) prematura. Além disso. "O que eu deveria fazer?"é talvez a mais mediada das perguntas, aquela que garante a impossibilidade de qualquer possível resposta.

Nossa densidade é tal que nos tomou cinco anos para compreendê-la. Tudo que alguma vez foi uma “terceira via” deve ser repensado sob a luz deste único feito: — um mundo nos enfrenta, não dois. Se a resistência entrou em colapso em uma pleiteada nostalgia (1968 se tornou tão “trágico” para nós como qualquer outro fracasso) — se o esquerdismo malicioso e o particularismo fascista mantém tal encanto para os radicais exaustos, etc. - então é porque fracassamos em articular este feito singular até mesmo para nós próprios: - que ao se proclamar como absoluto e construindo um mundo sobre essa proclamação, o Capital foi chamado de volta a vida, ao seu antigo nêmesis (tão desacreditado pelo século XX, tão morto, tão nulo), foi chamado de volta em toda uma nova encarnação - como a defesa desesperada de tudo que não pode ser englobado - chamado de volta a revolução, a jihad.


Hakim Bey Nova York/Dublin 1 de Setembro de 1996 Traduzido por Protopia Wikispaces


Referências

  1. Numisfera (do latim (numi - espirito sagrado - phere - espaço) Esfera ou patamar da existência em que habitam divindades e/ou espíritos sagrados. (N.T.)
  2. Jihad (Língua árabe جهاد‎ gihād) é um conceito essencial da religião islâmica. Pode ser entendida como uma luta, mediante vontade pessoal, de se buscar e conquistar a fé perfeita.Ao contrário do que muitos pensam, jihad não significa "Guerra Santa", nome dado pelos Europeus às lutas religiosas na Idade Média (por exemplo: Cruzadas). A explicação quanto as duas formas de Jihad não está presente no Alcorão, mas sim nos ditos do Profeta Muhammad: Uma, a "Jihad Maior", é descrita como uma luta do indivíduo consigo mesmo, pelo domínio da alma; e a outra: a "Jihad Menor", é descrita como um esforço que os muçulmanos fazem para levar a mensagem do Islã aos que não têm ciência da mesma (ou seja, daqueles que não se submetem a Deus e à paz). (N.T.)
  3. A entropia (do grego εντροπία, entropía) é uma grandeza termodinâmica geralmente associada ao grau de desordem. Ela mede a parte da energia que não pode ser transformada em trabalho. (N.T.)
  4. Sigla para Society for Worldwide Interbank Financial Telecommunication - sistema integrado de telecomunicação entre instituições financeiras que permite grande movimentações de capital virtual pelo mundo. (N.T.)
  5. Do islã e línguas de influência árabe, expressão cara aos sufistas, refere-se a certo tipo de sabedoria espiritual que é também benção, graça e força vital que permeia toda a criação e ainda assim é passível de ser transmitida (N.T.)
  6. Walter Benjamin (nascido em 1892 — falecido em 1940) foi um crítico literário e ensaísta alemão cuja obra tratou de temas referentes a transformação social a partir de uma perspectiva marxista. Foi associado à Escola de Frankfurt e publicou uma série de obras de profunda reflexão.Com a ascenção do nazismo tornou-se um refugiado e diante da perspectiva de ser capturado escolheu o suicídio. (N.T.)
  7. Charles Fourier (nascido em 1772 - falecido em 1837) foi um filósofo membro do movimento socialista utópico. Em seus textos coloca os comerciantes como os causadores da miséria na sociedade e o feudalismo responsável por matar muitos trabalhadores. Criticou também a família, a religião e a “civilização”, que esta associada com a idéia de preservação. Baseou seus estudos sobre a obra de Robert Owen e de Saint-Simon, mas logo os deixou de lado para definir qual seria a melhor sociedade. Fourier defendia a propriedade comunitária, formulou a federação das comunidades, idealizou uma forma de consumo e produção, dentro das comunidades de trabalho. Considerava que o homem construía a sociedade de maneira egoísta, prevendo sempre o lucro. Com isso, o homem não desenvolveria sua própria personalidade, nem sua própria capacidade. (N.T.)
  8. Gnose é substantivo do verbo gignósko, que significa conhecer. Para os Gnósticos, Gnose é conhecimento superior, interno, espiritual, iniciático. No grego clássico e no grego popular, koiné, seu significado é semelhante ao da palavra epistéme. Em filosofia, epistéme significa "conhecimento científico" em oposição a "opinião", enquanto gnôsis significa conhecimento em oposição a "ignorância", chamada de ágnoia. (N.T.)
  9. No original em inglês touchstone. Um pequeno pedaço de pedra escura, geralmente ardósia ou basanito utilizado para analisar ligas compostas de metais preciosos. (N.T.)
  10. A divindade grega Eros (Cupido, no panteão romano) considerada a personificação divina do amor erótico. (N.T.)
  11. Friedrich Wilhelm Nietzsche (nascido em 1844 – falecido em 1900), filólogo , filósofo e poeta alemão, foi um dos pensadores modernos mais influentes do século XX. Realizou uma crítica exaustiva da cultura, religião e filosofia ocidental, desmascarando-os através da análise das atitudes morais (positivas e negativas) com relação à vida. Este trabalho afetou profundamente gerações posteriores de teólogos, filósofos, psicólogos, poetas, novelistas e dramaturgos. (N.T.)

NotasEditar

[Nota: Esta versão, não necessariamente final, foi conseguida a partir das críticas e da ajuda de vários grupos: o Libertarian Book Club de Nova York, o coletivo editorial Autonomedia do Brooklyn. e o Garden of Delight em Dublin; as opiniões, no entanto, são minhas, não deles.]

13. No original, Wild(er)ness, faz referência a um trocadilho que se perde no português entre "selvagem" e a "Natureza intocada". (N.T.)

14. No estudo de mitologia, principalmente a partir de uma leitura antropológica estruturalista, um mitema é a partícula essencial de um mito, um elemento irredutível e imutável similar a um memes cultural, algo que sempre se encontra dividido com outros, mitemas relacionados e reunidos em variações "empacotadas" na metáfora de Claude Lévi-Strauss - ou vinculados em relações extremamente complexas, como uma molécula em um composto. Por exemplo, os mitos de Adonis e Osíris compartilham vários elementos, levando alguns estudiosos a conclusão de que partilham uma mesma origem. (N.T.)

15. Na mitologia grega, as Moiras eram as três irmãs Cloto, Láquesis e Átropos que determinavam o destino, tanto dos Deuses, quanto dos seres humanos, eram três mulheres lúgubres, responsáveis por fabricar, tecer e cortar aquilo que seria o fio da vida de todos os indivíduos. Durante o trabalho, as Moiras fazem uso da Roda da Fortuna, que é o tear utilizado para se tecer os fios, as voltas da roda posicionam o fio do indivíduo em sua parte mais privilegiada (o topo) ou em sua parte menos desejável (o fundo), explicando-se assim os períodos de boa ou má sorte de todos. Conta-se que o deus Ares foi o único ser capaz de submeter as Moiras à vontade dele; fora esta exceção, elas jamais foram manipuladas, e nada se pode fazer para detê-las, ou ganhar-lhes o favor (até porque as Moiras entendem que o trabalho delas está mesmo acima delas próprias). (N.T.)

16 Gustav Laundauer foi um crítico feroz à burocracia e um ardente defesor do socialismo libertário. Atacou o marxismo autoritário que considerava por si só opressivo e obstáculo ao desenvolvimento e à libertação humana. Amigo pessoal de Martin Buber, propagandeador das práticas anarco-socialistas no Movimento Sionista e dos pioneiros do kibbutz. Dotado de uma preocupação especial com a dimensão espiritual do anarquismo, ele é lembrado por suas convicções de que o Estado é uma forma de relacionamento institucionalizado. Laundauer acreditava na não necessidade de uma revolução para superar o Estado, mas sim na possibilidade de uma mudança da natureza e da qualidade dos relacionamentos. (N.T.)

17. Karl Paul Polanyi (nascido em 1886 — falecido em 1964) foi um um filósofo, economista e antropólogo húngaro, conhecido por sua oposição ao pensamento econômico tradicional, basicamente expressa em seu livro A Grande Transformação. (N.T.)

18. Pierre Clastres (nascido em 1934 - nascido em 1977) fui um grande antropólogo e etnólogo de aspirações libertárias. Foi diretor de pesquisa no Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS, Paris) e membro do Laboratório de Antropologia Social do Collège de France. Realizou pesquisas de campo na América do Sul entre os índios Guayaki, Guarani e Yanomami. Publicou Crônica dos índios Guayaki 1972, A sociedade contra o Estado 1974, e A fala sagrada - mitos e cantos sagrados dos índios Guarani 1974. Sua morte prematura, em um acidente de carro em 1977, interrompeu a conclusão de textos que mais tarde seriam reunidos no livro Arqueologia da violência - ensaios de antropologia política 1980. (N.T.)

19. Pleroma (πλήρωμα em Grego Koiné) é considerado como Plenitude, o Todo, Tao. Acredita-se que sua definição esteja além da compreensão humana, pois os antigos gnósticos o descrevem como o Nada. Entretanto não é o mesmo Nada que nós estamos acostumados a idealizar, mas sim algo que está além da percepção humana, um Estado de não-ser, algo divino, além do Ser. De onde os Deuses nascem, são conscientes da sua divindade e começam a ter noção da grande obra do Inefável, o Infinito, o Universo e do mesmo. (N.T.)

20. Geosofia é um conceito criado pelo geógrafo J.K. Wright em 1947. A palavra é composta de "ge" (palavra grega para terra) e "sofia" (termo grego para conhecimento). Segundo seu criador Geosofia seria o estudo de todo conhecimento geografico de todos os pontos de vista, incluindo as percepções humanas sobre o espaço e elementos referentes ao imaginário. Em alguns contextos Geosofia é um termo utilizado como sinônimo do estudo dos mistérios do mundo. (N.T.)

21. Taylorismo ou Administração científica é o modelo de administração desenvolvido pelo engenheiro estadunidense Frederick Winslow Taylor, que é considerado o pai da administração científica. (N.T.)

22. Tanatos (Mors no panteão romano) é a divindade mitológica grega que personifica a morte. (N.T.)

23. Ibn Khaldun (nascido em 1332-ah732 no norte da África e falecido em 1406-ah808 no Cairo) foi um dos mais famosos historiadores do mundo Islâmico. Realizou a historiografia dos muçulmanos na Península Ibérica e foi autor de uma ampla série de considerações filosóficas e sociológicas sobre as sociedades Islâmicas. Aqui Bey se refere a chamada à primeira filosofia da história elaborada por Khaldun (como definida pelo historiador Bernard Lewis) em termos de ação combinada, cíclica, do deserto e da terra cultivada. Nas palavras de Ibn Khaldun - "Na Tunísia e no Oeste, desde que as tribos Hilâl e Sulaim por aí passaram nos princípios do século V (meados do século XI no calendário cristão) devastaram esses países, durante 300 anos todas as planícies ficaram destruídas; todavia, anteriormente, desde a África Negra até o Mediterrâneo tudo estava cultivado, como o provam os vestígios aí existentes de monumentos, edifícios, quintas e aldeias". (N.T.)

24. A Sharía ou shariah (em árabe شَرِيعَة šarīʿa, "caminho" ou "trilha"), chamada pela mídia ocidental de lei mulçumana los (e não lei islâmica, já que poderia se dizer que na realidade está inspirada no Islã, mas não é irrefutável como o Corão), é o corpo de Direito Islâmico. Constitui um código detalhado de conduta, no qual se incluem também as normas relacionadas às formas de culto e os critérios da moral e da vida, coisas permitidas ou proibidas,. e as regras que separam o bem do mal. É adotada pela maioria dos mulçumanos, em maior ou menor grau, como uma questão de consciência pessoal. Mas também pode ser instituída como lei por certos estados e também por tribunais que podem velar pelo seu cumprimento. Muitos paises islâmicos adotaram elementos da shariah em seus estatutos como por exemplo heresias e os testamentos para a regulação de atividades bancárias e contratos. (N.T.)

25. Píndaro (em grego, Πίνδαρος - Píndaros, na transliteração), também conhecido como Píndaro de Cinoscefale ou Píndaro de Beozia (nascido em 518 a.C – falecido em 438 a.C.), foi um poeta grego, autor de "Epinícios" ou "Odes Triunfais", e autor também da célebre frase "Homem, torna-te no que és". Chegaram-nos um total de 45 epinícios, divididos em quatro livros, conforme o nome dos jogos que celebravam: Olímpicas, Píticas, Neméias e Ístmicas. (N.T.)

26. O sufismo (árabe: تصوف, tasawwuf; persa:صوفی‌گری Sufi gari) é a corrente mística e contemplativa do Islã. Os praticantes do sufismo, conhecidos como sufis ou sufistas, procuram uma relação directa com Deus através de cânticos, música e danças. (N.T.)

27. No original em francês Fin de Siecle. (N.T.)

28. Tao (pronuncia-se tao, mas na grafia chinesa Pinyin escreve-se Dao) significa, traduzindo literalmente, o Caminho, mas é um conceito que só pode ser apreendido por intuição. O Tao não é só um caminho físico e espiritual; é identificado com o Absoluto que, por divisão, gerou os opostos e mutuamente complementares Yin e Yang, a partir dos quais todas as "dez mil coisas" que existem no Universo foram criadas. É um conceito muito antigo, adotado como princípio fundamental do taoísmo, doutrina fundada por Lao Zi. (N.T.)

29. Frenólogo eram os entusiastas de uma teoria científica do começo do século XIX (a frenologia) que reinvindicava ser capaz de determinar o caráter, as características da personalidade, e o grau de criminalidade de uma pessoa pela forma de sua cabeça (lendo "caroços ou protuberâncias"). (N.T.)

30. Uleocracia é o nome dado a um regime teocrático regido por estudiosos ou sábios da religião islâmica, as ulemas. O governo dos Talibans no Afeganistão e dos Aiatolás no Irã podem ser considerados bons exemplos de Uleocracia. (N.T.)

31. Mencionamos estes elementos não para condená-los necessariamente, mas sim para demonstrar que o Islã não é um monolíto de "fundamentalismo". (N.A.)

32. Do alemão, significa algo como "caminho do povo". (N.T.)

33. Precisamos reler Proudhon, Marx, Nietzsche, Landauer, Fourier, Benjamin, Bakhtin, a IWW, etc. Da mesma forma que o Exercito Zapatista de Libertação Nacional faz uma releitura de Zapata!. (N.A.)

34. Tudo depende da percepção destas duas forças -- autonomia e federação — não são opostas e sim complementares e até mesmo cúmplices; se isto é um paradoxo, então é um paradoxo que deve ser vivido. A limpeza étnica e o chauvinismo violento certamente fará oposição ao ponto de vista do federalismo e da solidariedade porque o hegemonismo desta reação simplesmente reproduz o hegemonismo (a crueldade) do mundo único e argumentando, inclusive, em sua defesa. Uma diferença autêntica (não-hegemônica) deve ser defendida porque (na medida em que) não pode ou "não deveria" ser obliterada pelo Moloch da consciência capitalista. Autonomia sem federalismo é, na melhor das hipoteses, improvável, na pior delas, reacionário -- mas um federalismo sem autonomia é simplesmente uma ameaça ao único valor que une a jihad -- a auto-determinação ou "liberdade empírica". (N.A.)

35. A expressão latina ad hoc significa literalmente para isto, por exemplo, um instrumento ad hoc é uma ferramenta elaborada especificamente para uma determinada ocasião ou situação ("cada caso é um caso"). Num senso amplo, poder-se-ia traduzir ad hocespecífico ou especificamente. (N.T.)

36. Palavra grega telos significa "fim" ou "realização". (N.T.)

37. A soteriologia é o estudo da salvação humana. A palavra é formada a partir de dois termos gregos Σοτεριος [Soterios], que significa "salvação" e λογος [logos], que significa "palavra", ou "princípio". (N.T.)

38. Panóplia, no grego antigo πανοπλια era uma armadura completa. A palavra παν significa "tudo", e όπλον, "braços". Este tipo de armadura era utilizado pela classe de guerreiros denominada hipólitos, uma forma de infantaria pesada da antiga Grécia. (N.T.)

39. Satori é um termo japonês usado no Zen Budismo para designiar o fenômeno do Despertar Repentino, o lugar da distinção entre experimentador e experiência, sábio e saber. É o apagar, o extinguir do sentido do eu pessoal. Equivale em seu sentido a Moksha, uma palavra do sânscrito que significa "libertação de todas as amarras" através da união com Deus ou da Realização do Eu. (N.T.)

40. Iman (em árabe امام, "aquele que preside" ou "aquele que supera") é o pregador na oração islâmica e também designação para os principais líderes religiosos do Islã que sucederam ao profeta Maomé. (N.T.)

41. Georges Eugène Sorel (2 de novembro de 1847 – 29 de agosto de 1922) engenheiro formado pela École Polytechnique e teórico do sindicalismo revolucionário, muito popular na França, na Itália e nos Estados Unidos. Mas sua influência começou a decair depois de 1920. É um autor controverso quanto a linha política a qual adere. Suas idéias foram aceitas tanto pelo fascismo italiano quanto pela esquerda revolucionária deste país, influenciando consideravelmente o pensamento anarco-sindicalista. (N.T.)

42. O termo Panóptico ou Panopticon foi originalmente cunhado pelo filósofo inglês Jeremy Bentham em em 1785 como um conceito para um desenho de edificações, especialmente prisionais que devido a sua forma permitiria que os agentes carcerários pudessem observar todos os detentos, e os detentos observarem-se uns aos outros como forma de controle dos corpos. Sendo amplamente empregado em diversos fins práticos, e contraditoriamente por séculos caiu no esquecimento enquanto conceito. Na segunda metade do século XX o filosofo francês Michel Foucault empregou o conceito de panóptico para se referir as relações estabelecidas em diferentes contextos nas sociedades disciplinares. (N.T.)

43. As tong são formas muito antigas de sociedades secretas chinesas, criadas para apoio mútuo e proteção, no passado eram horizontais e descentralizadas, fatores que dificultavam seu combate e aumentavam seu poder. As tong estavam envolvidas numa série de ações que poderiam ser consideradas pela perspectiva estatal como criminosas. Ao longo da história as tong já estiveram por trás do assassinato de déspotas imperadores chineses, pelo comércio do ópio e haxixe na China, chegando até os dias de hoje tomando parte também em empresas de imigração ilegal de orientais para as Américas. (N.T.)

44. Tertium Quid (Do Latim significa "terceira coisa") era o termo empregado nos Debates Cristológicos do quarto século em referência aos seguidores de Apollinaris que afirmava ser Cristo algo que não era nem humano, nem divino, mas uma mistura de ambos, ou seja uma "terceira coisa". (N.T.)

45. O termo “arte” é empregado aqui em dois sentidos diferentes: — o primeiro sentido é talvez Romântico no que se refere ao dilema do artista per se e o problema da “vanguarda”. Já o segundo sentido busca dissolver toda a questão da separação da arte em uma prática [practicum] que é “normal” e que divide (com efeito quase coincide) com o domínio da experiência vivida. Aqui o ordinário e o extraordinário já não se opõem e talvez estejam em conluio, ou em uma dança de delineações fusionadas. Um truísmo cru -- o momento em que o bem-feito é o próprio material da vida mesma, da saturação da vida consigo mesmo; e neste sentido que as culturas tradicionais não enxergam qualquer distinção entre a vida e a arte. Se fossemos falar de "arte política", só poderia ser no sentido de uma investigação do fato que para nós o Capital define a ele mesmo no contexto de uma divisão entre estas coisas que "não podem" estar separadas. Mas este é um problema para cada "trabalhador", e não somente para o "trabalhador cultural" -- então é nesse sentido que a arte começa a se aproximar de uma área de identidade com a ação "revolucionária". (N.A.)

46. O Aikidô ( dō- iluminação -ki- energia -ai- harmonia) é um arte marcial moderna japonesa. Foi desenvolvida por Morihei Ueshiba (1883-1969), entre as décadas de 1930 e 1960. Uma das características do Aikidô é a busca pela harmonização de situaciões de conflito, ao invés da destruição ou derrota do oponente. As duas armas relacionadas ao Aikidô são o bastão de madeira Jo e a espada de madeira Bokken. (N.T.)

47. Kendô (ken- espada -dô- iluminação) é uma arte marcial japonesa moderna, desenvolvida a partir das técnicas tradicionais de combate com espadas dos samurais do Japão feudal, o Kenjutsu. (N.T.)


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