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Estado Aristocrático - homo faber

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CAPÍTULO V
Manual de Contra-História na Antimodernidade
Eduardo Antonio Bonzatto

(A dominação de poucos - burguesia ou estado classista)

HOMO FABER

COMFLITO: burgueses X proletários
VÍTIMAS: burgueses e proletários - luta de classes
IDEOLOGIA: proletários(civilizados)X africanos, asiáticos, árabes(selvagens)

Franceses(proletários) X (proletários)Alemães

FILMES: A Marcha dos Pinguins; O Pesadelo de Darwin; Sunshine

Impossível de conter a avalanche insuportável de uma forma de opressão agressiva, a dominação começa a fazer água e direitos são requeridos, quase como uma invenção nova.

Embora o nome resista como um estado burgues, não foi exatamente isso que ocorreu, embora estejamos já no terreno duro do homo faber, do homem que trabalha.

Apresento um autor que oferece inúmeras alternativas a essa genealogia. Se a mantenho aqui é para exemplificar que alguma inclusão de novos personagens realmente ocorreu. Caso contrário, o poder haveria cindido irrevogavelmente.

Vamos ler esse autor, que afirma sobre a permanência de um poder que se reconfigura sem muitos danos à sua lógica peculiar.

Por quê?

Em A Força da Tradição podemos encontrar uma pista. Os fragmentos a seguir dividem o texto em partes tituladas.

A QUESTÃO AGRÁRIA

Até 1914, de modo predominante, a Europa era pré-industrial e pré-burguesa, com suas sociedades civis profundamente radicadas em economias de agricultura baseada no trabalho prolongado, manufatura de bens de consumo e pequeno comércio. Reconhecidamente, o capitalismo industrial e suas formações de classe, em particular a burguesia e o proletariado fabril, fizeram grandes progressos, em especial depois de 1890. Mas não estavam em condições de desafiar ou suplantar as tenazes estruturas econômicas e classistas do capitalismo preexistente. (p.27) Visto com lentes de grande abertura, o continente europeu era uma sociedade de senhores rurais e camponeses, agrupados em volta dos povoamentos rurais que variavam de minúsculas aldeolas com menos de 100 pessoas a agrovilas com populações entre 5 mil e 10 mil habitantes. É desnecessário dizer que nem todos os camponeses, longe disso, eram pequenos proprietários. De fato, havia legiões de camponeses que arrendavam a terra ou trabalhavam por parceria, ou ainda eram trabalhadores rurais sem nenhuma, ou quase nenhuma, terra. Dessa forma, estavam nas garras de grandes proprietários, que capitalizavam sobre o excedente do trabalho rural, proveniente do crescimento populacional e simultânea “desindustrialização” do campo, para impor seu controle explorador sobre a economia agrária. Além disso, ao ampliar sua participação na moagem, destilaria e fermentados, os magnatas rurais fortaleciam seu poder sobre o campesinato independente voltados para o mercado. Apesar ou, na verdade, devido à sua condição material e social abjeta, a massa de camponeses permanecia silenciosa. É certo que houve jacqueries na Rússia antes e durante o levante de 1905, e ocorreram greves intermitentes de trabalhadores rurais no vale do Pó, na Itália, após a virada do século. Mas essas insurgências acentuavam não só a submissão resignada do campesinato ultra-explorado da Europa, mas também a determinação e capacidade dos grandes latifundiários e seus aliados políticos em reprimir rebeliões populares. (p.33)

Inglaterra, 1873: 2500 indivíduos, cada um com propriedades de pelo menos 2 mil acres, 40% da terra na Inglaterra e Gales; 3500 indivíduos com propriedades de pelo menos 10 mil acres cada, detinham 66% das terras na Escócia; 7 mil pessoas monopolizavam 80% de todas as terras de propriedade particular no Reino Unido; 2,2 milhões de trabalhadores rurais masculinos forneciam à elite agrária inglesa um apoio eleitoral vital e seguro. Alemanha, 1907: 5,5 milhões de propriedades individuais entre 2,5 e 50 acres, cobrindo 39 milhões de acres aráveis; 286 mil propriedades acima de 50 acres, num total de 57 milhões de acres e cerca de 3 mil indivíduos que detinham 15% de toda superfície cultivada da Alemanha. Império Austro-Húngaro: 24 famílias detinham 250 mil acres cada; Na Cislitânia, 230 proprietários possuíam 12.500 acres; Na Bohemia, 500 proprietários possuíam 3,7 milhões de acres; Na Silésia, 12 proprietários possuíam 20% das terras cultiváveis; na Moravia, outros 12 possuíam 11% e na Baixa Áustria, 12 possuíam 9%. Na Rússia, entre 1861 e 1914, 10% da nobreza rural possuía propriedades acima de 2700 acres, ou 75% de todas as terras aráveis da Rússia européia, e 155 magnatas que possuíam 270 mil acres cada. França, 1906: pequenas propriedades entre 2,5 25 acres constituíam 75% de todas as propriedades produtivas, mas cobriam apenas 23% do total de terras aráveis; propriedades entre 100 e 400 acres cobriam 40 a 50% de todas as terras aráveis e 17 mil proprietários com propriedades acima de 500 acres, ocupando 15% de todas as terras. Itália, 60% da população se concentrava no agricultura, gerando 50% do PIB; 80% não possuíam terras e 54% eram diarista eventuais. Por toda a Europa, à exceção da França, a grande maioria dos proprietários rurais eram nobres ou fidalgos. Totalmente à parte o fato de exercer uma influência gravitacional sobre proprietários rurais não-nobres, essa velha elite tinha muito a uni-la, além de um modo de produção e uma fonte de riqueza comuns. Os proprietários titulados de cada país tinham criação, educação, estilo de vida, mentalidade, código de conduta e convicções políticas em comum. No campo, mandavam não só nos trabalhadores, rendeiros e camponeses da propriedade, como também nos ferreiros, artesãos, lojistas, profissionais e clérigos. Local e regionalmente, ocupavam as principais posições sociais, culturais e filantrópicas, e monopolizavam, controlavam ou tinham grande peso na sociedade política, também ou em especial nos centros. (p.34-40)

O perfil econômico europeu se distorce não só ao se atenuar o papel da grande propriedade rural na agricultura, como também ao se subestimar a manufatura de bens de consumo em relação à produção de bens de capital. Em todos os aspectos importantes, até 1914 a manufatura de bens de consumo superou a indústria de bens de capital no setor não-agrário de toas as economias nacionais e, ainda, no comércio internacional. Como se notou anteriormente, a manufatura de bens de consumo contava com quatro ramos principais: têxteis e vestuário, gêneros alimentícios, couro e sapatos, madeira e móveis. Esse setor era dominado por pequenas empresas de uma só unidade. Com propriedade e operação familiares, essas empresas antiquadas utilizavam uma proporção elevada de mão-de-obra e empregavam máquinas simples, com baixo consumo de energia. (p.43)

Ainda era uma época em que os têxteis por si sós respondiam por 38% de todas as exportações britânicas, em sua maior parte sob a forma de peças de algodão. (p.46) É certo que, em 1914, a indústria metalúrgica, incluindo a produção de máquinas e veículos, era o ramo principal, afora a agricultura, em termos de emprego, capitalização e valor da produção. Com uma força de trabalho de 1,7 milhão, ou menos de 7% da população ativa da Alemanha, contribuía com cerca de 10% do produto líquido. Mas uma percentagem considerável desses metalúrgicos trabalhava em oficinas e instalações com menos de 50 trabalhadores. Entre eles, havia também muitos artesãos tradicionais, mesmo nas maiores fábricas. (p.47)

Por toda a Europa, o desenvolvimento industrial teve de se adaptar a estruturas sociais, culturais e políticas duradouras. Até 1914, o capitalismo industrial e financeiro, para nem falar do capitalismo gerencial, continuou a ter importância secundária, não só em termos econômicos, inclusive quanto à economia internacional, mas ainda em termos de classe, status e poder. Embora florescessem idéias liberais, o capitalismo industrial nunca gerou força material e social suficiente para enfrentar com êxito e resistência o ancien regime, a favor de uma ordem liberal burguesa. E isso não apenas porque os suportes econômicos e sociais do liberalismo burguês se mantivessem relativamente fracos e inertes. Como se observou acima, a segunda revolução industrial paradoxalmente coincidiu com a prolongada recessão de 1873-1896 e o novo imperialismo ultramarino. Esses desenvolvimentos, de algum modo relacionados, não só incitaram e permitiram que os elementos feudais e não-liberais se reafirmassem, em especial na sociedade política, como também instigaram frações significativas da nova burguesia industrial a se aproximar mais das antigas classes dirigentes e governantes, ao invés de contestar sua primazia . (p.53)

A QUESTÃO SIMBÓLICA DA NOBILITAÇÃO

À exceção da França, as dinastias e cortes reais ungidas eram o ápice e fulcro das nobrezas estratificadas da Europa. Apenas reis, imperadores e czares podiam legalmente conferir novos títulos mais elevados, e em toda a Europa as propriedades rurais proporcionavam o nimbo exigido. Em ordem decrescente, o estado de nobreza compreendia, no continente, a oeste da Rússia, duques, príncipes, marqueses, condes, viscondes, barões e cavaleiros; atravessando-se o Canal da Mancha, na Inglaterra, duques, marqueses, condes, viscondes e barões. Embora os vários níveis não mais refletissem diferenças de riqueza e status de modo tão preciso como no passado, mantinham-se, contudo, como um índice aproximado da grandeza e influência. A alta aristocracia combinava o sangue azul com uma imensa riqueza em terras, incluindo imóveis urbanos, e influência ou poder político consideráveis. O enobrecimento era empregado de modo parco e inconstante. A fim de alimentar a ambição aristocratizante, as honras se conservavam raras e valiosas, e os critérios de concessão permaneciam envoltos em mistério, temperado por presumidos méritos. Embora o enobrecimento, e sobretudo a elevação para um nível hereditário, fosse o reconhecimento mais cobiçado, os plebeus também eram estimulados a valorizar símbolos de distinção inferiores, tais como condecorações, títulos e ordens honoríficas de diferentes graus. (...) Além disso, as coroas convidavam para a corte aspirantes plebeus, ricos e famosos, ao passo que eminentes famílias recebiam-nos em suas mansões urbanas e casas de campo. Simultaneamente, seus filhos eram admitidos em escolas exclusivas e carreiras burocráticas e militares honoráveis. E assim, por certo, os membros da antiga sociedade aceitavam ou procuravam a progênie de plebeus adequados como parceiros de matrimônio, sendo de rigueur dotes ou fortunas consideráveis. (p.90-1) Na verdade, desde a Idade Média os notáveis da futura burguesia tinham sido movidos por uma propensão, para não dizer compulsão, a emular a nobreza, em seus preparativos para se elevarem até ela. Gabriel Tarde considerou essa “propensão para macaquear o seu superior” como um “fato” de todas as sociedades estratificadas, dotado de uma lógica e dinâmica próprias. Embora socialmente invejosos e sentindo-se desrespeitados ou ofendidos, os indivíduos de origem humilde imitam aqueles que idealizam como seus superiores, interiorizando seus valores e atitudes, tentando a seguir atuar de acordo com eles e exteriorizá-los. Seguindo Tarde, após assimilar as idéias culturais e objetivos sociais reinantes, tanto imediatos como a longo prazo, os financistas, empresários e profissionais liberais novos-ricos imitavam a nobreza que dava o tom, adotando sua pronúncia, porte, maneira, etiqueta, vestuário e estilo de vida. Enquanto alguns eram vagos, confusos e espontâneos em sua emulação, outros eram precisos, rigorosos e estudados. Mas, flexíveis ou despóticos, os burgueses continuavam a duvidar de si mesmos e a se rebaixar. Talvez seu comportamento fosse tão temeroso por, bem lá no fundo, nunca deixarem de duvidar de sua própria legitimidade social. (p.93) As instituições educacionais também fomentavam essa fusão. Desde meados do século XIX até o XX, as escolas públicas em rápida expansão, isoladas na Inglaterra rural e agrária, transmitiam as maneiras, os costumes e os valores da antiga sociedade aos filhos das classes médias que, com o auxílio dos clássicos, eram preparados para uma vida antes cavalheiresca que “produtiva”. Como as universidades de prestígio – em especial Oxford e Cambridge – praticamente ignoravam as ciências, a matemática e as línguas modernas, os diretores das escolas não se viam motivados a modernizar os currículos das escolas públicas, tanto menos agora que o império precisava de administradores cujo senso de dever e serviço podia ser nutrido com os clássicos gregos e romanos. Profundamente vinculadas à inveterada sociedade agrária, as grandes escolas públicas e universidades de elite desviavam os filhos da burguesia sempre apóstata desse menosprezado mundo da indústria, do comércio e da engenharia mecânica, considerado indigno, para carreiras honrosas no serviço civil e colonial, na Igreja, no exército e na justiça. (p.99)

Até 1914, como na Inglaterra, a poderosa nobreza agrária da Alemanha detinha as fortunas e rendas mais numerosas e amplas. Essas grandes fortunas rurais eram geradas por aristocratas tradicionais que exploravam o carvão, os minérios e as madeiras de suas extensas propriedades. (p.103)

Em particular durante o meio século anterior a 1914, os “burgueses enriquecidos” sistematicamente insistiram em sua procura por títulos que legitimassem “sua ligação com a classe dominante e adaptaram as novas forças sociais ao antigo ambiente aristocrático”, assim também “revigorando” a nobreza, de início hostil, com “sangue novo e nova energia econômica”. Com igual eficiência e freqüência ainda maior, os novos capitalistas, após se apropriarem do estilo de vida aristocrático, impeliam seus filhos a se tornarem oficiais da reserva, a entrarem em confrarias de duelos e a se casarem dentro da antiga sociedade. Essa escalada social, incluídos os casamentos enobrecedores das filhas, nunca diminuiu realmente. Tampouco era menosprezada como ridícula ou excêntrica. De fato, pode-se dizer que se intensificou com a atrofia do liberalismo, antes de 1914. (p.103-4)

Entre 1800 e 1914, houve cerca de 9 mil enobrecimentos na Áustria. Deles, pouco mais de mil títulos foram concedidos para banqueiros, comerciantes, manufatureiros e industriais de destaque. (...) É visível que a burocracia do funcionalismo civil e militar nunca deixou de constituir a imensa maioria das listas de homenagens, em parte devido às concessões automáticas a oficiais com longo tempo de carreira e participação ativa em campanhas militares. Tomando-se o período de 1700 a 1914, os funcionários público receberam 33% e os militares 50% de todos os títulos, contra 12% para homens de negócios e 5% para artistas e acadêmicos, cientistas inclusive. (p.117)

A QUESTÃO POLÍTICA

Em 1914, a Europa era não só predominantemente agrária e nobiliárquica, mas também monárquica. O republicanismo era tão incomum quanto o capitalismo financeiro. Havia, é claro, a inveterada Confederação Helvética e a recentíssima república portuguesa. Mas, entre as grandes potências, apenas a França tinha um regime republicano. Embora contestada por monarquistas e católicos irreconciliáveis, novos e antigos, a Terceira República resistiu como um país sem rei mas com aristocracia. As outras nações possuíam ambos, e as coroas e nobrezas necessitavam e recorriam umas às outras. As nobrezas combinavam seu predomínio social com uma imensa influência e poder políticos. Contavam com sua enorme força política para frear seu declínio econômico crônico, que, se continuasse desimpedido, ameaçaria solapar seu elevado status. Em particular, do ponto de vista das nobrezas fundiárias, os sistemas de autoridade desproporcionalmente receptivos a elas constituíam baluartes essenciais de sua privilegiada posição econômica, social e cultural. É indubitável que, sem essa armadura política protetora, os anciens regimes teriam se contraído antes e mais rapidamente. (p.133) Thorstein Veblen trouxe ainda uma outra perspectiva para o estudo da estática social e política. Em seu esquema, as classes ociosas que eram superadas pelos desenvolvimentos econômicos se convertiam em obstáculos ao progresso e paladinos da obsolescência. Embora os interesses materiais também alimentassem a resistência dessa elite rica, eram secundários em relação ao seu movimento “instintivo” de se opor à transformação do “esquema cultural” estabelecido. Veblen considerava esse tecido hegemônico como fundamental para os regimes estabelecidos. Para ele, esse tecido é constituído por públicos e intimamente entrelaçados que, por força do “exemplo prescritivo endurecem a resistência de todas as outras classes contra a inovação, e fixam os sentimentos dos homens às boas instituições transmitidas pelas gerações anteriores”. Em vez definir esse “instinto” motriz e o “interesse de classe” da classe ociosa, Veblen delineou o funcionamento e os efeitos de sua direção. Sendo o sistema institucional de qualquer cultura “uma totalidade orgânica”, a classe ociosa rejeita “qualquer alteração nos hábitos de pensamento dos homens” por medo de “abalar a estrutura a social em sua base, reduzir a sociedade ao caos e subverter os fundamentos da moralidade”. De acordo com isso, a fração hereditária da classe dominante da Europa perpetuou os “traços, hábitos e ideais arcaicos da antiga Idade bárbara” em seu esquema cultural. Imprimiu-os também nas “ordens inferiores”, graças à sua elevada posição social. Embora em tempos normais as classes médias e proletárias sejam pacíficas, em épocas de crise assumem o espírito bélico e predatório que a casta ancestral sempre exaltou como o componente mais honorável e essencial de sua herança bárbara. (p.135-6) Em 1914, os reis ainda eram “a peça central” da sociedade civil e política “pela graça de Deus, e a raiz de sua posição era feudal não só no sentido histórico mas também sociológico”. Certamente é inegável que, após o “regicídio” preventivo em Sarajevo, os soberanos dos impérios Hohenzollern, Habsburgo e Romanov – Guilherme II, Francisco José I, Nicolau II – desempenharam um papel crucial para levar a Europa à beira da guerra. Como dirigentes autocráticos, os três dispunham de ministros e conselheiros que eram nobres de uma espécie ou outra e criaturas não de partidos, parlamentos ou capitais móveis, mas do estamento do serviço público. Quanto a Jorge V, da Inglaterra, e Vítor Emanuel III, da Itália, eram mais do que figuras decorativas reinantes, embora suas prerrogativas e poderes fossem rigorosa e constitucionalmente limitados. Nenhum deles se dedicou a apagar as fogueiras da guerra. Por certo, sendo uma república, a França não tinha rei, embora o presidente em exercício, Raymond Poincaré, cada vez mais agisse como tal. Apoiado por notables aristocratizados, adotou uma postura militar e belicosa consideravelmente à frente da Câmara dos Deputados e do gabinete ministerial. (p.138-9)

Erik Hobsbawn, um outro autor, também considera a temporalidade do processo de industrialização bastante divergente:

Quando pensamos como parecia lógica a previsão de Marx sobre a eventual disseminação da Revolução Industrial pelo resto do globo, é espantoso ver como a indústria pouco saíra do mundo do capitalismo desenvolvido antes do fim da Era dos Impérios, e mesmo até a década de 1970. Em fins da década de 1930, a única grande mudança no mapa mundial da industrialização se devia aos Planos Qüinqüenais soviéticos. Ainda em 1960 os velhos centros de industrialização na Europa Ocidental e América do Norte produziam mais de 70% do produto mundial bruto e quase 80% do “valor acrescentado na manufatura”, ou seja, da produção industrial. A grande virada da indústria japonesa, que em 1960 produziu apenas perto de 4% da produção industrial mundial – ocorreu no último terço do século. Só na virada de 1970 os economistas começaram a escrever livros sobre “a divisão internacional do trabalho”, ou seja, o início da desindustrialização dos velhos centros .

Isso significa que apenas há poucas décadas, depois de apaziguar internamente a virulência com que o homem europeu resistiu à completa submissão aos protocolos concebidos pelas elites eurocêntricas (e por extensão, norte americanas), o que conhecemos como modelo unidimensional foi efetivamente instalado na “realidade”.

Antes, como veremos, foi preciso domar (dominar) as almas.

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