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Anotações Para Um Possível Roteiro De Curta-Metragem (Souza)

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"O importante é ser contra ... A posição de subversão cessa evidentemente se acontecer de generalizar-se, para tornar-se, no final, a norma. Revolução é virar a ampulheta. Subversão é outra coisa, é quebrá-la, eliminá-la." Jean Dubuffet (Asfixiante Cultura - 1968).

- Coquetel de abertura de um festival de cinema nacional (ou afins).

Salão de um hotel cinco estrelas (pode ser filmado em um sem estrelas mesmo).

Atores, fãs, piranhas, garçons, jornalistas, piranhas, publicitários, mais piranhas. Alguns cineastas pelo meio. O personagem principal está deslocado. Um jovem realizador independente, que com muito esforço conseguiu realizar seu primeiro pequeno trabalho e conseguiu algumas mostras e até foi citado na mídia oficial. Qual sua motivação ali? Dúvidas artísticas? Uma loira com peitões, o uísque e os vinhos importados (pagos com a verba pública destinada a cultura popular)?? Um financiamento para um novo projeto? Ou está em busca de seus iguais, para falar da paixão em realizar com suor e sangue seu trabalho artístico? Dúvida, dúvidas no ar.

- Corte seco (talvez chicote).

Meio do salão atulhado de humildes garçons e de egos inflados. Um grupo se destaca, falando alto, gracejando e gargalhando. Nosso jovem herói se aproxima (mas não muito, só o suficiente para ficar observando). No centro da roda, um famoso cineasta nacional padrão-patrão: Terno importado, uísque importado, cigarro importado, talento importado, loira siliconada (nacional, mas com padrão exportação) à tira-colo. Cara de nojo, olhar entediado, gestos largos e fala imponente. Cospe/caga sua sabedoria cinema-novo-globista em altos brados para todo o salão tomar consciência de sua majestade. A sua volta alguns jornalistas (sem descrição, qualquer um pode fazer este papel), fãs (idem, desde que saiba fazer cara de bobo-alegre) e (aqui trilha sonora ribombante) ... Dois jovens cineastas emergentes! Zoom na dupla. Câmera fixa e analítica por um tempo.

- 1º: Gordo, altura média, cara redonda bem barbeada. Cabelo encharcado de suor-gordura. Camisa floreada, calças mais largas que sua gordura. Portanto larguíssimas. Alpargatas de couro nos pés e olhar blasé na cara, imitando o cineastão. Não bebe álcool. Segura uma garrafa de água mineral (de grife) e fuma muito. Da fumaça de sua cigarrilha fundir um efeito de vórtice para o "flashback" de seu "background":

Imagens de um garoto gorducho e mimado. Depois de um adolescente gordo-mimado reprimido e finalmente um adulto gordo-mimado-reprimido e frustado.

Novamente o garotinho gordo que chora em altos brados. Num contra plano, surge a figura de um homem de terno e gravata bem alinhado que olha para baixo e diz: "Filhinho, não chores mais. Tome isto aqui para você se divertir..." e solta uma chuva de cédulas de dólar (pode-se usar dinheiro nacional fora de circulação). O adulto gordo ri e chora copiosamente e bate palmas dizendo: "Brigado papai, vou brincar de fazer filminhos..." . Vórtice de fumaça, corte para primeiro plano do olho do gordo que deixa escapar uma lágrima de recordação, mas volta a sorrir debilmente ante uma piada-cabeça do cineastão.

Nosso herói, agora já impaciente, rapta mais um copo de uísque e passa a observar a outra figura, a procura de identificação:

- 2º : Baixo, cabeça raspada, óculos escuros redondos com armação de cor berrante, cavanhaque na ponta do queixo e brincos e piercings no nariz e acima da sobrancelha. Camisa sem mangas de alguma banda de rock inglês da moda. Bebe bastante e segura um baseado na outra mão, oferecendo-o toda hora para o seu objeto de adoração, claro, o cineastão. Câmera subjetiva imita o olhar embriagado-chapado dele, com movimentos balançantes e desfocados. Desfocar mais para um novo flashback:

Jovem, agora com visual um pouco diferente (óculos fundo de garrafa, cabelos longos, camiseta branca de alguma banda nacional tipo Legião Urbana e bermudas floreadas) caminha pelo campus de uma universidade particular. Está cheio de planos para se tornar um publicitário rico como seu pai e ganhar dinheiro e trabalhar na Globo e conseguir ter sua primeira experiência sexual (sonha com uma garota de uma propaganda de cerveja) e ter toda a maconha que conseguir consumir. Para para ler um mural com propagandas de shows e descobre um ciclo de filmes dedicado ao cineasta americano multi-milionário, especialista em filmes pipoca-arrasa-quarteirão Stivi Spurblergh. Corte para ele na sala escura de projeção. Fuma um baseado e ri alucinadamente (ouve-se o som muito alto de tiros e explosões e palavras chavões em inglês). Corte para o centro do campus cheio de belas garotas estudantes. O jovem surge correndo, sobe em um banco, atira seus livros para cima e grita: "Eu vou ser um cineasta milionário!" (repete 3 vezes) e virando-se de costas para o grupo de estudantes que cerca-o, diz: "Aqui prá vocês, óóhh!! E baixa as bermudas mostrando as nádegas brancas. Gritos histéricos das meninas e aplausos. Corte para:

- Grupo de mulheres que gritam e aplaudem o velho cineastão, que numa atitude de rebeldia e loucura tira-ra as calças e mostra-ra a bunda no meio do salão. Os dois jovens, o gordo e o baixo, aplaudem emocionados. Ao fundo em segundo plano, mas bem focado, nosso herói se afasta sorrateiramente. Corte para ele em plano médio se desviando da multidão que ri e aplaude, até que esbarra numa garota bonitinha. Ele pede desculpas e ela olha para ele intrigada e pergunta: "Você já está indo embora? Você não é o ... ?? ... ator daquela novela, como é, mesmo ..." ... Ele se afasta e com cara de quem está passando mal diz nervosamente: "Não, não sou eu. Eu só quero achar o banheiro. Estou passando mal, quero vomitar ..." . Ela faz cara de nojo e um gesto de desprezo.

Vista do lado de fora do hotel. Noite. Carros estacionados. Barulhos da festa ao fundo. Nosso herói sai correndo, enchugando a testa e olhando para trás.

Mais tranquilo, entra em uma rua vazia e mal iluminada e vai embora, quer chegar logo em casa. Tem um livro para terminar de ler ...[1]

Referências

  1. Ao ler este texto de Souza falando sobre estes festivais e a gentalha que os frequenta, lembrei do livro "Midnight Movies" de Hoberman e Rosenbaum, sobre as sessões da meia-noite organizadas por Ben Barenholtz que exibiam exclusivamente filmes não comerciais, entre eles, clássicos como "El Topo" de Alexandro Jodorowsky, "Mondo Trasho" e "Pink Flamingos", ambos de John Waters, "Freaks" de Tod Browning e "Glen or Glenda?" de Edward Wood Jr, num exemplo de como poderiam se tornar inteligentes os festivais de filmes. Aqui no Brasil, em outubro de 2003, o produtor independente "Dom Adolfo Gurcius Gewdner" organizou em Florianópolis uma mostra de cinema transgressor chamada "10 Anos Sem G. G. Allin" que durou uma semana e exibiu, entre outros, os filmes "Subconscious Cruelty" de Karin Hussaim, "Pink Flamingos" de John Waters, "Hated" de Todd Phillips, "United Trash" de Christoph Schlingensief, "Rubão - O Canibal" de Fernando Rick, "Schramm" de Jörg Buttgereit, "Sweet Movie" de Dusan Makavejev e vários longas e curtas da Canibal Filmes. (nota de P.B.).


Manifesto Canibal
Como Realizar Atos De Desobediência E Subversão Em Mostras De Cinema Oficiais (Baiestorf) Anotações Para Um Possível Roteiro De Curta-Metragem (Souza) A Ralé Está Em Todo Lugar (Baiestorf)



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