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Fasi

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Bolo'Bolo (livro)
P.M.


Fasi.gif

O ibu é um ser nômade ou sedentário? Em sua (imaginária) história ele aparece como cavaleiro das estepes e construtor de catedrais, fazendeiro e cigano, jardineiro e corre-mundo. Os bolos pressupõem um certo grau de sedentarismo (por causa da agricultura), e uma sociedade exclusiva de caçadores e coletores só seria possível depois que a população mundial fosse drasticamente reduzida (a alguns milhões de ibus). Mesmo assim, bolo’bolo devolveria a cada um dos ibus a liberdade de ir e vir livremente pelo planeta inteiro. Não haveria um sedentarismo imposto aos bolos ou bandos nômades, nenhum programa de modernização e industrialização.

Um ibu só se sente confortável quando tem certeza de que pode se mandar a qualquer momento para a Patagônia, o Samarkand, Kamchatka, Zanzibar, Alaska ou Paris. Isso será possível porque todos os bolos estarão aptos a garantir hospitalidade a qualquer viajante (sila). Não vai haver perda de tempo (nenhum ibu precisa ter medo de perder dinheiro), então a viagem pode ser bem mais vagarosa. O imenso desperdício de energia atual pode ser reduzido, porque viajar deixará de ser uma questão de chegar mais longe o mais rápido possível. Você não vai precisar de vôos charter para conhecer o Oriente ou a Europa inteira em apenas três semanas. Viajantes não serão turistas estressados.

O sistema bolo’bolo de transportes e viagens vai ser orientado para acabar com o movimento de bens de consumo e de passageiros diários, já que há produção local, e a vida e o trabalho são no mesmo lugar. Trânsito de trabalhadores suburbanos, transporte de massa, turismo, tudo isso vai desaparecer; os melhores meios de locomoção vão ser usados prioritariamente por pessoas que gostam de viajar. Viajar é um prazer em si, e não há substituição possível. Mas um pé de alface dificilmente gosta de viajar do Paraná para Pernambuco.

Já que a maior parte das atividades do ibu acontece no bolo ou no bairro, muitos deslocamentos são feitos a pé. Os bairros serão áreas de pedestres com muitas passagens, pontes, arcadas, colunatas, varandas, solários, atalhos, praças e pavilhões. Sem ser incomodado pelos faróis, pelo barulho e pela fumaça de automóveis, ônibus e caminhões (quase não há tráfego de veículos), o ibu vai andar por aí muito mais à vontade e mais simplesmente do que hoje, e por onde quiser. E acima de tudo, com pouco desgaste.

Dentro dos limites da comarca (vudo), a bicicleta vai ser o meio de transporte ideal. Pra isso, os distritos ou as cidades podem organizar sistemas de bicicletas circulantes. Combinada com um ibu, uma bicicleta é o meio de transporte mais vantajoso em termos de energia (o combustível já é fornecido ao ibu em forma de comida). E isso já quer dizer um bem bolado sistema de (pequenas) estradas a serem mantidas. Em regiões montanhosas, durante o mau tempo e o inverno, é impraticável. Se houver neve suficiente dá para o ibu circular de esquis.

Nas montanhas e no campo os animais são muito eficientes, particularmente quando seu combustível cresce bem na margem da estrada: cavalos, mulas, jegues, asnos, iaques, pôneis, camelos, cães, bois, elefantes, etc. Também nas cidades os cavalos e as mulas (menos difíceis de alimentar, mas que exigem mais jeito no manejo) podem ser úteis em certas condições. (Especialmente para o transporte entre os prédios da cidade e a base agrícola do bolo, onde já ficariam pastando.) Mas na cidade em si, o ibu (+ bicicleta, + esquis, + skates, + patins, + patinetes, rolimãs, carrinhos, etc.) é o meio ideal de transporte – o automóvel.

A bicicleta também pode ser usada para o transporte de objetos pequenos, particularmente junto com liteiras ou reboques. Um pentadem pode transportar cinco pessoas e mais 350 quilos de carga:

Riksha pentadem.gif

Riksha Pentadem

Comparados à bicicleta, mesmo coletivos grandes como os bondes, ônibus elétricos e metrôs são relativamente caros, já que precisam de uma sofisticada infra-estrutura (trilhos, cabos, vagões). Mas poderia ainda ser razoável para uma área urbana operar um pequeno circuito, especialmente quando a eletricidade for gerada no local ou na região. Numa cidade de tamanho médio três linhas transversais seriam suficientes, já que você poderia chegar a todos os bolos em quinze minutos, descendo nas paradas e prosseguindo de bicicleta:

Sistema viário.gif

O sistema de ruas, cuja manutenção é intensamente trabalhosa (capas de asfalto ou concreto, fixação de paralelepípedos, etc.), pode ser reduzido de forma que só exista uma estrada para todos os bolos ou fazendas. A maioria das vias urbanas será supérflua, e as estradas rurais podem se reduzir a uma ou duas alamedas. O tráfego de veículos restante será pequeno e pouco importante. Ainda haverá alguns caminhões (movidos a biogás, vapor, lenha, gasolina), alguns ônibus, ambulâncias, carros de bombeiros, transportes especiais.

Transportes.gif

Algumas rodovias podem virar pistas de corrida para diversão. Uma de 200 quilômetros poderia ser reservada para tal fim. Em ambas as pontas haveria estacionamentos, onde você escolheria um carro-esporte veloz. Sem nenhum limite de velocidade, os motoristas correriam pra lá e pra cá entre os dois extremos. Assim os ibus que adoram dirigir em alta velocidade e que usam o carro como diversão perigosa poderiam continuar fazendo isso. Uma pista assim custaria menos que o tráfego atual de automóveis, apesar das despesas com combustível, ambulâncias, cuidados médicos, manutenção dos carros, etc.

Se quiser, o ibu pode ir de bicicleta do Cairo a Luanda, de Nova York ao México, do Oiapoque ao Chuí. Mas pode também usar os meios de transporte locais e regionais operados pelas comarcas e regiões (sumi). Em muitos casos, serão trens lentos (movidos a vapor, eletricidade ou carvão), de horários pouco freqüentes, que param em todas as estações. Também haverá navegação em canais, ao longo das costas. E ônibus. Os tipos de conexão disponíveis vão depender inteiramente das comunidades regionais e das condições geográficas (desertos, montanhas, pântanos). Numa região média, talvez você não encontrasse mais do que duas linhas de transporte público:

Transporte.gif

Quando um ibu quer viajar para longe, ele vai para a estação mais próxima de uma das ferrovias intercontinentais, que são operadas por uma comissão da assembléia planetária (asa’dala) e que formam uma espécie de esqueleto do transporte continental. O sistema ferroviário seria mais ou menos assim:

Sistema ferroviário mundial.gif

Possíveis pontes oceânicas?

Essa rede ferroviária transcontinental pode aproveitar as estradas que já existem, com algumas suplementações e adaptações. Para tornar a viagem mais confortável, poderia ser adotada a bitola mais larga das ferrovias russas. Com a estrada transcontinental os viajantes podem ir de leste a oeste e de norte a sul, de Helsinque à Cidade do Cabo, de Lisboa a Vladivostok, de Seattle a Porto Alegre ou de Porto Velho a Salvador. Onde os trilhos acabam, há linhas oceânicas a vapor (Vladivostok a São Francisco, Lisboa – Santos, etc.). A questão da energia é insignificante para o transporte marítimo: carvão, petróleo, etc. podem ser facilmente transportados pelos próprios navios, e ainda se poderiam usar as velas.

A assembléia planetária e as coalizões regionais também vão operar linhas aéreas de longo curso. Elas são importantes para ilhas distantes, desertos, florestas, regiões polares, etc. Haverá menos necessidade de vôos do que hoje, e afinal a maioria dos vôos é cara demais em termos de combustível e infra-estrutura. A redução das viagens aéreas não será realmente uma desvantagem, já que viajar não será mais somente um meio tão-rápido-quanto-possível-de-chegar-lá para virar uma diversão em si. Teremos aviões suficientes para transporte de emergência (ambulâncias, remédios, peças de reposição, funerais, etc.).

Como todos os ibus serão aptos a viajar (não só os ricos, como hoje), estreitas relações pessoais entre bolos distantes vão se desenvolver; novas idéias se espalharão com facilidade; amizades, romances, gestações, projetos, modas e identidades culturais serão os elos de ligação. Apesar da relativa lentidão do tráfego, a troca planetária será mais intensa e generalizada do que hoje. Ibus de continentes diversos vão lidar uns com os outros no mesmo nível; o turismo será invertido: bantus em Berlim, índios quíchuas em Pequim, mongóis em Paris, paraibanos no Pólo Sul, etc. O planeta vai virar um museu antropológico recíproco.

                                               MUSEU  ANTROPOLÓGICO RECÍPROCO




Bolo'Bolo (livro)
Sadi Fasi Yaka

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