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Capítulo II (Alegria Armada)

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Alegria Armada
Alfredo M. Bonanno
«"Eu chamo um gato de gato
(Boileau)


Estamos todos preocupados com o problema revolucionário de como e o quê produzir, mas ninguém é capaz de dizer que produzir é um problema revolucionário. Se a produção é a raiz da exploração capitalista, mudar o modo de produção iria meramente mudar o modo de exploração.

Um gato, ainda que pintado de vermelho, continua sendo um gato. O produtor é sagrado. Afaste-se! Santifique o teu sacrifício em nome da revolução, e les jeux son faits. “E o que é que iremos comer?” perguntam as pessoas preocupadas. “Pão e cordas de violão” dizem os realistas, com um olho na panela e o outro em sua arma. “Ideias”, declaram os idealistas confusos, com um olho no livro dos sonhos e o outro na espécie humana. Qualquer um que encoste na produtividade está feito.

O capitalismo e aqueles que o combatem se sentam lado a lado com o cadáver do produtor, mas a produção tem que continuar.

A crítica da economia política é uma racionalização do modo de produção com o mínimo esforço (da parte daqueles que contam com os benefícios de tudo). Todos os outros, aqueles que sofrem exploração, devem ter o cuidado de ver se não há nada faltando. De outra forma, como poderíamos viver? Quando sai para a luz, aquele que foi criado na escuridão nada vê, da mesma forma como quando anda a apalpar no escuro. O prazer o cega. O faz cerrar os olhos. Então diz que é uma alucinação e condena o prazer.

O flácido e gordo burguês se conforta, sentado em opulenta ociosidade. Portanto, o prazer é pecaminoso. Isso significaria compartilhar das mesmas sensações que a burguesia e trair ao proletariado produtivo.

Não seja por isso, o burguês vai muito além desse ponto para manter o processo de exploração funcionando. Ele também está estressado e nunca encontra tempo para o prazer. Suas viagens são ocasiões para novos investimentos, Suas amantes podem ser agentes infiltradas por seus concorrentes para obter informações.

O deus da produtividade mata mesmo aos seus discípulos mais fiéis. Arranca as suas cabeças, irá derrubar nada menos do que um monte de lixo.

O desgraçado esfomeado guarda em si sentimentos de vingança ao ver os ricos rodeados pelo séquito de serviçais. Acima de tudo, o inimigo deve ser destruído. Mas salvem a pilhagem. A riqueza não deve ser destruída, deve ser usada. Não importando o que seja, que forma toma ou que possibilidades de aplicação permita. O que importa é arrancá-la de quem quer que a tenha naquela altura, para que todo mundo tenha acesso a ela.

Todo mundo? Claro, todo mundo.

E como isso poderá acontecer?

Com violência revolucionária.

Boa resposta. Mas realmente, o que é que vamos fazer depois que tivermos que cortar estas muitas cabeças das quais já estamos de saco cheio? O que faremos quando já não houver mais proprietários de terras para serem achados, mesmo que procuremos por eles com lanternas?

Então este será o reino da revolução. A cada um segundo as suas necessidades, de cada um segundo suas possibilidades.

Preste atenção, companheiro! Existe um cheiro de sacerdotes de livros e relatórios financeiros no ar. Estamos falando de consumo e produção. Tudo permanece ainda na dimensão da produtividade. A matemática te traz segurança. Dois mais dois são quatro. Quem questionaria esta “verdade”? Números comandam o mundo. Se eles o fizeram até agora, por que não seguiriam fazendo?

Todos nós precisamos de algo sólido e duradouro. Pedras para construir um muro para deter as forças que começam a se chocar contra nós. Todos nós precisamos de objetividade. O chefe jura sobre sua carteira, o agricultor sobre a enxada, o revolucionário sobre a arma. Deixe entrar algumas ondas de criticismo e toda a estrutura cai por terra.

Em sua pesada objetividade, o mundo da vida cotidiana nos condiciona e nos reproduz. Todos somos filhos da banalidade diária. Mesmo quando falamos sobre “coisas sérias” como a revolução, os nossos olhos continuam colados ao calendário. O chefe tem medo da revolução porque ela poderia privá-lo de sua riqueza, o agricultor a faria para obter um pedaço de terra, o revolucionário para por sua teoria em teste.

Se o problema for visto nestes termos, não existe diferença entre carteira, terra e teoria revolucionária. Todos esses objetos são bastante imaginários, simples espelhos da ilusão humana.

Apenas a luta é real.

Ela distingue patrão de agricultor e estabelece a ligação entre segundo e o revolucionário.

As formas de organização que a produção toma são veículos ideológicos para esconder a ilusória identidade individual. Esta identidade é projetada no conceito econômico ilusório “preço”. Um código estabelece a sua interpretação. Os patrões controlam parte deste código, como vemos no consumismo. A tecnologia de guerra e tortura psicológicas e de repressão total rende também o seu tributo para fortalecer a ideia de que produzir é a condição para ser humano.

Outras partes do código podem ser modificadas. Não podem sofrer a mudança revolucionária mas são simplesmente ajustadas de tempos em tempos. Pense, por exemplo, no consumismo em massa que substituiu o consumismo de luxo com o passar dos anos.

Então há formas mais refinadas como o controle auto-administrado da produção. Outro componente do código de exploração. E por aí vai. Qualquer um que decida organizar minha vida para mim nunca será meu companheiro. Se eles tentarem justificar isso com a desculpa de que alguns tem que produzir ou, caso contrário, todos perderíamos a nossa identidade como seres humanos ao sermos submetidos pela “natureza indisciplinada e selvagem”. lhes respondemos que a relação humanidade-natureza é produto da iluminada burguesia marxista. Por que quiseram eles transformar uma espada em um ancinho? Por que é que o humano tem constantemente que lutar para se distinguir da natureza?


Alegria Armada
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