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Comunalismo e Autonomia/Comunalismo e autoritarismo

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Comunalismo e Autonomia
Jaime Martínez Luna


Desde sua origem, os povos da Mesoamérica tiveram que enfrentar diversas formas de autoritarismo. A harmonia ou uma democracia plena em termos exatos nunca existiu. As comunidades indígenas, por seu pensamento e ação, são as que mais perto chegaram de alcança-la, ou seja, foram elas que desenvolveram espaços, relações e instancias que puderam favorecer o exercício da harmonia e do bom governo.[1]

Com a chegada do ocidente nas terras indígenas do novo continente, os espaços para o exercício da harmonia foram violados e em boa parte eliminados. Não obstante, a resistência de nossos povos permitiu a conservação clandestina destas instancias que na atualidade evidenciam um perfil das possibilidades mais desenvolvidas para alcançar nosso bem estar e felicidade.

Diante da conquista espanhola, nossas comunidades desenvolveram um forte sistema de resistência-adequação que lhes permitiu em cada década desenvolver uma nova imagem, sempre cambiante, onde os valores positivos de ambas as culturas forram concatenando novas realidades. Para nossa fortuna, neste processo, os valores, princípios ou instancias que favoreciam a possibilidade de harmonia foram se cristalizando apesar dos interesses econômicos imperantes na mentalidade colonizadora. A adequação permanente de nossos povos, não permitiu coabitar com formas de organização social diferentes da nossa, e como tal participar de uma ampla sociedade plural e diversa, uma sociedade no geral autoritária que no nosso caso resulta na mais desfavorecida e extrema pobreza. Pelo fato de cultivarmos as relações que nos orientam para a democracia, seguimos reproduzindo-a e desenvolvendo-a mais sistematicamente e com maior claridade.

O comunalismo é a ideologia que nós, povos indígenas do sul do México, atualmente adotamos, e que temos conseguido exportar para as grandes cidades, através da ação que realizam nossos irmãos que tiveram a necessidade e o interesse de emigrar. Não é estranho que em cidades tão grandes como a cidade do México e Los Angeles na Califórnia, nosso comunalismo se expresse em todo seu colorido e essência, pese a adversidade que oferecem os espaços urbanos.

O interessante de como conseguimos reproduzir uma ideologia diante a um imperante ambiente de autoritarismo, se explica em razão das características que tem as relações homem-natureza assim como as características de nossa orografia e a virtude de nossa organização social. Não é atoa que o modelo de nossa organização comunitária esteja sendo defendido como modelo de ação em todo país através do Programa Nacional de Solidariedade, e tampouco foi atoa que tem sido as comunidades indígenas as que lograram o melhor modelo para a conservação da natureza. Tudo isso se conseguiu sob a bandeira do comunalismo, ideologia que na atualidade podemos oferecer como uma forte e renovada alternativa, contra o autoritarismo e em favor da real democracia.

A geografiaEditar

O processo de despojo que nós, comunidades indígenas, sofremos nos empurrou para as regiões mais agrestes e arrinconadas do território, agora nacional. Nestas regiões, onde ninguém imaginava que alguém pudesse sobreviver, encontramos o apoio da fraternidade da mãe terra e de seus filhos. Nestas zonas encontramos uma infinidade de recursos naturais que permitiram nossa plena, se bem que difícil, sobrevivência. Conhecemos os segredos desta natureza, questão que agora se reflete no fato de que são as únicas regiões melhor conservadas. Onde havia ouro, veio o ocidente, onde havia terra para ser explorada veio o homem branco, o mestiço mal formado, o malfeitor querendo enriquecer da noite para o dia.

Esta geografia nos fez mais fortes e independentes, sem embargo para muitos se converteu na tumba. Os anciãos se empenharam a sistematizar o conhecimento dessa natureza, descobriram e desenvolveram com ela uma relação horizontal, uma relação harmônica de muito respeito.

Foi desta maneira que este meio ambiente se converteu em um elemento a mais para nossa existência. Os Mixes nunca foram conquistados pelas armas. Encobertos neste tipo de território, os Huicholes ainda seguem protegidos.

Onde chegou o regime de plantação (café, tabaco, etc.) chegou também a discórdia, a inveja, a avareza, onde não chegou a individualidade se conservou a igualdade, o diálogo, o coletivo.

O processo de defesa destas terras descreve-se de maneira física como um coletivismo natural que permitiu a defesa de amplos territórios que hoje são considerados como reservas da biosfera, neles, todavia sobrevive a mais ampla variedade de seres vivos, animais e plantas que convivem com o homem em uma verdadeira unidade. Tudo isso pode soar romântico mas basta conferir as informações científicas dos recursos naturais que se encontram na América Latina para verificar facilmente o que estamos afirmando.

Mas nada foi fácil, o papel do estado nos países da América segue sendo o mesmo desde a chegada dos espanhóis: guardião dos interesses cupulares, protetor dos sonhos de superioridade do homem sobre a natureza, regulador das relações entre os débeis e os poderosos sempre em aliança com estes últimos. Por isso cremos que esses estados estão cavando sua própria sepultura, com o etnocídio estão permitindo a morte futura de seus filhos. Com nossa morte se está acabando o pouco que ainda permanece vivo no continente. Autoritarismo e uma essencial falta de democracia é o que caracteriza a relação que mantém o estado com todos os grupos étnicos, apesar disso seguimos convencidos de ter talvez uma das únicas alternativas possíveis para a convivência social e fundamentalmente uma velha e harmônica relação com a natureza.

Por tudo isso consideramos que o comunalismo, que é nossa maneira de pensar, se origina na história do despojo, na relação forçada que temos mantido com os territórios que nos restaram à conquista e à exagerada exploração da terra. Ou seja, o comunalismo é também fruto da história colonial.

Não devemos esquecer que vastos territórios inicialmente indígenas que foram usurpados, agora estão convertidos em desertos. Embora todos conheçam esta barbárie, ela segue sendo a tônica natural do desenvolvimento econômico mundial. Os resultados da cúpula da terra no Rio de Janeiro a ratificaram e com isso se mostrou a lógica anti-natureza de um mundo que precisa deter imediatamente sua louca carreira e por um momento refletir nos efeitos de seu saber.

Não queremos mais recordar os d dramáticos capítulos da conquista e o que segue sucedendo na Guatemala, na Bolívia. Esta geografia do horror torna ainda mais digna as alternativas que a sociedade indígena oferece ao Ocidente. Uma cultura que sempre encarou com desprezo nossa sobrevivência e nossa riqueza moral.

O território comunalEditar

Um dos aspectos que nos deve fazer refletir para compreender o atual pensamento dos povos originais, é o fato de que é exatamente nestas zonas onde se tem preservado com maior força a posse comunal da terra.

A posse comunal certamente é uma prática que os colonizadores perceberam em nossos povos, uma prática que de muitas maneiras já representava uma exposição natural do significado da terra para nossos ancestrais.

Depois da conquista esse regime de posse seguiu recebendo muitas agressões. Próceres pátrios formados nas escolas crioulas independentistas daqueles anos fizeram sentir seu desacordo. Na atualidade, o estado mexicano segue encarando a posse comunal como um obstáculo ao desenvolvimento, uma barreira para tornar eficiente o uso da terra, um verdadeiro escolho para o desenvolvimento econômico que propiciará mais utilidades, gerará mais empregos e garantirá uma maior efusão econômica em benefício dos habitantes de cada nação. Apesar disso a resistência de nossos povos não cede. Recentemente os Nahuas lograram uma ampla mobilização para impedir que suas terras fossem invadidas pelas águas de uma empresa hidroelétrica. Os Zapotecos erradicaram o sistema de concessões para a exploração dos bosques. Amplos territórios mistos seguem sendo defendidos ao custo da própria vida. A resistência prossegue entendendo que a terra não é apenas um bem econômico, mas principalmente uma mãe que contribui com todos nós. Uma mãe com quem desejamos ter uma relação igualitária e de profundo respeito.

Nestes territórios parece que o tempo não passou, se prossegue observando as oferendas antes de iniciar o cultivo, as festas nas colheitas, as cerimônias para garantir a queda das chuvas. Será que seguimos sendo um povo ignorante? Será que somos tão néscios e que não queremos mudar? Bem pelo contrário, sempre mudamos. Mas também sempre encontramos no respeito à terra o único princípio que nos garante o bem estar, o princípio que sana nossos corações e com o qual asseguramos o amanhã. Certamente estes princípios já não se apresentam em toda sua nitidez precisamente porque estamos mudando. Na atualidade já exploramos os bosques como nunca havíamos pensado e lhe extraímos riqueza que ainda não sabemos a ciência correta do que fazer com ela. Agora reconhecemos que o café se converteu como alguns outros cultivos em uma corda no pescoço. Chegamos a devastar amplos territórios semeando milho para assegurar o alimento para nossas famílias; devemos concordar que perdemos alguns valores de nossa relação com a terra, mas estamos seguros de que os resgataremos através de nossa própria organização. Um exemplo disto é a nova mineração comunal das minas que sempre foram aproveitadas pelos nossos usurpadores. Tiveram que passar séculos de aprendizagem para que agora estas minas sejam uma possibilidade de receita para nossas famílias. O mesmo está sucedendo naqueles campos onde não colhíamos o milho, pouco a pouco fomos encontrando na história as tecnologias abandonadas que agora estamos usando em nosso benefício. O comunal de nosso território abre a possibilidade de encontrar soluções, da busca de alternativas. Estamos seguros que este regime de posse não veio do ocidente e não foi nunca um discurso, é uma realidade tecida pelos séculos e pelo sacrifício de dezenas e dezenas de gerações. O comunal é a fortaleza da comunidade e o espaço que a recria, é o solo onde cresce nosso futuro, é o berço de nosso pensamento natural e, finalmente, a oportunidade para pensar um mundo futuro diferente mas próximo de nós, mas também mais perto e necessário para o mundo.

Cabe ressaltar que o comunal fez de nossa organização social um tecido de uma maior possibilidade harmônica, não isenta de contradições, não isenta de estratificações, mas mais próxima do diálogo; mais próxima do consenso, da reflexão coletiva e de uma tomada de decisões horizontal. O comunal marca o ritmo da produção e abre espaços inovadores para a educação de nossos filhos. O comunal, por tudo o que foi dito, é para nós um elemento fundamental para a compreensão de nossas novas potencialidades.

Nossa vida assembleáriaEditar

A grande maioria das comunidades da Mesoamérica seguimos sendo pequenas. A pressão sobre nossa terra, o atrativo de nossa mão de obra barata, a recente diminuição de nossas faculdades curativas, fez com que cada uma de nossas comunidades quando muito alcance o número de cinco mil habitantes. Estes espaços sociais tem permitido que exista a possibilidade de uma vida assembleária, que a população encontre em sua reunião a possibilidade de crescer e reproduzir-se. A assembléia é o momento de reunião de toda a cidadania, o lugar onde se tomam as decisões e a oportunidade para o exercício, para uma plena, por assim dizer, democracia. É provável que este conceito não seja representativo do que ocorre em nossas assembléias, mas o que é certo é que é uma instância que se fundamenta no consenso, na diversidade e na pluralidade. A assembléia para nós é o foro onde tanto a capacidade individual do orador como do ouvinte se conjugam e em cada momento se encontram em um novo momento de coexistência. Na assembléia participam tanto os letrados como aqueles que nunca frequentaram uma escola. Todos temos as mesmas oportunidades sejamos homens ou mulheres. As viuvas e as solteiras também tem na assembléia a possibilidade de participação. Claro que as coisas que aqui se afirma não ocorre da mesma maneira em todas as comunidades, mas sem embargo as comunidades autóctones em geral tem na assembléia a possibilidade de sua realização social.

A assembléia é dirigida sempre pela autoridade executiva que ela mesma elege, representantes temporais que tem um, dois ou três anos para demonstrar suas capacidades para o exercício do poder comunal. A assembléia é não apenas uma possibilidade de participação como também uma obrigação cidadã. Uma obrigação para o exercício do poder social. Nada se decide fora dela salvo aspectos mais limitados que não dizem respeito a ela. O falar muito em uma assembléia é símbolo de prepotência em vez de adequada capacidade para dirigir o povo porque cada palavra que se emite deve ser ratificada com sua prática no trabalho coletivo, quem não o faz é diminuído em seu prestígio, é tido como um charlatão e nunca o povo porá neles seus olhos para o exercício do poder.

A assembléia naquelas comunidades maiores e mais urbanizadas é utilizada pelas forças políticas formais, ou seja, os partidos políticos. É comum que nessas comunidades se observe o surgimento de grupos quase sempre identificados com setores do poder econômico o político. Para nós, em geral, participar de contendas políticas é um sinal de envilecimento, mesmo tendo a segurança de que apenas através delas se pode conseguir um bem para a comunidade. A existência da assembléia tem sido utilizada pelo estado mexicano de uma maneira muito inteligente. O partido oficial tem encontrado nela um excelente espaço para negociar o voto. As promessas de obras ou de lutas sustentadas pela comunidade são habilmente negociadas para lograr que sejam favorecidos pelo voto. Não é raro também que de maneira consciente e em alguns casos ingenuamente, os próprios executivos nomeados pela assembléia se encarreguem de materializar a fraude eleitoral. Há comunidades que se encarregam de encher todas as urnas de votação em benefício de um só partido. Com isso a comunidade negocia seu relativo grau de independência e garante sua autonomia interna com a nomeação democrática de seus representantes. Em outras palavras, podemos afirmar que a comunidade cede o poder político externo para garantir o interno. É preferível para nós votar por um deputado que nem sequer conhecemos do que votar em um partido político que se intromete na nomeação de nossas autoridades. Tudo isso é cozinhado mediante o registro de nossos representantes comunitários no partido que está no poder. Em alguns casos pode suceder o contrário, ou seja, mediante o registro em outros partidos. Quanto isso se dá, a comunidade se vê diante de uma imensidade de pressões, muitas das quais vocês conhecem perfeitamente.

Por último cabe agregar que a vida assembleária permite contar com uma arena onde as pressões governamentais são contidas pela discussão da invalidade e da inutilidade de suas propostas de desenvolvimento. Em nossa assembléia comunal enfrentamos a permanente intenção do estado por conduzir nosso desenvolvimento, por orientar nosso caminho. A assembléia local nos propicia a defesa de nossas idéias. Nem sempre esta defesa é abertamente discursiva, em muitos casos esta defesa se manifesta por um verdadeiro silêncio. Ou seja, quase sempre as propostas do estado são respondidas com um forte silencio que é decidido em nossos próprios idiomas com uma coletiva e significativa entrevista, ao final se saberá se se aceita ou não a proposta.

Os efeitos dessas relações tem desembocado em verdadeiros juízos que terminam de maneira trágica como também, em contraparte, em violentos assaltos da polícia ou exército; não é exagero dizer que quando as iniciativas em discussão definem interesses claramente identificados que reforçam o poder da comunidade, a resposta comum do estado é o uso da polícia e do exército, quando não a detenção e o assassinato de nossos dirigentes.

Visto desde qualquer ângulo a existência de nossa assembléia é o elemento que reproduz nosso comportamento e que referenda nosso comunalismo.

A eleição de nossos representantesEditar

Para que um cidadão ostente nossa representatividade é necessário que desde criança tenha mostrado um profundo respeito pela comunidade. A formação de um ser humano inicia aos seis anos, primeiro indo à igreja, tocando as campanhas, realizando labores agrícolas. Esta formação vai introduzindo aos meninos e às meninas um espírito especial. Conforme o tempo passa as comissões que se realizam se diversificam. Obviamente cada comunidade tem suas particularidades, sem embargo podemos afirmar que a educação se radica no trabalho comunitário. Educação-participação, educação-trabalho, trabalho-representatividade vão sempre juntos. O trabalho no campo, o trabalho na igreja, e o trabalho no exercício do poder são alguns aspectos de uma pedagogia que sem estar sistematizada de maneira formal recebemos de nossas comunidades, esta também resulta uma pedagogia política.

Quando adolescentes os jovens começam a mostrar suas particularidades, seu interesse maior pelo trabalho físico ou sua inclinação pelo trabalho intelectual. Em ambos os casos a capacidade no exercício político tem que ser também plasmado no trabalho e na participação. Neste processo se seleciona o cidadão nas linhas mencionadas mas que requer ratificação. Aos dezesseis anos o jovem pode ascender a postos auxiliares de agrupamento ou mesmo à agencia municipal e como foi dito o comportamento diante da comunidade indica suas inclinações pessoais. Algo importante é que nenhum cidadão busque a representatividade por si mesmo, o mais lógico é negá-la, é dizer opor-se a obter esses cargos. O contrário significa querer ascender ou ter apetite pelo cargo político, uma questão perigosa nesse terreno. O político é melhor identificado em função de sua militancia em partidos políticos, onde ser deputado não significa precisamente ter prestígio, mas ser um extraterrestre com muitas armas que podem apontar contra a comunidade.

O México conta aproximadamente com dois mil municípios e um número enorme de agencias municipais. Não haver autoridade intermediária entre o município e o governador do estado significa que possuir a municipalidade é uma brilhante oportunidade de soberania política, mas também um arriscado exercício de poder se se responde à lógica dos partidos políticos. Em todo o país a maioria das comunidades indígenas são agencias municipais, ou seja, dependem de municípios maiores, sem embargo. Um dado curioso salta à vista, enquanto estado da república: Oaxaca contem aproximadamente 25% de todos os municípios do país. É exatamente em Oaxaca, com seus 570 municípios, onde as idéias aqui apresentadas florescem com mais força.

Em Oaxaca existem municípios de menos de mil habitantes. Isto significa uma enorme possibilidade para a reprodução do comunalismo. Neste estado uma junta é normalmente integrada por não mais do que sete funcionários: o prefeito que é a pessoa que detêm mais poder, o presidente que é o executivo, o representante que é o agente do ministério, e três regedores. São poucos os casos comunitários onde há mais de cinco regedores, uma equipe que é nomeada pela assembléia para exercer o poder durante um ou três anos. Tanto o prefeito como o representante, os principais e os auxiliares, conhecidos como topiles, são geralmente cidadãos operativos, destros no trabalho físico mas com efetiva participação. Os regedores. e o presidente geralmente representam a linha dos intelectuais mas não estão isentos dos trabalhos rudes.

A representatividade comunitária deve ser compreendida como o exercício da representação. Cada integrante da junta não recebe nenhuma remuneração e de maneira geral agem como se fossem empregados a serviço do povo. Todos devem fazer de tudo, ou seja, participar de todo tipo de tarefas: gestão, administração, coordenação, execução, etc. Exigir a divisão de áreas ou de especialidades será uma atitude mal vista, digamos modernizadora, e contra os costumes.

O exercício do poder se veste fortemente pelo costume, pelo modo quotidiano de tecer acordos, marcado pela sua ritualidade ou pela realização de eventos estabelecidos séculos atrás, onde toda população participa de acordo com a divisão de setores sociais: camponeses, artesãos, músicos, mestres, etc.

Aquele que não respeita a somatória de tradições e costumes e que não participa horizontalmente na representação não tem prestígio na comunidade. A consulta permanente, a prática e o consenso nos demonstram a horizontalidade na tomada de decisões, a realidade da ação política que emana do comunalismo.

Não queremos passar a idéia de que no interior dessa estrutura política não existam contradições, adversidades e inclusive conflitos que a comunidade carrega por décadas; recordo um caso que ocorreu com o povo zapoteco Yalalag. Por problemas econômicos e políticos, o povo se dividiu de tal forma que o conflito conduziu a comunidade a uma rinha de mais de cinquenta anos, até que as forças sociais foram recompostas e restabelecido o consenso de maioria. Na atualidade esta é uma comunidade que padece pela redução de sua população, mas está de pé e com recentes e inovadores projetos alentados por seu comunalismo que esteve enroscado durante muito tempo.

As divisões internas em uma comunidade indígena, na maioria dos casos, está relacionada com a existência de caciques, personagens aliadas a grupos de poder político central ou estatal que pretendem, e em muitos casos logram usurpar a riqueza da comunidade (terra, produção, etc.). Este fenômeno já muito analisado do âmbito rural mexicano creio que lentamente está desaparecendo. Muitas comunidades depois de sangrentos enfrentamentos tem refeito seu consenso retornando aos costumes.

Acima de tudo, a representatividade é resultado de uma assembléia. É o valor político mais importante que desejamos herdar, enquanto comunidade autóctone, ibero-americana e mundial.

Conselho de anciãosEditar

A participação na estrutura política permite ao cidadão oferecer seus atributos pessoais. Os muito trabalhadores, os sistematizadores da história, os conhecedores da natureza, os rezanderos, os comerciantes, os mestres, etc. Todos e cada um aportam sua experiência e vão sendo eleitos para desempenhar uma atividade especial: a de conselheiro. Ser conselheiro não significa necessariamente ser ancião, fundamentalmente o conselheiro deve ser compreendido como um trabalhador a serviço da comunidade sem nenhum outro interesse a não ser seu desenvolvimento.

Os conselhos de anciãos se integram de acordo com a decisão da maioria da população, mas de maneira específica por decisão da junta em turno. Nesta decisão a junta declara suas preferências por aqueles que tem de ser de quem vai pedir o conselho necessário para a tomada de decisões. Não são chamados para nenhuma outra coisa. São aproveitados para decidir questões complicadas, por exemplo, a definição dos limites com outra comunidade, para resolver casos de assassinatos, para superar, deixar de lado ou adotar uma tradição, para os rituais mais significativos, enfim para aqueles assuntos nos quais a junta sente que necessita auxílio.

Os conselhos de anciãos tem resolvido problemas vitais não apenas em nível comunitário como também em nível regional. Um conselheiro se supõe ser dotado de uma visão não normal, um conhecimento não mediano, um conselheiro é enfim, depositário do comunalismo e fiel defensor dos princípios de convivência social e das determinações mais importantes. Graças a ele o consenso segue como norma, o trabalho como pedagogia, e a ritualidade como mostra de espiritualidade.

Esta instancia, como todo processo, não é imune a dificuldades e erros, sem embargo é a forma ancestral de exercer o bom governo [autogoverno]. O conselho de anciãos por si só significa uma verdadeira garantia para a democracia comunitária. Um governador chamou esse conselho de "senado da comunidade", consideramos que pode haver relação com o termo, mas a experiência diz muito sobre o que significa ser senador em uma sociedade antidemocrática e autoritária em termos de trabalho e comportamento quotidiano. Enfim, poderíamos dizer que aqui a pequena escala nos apresenta a possibilidade de uma representação social mais próxima à democracia, que desgraçadamente não é frequente nas grandes sociedades urbanas.

O tequio quotidianoEditar

Todo afazer comunitário tem relação com o trabalho. A preservação e a manutenção física é um trabalho específico, chamado tequio.

O tequio é a tarefa que cada cidadão outorga, dependendo das facilidades uma ou duas vezes por mês, é o trabalho que permite a realização de obras de serviço geral: obras de manutenção e de serviço tais como escolas, clínicas de saúde, abastecimento de agua, etc. O tequio é programado pela junta ou autoridade municipal sob a coordenação do síndico municipal. Participam todos os pais de família, mães solteiras e viúvas. Os primeiros têm o trabalho mais duro e as mulheres são encarregadas de atividades de outra ordem; trazer agua, comida, em muitos casos participam da semeadura e também da colheita.

O tequio é a instituição que evidencia uma nova forma de comportamento cidadão, aquele que não participa tem que pagar uma multa ou fazer o serviço em outro dia. Em alguns casos, o indivíduo que não participa é encarcerado. Cabe destacar que este hábito é proibido pela constituição geral da nação mas apesar de tudo é exercitado.

Os aspectos negativos do tequio são destacadas principalmente por pessoas descomunalizadas que o considera uma prática autoritária, inclusive antidemocrática. Se sentem obrigados pelo povo a cumprir com o tequio apesar da constituição o proibir. Sem embargo nossa concepção é diferente.

Deve-se afirmar que a diversidade e a pluralidade cultural dista muito de ser respeitada pelos estados nacionais. Isso ocorre não apenas no México como também na Guatemala, e na Bolívia os casos são extremos. Sem embargo resulta paradoxal e de alguma maneira alentador o fato de que no México a experiência assembleária e representativa, aliada à prática do tequio se haja convertido nestes últimos anos em um novo modelo de trabalho para as regiões denominadas de extrema pobreza.

Vejamos esta questão por partes. Por um lado os estados nacionais ibero-americanos tem como característica a imposição de modelos de comportamento individual, empresarial, de eficiência, e de um alto conteúdo mercantil. Por sua parte as sociedades tradicionais reforçam seus modelos tradicionais coletivos, o respeito à diversidade, à terra e a um uso mais equilibrado de seu potencial, e relegam a obtenção de benefícios econômicos e tecnológicos ao simples e necessário. Desta perspectiva não se pode esperar mais dos estados nacionais que impõem decisões que violentam os princípios básicos em nossas comunidades. Com isso se explica o porque as constituições nem respeitam os costumes, a diversidade cultural, nem tampouco reforçam a reprodução e os valores que vão no sentido oposto a suas intenções ou àquilo que chamam de suas necessidades.

Por outro lado verificamos que práticas como o tequio, que aparece ante os olhos dos ocidentais como como antidemocráticas, resultam ser os únicos fatores que tem permitido às próprias sociedades, comunidades, ou aos índios a solução das necessidades anexas. O tequio para estas micro sociedades representa a alternativa para o desenvolvimento e para o bem estar. Este último reconhecido pelo estado mexicano durante os últimos anos, iniciando um trabalho de reconhecimento da diversidade e da pluralidade cultural. A modificação no artigo quarto constitucional nos lega uma primícia institucional de um estado mais diverso talvez mais democrático ou mais inteligente.

O estado mexicano tem ante si a meta de superar os enormes vácuos na maioria de sua sociedade principalmente naquelas regiões onde se manifesta com muita evidência a extrema pobreza e encontra em nossas micro sociedades os mecanismos próprios para um autodesenvolvimento. É quando o tequio se transforma em varinha mágica. Por isso, pelo tequio e por tudo o que ele expressa, o comunalismo começa a exportar práticas mesmo sem conhecer em profundidade maneiras próprias e originais de desenvolvê-las.

Existem correntes do pensamento que consideram que usar o tequio como bandeira de desenvolvimento dos próprios povos é esterilizar sua própria efetividade e beneficiar o estado em lugar de deter sua ação em detrimento das comunidades indígenas. De uma coisa estamos seguros, nossos próprios irmãos, pressionados a emigrar levaram consigo este comunalismo e o estão reproduzindo em núcleos urbanos de muita importância. Não é estranho encontrar-se na cidade, à frente de muitos comitês de solidariedade, indígenas emigrados realizando ações mediante uma organização aprendida em suas comunidades de origem. Tampouco não foi estranho ver, ante o terremoto de 85, muitos indígenas e mestiços irmanados no resgate das vítimas, mediante comportamentos emanados deste tipo de cultura comunitária.

A solidariedade comunitáriaEditar

Durante os últimos seis anos, a palavra solidariedade virou moda no México. Nesta ocasião tentamos deslindar o que significava solidariedade comunitária. e o que significava comunalismo. No início imaginávamos a solidariedade como um ato voluntário, contrário ao comunalismo que é uma ideologia emanada de ações estabelecidas em muitos casos de maneira obrigatória. Ir à assembléia da comunidade, assumir cargos, dar seus tequios, são pautas de obrigação cidadã que reproduzimos com muita consciência porque nos foram injetadas como linhas de comportamento, contrário a solidariedade que é exercida em um âmbito livre, ou seja, é feita por iniciativa própria por corresponder à solidariedade do outro. Em nossas comunidades esta solidariedade é conhecida como ajuda mútua, em zapoteco como "gozona". Em cada idioma próprio existe a palavra que corresponde à ajuda mútua. Entendemos solidariedade quando o vizinho lhe ajuda a fazer sua casa, quando para a boda de um compadre se contribui economicamente com um bem ou com trabalho. Por solidariedade ou ajuda mútua entendemos o apoio à família de um cidadão falecido oferecendo trabalho, sementes ou dinheiro, o mesmo para ajudar um acidentado. Sem embargo o comunalismo de muitas maneiras reflete institucionalmente um certo grau de autoritarismo mas exercido e decidido por todos. No comunalismo o indivíduo é coletivo do principio ao fim, enquanto que o autoritarismo em outro tipo de sociedade apenas responde a necessidades de ordem pessoal ou grupal.

Outro aspecto solidário que encontramos dentro de nossas comunidades é o apoio entre comunidades distintas, isto se dá principalmente na realização de festas, ou diante de uma tragédia pouco comum. A solidariedade ou a gozona na festa significa ao mesmo tempo ajuda, oferta de serviços e satisfação em oferecer estas coisas. Desta maneira se logra que as festas transbordem de colorido e música, transbordem de solidariedade; talvez o evento comunitário concentre o significado de sua ação e a institucionalidade comunitária ou o comunalismo seja a festa. Este é o resultado do trabalho agrícola ou artesanal comercial e produtivo de um ano. A festa e os rituais que cada um desenvolve. Não podemos competir de maneira comercial, nem tampouco pensar em quem manda em quem, pelo contrário, encontramos em todos a necessidade de sobreviver como seres diferentes e próximos, e que de uma forma clara a todos nos afeta o impacto do pensamento ocidental, também nos afeta o intento globalizador dado ao pensamento índio. Não o aceitamos. Muito menos na forma de modelos ocidentais já tão desgastados.

Não compreendemos o comunalismo como algo próprio deste ou do século passado, herdamos o comunalismo antes da chegada de Cristo porque desde tempos remotos vem preenchendo esta necessidade de harmonia tão dramaticamente rota nas sociedades modernas. Quais são os valores que nos unem e de que maneira podemos colocá-los em ação respeitando o processo histórico de cada um? É isso que nos preocupa na atualidade em vista da sociedade original. Não pretendemos criar modelos de pensamento que novamente sejam impostos a outras sociedades. "Se estamos na Guatemala não queremos entrar na guatepior".

Conclusões de um possível futuroEditar

Antes de concluir esta breve intervenção quero assinalar alguns dos desafios que enfrentamos neste momento. Não cremos estar na melhor das situações para poder ensinar, temos problemas que ainda não conseguimos resolver, e vou falar sobre eles:

O comunalismo certamente é a ideologia que nos tem permitido enfrentar e resolver uma infinidade de problemas com os quais temos nos deparado na história, sem embargo, o comunalismo também tem significado localismo, nacionalismo em seu sentido mais microscópico. O comunalismo nos tem levado a enfrentar possibilidades de desenvolvimento na comunidade. Por cada povo ser quase uma nação, estamos diante de um verdadeiro problema no que diz respeito ao âmbito regional. Através do comunalismo pouco a pouco vamos resolvendo os problemas locais mas os problemas que temos que enfrentar regionalmente estão ainda nas mãos dos que sempre nos sujeitaram. Um exemplo disso é precisamente a exploração dos bosques, cada comunidade tem logrado ser uma empresa florestal mas o problema de mercado é um problema de todos, o problema das estradas também, etc. Não é possível enfrentar inimigos maiores a partir da localidade. Temos a necessidade de uma união maior e de uma definição mais clara do futuro.

Outro problema que vem de cima e que nos atinge a cada três ou seis anos é a representatividade política regional, que continua sendo decidida desde fora. Aqui, o autoritarismo governamental nos tem dividido de maneira permanente, não temos líderes regionais porque nosso costume o impede. Tampouco temos tido a avareza de representar o momento culminante de um labor que implica tudo: o trabalho familiar, o trabalho grupal, o trabalho municipal, e sobretudo o desempenho de uma soma de ritualidades que abrange tanto a religião cristã como a prehispânica; festeja-se tanto os santos como o sol, a terra ou a lua.

A festa é parte da identidade comunitária, é o reflexo do espírito de todos. Todos trabalhamos para ela. No mesmo espírito que coordena as atividades, o acumulado em um ano é distribuído para o gozo de todos. Tudo aquilo que foi organizado durante o ano se revela na festa. As habilidades construídas por anos a fio se deleitam na festa. Diria que nossas festas são a marca que nos identifica, elas refletem o respeito e a solidariedade que nossa atitude semeou nas comunidades que nos circundam.

A festa é o sentido do trabalho, para seu próprio gozo destacamos que o trabalho é o sentido da comunidade em todas suas dimensões, apenas na festa encontramos a solidariedade e o comunalismo em seu ponto mais elevado.

As particularidades de nossas culturasEditar

A antropologização da vida indígena tem sido a culpada da extrema pulverização de nossas identidades. Geralmente, nós, os grupos étnicos, comunidades, povos autóctones, ou seja lá como nos chamem, compartilhamos valores substanciais que através deste escrito temos tratado de explicar. Os antropólogos tem a tendência de explicar a vida de cada povo a partir de detalhes particulares e isto torna ainda mais complexa compreensão do que somos e do que podemos propor ao resto do mundo.

Um exemplo simples disso é usar a diversidade de línguas para mostrar a grande complexidade existente. Essa corrente chegou ao ponto de considerar que apenas aquele que fala sua própria lingua é indígena, os demais são mestiços, um arremedo de indígena ou de autóctone. Nós consideramos que debaixo de valores particulares como lingua, vestimenta, música, dança, etc., há valores subjacentes que são comuns, valores que são ordenados pelos próprios indígenas. Nós, os Zapotecos de Oaxaca, não estamos em nada separados dos companheiros Cree do Canada, dos Zuni do Novo México, dos Mayas da Guatemala, dos Mapuches do Chile, ou dos Kariña da Venezuela. Temos idiomas diversos e práticas rituais diferentes, como também vestimentas e festas de colorido distinto, mas todos nós temos a mesma necessidade de reivindicar nossa relação com a terra, de defender nossos territórios, de enfrentar o autoritarismo de nossos opressores, de enfrentar as imposições de uma modernidade néscia que se nega a compreender o valor de nossa filosofia. Somos todos unidos pelo consenso, pelo diálogo, pelo ânimo e pela realidade da horizontalidade. O autogoverno local é sem embargo o grande alvo para todas nossas comunidades, os dirigentes nacionais sempre serão caricatura, porque nosso povo ainda não definiu devidamente como o autóctone deve fazer política.

O estado simplesmente usurpa nossa integridade com modelos nascidos de nossa realidade mas que, no final das contas, não nos propicia saída alguma. Este é um impedimento para a democracia e para a superação do autoritarismo.

Outro problema é como enfrentar a voracidade da irracionalidade capitalista, ou seja, como proteger nossos recursos e ao mesmo tempo manter nossa lógica diante da natureza. Agora, quando o capital ameaça tragar-nos de maneira brutal, quando os tratados de livre comércio sinalizam com a possibilidade de extinguir-nos, as democracias têm mais símbolo econômico do que qualquer outra coisa.

Outro dos problemas graves que não logramos resolver é a trágica educação que nos invade através dos meios de comunicação. Nesse campo temos feito algo e contamos com alguns espaços e aparatos de transmissão de rádio, mas ainda não logramos enfrentar e ganhar a preferência de nossos próprios irmãos alienados pela rádio comercial.

Sabemos que estamos em um tempo de reflexão, de intercâmbio e de investigação.

Cremos estar prontos para propor soluções sempre e quando se abrirem os poros do Ocidente e se restaurar a necessidade da adoção de modelos que garantam nossas possibilidades de sobrevivência. Embora precisemos trabalhar mais na sistematização destas esperanças.

Quanto ao autoritarismo, o sentimos na pele aqui e ali e vice versa, mas é necessário primeiro abrir as possibilidades de intercâmbio de experiência, e se opor com maior força os instrumentos que laceram nossa imaginação e os princípios de nossos povos.

Caminhos são ensaiados, e creio que devemos continuar fazendo isso, mas agora com nossas próprias possibilidades, em direção a um mundo que um dia pensamos superar e inclusive abandonar. Nós, indígenas, estamos convencidos que a defesa de nossa geografia seguirá sendo a base para o desenvolvimento de novas ilusões, como a defesa de nosso território; a possibilidade de existência real para nossas famílias. A vida assembleária abre uma enorme possibilidade de consensar nossas convicções, inclusive nossas emoções e encontrar nela novas formas relacionadas com a democracia. Que o respeito a nossos velhos não seja compreendido apenas como o respeito à simples tradição mas à acumulação do conhecimento que todos temos direito a lograr.

Consideramos que o trabalho físico ao lado do trabalho intelectual abre novas perspectivas de imaginação entre os seres diferentes que somos. O não satanizar nem sobrevalorizar nossas diferenças superficiais, e a ordenação do que somos, pode calhar de maneira mais adequada e evitar o pântano da estigmatização, propiciando o encontro de caminhos comuns e amplos onde se permita a pluralidade e a democracia. Para finalizar, espero que o que aqui foi expresso seja de utilidade para todos os leitores.

comunalismo

  1. N.T. ou seja, autogoverno. "O significado do poder em uma comunidade indígena é muito diferente do significado do poder em um mundo mestiço rural ou urbano. Em nossas comunidades o poder é um serviço, ou seja, é a execução das decisões tomadas pela assembléia, pela coletividade", vide Parte 2.
Comunalismo e Autonomia
Discriminação e democracia em estado multiétnico Comunalismo e autoritarismo Autonomia para os povos da Sierra Norte de Oaxaca

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