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Bete

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Bolo'Bolo (livro)

P.M.


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Rigorosamente falando, é impossível definir os cuidados de saúde, bete, como um assunto separado. Doença ou saúde não dependem só de intervenções médicas, mas muito mais de fatores sociais, da qualidade de vida como um todo. bolo’bolo em si mesmo é a contribuição mais importante para a saúde, já que elimina uma série de doenças que são efeitos diretos ou indiretos da sociedade industrial: acidentes de trânsito, stress e doenças induzidas pelo ambiente, muitos riscos e acidentes do trabalho, problemas psicológicos e psicossomáticos. O trabalho e o stress são a causa de muitas doenças, e sua redução é o melhor remédio.

Os próprios bolos vão decidir sobre a definição de saúde e doença (exceto em caso de epidemias). Como beleza, moralidade, verdade, etc., a definição de bem-estar varia com o arquétipo cultural. Se alguns ibus escolherem mutilações rituais ou cicatrizes de beleza, ninguém vai tentar impedi-los. Distinções generalizadas entre normais e loucos serão impossíveis. Os bolos vão decidir também que tipo de remédio eles acham mais apropriado para o contexto de suas próprias vidas.[1]

Ervas bete.jpg

Todo bolo estará apto a tratar ferimentos simples e doenças comuns. Pode fazer sua própria bolo-clínica e arranjar um time permanente de ibus experientes que atendam aos chamados. Devem existir cômodos especiais para assistência médica, uma farmácia contendo os aproximadamente duzentos remédios mais freqüentes, algumas camas, kits de emergência e meios especiais de transporte. No final a ajuda médica vai ser melhor e mais rápida do que agora, porque ninguém é deixado sozinho e esquecido.

Num bolo os ibus sadios e os doentes não vivem vidas separados (todos os ibus são mais ou menos doentes e sadios). Pacientes acamados, velhinhos, parturientes, pessoas crônica ou mentalmente doentes, inválidos, retardados, aleijados, etc. podem ficar em seu bolo e não precisam ser isolados em instituições. A concentração e o isolamento de pessoas inaptas para o trabalho (essa tem sido a nossa definição operacional de doença) em hospitais, asilos de velhos, hospitais psiquiátricos, reformatórios, etc. são outro aspecto da fragilidade da família nuclear, que racionaliza a distinção entre trabalho e casa. Até as crianças se tornam um problema para ela.

Também é possível que certos bolos transformem uma doença ou um defeito em elemento de sua identidade cultural. A cegueira pode se tornar um estilo de vida num bolo onde tudo é especialmente arrumado para pessoas cegas. Cego-bolos e aleijado-bolos podiam combinar também, ou talvez existiriam surdo-mudo-bolos onde todos se comunicassem através da linguagem de sinais. Talvez surjam louco-bolos, diabético-bolos, epilético-bolos, hemofílico-bolos, etc. Talvez não.

Embora os bolos possam ser auto-suficientes em cuidados básicos de saúde, precisam de instituições mais sofisticadas para casos especiais. Em emergências, acidentes graves, doenças complicadas e prevenção de epidemias haverá um sistema médico graduado com acesso às mais avançadas técnicas médicas. A nível das cidades (vudo) ou regiões (sumi) os ibus poderão ter tratamentos sofisticados. Os gastos gerais com assistência, entretanto, serão muito mais baixos que os de hoje. Nos raros casos de emergência, ambulâncias, helicópteros e aviões serão mais rápidos que no sistema atual, e não há razão para não usá-los.

Existem boas chances de que os ibus estejam em melhor estado de saúde do que estamos hoje. Mas não haverá uma definição médica oficial de saúde, e a longevidade não será um valor generalizado. (Hoje, a longevidade é simplesmente um valor oficial porque significa habilidade para o trabalho e longo uso pela Máquina do Trabalho.) Existem tribos onde a vida é relativamente curta mas muito interessante noutros aspectos, e outras culturas onde vidas longas são um importante valor cultural. São simplesmente concepções diferentes de vida, cálculos diferentes quanto a aventura e extensão. Alguns estão mais interessados em risco, outros em tranqüilidade. Podem existir bolos para todos.


Referências

  1. Guerra e medicina, violência e doença, morte vinda de fora ou de dentro: estes parecem ser os limites absolutos da nossa existência atual. Temos tanto medo dos "outros" quanto dos nossos próprios corpos. E é por isso que colocamos nossa confiança nas mãos dos respectivos especialistas e cientistas. Já que nos tornamos incapazes de compreender os sinais do corpo (dor, mal-estar, todos os tipos de sintomas), a medicina se tornou a derradeira ciência de legitimidade mais ou menos intacta. Praticamente todos os saltos tecnológicos (com as mais catastróficas implicações) foram justificadas por possíveis usos médicos (energia nuclear, computadores, químicas, aviação, programas espaciais, etc.).

    A vida é colocada com um valor absoluto, independente de ideologia e de cultura. Mesmo o mais brutal regime totalitário marca pontos se consegue aumentar a expectativa média de vida. Já que não somos capazes de entender nosso corpo, de lidar com ele apoiados em nossa identidade cultural, ficamos dependentes da ditadura médica, de uma classe de sacerdotes que podem definir virtualmente todos os detalhes da nossa vida. Entre todas as instituições, os hospitais são a mais totalitária, hierárquica, intimidadora. Se a vida (no sentido biomédico) é nosso valor primordial, deveríamos estar construindo imensos complexos médico-hospitalares, instalar equipagem de tratamento intensivo em todos os apartamentos, providenciar bancos de órgãos artificiais, máquinas para prolongar a vida, etc. Esses esforços industriais poderiam drenar inteiramente nosso tempo e nossa energia: seríamos escravos da sobrevivência otimizada. Cultura é também uma forma de lidar com a morte – de construir pirâmides em vez de hospitais (os egípcios não eram exatamente malucos). Cemitérios, mausoléus para os ancestrais, funerais não são mera perda de energia e material: salvam vidas (contra a vida industrializada). Se não somos capazes de aceitar a morte de uma forma ou outra, vamos continuar matando e sendo mortos. (Você não pode ser a favor da vida e contra o holocausto nuclear ao mesmo tempo.)


Bolo'Bolo (livro)
Gano Bete Nugo

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