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Hardware e Software: o Cérebro e o seus Programas

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A Ascensão de Prometeus
Robert Anton Wilson


Nós, como espécie, existimos num mundo no qual ocorre uma miríade de Informações. sobre as matrizes dos pontosm superpomos uma estrutura e então o mundo faz sentido para nós. Os padrões e as estruturas originam-se no interior de nossas particularidades biológicas. Persinger e Lafreniere, Os Transientes do Espaço-Tempo e Eventos Pouco Comuns


Iremos considerar, ao longo de nossos estudos, que o cérebro humano é uma espécie de bio-computador, um computador eletro-coloidal muito diferente dos computadores eletrônicos e de estado sólido, que existem fora de nossas cabeças.


Por favor, pondere com cuidado e lembre-se que não foi dito que o cérebro humano É um computador. A idéia aristotélica de que para compreender algo, você deve saber o que este algo é, foi abandonada por um número cada vez maior de ramos da ciência, pela razão pragmática de que a símples palavra É, introduz um sem número de suposições metafísicas, que podemos discutir pela eternidade afora. Nas ciências mais avançadas, como a física matemática, ninguém mais fala sobre o que determinada coisa é. Costuma-se falar sobre qual modelo (ou mapa) pode melhor ser usado, para compreender aquilo que está sendo investigado.


Em geral, esse hábito científico de evitár o É, pode ser expandido com vantagens sobre todas as áreas do pensamento. Assim, quando você ler em qualquer lugar que A é igual a B, ajudará muito, para esclarecer o assunto, transformar essa frase em: A pode ser considerado como semelhante ou modelado por B.


Quando dizemos que A é B, estamos querendo dizer que A é apenas aquilo que aparece dentro de nosso campo de estudos ou da nossa área de especialização. Isto é exigir demais. Quando dizemos que A pode ser considerado semelhante a ou modelado por B, estamos dizendo o tanto quanto temos o direito de saber e não mais.


Portanto, podemos dizer que o cérebro pode ser considerado como um computador, mas não dizemos que este é um computador. O cérebro parece ser constituído de uma matéria, numa suspensão eletro-coloidal (protoplasma).


Os colóides são aglutinados, em direção à condição de gel, pelas suas tensões superficiais. Isto acontece porque a tensão superficial tende a unir, aglutinar todas as substâncias semelhantes, colando-as entre si.


Os colóides são também, de maneira inversa, separados em direção a uma condição de sol pelas próprias cargas elétricas. Isto ocorre porque suas cargas elétricas são semelhantes e cargas elétricas iguais sempre se repelem mutuamente.


No equilíbrio entre gel e sol, a suspensão coloidal mantém sua continuidade e a vida segue em frente. Conduza a suspensão muito em direção gel ou sol e a vida termina.


Qualquer produto químico que atinge o cérebro, modifica o equilíbrio gel/sol e a consciência, portanto, também se modifica. Assim, as batatas são semelhantes ao LSD, ou seja, psicodélicas, de uma maneira mais suave, é lógica. As modificações na consciência quando mudamos de um tipo de dieta, de vegetariana para onívora ou vice-versa, também são psicodélicas.


Uma vez que aquilo que o Pensador pensa o Demonstrador prova, todas nossas idéias são, em alguma medida, psicodélicas. Mesmo sem experimetação com dietas ou drogas, tudo que você pensar ver, irá ver, a menos que tal coisa seja fisicamente impossível neste Universo.


Cada computador consiste de dois aspectos, conhecidos como hardware e software (o software aqui inclui a informação).


O hardware de um computador de estado sólido é concreto e localizado, consistindo de uma unidade de processamento de dados, de uma tela de televisão (monitor), um teclado, um disco rígido (HD) - todas partes que podem ser encontradas numa loja de produtos eletrônicos, que podem ser substituídas, quando se encontra uma peça defeituosa.


O software consiste nos programas que podem existir de inúmeras formas, incluindo os programas totalmente abstratos. Um programa pode existir nu computador, no sentido de estar registrado na CPU ou um disco que descarrega a informação no computador. Um programa também pode existir num pedaço de papel, se eu mesmo o invento: nestes casos não existe dentro do computador, mas pode ser introduzido nele. Mas um programa pode ainda ser mais tênue do que no exemplo anterior, pode existir apenas dentro da minha cabeça, antes de eu tê-lo posto por escrito, ou se o escrevi diretamente no computador e depois o apaguei.


O hardware é mais real do que o software, na medida em que você sempre pode localizar o hard no tempo e no espaço - se não está no escritório, então alguém deve tê-lo removido para o quarto, etc. De outro lado, o soft é mais real, no sentido de que você pode destruir completamente o hardware (matar o computador) e ainda assim o software irá continuar a existir e pode ser materializado e manifesto num computador diferente. (Qualquer especulação neste ponto concernente à reencarnação é puta responsabilidade do leitor). Neste ponto gostaria de acrescentar o seguinte fato: embora exista icompatibilidade entre certos aparelhos celurares, devido a marca, modelo, etc, o chip, no entanto,  pode ser utilizado  em qualquer um.  Por analogia, imaginando que o aparelho celular seja o corpo humano (hardware) e o chip o software, é bem possível, que o conteúdo de um mesmo chip possa ser utilizado em vários celulares (corpos).  O que chamamos de alma humana, bem que pode ser a memória ( o que está dentro do chip), pois sem ela o corpo perde o seu principal objetivo que é a capacidade de se conectar e criar vínculos. 

Ao falarmos do cérebro humano, como um bio-computador eletro-coloidal, sabemos onde é que o hardware se encontra: no interior do crânio. Entretanto, o software parace estar em qualquer lugar, e em todos os lugares ao mesmo tempo. Por exemplo, o soft de meu cérebro também existe fora dele em formas tais como, digamos, um livro que li a vinte anos, uma versão em inglês de vários sinais transmitidos por Pltão, há 2.400 anos atrás. Outras porções de meu software foram formuladas como o soft de Confúcio, James Joyce, meu professor de segundo grau, os Três Patetas, Beethoven, minha mãe e meu pai, Richard Nixon, meus numerosos cães e gatos, Dr. Carl Sagan e todos os demais (e em alguma extensão), qualquer coisa que, em algum momento, causou algum impacto em meu cérebro. Isto pode parecer estranhos, mas é a maneira que o software funciona.


É lógico, se a consciência consistisse apenas de nada mais que essa massa de tapioca indiferenciada, sem qualquer definição de tempo e espaço, não teríamos nenhuma individualidade, nenhum centro, nenhum Self.


Queremos saber, então, como é que, a partir de oceano universal de software, surge uma pessoa específica.


O que o Pensador pensa, o Demonstrador prova.


Uma vez que o cérebro humano, como todos os outros cérebros animais, age como um computador eletro-coloidal e não como um computador de estado sólido, este segue as mesmas leis que os demais cérebros animais. Isto é, os programas penetram no cérebro como ligações eletro-químicas, em estágios quântidos discretos.


Cada conjunto de programas constitui-se de três porções básicas:


1 - Imprints: programas mais ou menos pré-existentes no hardware, que o cérebro está predisposto geneticamente a aceitar somente em certos pontos ao longo de seu desenvolvimento. Esses pontos são conhecidos, na etologia, como momentos de vulnerabilidade ao imprint.


2 - Condicionamentos: programas que se superpõe aos imprints. São mais frouxos e mais facilmente susceptíveis ao processo de contra-condicionamento.


3 - Aprendizado: são ainda mais frouxos e mais soft que o condicionamento.


Em termos gerais, o imprint primordial pode sempre substituir qualquer condicionamento subsequente ou aprendizado. Um imprint é uma espécie de software que se misturou ao próprio hardware, ficando impresso nos neurônios jovens, quando ainda estavam particularmente abertos e vulneráveis.


Esses imprints são os aspectos não negociáveis de nossa individualidade. Da potencial infinidade de programas que existem como softwares potenciais, o imprint estabelece os limites, parâmetros, os perímetros no inteior dos quais todos os condicionamentos subsequentes e aprendizados ocorrem.


Antes do seu primeiros imprint, a consciência do recém nascido é sem forma e vazia - como o Universo ao início do Gênesis, ou como a descrição da consciência não-condicionada (iluminada, isto é: explodida), das tradições místicas. Assim que o primeiro imprint é feito, e estrutura começa a emergir a partir do vazio criativo. A mente em crescimento, portanto, torna-se prisioneira no interior dessa estrutura. Identifica-se com a estrutura num certo sentido, se torna aquela estrutura.


O processo inteiro é analisado no livro As Leis da Forma de G. Spencer Brown. Ele estava escrevendo sobre as fundações da Matemática e da Lógica. Qualquer leitor mais inteligente sabe que Brown também estava falando de um processo pelo qual todos passamos ao criarmos, a partir de um oceano infinito de sinais, aqueles constructos particulares que chamamos de mim e o meu mundo. Portanto, não é surpreendente que os viajantes de ácido, acabam dizendo que a matemática de Brown é a melhor descrição já feita de uma viagem de LSD.


Cada imprint sucessivo complica os softwares que programam a nossa experiência, a qual experienciamos como uma realidade. O condicionamento e o aprendizado constroem redes ainda mais complexas, pro sobre essas fundações de softwares imprintados. A estrutura total destes circuitos cerebrais gera nosso mapa do mundo.


Acompanhando o Dr. Thimothy leary (com algumas poucas modificações), iremos dividir esse hardware cerbral em oitos circuitos por pura conveniência. Conveniência aqui indica que esse é o melhor mapa disponível no momento.


Quatro dos circuitos são antigos e conservadores, exitem em todas as pessoas (exceto em crianças-feras). Onde os circuitos antigos recapitulam nossa evolução até o momento presente, os outros quatro circuitos futurísticos pré-capitulam nossa evolução futura.


1 - Circuito Oral de Bio-Sobrevivência: é imprintado pela mãe ou por qualquer outro objeto maternal e condicionado pelo processo subsequente de nutrição ou ameaça. Está preocupado primariamente com o ato de mamar, se alimentar, ser acariciado e pela segurança do corpo. Leva ao ato de retirar-se frente a um organismo irritante ou predador - ou qualquer coisa que esteja associada (por imprint ou condicionamento) a um fator irritante ou predatório.


2 - Circuito Anal Emocional-Territorial: é imprintado no estágio de infante, quando a criança fica de pé, anda pelo seu ambiente e inicia a luta pelo poder dentro da estrutura familiar. Esse circuito, eminentemente mamífero, processa regras territoriais, jogos emocionais, disfarces, a ordem de bicadas e os rituais de dominação e submissão que conhecemos no momento. Supõe-se que venha a ser superado em 10 ou 15 anos; mas de qualquer maneira, o mapa não é o território.


3 - Circuito Semântico de Ligação no Tempo: é imprintado e condicionado pelos artefatos humanos e pelos sistemas simbólicos. Lida e empacota o ambiente, classificando tudo de acordo com o túnel de realidade local. A invenção, cálculo, predição e a transmissão de sinais através das gerações são suas funções.


4 - Circuito Moral Sócio Sexual: é imprintado pelas primeiras experiências de relacionamento sexual que conduziram ao orgasmo na puberdade e é condicionado pelos tabús tribais. Processa o prazer sexual, as definições locais da reprodução certa ou errada. a personalidade parental adulta (papel sexual) e as formas de cuidado dos mais jovens.


O desenvolvimento destes circuitos, à medida que o cérebro evoluiu através do tempo e, uma vez que cada cérebro de primata domesticado (humano), recapitula a evolução no decorrer do processo de crescimento da infância ao adulto, torna possível a sobrevivência do reservatório genético, a sociobiologia mamífera (ordem de bicadas, ou seja, a política) e a transmissão da cultura.


O segundo grupo de quatro circuitos cerebrais é muito mais recente e cada circuito existe no momento atual em apenas algumas minorias. Onde os circuitos antigos recapitulam nossa evolução até o momento atual, esses circuitos futurístas pré-capitulam nossa evolução futura.


5 - Circuito Holístico Neuro-Somático: é imprintado pela experiência de êxtase, seja pela ioga biológica ou química. Processa as alças de de feedback neuro-somáticas (relação corpo-mente), a felicidade somático-sensorial, o sentimento de estar bem, as curas pela fé, e etc. A Ciência Cristã e a Medicina Holística consistem em truques ou aparataos que procuram fazer esse circuito entrar em atividade, pelo menos de forma temporária; a Ioga Tântrica está preocupada em trasnportar a consciência inteira e definitivamente para este circuito.


6 - Circuito Coletivo Neuro-Genético: é imprintado pelas Iogas Avançadas (choques-bioquímicos-elétricos). Processa os sistemas de feedback entre DNA/RNA e o cérebro, sendo coletivo na medida em que contém e tem acesso a todo o script evolucionário, passado e futuro. A experiência desse circuito é numinosa, mística e desestruturadora da mente; aqui se encontram os arquétipos junguianos do Inconsciente Coletivo - Deuses e Deusas, Demônios, Anões e outras personificações dos programas de DNA (instintos), que nos governam.


7 - Circuito de Metaprogramação: é imprintado por iogas muito avançadas. Consiste, em termos modernos, na consciência cibernética reprogramando e reimprintando todos os outros circuitos, chegando mesmo à reprogramação de si mesmo, tornando possível uma escolha consciente entre universos ou túneis de realidade alternativos.


8 - Circuito Quântico Não-Local: é imprintado pelo Choque, por experiências próximas da morte ou de morte clínica, pelas experiências fora do corpo, por percepções trans-temporais (precognição), por visões trans-espaciais (telepatia, etc). Sintoniza o cérebro no sistema de comunicação quântico não-local, que foi sugerido por físicos tais como Böhm, Walker, Sarfati, Bell, etc.


Esses circuitos serão explicados à medida que seguirmos em frente.


Exercícios

1 - Vá a uma loja de computadores e peça uma demonstração de como funciona um computador. Em seguida, releia este capítulo.


2 - Para compreender hardware e software (aplicados no cérebro humano) realize a seguinte meditação:


Sente-se num quarto onde não seja perturbado por cerca de meia hora e começe a pensar: estou sentado nesse quarto fazendo exercício proquê... Faça uma lista mental de tantas causas ou porquês possa pensar.


Por exemplo, você pode estar fazendo este exercício porque, obviamente, leu sobre ele neste livro. Por que comprou este livro? Alguém recomendou? Como é que esta pessoa entrou na sua vida? Se simplesmente escolheu numa livraria, por que é que lhe aconteceu estar presente naquela livraria justamente naquele dia?


Por que lê livros deste tipo - sobre psicologia, consciência, evolução, etc? Como é que veio a se interessar por esses campo? Quem o sensibilizou para isso e a quanto tempo? Quais os fatores de sua infância que determinaram sua inclinação para pesquisar esses assuntos mais tarde?


Por que está fazendo esse exercício nesse quarto e não noutro lugar? Por que comprou essa casa ou apartamento? Por que está nessa cidade e não noutra? Porque neste continente e não noutro?


Afinal de contas, por que é que você está aqui? Como é que seus pais se conheceram? Eles decidiram conscientemente ter um filho ou você foi um acontecimento acidental? Em que cidade você nasceu? Se numa cidade diferente, por que vocês se mudaram no tempo e no espaço de tal forma que suas trajetórias viessem a se cruzar?


Por que é que este planeta é capaz de suportar e manter vida e por que veio a produzir o tipo de vida que viria a imaginar este exercício?


Repita o exercício alguns dias depois, tentando perguntar e responder cinquenta perguntas que não havia pensado da primeira vez (Observe que você não pode responder todas as possíveis perguntas)


Evite todas e quaisquer especulações metafísicas (por exemplo: karma, , destino, etc). A feitura deste exercício já é suficientemente espantosa para que venhamos a introduzir teorias ocultas, e será muito mais interessante tentar evitar este tipo de especulações flagrantemente místicas.



Textos

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