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Encare Isso como uma Grande Aventura

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Diálogo Protópico I

Caminham Alt e Zanzalá pela velha estrada de Santos. A mata antlântica os cerca completamente e o verde escuro da serra do mar, entrecortado aqui e ali pelo branco espumante das quedas de água, serve de moldura para uma longa conversa. Conversar torna mais curto o caminho e mais longo o entendimento. O assunto gira em torno de algo chamado Protopia. Sempre que Zanzalá acende um cigarro e tenta medir no olho a altura de um desfiladeiro na beira de uma curva, é porque Alt está falando demais. Zanzalá: Deixa eu ver se te entendi... Você pensa nisso como um jogo?

Alt: Não um jogo qualquer... nem um jogo de competidores, mas o maior de todos os jogos. Porque o que está em jogo é algo muito sério, tão sério porque diz respeito ao nosso futuro e ao mundo em que viverão os que virão depois de nós: um jogo que não podemos perder. O grande desafio.

Zanzalá: Mas não seria algo muito trabalhoso, exigiria um esforço tremendo ir atrás dessa tal autonomia.

Alt: Todo jogo exige um esforço, exige que deixemos a zona de conforto, correr, lançar mais longe, chutar mais forte, superar obstáculos.

Zanzalá: Tá, e a "autonomia" seria a forma de marcar pontos?

Alt: Sim seria, mas existem outras formas também. Porque autonomia tem que sempre vir acompanhada por um esforço de propagação. Para marcar mais ponto mesmo é necessário despertar o desejo por autonomia em outras pessoas. Só assim elas passam a fazer parte da equipe.

Zanzalá: E qual é a composição de uma equipe?

Alt:Uma equipe é um grupo de um número indeterminado de pessoas que após se aproximarem, cooperam entre si. Muitos de seus membros possuem laços de afinidade uns com os outros, reconhecem e valorizam relações de interdependência entre si. Em sua uma equipe é um grupo de pessoas joga junto, cada qual segundo sua capacidade, cada um conforme a sua necessidade, contam com práticas e saberes diferentes que congregados servem para benefício da equipe. Existem muitas equipes diferentes na quadra.

Zanzalá: Na quadra? (Malditas Muriçocas!)

Alt: É. Pode-se dizer que nossa quadra é o mundo todo.

Zanzalá: Nada de escanteio então? E uma quadra esférica!

Alt: Sem escanteio, nem lateral, nem gandula. A quadra pode ser dividida em milhares de áreas de diversos tamanhos. Alcançar a autonomia passa por ocupar e manejar coletivamente uma ou mais áreas. Elas devem garantir que a equipe não só possa se manter, mas também aumentar. Ocupar não significa necessariamente permanecer o tempo todo em uma área, mas é um espaço com o qual determinada equipe pode contar, um espaço livre de obstáculos.

Zanzalá: Fala então desses obstáculos...

Alt: Eles estão por quase toda a quadra, na grande maioria das áreas. Também estão dentro das equipes, e em certa medida, dentro de cada um dos jogadores. Se dividem entre internos e externos. Os externos são fáceis de localizar, são os estados nacionais, sua burocracia, seu aparato repressor, as comodidades custosas que oferecem. Mas também são as empresas e a mentalidade empresarial, a competitividade atomizante. o mundo que te reduz a trabalhador-consumista dependente.

Zanzalá: Sim, o barato que acaba sempre saindo caro. A tarefa deles é dificultar e minar nossa autonomia. Saquei. Eles trabalham para nos oferecer conforto tutelado por um custo que geralmente vai muito além do preço imediato que pagamos.

Alt: Sim, mas acho que posso dizer que também está nas nossas casas. Quando nossas famílias nos dizem que temos que arranjar um emprego e que essa é a única alternativa. Porque senão vamos ser ninguém, vamos morrer de fome, que ninguém vai pagar nossas contas, esse tipo de merda.

Zanzalá: Dá pra ver que esses obstáculos se conectam. Mas talvez na minha família, minha irmã e meu tio talvez poderiam vir a fazer parte de uma equipe comigo. Acho que o obstáculo não tá na relação familiar, mas nas noções de certo que passam pela autoridade e pela dependência que podem existir em uma família.

Alt: Concordo totalmente contigo. Isso e o problema do fechamento em si existente em muitas famílias. Aquela linha que diz com quem devo e com quem não devo me relacionar e em que grau, por conta de relações de parentesco que muitas vezes não dizem nada.

Zanzalá: Já vi isso em muitas famílias, e as vezes é tão pesado que elas acabam virando prisões.

Alt: Numa equipe esse tipo de coisa pode ser um obstáculo interno muito forte. Se numa equipe um ou uma parte dos jogadores passa a ditar as regras, o jogo acabou. Horizontalidade é uma das regras principais. Tudo passa pela forma como a gente resolve desentendimentos, como encaramos divergências e de que modo as relações são construídas e mantidas no âmbito da equipe. Isso passa por conhecer uns aos outros e saber manejar ferramentas de convivialidade...

Zanzalá: Ouvi falar sobre elas antes... é uma forma de tecnologia social... como conviver e dialogar, como buscar por consenso e combinar posições distintas...

Alt: Passa também por valorizar a diferença sempre que ela não for hierarquizante... sem nunca perder a possibilidade de ação conjunta em benefício mútuo.

Zanzalá: Muito bonito... mas pessoas são pessoas. As vezes existem diferenças que não sem pode conciliar entre duas ou mais pessoas. Acho que então quando isso acontece, cada um vai para o lado e nesse jogo que você propõe essa equipe perde, não?

Alt: Bom, isso depende. Cabe aqui uma série de questões interessantes desse grande jogo. Primeiro existe entre as ferramentas de convivialidade o que vou chamar distanciamento ponderado. Se duas ou mais pessoas não se dão bem mas ainda querem fazer parte da mesma equipe elas precisam garantir uma certa distância, convivendo e cooperando eventualmente na busca e manutenção da autonomia, para que possam conviver o mais harmonicamente possível. Então temos aí uma equipe que é composta de dois ou mais grupos que se encontram periodicamente, trocam e, talvez até possam rever o motivo de seu apartamento e a necessidade ou não de distanciamento em um ocasião futura.

Zanzalá: Mas isso pode também não funcionar. Pode ter rolado um grande quebra-pau e elas não desejem mais nem se ver. Tem certos desentendimentos que não há distanciamento ponderado que resolva. E aí? Game Over?

Alt: Depende. Uma equipe só perde se todos seus membros ficam pelos obstáculos. Abandonam o jogo para voltarem para uma vida de trabalho e consumo, impostos, família nuclear, tédio e entretenimento. Aí sim, Game Over para essa equipe. Não que a gente precise se preocupar, sempre existirão outras equipes em outros lugares. Se uma equipe perde alguns de seus membros, ou é forçada a abandonar alguma de suas áreas, mas é capaz de se rearticular, certamente será uma perda, mas não o fim do jogo.

Zanzalá: É mais ou menos como jogar War!

Alt: Sim, é parecido! A diferença é que não são estados nacionais em guerra, e cada jogador tem a liberdade de participar ou deixar de participar do que quiser. Se uma equipe impõe sua vontade sobre outra a força ou por enganações, é Game Over.

Zanzalá: Tá, mas e se uma equipe se dividiu por um quebra pau, mas os dois lados querem continuar jogando. Não pode ser o fim do jogo para eles... Não seriam então duas equipes na quadra?

Alt: Se deixarem de cooperar em todos os sentidos e ainda assim, buscarem cada qual do seu modo coletivamente ampliar seu grau de autonomia, serão duas equipes. O jogo fica mais complexo. Claro que também cooperar em algum momento, mas somente muito ocasionalmente, se se aproximarem demais de novo podem voltar a ser uma equipe. Isso inclusive pode ser gerar vantagens estratégicas. Ainda que os jogadores possam circular entre os grupos, de forma alguma eles estão competindo.

Zanzalá: Mas não seria competir por jogadores? Pra ver quem forma a maior equipe?

Alt: No fundo todas as equipes estão jogando junto para superar os obstáculos. Se limitar a competir por pessoas que já estão em outra equipe e não focar em pessoas que estão presas aos obstáculos seria um erro estratégico que certamente muitas equipes já cometeram.As pessoas que estão presas aos obstáculos não só são em maior número, como também dispõem de novos saberes e técnicas, e principalmente ampliam a possibilidade de alcançar novas pessoas e novos recursos, possibilidades que jogadores a seu tempo já teriam esgotado.

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