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As Leis de Celine sobre a Estupidez das Nações

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A Estupidez Humana
Robert Anton Wilson


Como qualquer indivíduo pensante deve já ter notado, a nossa vida nacional se tornou crescentemente estranha e surrealista. As filas de espera nos bancos e agências do correio estão cada vez maiores, mesmo quando as informações demográficas nos dizem que a população está estabilizando o seu ritmo de crescimento. Os sinais de trânsito estão no vermelho com freqüência maior do que no verde. Não se consegue encontrar um encanador ou pedreiro que queira trabalhar nos finais de semana ou nos feriados; ninguém até agora conseguiu dar uma explicação convincente sobre as causas da inflação. Cada nova pesquisa mostra que a número de crimes violentos, o custo dos bens de consumo e a popularidade de certos shows televisivos de mal gosto tendem a aumentar.


Acredito que encontrei a explicação para essas tendências inquietantes. Se torna necessário dizer que não posso apresentar, neste curto artigo, todas as evidências que acumulei em três décadas de cuidadosa pesquisa meta-sociológica; isto terá de esperar a publicação do meu estudo em três volumes: 'Porque Todo O Mundo Está Ficando Lelé Da Cuca'. Aqui irei apenas mencionar as milhares de profundas entrevistas, os inumeráveis mapas de fluxo e equações de matrizes helicoidais, as vastas quantidades de relatórios de computadores e as adivinhações do I Ching e outras técnicas cientificas rigorosas utilizadas, naquilo que eu modestamente chamo de Leis de Celine do Caos, da Discórdia e da Confusão.


A Primeira Lei de Celine é que A SEGURANÇA NACIONAL É A CAUSA PRINCIPAL DA INSESURANÇA NACIONAL. Isto poderá parecer algo paradoxal, mas tentarei explicar imediatamente. Cada agência de polícia secreta deve ser monitorada por um corpo de elite de uma outra polícia secreta de segunda ordem. Existem várias razões para isto, mas três delas são dignas de nota.'


1 - A infiltração da polícia secreta, para propósitos de subversão irá sempre ser um dos objetivos primários dos revolucionários internos. Isto é uma parte ordinária do jogo de contra-espionagem. Não existe nada que o Submundo aprecie mais do que ter alguns poucos agentes infiltrados no FOI e na CIA pela mesma razão que o FOI e a CIA gostariam de ter alguns poucos agentes infiltrados no Submundo.
2 - Tal processo de infiltração irá também ser um dos objetivos primários de poderes estrangeiros hostis , e exatamente pelas mesmas razões. Por favor considere que estes são fatos simples do jogo de polícia secreta, evidentes mesmo para a público em geral e assunto de várias tramas engenhosas em filmes de espionagem populares e não representam motivos para maior alarme, por enquanto. Ainda assim, as sementes do Caos, Discórdia, Confusão e Paranóia já estão presentes, pela simples razão de que uma vez que o ser humano venha a desenvolver o hábito da preocupação e da suspeita, ele ou ela encontrará justificativas crescentes para mais preocupações e mais suspeitas. Por exemplo, Richard 0 (não as suas reais iniciais), um dos meus entrevistados, se tornou extremamente preocupado após trabalhar dez anos na CIA, com a possibilidade da infiltração da mesma por agentes extraterrestres. Finalmente ele foi aposentado compulsoriamente quando começou a afirmar que demônios na forma de cães queriam que ele assassinasse Shirley e Laverne.
3 - Os oficiais da polícia secreta adquirem uma capacidade fantástica de realizarem chantagens e de intimidarem outros no governo. Stalin executou três chefes da sua polícia secreta em seqüência, justamente devido a este perigo. Um dos meus informantes afirma que cada presidente desde que o Ato de Segurança Nacional foi aprovado em 1947, aprendeu a fazer amor sem emitir um único som audível devido ao risco de possível espionagem eletrônica. Como Nixon diz de maneira tão esperançosa nas transcrições do Watergate, 'Ben, Hoover atuou. Ele devia ter lutado. Este era o ponto. Ele deveria ter desafiado aquelas pessoas. Ele deveria tê-las deixado mortas de medo. Ele possui a ficha de todo mundo'.


Assim, aqueles que devem fazer uso de organizações de polícia secreta devem se garantir que elas não venham a adquirir poderes em demasia. Nos Estados Unidos de hoje, a super elite que monitora a CIA é a Agência de Segurança Nacional.


Aqui também temos um jogo de regressão infinita entrando em cena. Qualquer elite deste tipo, uma agência de polícia secreta de segunda ordem, deve, de acordo com as regras acima, pragmáticas e necessárias, ser suspeita de infiltração por subversivos nativos ou de poderes estrangeiros hostis ou então estar adquirindo 'poderes em demasia' na opinião dos seus donos. (Ela poderá mesmo, se a ansiedade de Richard 0 estiver correta, estar sob manipulação extraterrestre). Assim, ela também deve ser monitorada por uma polícia secreta de terceira ordem.


Mas esta polícia secreta de terceira ordem também poderia ser objeto de infiltração ou de aquisição de um excesso de poder ... e assim, sem exigirmos muito da lógica, terá inicio a regressão infinita. Um vez que o governo disponha de 'n' ordens de polícia secreta, cada uma espionando a outra, sendo todas potencialmente suspeitas. Para se aumentar a 'segurança' uma polícia secreta da ordem 'n+1' deve ser criada. E assim por diante.


Na prática, logicamente, isto não pode regredir ao infinito mas até um certo ponto, onde cada cidadão está espionando outro cidadão ou então até que os fundos financeiros se acabem, o que acontecer primeiro. A Segurança Nacional na prática então, deve sempre estar Próxima desse ideal lógico da regressão infinita que mostramos ser necessário para a obtenção desse objetivo. No espaço existente entre esse ideal de 'Uma Nação Debaixo de Vigilância', com escutas e coberturas de correio para todos, e a situação estritamente limitada de fundos finitos, existe um grande espaço para o encorajamento de paranóias de todos os tipos virem a florescer. Logo, cada governo que empregue agências de polícia secreta deve crescer em termos de insegurança à medida que a força, versatilidade e poder destas agências cresce.


Por exemplo, uma certa nação de esquerda que empregou agências de polícia secreta por 61 anos atingiu agora um ponto onde seus lideres têm medo de pintores e poetas. Outra, uma nação de extrema direita infestada com outras agências de polícia secreta, vários expurgos foram causados por três engraçadinhos que com regularidade telefonavam para militares de carreira com patente mediana e lhes falavam naquilo que parecia um código. A polícia secreta, é lógico, não é boba e está bastante ciente de que de fato poderia ser apenas una brincadeira, um tipo de humor anárquico, mas, acontece que ela não tem certeza....


0 que geralmente acontece neste caso é que um oficial recebe um desses chamados misteriosos, dizendo, por exemplo: 'Peão para Rainha Roque Cinco: nenhuma esposa, cavalo ou bigode. Um menino nunca chorou nem desafiou mil como ele'. Ele sabe imediatamente que está sendo vigiado. Nos dias seguintes e enquanto as memórias de todos os seus erros, pequenas corrupções, frases mal-colocadas e outros eventos potencialmente incriminadores ficam assombrando a sua imaginação, ele fica sensível a um hipotético agente da vigilância e começa a suspeitar que até mesmo o mais leal dos seus subordinados está lhe observando com olhos que nada perdem e começa a formar uma interpretação sinistra contra tudo. Dentro de dez dias, ele tenta contatar algum governo estrangeiro para buscar asilo político e assim, a rede da polícia secreta se fecha sobre ele.


Pelo mesmo processo da preocupação levando a ainda mais preocupação, e suspeita levando a ainda mais suspeita, o próprio ato de ingressar numa organização de polícia secreta irá finalmente transformar o homem ou mulher num paranóico clássico; em termos vulgares ele ou ela ficarão "pirados' ou 'pinel'. O agente sabe sempre quem está exercendo a vigilância mas ele nunca sabe quemn é que o está vigiando. Poderia ser a sua esposa, sua namorada, sua secretária, o rapaz de recados, o encarregado do lazer?


Por estas razões, os agentes de polícia secreta desenvolvem teorias elaboradas e complexas para explicarem o que está acontecendo na realidade. De acordo com uma das minhas tabelas de dados, não existe uma única teoria desenvolvida pelos defensores da conspiração profissional que seja igualmente levada a crédito pelos inúmeros membros das nossas várias agências de segurança. De fato, a porcentagem exata de 'crentes' nesses cenários extravagantes é bastante semelhante entre um grupo de 1000 agentes da CIA e 1000 leitores da imprensa subterrânea, como é mostrado na tabela 1.


Tabela 1: Crentes de várias Teorias de Conspiração entre Agentes da CIA (CIA) e Leitores de Imprensa Subterrânea (LIS)
TEORIA CONSPIRACIONAL... CIA... LIS
Os 'Yankees' (Milionários do Leste) arruinam tudo... 25... 30
Os 'Cowboys' (Milionários do Oeste) arruinam tudo... 25... 15
É tudo resultado de uma guerra civil entre os Yankees e as Cowboys... 23... 17
São os Maçons de grau 33... 5... 5
São os Jesuítas... 5... 5
São os Sábios do Sião... 2... 2
São as Multinacionais... 1... 2
São os Sousa... 1... 2
São os bancos de Zurique...1... 2
São as vegetarianas lésbicas... 10... 28
Vários... 2... 2


A Tabela 1 mostra claramente uma perspectiva de uma nação bastante esquizofrênica. Este é o resultado de uma regressão infinita impossível e da sua resultante de preocupação levando à formação de mais preocupação. Mais ainda, se existe alguma polícia secreta afinal das contas, em qualquer nação que você se dê o trabalho de imaginar, cada ramo ou filial daquele governo se torna suspeito aos olhos das pessoas cautelosas e inteligentes, de ser uma fachada ou um ingresso para a polícia secreta. (Isto é, os cidadãos mais espertos irão reconhecer que algo chamado como HEW ou mesmo PTA poderia na realidade ser dirigido pela CIA.)


Inevitavelmente, o governo como um todo e muitas agências não governamentais irão ser consideradas pelas pessoas razoáveis com temor e preocupação. Provérbios como 'não se pode ter pouco cuidado atualmente' e 'melhor seguro do que desesperado' representam um tipo de folclore sinistro. Mas ainda mais: qualquer governo que já possua uma polícia secreta (e uma outra polícia secreta monitorando esta polícia secreta, etc.) irá ficar alarmado ao observar que os seus cidadãos mais importantes e mais inteligentes a consideram com dúvidas e mesmo nojo. Assim, o governo irá aumentar o tamanho e os poderes da sua polícia secreta. Esta é a única jogada racional possível no interior do contexto do jogo de polícia secreta. (A única outra alternativa foi certa vez sugerida de maneira sarcástica pelo autor Berthold Brecht, que disse: 'Se o governo não confia no povo, então porque ele simplesmente não dissolve o povo e elege um novo povo?'). Até agora não foi encontrada nenhuma forma de inventar um novo povo; assim a polícia de estado irá tentar espionar sobre o povo existente com ainda mais vigor...


Isto, por sua vez, cria uma paranóia adicional tanto nos governantes como nos cidadãos, porque uma polícia secreta suficientemente eficiente irá acabar 'tendo uma ficha de todo mundo', inclusive dos seus próprios criadores. Isto também leva a uma outra regressão infinita: quanto mais poder a polícia possui, mais as pessoas irão desprezar o governo; quanto mais pessoas desprezarem o governo, mais poderes serão dados à polícia secreta.


Assim, mesmo que qualquer uma das 'conspirações' hipotéticas mencionadas anteriormente realmente exista ou não, um sistema de governo clandestino inevitavelmente produz, tanto nos governantes como nos governados, um estado de paranóia no qual as teorias conspiracionais tendem a florescer.


Este sentimentos de suspeita em franca escalada é acelerado pelo fato de que cada organização de polícia secreta trabalha tanto na coleta de informações como na produção de informações falsas. Ou seja, você 'marca pontos' no jogo de polícia secreta seja no acumular sinais (unidades de informação escondendo fatos dos jogadores que estão competindo), ou então emitindo sinais falsos (unidades de informação falsas) sobre os outros jogadores. Isto cria a situação que eu denomino de 'Merda Total' na qual cada participante possui uma causa racional (não neurótica) para suspeitar de que cada outro jogador está tentando engana-lo, confundi-lo, enraba-lo e comumente falando, tentando informa-lo erroneamente. Como diz o rumor: Henry Kissinger falou certa vez, que qualquer pessoa de Washington que não seja paranóico está louca. Devemos generalizar essa afirmação: qualquer pessoa dos Estados Unidos de hoje que não esteja paranóico deve estar louca.


A produção deliberada de má informação (ou como as agências de inteligência eufemisticamente denominam: desinformação) cria uma situação profundamente desorientadora para o filósofo, cientista e para o homem ordinário que deseja saber qual é a melhor hora de fazer uma aplicação no banco. O seu desejo de descobrir 'o que está acontecendo afinal das contas' (a definição de 'ciência' oferecida pelo físico Saul-Paul Sirag) é totalmente incompatível com a circulação da desinformação; temos todos de saber, mesmo que de maneira rudimentar 'o que é que está acontecendo afinal das contas' se não queremos sair por ai nos parecendo como 'robôs' cegos colidindo com coisas que não nos haviam dito que existiam.


Talvez os UFOS realmente existam - ou talvez o fenômeno UFO inteiro seja apenas uma cobertura para alguma agência de inteligência. Talvez realmente existam buracos negros onde o tempo e o espaço implodam ou talvez essas teorias todas tenham sido inventadas para confundir e desorientar os cientistas russos. Talvez Jimmy Carter realmente exista - ou talvez ele seja, como afirma a revista National Lampoon, um ator de nome Sidney Soldfarb especialmente treinado para projetar as virtudes caseiras que os americanos nostalgicamente tanto buscam. Talvez apenas três homens da cúpula da Agência de Segurança Nacional realmente conheçam as respostas destas perguntas - ou talvez eles estejam sendo enganados por certos subordinados (como Lyndon Johnson foi enganado pela CIA sobre o Vietnã) e estejam tão desorientados quanto o resto de nós. Tal é a lógica de una Matriz de Desinformação.


Pessoalmente, eu acho mais fácil acreditar nos UFOS do que nos buracos negros ou em Jimmy Carter; mas isto poderia indicar o grau de danos do meu próprio cérebro causado pela 'Merda Total da Matriz de Desinformação'. De acordo com uma pesquisa recente, 19% da população acredita que a descida na Lua foi um engodo engendrado por Stanley Kubrick e uma gangue de especialistas em efeitos especiais. Talvez esses céticos sejam os mais saudáveis que restaram em nosso meio. Quem, entre os leitores possui um índice de segurança suficientemente alto para que tenha segurança absoluta de que estes ultra paranóicos estejam errados?


Esta tendência geral em direção ao caos, discórdia e confusão que aparece depois que uma polícia secreta é estabelecida é complicada e acelerada pela Segunda Lei de Celine: 'A COMUNICAÇÃO EFICIENTE SOMENTE É POSSÍVEL NUMA SITUAÇÃO NÃO-PUNITIVA'. Esta é uma afirmação do óbvio e significa nem mais e nem menos, que todas as pessoas tendem a mentir um pouquinho, tandem a enganar ou a bajular ou a se proteger a si próprias quando estão lidando com aqueles que têm poder sobre elas, principalmente poder de punição. (Este é a porque do fato da comunicação entre pais e filhos notoriamente ser complicada).


Cada estrutura autoritária pode ser visualizada como uma pirâmide, com muitos poucos no seu topo e o restante na base, como no fluxograma de qualquer corporação ou burocracia. Em cada um dos degraus, os seus participantes suportam uma carga de 'nesciência' com relação às pessoas situadas acima delas. Isto quer dizer, elas devem ser muito, mas muito cuidadosas para garantirem que as suas atividades sensoriais naturais como organismos conscientes - o ato de ver, ouvir, cheirar, saborear, perceber, sentir, fazer inferências das percepções, etc. ESTEJAM DE ACORDO COM OS DESEJOS DAQUELES QUE SE ENCONTRAM ACIMA DELAS. Isto é absolutamente vital - a segurança do emprego depende disso. É muito menos importante - um luxo que pode ser facilmente descartado - que estas percepções estejam CONFORMES COM A REALIDADE ATUAL.


Por exemplo, na FRI debaixo da gestão de J. Edgar Hoover, o agente tinha de desenvolver a capacidade de detectar comunistas ateus em todos os lugares. Qualquer agente cujas percepções indicassem que na realidade existia muito menos comunistas ateus espalhados pelo país do que se imaginava, iria experienciar aquilo que os psicólogos denominam de 'dissonância cognitiva', ou seja, a matriz da realidade dele ou dela estava em conflito com a matriz da realidade oficial da estrutura de autoridade piramidal. Falar sobre essas percepções divergentes seria convidar à suspeita, a fofocas intelectuais ou em ser acusado de ser um comunista ateu. O mesmo se aplicaria a qualquer Inquisidor Dominicano dos séculos anteriores a quem faltasse a habilidade de detectar bruxas em todos os lugares. Em tais situações de autoridade é importante ver o que a autoridade vê, é inconveniente e possivelmente perigoso ver o que realmente está ali.


Mas isto leva a uma 'carga de omnisciência' igual e oposta daqueles que ocupam a topo da pirâmide Tudo que é proibido para aqueles da base da pirâmide - as atividades conscientes da percepção e da avaliação - é exigido da classe mestre, da elite e da super-elite. Eles têm de tentar realizar toda a visão, audição, avaliação odorífera, a pensar e a tomada de decisões por toda a sociedade.


Mas a um homem com um revolver na mão (o poder de punição) lhe é dito apenas aquilo que o seu alvo pensa que não a fará puxar a gatilho. A elite, com a sua carga de omnisciência, encara os seus inferiores com a sua carga de nesciência e recebe apenas um feedback consistente com as suas próprias noções preconcebidas. A carga da omnisciência se torna logo, um outro e mais complexo processo de nesciência.


Ninguém mais conhece ninguém realmente, ou se conhece, procura ocultar esse fato cuidadosamente. A medida que o paradigma da segurança nacional se aproxima (ou tenta se aproximar) da regressão infinita de espiões espiando espiões que espiam espiões, etc., a comoção geral resultante faz com que as pessoas venham a ocultar qualquer coisa que saibam (se isto difere da realidade oficial) não apenas dos seus superiores como também dos seus pares e inferiores da mesta maneira. Qualquer pessoa, afinal das contas poderia fazer parte da polícia secreta de grau 'n'. 'Não se pode ter falta de cuidado nos tempos de hoje'. 0 peso da nesciência se torna omnipresente. Mais e maiores porções da realidade se tornam impossíveis de serem discutidas.


Mas como Freud notou, aquilo que é objetivamente reprimido (não é expressado) logo se torna subjetivamente reprimido (impensável). Ninguém gosta de se sentir um covarde e um mentiroso a tempo todo. É MELHOR DEIXAR DE PERCEBER ISTO QUANDO A MATRIZ DA REALIDADE DIVERGE DA EXPERIÊNCIA SENSORIAL. Assim a situação de 'Merda Total' evolui para 'Bosta generalizada' e então se instala o estado de "rigidittus bureaucratictis", este sendo o último estágio antes que toda a atividade cerebral cesse e a sociedade fique intelectualmente morta.


A Terceira Lei de Celine é semelhante às duas anteriores e afirma que 'UM POLÍTICO HONESTO É UMA CALAMIDADE NACIONAL". Num primeiro relance, isto parece ultrajante. Pessoas de todas as nuances de opinião concordam com o axioma de que necessitamos de políticos mais honestos e não de mais corruptos. Lembre-se, entretanto que as pessoas de todas as nuances de opinião certa vez concordaram que a Terra era chata....


O seu político desonesto típico ("bocca grande normalis") está apenas interessado em enriquecer às expensas do povo, um objetivo que ele compartilha com a maioria dos seus colegas cidadãos, principalmente médicos e advogados. Este é um comportamento normal para a nossa espécie primata e a sociedade sempre foi capaz de lidar com eles e sobreviver a eles.


Um político honesto ("bocca grande giganticiis") é muito mais perigoso. Ele ou ela está sinceramente engajado(a) na melhoria da sociedade através da ação política. Na prática, isto implica em escrever e aprovar mais leis. Realmente, muitos grupos de cidadãos idealistas publicam avaliações sobre os políticos a cada ano e aqueles que criaram mais leis são classificados como possuidores de um maior valor do que aqueles que sequer estavam presentes quando da votação de leis. A suposição aqui é que adicionar mais leis aos livros de leis representa uma aquisição positiva, tal como adicionar mais dinheiro aos nossos salários ou mais obras de arte a um museu.


Uma profunda reflexão, entretanto, mostra que essa suposição não se mantém. Cada lei cria uma classe inteiramente nova de criminosos; por exemplo, quando a maconha foi declarada ilegal em 1937, várias centenas de milhares de cidadãos que antes estavam dentro da lei se transformaram em criminosos da noite para o dia, por um Ato do Congresso. A medida que mais e mais leis são aprovadas, mais e mais cidadãos se tornam criminosos.


A causa principal do aumento de criminalidade é o aumento do número de leis que estão sendo respeitadas. Um político honesto que enfia o seu nariz em todos os assuntos e aprova centenas de leis ao longo de sua carreira produz como resultado, vários milhões de novos criminosos. É ainda passível de uma maior demonstração matemática o fato de que quanto maior for o número de leis existentes, maiores serão as restrições sobre a liberdade do indivíduo. Se, por exemplo, existissem apenas três leis numa dada sociedade - por exemplo 'não matarás, não roubarás e não mentirás ou fraudarás' - haveria apenas três restrições para a liberdade, que todas as pessoas racionais aceitariam como obviamente necessárias para a manutenção da ordem. Quando existem centenas de milhares de leis, existem centenas de milhares de restrições à liberdade, a maioria delas sendo sentida como extremamente incômodas por largas parcelas da população.


De fato, seria necessário empregar uma brigada de advogados durante várias semanas, examinando minuciosamente os nossos assuntos para determinar se você é ou não um criminoso. Certamente nenhum cidadão ordinário possui o tempo ou a facilidade para descobrir se ele ou ela estão violando algum dispositivo dos zilhões existentes nos nossos livros de leis. Em muitos casos, dois advogados consultados independentemente irão dar opiniões opostas sobre se um determinado curso de ação está violando ou não os estatutos.


E novas leis estão sendo aprovadas o tempo todo. Obviamente, a menos que haja uma falta súbita de papel, o número de leis nos livros irá atingir o ponto satirizado por T. H. White no qual 'tudo o que não está proibido é compulsório'. Provavelmente, levaria algumas décadas a mais para que um diligente grupo de políticos honestos atingisse o ponto complementar onde 'tudo o que não é compulsório está proibido'...


Nesse estágio das coisas, o mundo de pesadelo de Orwell em '1984' terá sido realizado. Os políticos desonestos meramente interessados na atividade humana de ficar ricos e confortáveis nunca viriam a criar o horror último; mas um político honesto e idealista nos aproxima desse horror a cada dia que passa com cada lei que aprova.

Essas três generalizações - que a segurança nacional produz a insegurança nacional, que o autoritarismo produz a falta de comunicação e a idiotice que se segue e que o político honesto é uma praga da sociedade irão explicar de forma cabal o Declínio e Queda de Roma, o Declínio e Queda do Império Britânico e o Declínio e Queda de Qualquer País que você se dê ao trabalho de pesquisar. Elas são tão universais quanto as leis de Newton sobre o movimento e se aplicam em todos os casos. É lógico, a Associação Sociológica Americana diz que eu estou louco. Louco, eu? Eles disseram que os irmãos Wright eram loucos. Eles disseram que os Edson era louco. Eles disseram que o barão Frankenstein era louco...


Observação: este artigo encerra o ciclo de estudos sobre a "Estupidez Humana". Tradução: DH - 1990 (CG)


A Estupidez Humana
A Abolição da Estupidez As Leis de Celine sobre a Estupidez das Nações

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