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Capítulo VIII (Alegria Armada)

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Alegria Armada
Alfredo M. Bonanno


«"Não haverá revolução até que os Cossacos desçam a terra.
(Coeurderoy)


O divertimento é também enigmático e contraditório na lógica do capital, que o usa como parte do espetáculo mercantil. Adquire uma ambiguidade que não possui em si mesmo. Esta ambiguidade advém da estrutura ilusória da produção capitalista. Deste modo, o jogo torna-se simplesmente uma suspensão da produção, um parêntesis de “paz” no quotidiano. Assim, o divertimento torna-se programado e usado em cena. Quando está fora do domínio do capital, o divertimento é harmoniosamente estruturado pelo seu próprio impulso criativo; não está ligado a esta ou aquela performance requerida pelas forças do mundo da produção, desenvolve-se de forma autonoma. É apenas nesta realidade que o divertimento é alegre, que oferece prazer. Não “suspende” a infelicidade da dilaceração causada pela exploração, mas realiza-o até ao fim, fazendo-o tornar-se um participante na realidade da vida. Deste modo, ele opõe-se as artimanhas colocadas em ato pela realidade da morte - mesmo através do divertimento - para tornar a obscuridade menos obscura.

Os destruidores da realidade da morte estão lutando contra o reinado mítico da ilusão capitalista, um reinado que embora aspire a eternidade, rebola na poeira das contingências.

O prazer emerge do divertimento da ação destrutiva, do reconhecimento da profunda tragédia que isto implica e de uma consciência da força de entusiasmo, capaz de matar as conspirações da morte. Não é uma questão de opor o horror com horror, a tragédia com tragédia, a morte com morte. É uma confrontação entre prazer e horror, prazer e tragédia, prazer e morte. Para matar um polícial não é necessário vestir as vestes do juiz, apressadamente purificadas do sangue de condenações prévias. Tribunais e condenações são sempre partes do espetáculo do capital, mesmo quando são revolucionários que as desempenham. Quando um polícial é morto, a sua responsabilidade não é medida nas escalas, o confronto não se torna uma questão de aritmética. Não se está programando uma visão da relação entre movimento revolucionário e exploradores. Se está respondendo, no nível imediato, a uma necessidade que se tornou estruturada no seio do movimento revolucionário, uma necessidade que nenhuma análise e justificação deste mundo teria tido sucesso em impor por si só. Esta necessidade é o ataque ao inimigo, aos exploradores e aos seus servos.

Amadurece lentamente dentro das estruturas do movimento. Apenas quando sai para fora é que o movimento passa da fase defensiva para o ataque.

Análise e justificação moral estão rio acima, na fonte, e não rio abaixo, aos pés daqueles que saem as ruas, posicionadas para faze-los tropeçar. Análise e justificação moral existem nos séculos de violência sistemática que o capital tem exercido nos explorados. Mas não saltam necessariamente a vista, numa forma completa e pronta para usar. Isso seria uma nova racionalização de intenções, o nosso sonho de impor um modelo na realidade que não lhe pertence. Vamos fazer estes Cossacos virem abaixo. Nós não apoiamos o papel da reação, isso não é para nós. Nos recusamos a aceitar o convite ambíguo do capital. Em vez de atirar nos nossos companheiros ou uns nos outros, é sempre melhor alvejar políciais. Há alturas na história em que a ciência existe na consciência daqueles que estão em luta. Em tais alturas não há necessidade de intérpretes da verdade. Ela emerge das coisas como elas são. É a realidade da luta que produz teoria. O nascimento do mercado de bens marcou a formação do capital, a passagem de formas feudais de produção para a capitalista. Com a entrada da produção na sua fase espetacular, a forma de mercadoria estendeu-se a tudo que existe: amor, ciência, sentimentos, consciência, etc. O espetáculo alargou-se. A segunda fase não constitui, como defendem os marxistas, uma corrupção da primeira. Ela é uma fase completamente nova. O capital devora tudo, até a revolução. Se esta não rompe com o modelo da produção, se meramente reclama impor formas alternativas, o capitalismo irá engoli-la dentro do espetáculo mercantil. Apenas a luta não pode ser engolida. Algumas das suas formas, cristalizando-se em entidades organizacionais específicas, podem acabar sendo arrastadas para o espetáculo. Mas quando elas rompem e saem da significância profunda que o capital dá a produção, isso torna-se extremamente difícil.

Na segunda fase, questões de aritmética e vingança não fazem sentido. Se forem mencionadas, tomam uma significância metafórica. O jogo ilusório do capital (o espetáculo mercantil) deve ser substituído pelo jogo verdadeiro do ataque armado contra ele, pela destruição do irreal e do espetáculo.


Alegria Armada
Capítulo VII (Alegria Armada) Capítulo VIII (Alegria Armada) Capítulo IX (Alegria Armada)

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