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Do Terrorismo e do Estado/Advertência do Autor

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Do Terrorismo e do Estado
Gianfranco Sanguinetti


Quem tem medo de idéias, tem hoje medo de poucos livros: todas as semanas o mercado oferece-nos uma infinidade de livros e nenhuma idéia, enquanto as pessoas procuram agora as suas idéias fora do mercado e das livrarias. E, na Itália como no Irã, é na rua que as pessoas encontram o que procuram. Tudo leva a crer que se no nosso país o pensar por escrito ainda não se encontra proibido, tal se deve menos à liberalidade dos legisladores do que ao fato de não se corre rqualquer risco de se ler algo que tenha garra; de forma que quem quiser ler um livro que valha apena tem de o escrever ele próprio, visto este setor da produção social estar, tal como os demais, sujeito à falsificação e à poluição correntes. Com efeito, os mesmos editores que hoje publicam de tudo guardam-se bem de publicar tudo: e, dado o que eles publicam, pode ter-se a certeza que é naquilo que eles não ousam publicar que se encontram as coisas mais interessantes. Quero referir aqui uma prova fácil, sem a qual poderia pensar-se que é devido à falta de escritos "Interessantes" que os editores italianos não publicam nada de interessante.

Durante os dois anos subsequentes ao sucesso do escandaloso panfleto que publiquei sob o pseudônimo de Censor [1], vários editores burgueses fizeram-me saber que estavam perfeitamente dispostos a fechar os olhos ao conteúdo subversivo do que escrevo para não renunciarem aos lucros que, em sua opinião, as minhas publicações lhes proporcionariam. Quando me dispunha a escrever um outro livro, denominado "Remédio para Tudo", o editor Mondadori apresentou-se a propor-me um contrato de edição segundo o qual, para além do livro em questão, o editor ficaria com o monopólio das minhas publicações — por um período de dez anos — o que constituía manifestamente uma pretensão acima das suas possibilidades, e que, por conseguinte, recusei. Esse editor limitou-se pois a pagar adiantadamente o livro em questão, que com prava, por assim dizer, de olhos vendados.

Mas quando os zelosos dirigentes desta célebre casa editora puderam ler o manuscrito definitivo, ficaram literalmente aterrorizados, como se ninguém tivesse ainda conseguido demonstrar o que, por escrito, dizer-se pode sobre este Estado e todo o seu espetáculo. Segundo os especialistas de marketing, as idéias subversivas poderiam com certeza vender-se bem, e em todo caso bem melhor do que a ausência de idéias cuja venda é a especialidade desses cavalheiros: mas em tempos nos quais os operários já não querem ser operários, não nos devemos espantar muito pelos editores terem medo de ser editores. Pode pois dizer-se que, no presente caso, esses audaciosos managers mais do que de olhos vendados compraram o meu livro de mãos atadas, pois deveriam e poderiam imaginar que eu não iria escrever nem um elogio deste mundo, nem uma vã lamentação. Esperavam eles fazer um bom negócio com a subversão e, em vez disso ,pagando para não comprarem, perderam o seu capital num mal calculado investimento de risco! É a estes incapazes, mas apesar de tudo divertidos gestores de casas editoras, que se assemelham os gestores de toda a nossa falida economia: ninguém se deverá espantar se muito em breve, e não só devido aos méritos dos seus managers, esta descambar para a ruína mais completa. [2]

Aguardando a possibilidade de neste país se fazer também um pouco de Irã, mas certamente para melhor, de momento público apenas a dedicatória e o prefácio de Remédio para Tudo, acompanhando o capítulo relativo ao terrorismo que o nosso Estado impunemente prática, há mais de uma década, contra o proletariado; quanto ao resto do livro, esse pode esperar. Entretanto, a verdade sobre * terrorismo, que poderá de imediato ser lida aqui, * só aqui, não tem editores, mas, como se vê, também não precisa deles: esta verdade recusa violentamente a clandestinidade que lhe pretendem impor, e é capaz de ser a precursora de um samizdat italiano.

A partir de agora, os seus inumeráveis inimigos, do centro, de direita e de esquerda, deverão apresentar-se com o tal, expondo-se a um combate em campo aberto, pois todas as suas mentiras já não a conseguem silenciar. E diga-se hoje o que se disser, dentro de dez ou vinte anos, ou mesmo antes, quando tudo se tiver tornado claro para todos, o que será recordado é aquilo que escrevo sobre o terrorismo, e nada dos rios de tinta que todos os mentirosos profissionais e todos os imbecis fazem hoje correr sobre esta matéria.

A quem tem medo da verdade, ofereço algumas verdades de meter medo, e — a quem não a teme, uma razão para provar que o terrorismo da verdade é o único que beneficia o proletariado.

Milão, Março de 1979.


«"Sei que não te tornarás cúmplice de um a operação que, para além do mais, destruiria a DC... A primeira observação a fazer é a de que se trata de uma coisa que se repete... Presentemente fala-se menos disso, mas o suficiente para que saibas como é que as coisas se passaram , e tu, que sabes tudo, estás certamente informado disso. Mas... para fazer com que reine a calma na corte... podes contactar imediatamente Pennacchinique sabe tudo (em pormenor) melhor do que eu... Ainda há Miceli e... o coronel Giovannoni, que Cossiga estima... Depois de um certo tempo, a opinião pública compreende... O importante é convencer Andreotti que se ele jogar a carta da vitória, constituir-se-á provavelmente um bloco de opositores intransigentes."»
(Aldo Moro, carta a Flaminio Piccoli, tornada pública só em 13 de Setembro de 1978.)


«"Sei que a exigência de uma verdade intransigente se encontra bastante difundida. Mas também sei que muitas coisas... carecem de reserva, de silêncio... E isto no interesse dos objetivos que se pretende atingir. É justamente por isso que, desde o dia da minha tomada de posse neste ministério, não cessei de relembrar a todos o dever da discrição e, poderia mesmo dizer, a sabedoria do silêncio."»
(Virginio Rognoni, ministro do Interior, 24 de Agosto de 1978.)


«"E quando o acaso faz com que o povo fé não deposite confiança em ninguém, como por vezes acontece por ter sido anteriormente enganado pelas coisas ou pelos homens, daí decorre necessariamente, a ruína."»
(Maquiavel, Discursos sobre a Primeira Década de Tito Livio.)


Referências

  1. Vide Censor (Gianfranco Sanguinetti), Rapporto veridico sulle ultime opportunità disalvare il capitalismo in Italia, Milão, Julho de 1975; segunda, terceira e quarta edições, Mursia, Outubro de 1975; vide também , Prove dell'Inesistenza di Censor, enunciate dal suo autore, Milão, Janeiro de 1976. — Estes dois textos foram publicados em francês: Véridique Rapport sur les Dernières Chances de Sauver le Capitalisme en Italie, seguido de Preuves del'Inexistence de Censor par son auteur, Paris, Éditions Champ Libre, 1976 (N. do T.).
  2. No original, "a bischero sciolto", traduzindo literalmente, "de cauda atada", velha expressão fiorentina que evoca a irreflexão (N. do T.).
Do Terrorismo e do Estado
Do Terrorismo e do Estado/Prefácio à edição francesa Advertência do Autor Do Terrorismo e do Estado/Índice de Remédio para Tudo

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