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Lançando Feitiços

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Receitas Para o Desastre
CrimethInc


IngredientesEditar

  • Desejo
  • Esperança
  • Uma mitologia pessoal
  • Um processo que promova o desenvolvimento


InstruçõesEditar

Quando se chega no ponto de fazer as coisas realmente acontecerem, você provavelmente vai descobrir que é mais eficaz inventar esquemas malucos com alguns amigos e acreditar neles tão intensamente que todas as outras pessoas começam a acreditam também (“Ei, você ouviu o que vai acontecer...?”) do que fazer reuniões em grandes grupos e se esforçar para imaginar algum plano que de alguma forma satisfaça todos. O potencial do segundo tipo de plano é limitado pelo menor denominador comum do que todos consideram possível, e esse tipo de abordagem raramente guia para além do que já é feito.


Para fazer uma revolução que tenha potencial ilimitado, você deve ser capaz de acreditar no que está fora do ordinário. Realidade, presente e futura, é criada pelo consenso de massa: consenso sobre o que vale a pena (casa, marido e crianças, plano de aposentadoria), sobre o que o mundo que nos cerca significa (“centro é para fazer compras, estradas são para dirigir, sexta a noite é para beber...”), sobre o que pode e o que vai acontecer (“Se todos nós pararmos, simultaneamente, de pagar aluguel e bater ponto, poderia funcionar, mas isso nunca vai acontecer...”). Até um pequeno grupo de pessoas que não acreditam no padrão podem colocar todo um sistema mundial em questão, sem mencionar que se liberariam das suas supostas inevitabilidades. Se o mundo alternativo que eles consideram habitar for convincente, e mais apelativo que o que as pessoas aceitam, o próprio futuro pode ser seqüestrado pelos desejos dessa minoria e será libertado.


Em uma escala menor, percepção e realidade se influenciam, e acreditar que algo é possível é, geralmente, um pré-requisito para ser capaz de fazê-lo acontecer. Nesse sentido, se o desejo pela revolução ou qualquer outra coisa é “realista” ou não está aberto a debate: para o indivíduo que não deseja se aleijar, a questão não é o que acreditar como “a” verdade, mas quais crenças fazem de quais verdades possíveis. Ser pragmático é, freqüentemente, a forma menos pragmática de se abordar a vida.


Mas como alguém acredita nos planos de outra pessoa em uma sociedade em uma sociedade que é psicopaticamente sã? É aqui que a ciência de lançar feitiços entra.


A forma mais simples de lançar um feitiço é agir “como se”: como se houvessem outros que sentem da forma que você sente, como se você tivesse grandes poderes, como se você fosse o protagonista de uma história com o final feliz. Faça o que puder para se posicionar longe o bastante da multidão enlouquecedora para que possa entrar em contato com outras realidades – pare de assistir televisão e de ler jornais, viaje para longe de casa e para fora dos circuitos impostos pela sua classe social, faça o inimaginável na sua própria vida para que você possa fazer o impossível na vida social. Pratique acreditar, assim como a rainha de “Alice no País das Maravilhas” recomendou, ao menos seis coisas impossíveis antes do café da manhã. Quando você realmente acredita em alguma coisa e age de acordo com isso, sua convicção toma a forma de uma profecia1.


Tipicamente, para o melhor ou para o pior, as pessoas usam esse poder acidentalmente: a autodestruição de um relacionamento, um momento de boa sorte, um projeto que foi começado com nenhum recurso inicial além de determinação – para o qual tudo que era necessário apareceu, um por um. Essas são todas ocorrências ótimas e extraordinárias, apesar de não maiores do que nós devemos esperar do mundo! Porém, uma pessoa lançando feitiços inconscientemente é como um bebê com uma arma – fique atento. Fazer do lançamento de feitiços um ato consciente não é ser supersticioso, mas faz deliberadamente o que uma pessoa faria por acaso.


Falando de fazer do lançamento de feitiços um processo consciente, pode ajudar externalizar o processo na forma de um ritual. Em rituais, fé e desejo são projetados para o centro do mundo, onde eles se tornam tangíveis; no processo, eles inevitavelmente se tornam mais reais. De forma similar, ajuda a construir poder ao desenvolver uma mitologia pessoal baseada nas experiências da pessoa. Se o mito dominante nos paraliza ao nos fazer acreditar que estamos presos nas correntes da causa e efeito, então uma parte necessária da libertação é se investir em uma causa diferente. Mais uma vez, isso não significa substituir ação por superstição, no sentido de aplicar alfinetas em bonecos de políticos ao invés de jogar tortas em suas caras; significa reconhecer e respeitar o que essas chamadas superstições têm a oferecer à ação. O possível jogador de tortas que passou messes visualizando e ensaiando sua vitória, o qual a mitologia pessoal lhe dá segurança que está destinado ao sucesso, tem uma chance melhor de fazer o necessário para acertar seu alvo do que aquele que dispensa esse tipo de frivolidade.


O guia genial para se lançar feitiçosEditar

Passo 1: Feitiços só podem ser lançados em um mundo mágico, mas acredite: nós vivemos em um mundo mágico. No dia a dia, nós somos bombardeados com magia – para ser mais preciso, com pessoas, sentimento e eventos, algumas vezes chamados de coincidências, se cruzando inesperadamente. Nós nem sequer notamos a grande maioria deles, mas a vida está absolutamente transbordando com eles. A vida também é cheia de padrões, simetria, previsões, simbolismo, ironia, luzes dramáticas, apoios indispensáveis, personagens cruciais, e momentos da verdade. Alguém pode dispensar tudo isso como acidentes, mas ao fazer isso, perdem-se todos os benefícios a ser ganhos ao investir neles com significado. Decidir olhar o mundo através de uma lente que leva em conta os desdobramentos mágicos faz visível alguns aspectos da vida que de outra forma “não existiriam”, e prepara a pessoa para trabalhar no meio que lhe é oferecido.


Passo 2: Comece a prestar atenção em acontecimentos mágicos. Aqui estão alguns exemplos em pequena escala, porém comuns para você começar: sinestesia, completar as frases um do outro; sentir uma pessoa dentro de uma casa sem vê-la ou senti-la; sentir que alguém está te observando, virar e encontrar seu olhar; percepção espontânea de eventos distantes; sentir a localização de objetos perdidos; abrir livros na exata passagem que procurava; perceber sentimentos escondidos em uma pessoa, uma característica, ou possibilidades de desenvolvimento; sentir uma presença sobrenatural; ver algo familiar como se fosse a primeira vez; sentir a presença de alguém distante ou morta; experienciar imagens da estrutura interna do corpo; intuir corretamente os sentimentos ou sentimentos de alguém sobre você; falar a mesma coisa ao mesmo tempo que outra pessoa; escrever para um amigo com o qual você não se comunica há anos só para descobrir que ele acabou de te escrever; sentir quem está te ligando; pensar em alguém e essa pessoa te ligar; sentir unido com seu amante durante o sexo; sentir as dores de um amigo distante, e depois descobrir que ele está machucado; sentir o que outra pessoa está pensando; sentir o humor e a intenção de um animal; ter o mesmo sonho que seu amigo; sentir muito calor em dias frios; experienciar uma energia grande; ficar livre de infecções apesar da presença de doenças contagiosas; experienciar uma transferência de energia ao tocar outra pessoa; se sentir energizado com o contato com a Terra; sentir o perigo; antecipar eventos antes que aconteçam; entender uma situação ou lugar como se você já tivesse indo lá antes; entender um conjunto de idéias complexo e original espontaneamente; lembrar algo complexo perfeitamente; acordar do sono no momento designado sem o uso de um alarme; curar um machucado ou doença espontaneamente; ter uma força ou resistência anormal ou inesperada; se adaptar espontaneamente ao calor, frio ou outras condições diversas intensas; superar sede e fome sem perder a força; causar harmonia ou discórdia espontaneamente em comunidades; experienciar ser um com outro ser humano; perceber que tem profundo autoconfiança; experienciar ser um com o ambiente; ficar sem dormir por um longo tempo sem perder vitalidade; executar movimentos além da sua habilidade natural; se sentir leve ou pesado; experiências fora do corpo; prazer extraordinário no movimento; corrigir o mal funcionamento de uma máquina com intenção mental; deixar um forte humor em uma sala; promover o inibir o crescimento de uma planta de forma extraordinária; trazer ou levar uma pessoa da sua vida sem comunicação óbvia; a mente consciente cedendo controle para os instintos em situações perigosas.


Passo 3: Faça e divida histórias de magia. Crie histórias que pertençam a sua mitologia pessoal, eventos no qual o poder escondido tenha sido invocado e temor foi sentido. Reconhecer e recordar esses momentos vai te sensibilizar a eles e permitir que você tire força deles. Você deve estar costurando a vida constantemente com uma linguagem que permite que a magia seja reconhecida e tenha nome. Se essa linguagem não for desenvolvida, eventos potencialmente poderosos são exilados para a terra da bobagem ou, pior, experiências normais; com a linguagem, esses eventos podem não só ser discernidos, mas decifrados e até mesmo precipitados.


Passo 4: Misture sua percepção expandida do que é possível com um desejo particular. Expresse os dois juntos em um processo que você inventou.


Narrativa – Uma história real sobre o lançamento de feitiçosEditar

O universo havia adquirido tantos aspectos de lar que nos tornamos fiéis e livres de culpa. Fiéis ao fato que amanhã e o no amanhã de amanhã iria fornecer tanto cuidado e aventura ao nosso clã de catadores quanto ontem e o ontem de ontem. E trouxe.


Nesse dia nós reclinamos na grama perto da lata de lixo que foi nosso anfitrião e sentimos o medo nos deixar. Era o medo da idade que se nós não trabalhássemos iríamos morrer de fome ou ficar loucos; e isso saiu de nós para a grama morna embaixo de nós. E aquela sensação pesada como chumbo foi silenciosamente substituída pela serena noção de que o Universo pretendia cuidar de nós.


O Universo cumpriu sua promessa naquela mesma tarde quando nós percebemos um coquetel em uma galeria de arte com bolo e vinho. Nós ficamos e ficamos e descobrimos que podíamos ficar co a bandeja intocada de vegetais e com o que restou do prato de queijo. Nos sentindo corajosos e amados, imaginamos que o universo talvez gostasse de nos dar uma geladeira que poderíamos usar para guardar o que nos foi dado. Discutimos a idéia e decidimos fazer um pedido formal. Íamos usar a mesma linguagem mágica dos símbolos e signos que o universo usou para falar conosco.


Então, humildemente, e no começo tentados, começamos a praticar a visualização. A cada dia, um de nós reservava tempo para imaginar a geladeira dos nossos sonhos. Nós concordamos que era uma geladeira branca de duas portas: uma um freezer e a outra uma geladeira com prateleiras e gavetas. Nós visualizamos nossa geladeira tão pequena quanto estilosa, com um puxador de cromo e talvez uma insígnia na sua parte de metal.


Mas rapidamente nós ficamos preocupados que a nossa visão talvez não fosse o bastante. Afinal de contas, o Universo é raramente sutil quando nos dá algo. Então, nós começamos a desenhar a nossa pequena geladeira na nossa pele. Nós inventamos movimentos da geladeira e nossos movimentos se tornaram a dança da geladeira: nós dançamos nossa geladeira. Nós inventamos sons para a nossa geladeira e eles se tornaram a música da geladeira: nós cantamos nossa geladeira. Orgulhosos do nosso jogo, nós fizemos grafites como pinturas das cavernas. Nas nossas pinturas, pequenas pessoas, bem sucedidas na sua caçada, arrastavam geladeiras para casa com suas cordas: nós rimos nossa geladeira.


Assim os nossos sentidos não ficariam sem graça, nossas festas não iriam sufocar ao próprio Universo ao qual estávamos apelando, nos andamos as ruas da nossa cidade, mantemos nossos olhos atentos e nossos narizes ao vento.


Foi no terceiro dia que nossas festividades foram interrompidas pelo nosso objeto. Era uma geladeira branca de duas portas: uma um freezer, a outra uma geladeira com prateleiras e gavetas. Nossa geladeira era tão pequena quanto estilosa, com um puxador de cromo e uma insígnia na sua parte de metal. Depois de uma hora esfregando, um brilho apareceu na sua superfície.


Mesmo com a melhor das dinâmicas internas que o anticapitalismo pode comprar, seu coletivo pode eventualmente se desfazer, ou você pode escolher deixá-lo. É inevitável, assim como a morte (e a eventual abolição dos impostos, pelo amor de deus!). As coisas podem até acabar em drama emocional e desapontamento. Não se culpe por isso – aprenda o que puder e vá em frente. Mais uma vez, nenhum de nós é perfeito, e reconhecendo isso, estando confortável com isso, é um esforço tão radical e positivo quanto nos melhorarmos.


O fato é que chega a um fim e que não significa que você está fazendo a coisa errada. Esse tipo de conclusão é remanescente da objeção que algumas pessoas fazem contra as relações não-monogâmicas. “Oh, eu conheço algumas pessoas que tentaram isso, mas eles acabaram terminando”. Ser capaz de ter relacionamentos saudáveis inclui saber como e quando terminá-los: a conclusão não é necessariamente uma indicação de problemas inerentes. Não ser capaz de terminá-los, por outro lado, pode ser – pense no casamento monogâmico miserável que se arrasta eternamente, os presos muito orgulhosos para admitir que não esteja funcionando.


Então, não se sinta desmoralizado quando o coletivo terminar – pegue cada lição que você aprendeu, cada habilidade que ganhou, cada idéia que ainda não foi concretizada e ponha-os em ação nos projetos dos seu próximo coletivo. Faça os lacaios do capitalismo se arrependeram que eles te deixaram escapar vivo, e que as comunidades que você se importa fiquem gratas por você ter sobrevivido.


Isso foi há muito tempo. Hoje nossa geladeira está confortável no canto da nossa sala, suas prateleiras com pilhas altas devido a ofertas subseqüentes, suas portas cobertas com desenhos e figuras.




  • Tradução de Flávia De Magalhães


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