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Garotinhas

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Zo d'Axa
(Versão em Inglês)


Este artigo foi publicado na revista L'En-Dehors, no ano de 1895.


Garotinhas foram julgadas esta tarde em Milão.

E não foi o triste julgamento - à revelia, é claro - de uma criança pega no banco dos réus com um juiz inflexível.

Eu assisti o desenrolar do depoimento.

Era sobre uma manifestação anarquista em que, entre homens resolutos e mulheres destemidas, duas garotinhas de catorze e quinze anos foram presas.

Maria, sombria, tinha um estranho charme, com o ar decidido de um moço miserável, com cabelos cacheados e curtos e olhos escuros e ardentes. O jeito com que ela olhava para aqueles lordes da corte tinha um quê de insolência silenciosa e indefinível - funcionou melhor do que jogar um sapato neles.

E quando ela falava não era de maneira alguma de um jeito que faria alguém sorrir. Suas frases curtas tinham significado e eram acentuadas por gestos assertivos.

"Como você pode falar de anarquismo?" o juiz resmungou. "Você nem sabe o que é isso." "Então já estudou o anarquismo de perto? Então ele existe. Pode me ensinar sobre ele?"

Não, nanico, eles não vão lhe ensinar nada! A revolta é instintiva. E a teoria é quase sempre pueril. Você saberia de tudo se sentisse como essa vida bestial é suja.

Ernesta Quartirola, um ano mais nova, tem a mesma beleza característica. Sua beleza nascente é séria, enigmática. E ela poderia ser uma orgulhosa estátua do futuro reprentando... vai saber o quê.

Seu silêncio é altivo. Ela faz parecer que o julgamento não tem nada a ver com ela. Um sim, um não, um levantar de ombros e pronto.

Mas a sombria Maria, com sua atitude desafiante, não permite o desfile das testemunhas de acusação continuarem sua marcha ininterrupta. Suas respostas indicam as pausas. Ela solta uma corrente de insultos aos vergonhosos informantes e dedos-duros profissionais.

Ela rebate todos eles. Rebates que acertam o alvo.

Um agente da Pubblica Sicurezza (Força Pública italiana) recita sua lição decorada contra ela. A Senhorita Roda encorajou os manifestantes a atacarem a polícia, como se estivesse possuída, gritava com todo mundo, e ela até insultou o brigadeiro!

"O que você tem a dizer?" o juiz a repreendeu. "Tenho dó deste guarda. Tenho dó dele porque ele mal ganha o pão, porque ele é um pobre-diabo. Mas me impressiona vê-lo perseguir outros pobres-diabos, seus irmãos... deixe-o pensar nisso."

E com um gesto de graça para com o miserável que acabou de acusá-la, ela talvez tenha dado um primeiro raio que iluminou seu escuro semblante.

Foi assim que as irmãs de nossos companheiros se mostraram, elas estão em uma idade em que outras mal pararam de brincar com bonecas, ou em que as filhas da burguesia começam a se divertir em jogos de amor com primos mais novos ou com algum membro bem mais velho da família.

Foram condenadas à prisão. Os homens do tribunal foram generosos. Ernesta e Maria receberão três meses de prisão - e as garotinhas também devem pagar uma multa a esses lordes.

Trezentos francos exigidos de pobres garotinhas!

É cínico, mas é assim que é...

Um instante antes do juri se retirar para discutir sobre a condenação,o homem de vermelho diz a Maria:

"Você tem algo a acrescentar?" "Nada, já que não faria diferença."

E esta foi a última palavra. Não com alegria, mas com dor.

Diz-se repetidamente que Milão é uma pequena Paris. Os juízes de Milão o provam, ao menos em um aspecto: eles são minuciosamente tão repugnantes quanto seus colegas parisienses.

Mas afinal, a magistratura não é a mesma em qualquer lugar? E haveria como ser diferente?

E é provavelmente por este motivo que onde quer que você vá a memória de sua terra natal o segue. Ela cai sobre você como náusea quando você vê a vileza de um juiz.



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