Fandom

Protopia Wiki

Bancar o louco

1 764 pages em
Este wiki
Adicione uma página
Discussão0 Share

Interferência de bloqueador de anúncios detectada!


A Wikia é um site grátis que ganha dinheiro com publicidade. Nós temos uma experiência modificada para leitores usando bloqueadores de anúncios

A Wikia não é acessível se você fez outras modificações. Remova o bloqueador de anúncios personalizado para que a página carregue como esperado.

não é a melhor Estratégia

Certas pessoas que ao chegarem à conclusão de que o mundo as incomoda, resolvem retrucar o incômodo com um incômodo maior ainda. A idéia não seria ruim se soubessem canalizar seus esforços para o lado certo.

Loco.jpg
Em certos contextos a liberação do incomodo, em forma de revolta e raiva é o melhor a ser feito. Mas para a maior parte destas pessoas, bancar o louco e rodar a baiana não chega a ser uma tática, é sim um estilo de vida - algo a ser anexado à própria identidade, que quando acionado é descarregado, o resultado é leveza e soltura em seu 'eu' intrinceco, quem está ao seu redor é quem geralmente aguenta o repuxo. Mas... diante de tamanho beneficio o que importa as vítimas da rodada?!

Como metralhadoras giratórias com problemas no tripé, este tipo faz vítimas de uma forma indiscriminada. Mas sempre existe algum lugar onde se esconder - atrás de um bem medido espontaneísmo, as vezes até mesmo considerado por quem o aciona, como algo subversivo. Esta forma de "auto-descontrole" se tornou muito comum em uma série de movimentos contra-culturais do século XX, e provavelmente foi o motivo de sua assimilação e ruína. É aqui que começamos uma breve arqueologia do descontrole esvaziado no mundo do espetáculo.

Não é novidade que o espetáculo distorce a vida: quem não lembra de Juventude Transviada, o filme de 1955 onde um certo James Dean interpretava um estetizado "rebelde (aparentemente) sem causa", um protótipo ideal de beatnick esvaziado de todo seu conteúdo político e poética, reduzido a uma espécie de galã juvenil em um mundo que nada mais era que uma versão mais que perfeita do sonho americano. Descontrolado e sedutor, Jim Stark (o personagem interpretado por Jean) era a armadilha perfeita para o público jovem da década de 50, jaquetas de couro, máquinas possantes, gel no cabelo e vestidos rodados venderiam como água dali para frente. E a vida reflete o espetáculo: beatnicks descontrolados e esvaziados como Stark passaram a se arrastar pelo pelo mundo, desde então, isso impressionava as garotas, e decretava o fim de um movimento.


Crazy Frickin Lady.jpg
E não parou por aí, dos hippies aos punks, todos tiveram, ambas as modalidades da contracultura recente tornaram-se estereótipos variantes deste mesmo descontrole. A conveniência é a mãe da fast fode, com um moicano na cabeça e uma jaca de rebites imbecis, adoradores do caos...


o descontrole aparentemente espontâneo vem vendendo um bocado desde então. Além de ser uma forma excelente maneira de combater o tédio e exercitar o niilismo. O mercado do rock pesado está cheio disso (vide o imbecil na foto acima, ele é só mais um pseudo-enlouquecido telespectador que pagou 50 dólares para rolar na merda no festival do Ozzy). Não é para menos, desde que os espetaculares descobriram que comer morcegos e explodir porcos, bater em fotógrafos e quebrar guitarras e hotéis aumenta a venda das camisetas e discos, seus fãs tinham que se sentir consumindo esta nova atitude.

Mais recentemente foi exibido no Brasil uma novela de fazer qualquer ser humano com o mínimo senso vomitar: Rebelde. Um bando de filhos de milionários que estudam numa escola para igualmente milionários se demonstravam constantemente descontentes com as atitudes dos pais, mandavam seus professores se foder, etc. Tudo que queria era poder consumir sem que ninguém os enchesse o saco: o resumo da ópera "geração X" estava ali, libertários que entendiam liberdade como "quero consumir o que eu quiser sem que ninguém me aborreça", rebeldes que resumiam seus motivos de indignação a terem de ter noção com o trato do outro.


Nossa "civilização" é certamente campeã em subculturas que julgam resolver os problemas do mundo com alguma artimanha ridícula que levam a sério. Os vegetarianos, os vegans, os naturebas, os hare krischna, os maconheiros, os moradores de rua por opção, os primitivistas nômades, os quakers, os monolitas, os rebeldes sem causa, os hippies, os beatnicks, enfim, uma cambada de gente que acha que pode resolver o mundo baseando-se em algum princípio simples que os torne diferente de todos, como não comer carne, rezar com a benga, usar drogas naturais, fugir de casa, caçar comida no mato ou mesmo plantar utilizando técnicas pré-históricas. A verdade é que o que estas pessoas estão fazendo é nada mais nada menos do que se fingir de louco, criando uma vida imaginária que soluciona todos os problemas e acreditando (e forçando outros a acreditar também) que dessa forma sua vida está solucionada. O fato é que não solucionam nada e eles sabem disso, mas se esforçam pra se enganar que suas idéias solucionam.


Textos

A | B | C | D | E | F | G | H | I | J | K | L | M | N | O | P | Q | R | S | T | U | V | W | X | Y | Z

Mais da comunidade Wikia

Wiki aleatória