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A Vantagem Inicial da Guerrilha Urbana

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As dinâmicas das guerrilhas urbanas consiste nos violentos choques do guerrilheiro urbano com as forças militares e policiais da ditadura. Nestes choques, os policiais tem a superioridade. O guerrilheiro urbano tem forças inferiores. O paradoxo é que o guerrilheiro urbano, a pesar de ser mais fraco, é sem dúvida o atacante.

As forças militares e policiais, por sua parte, respondem ao ataque com a mobilização e concentração de forças infinitamente superiores na perseguição e destruição das forças guerrilheiras. Somente se pode evitar a derrota quando se conta com as vantagens iniciais e sabe como explorar com fim de compensar suas vulnerabilidades e falta de material.

As vantagens iniciais são:

a) Tem que tomar o inimigo de surpresa;
b) Tem que conhecer o terreno de encontro melhor que o inimigo;
c) Tem que ter maior mobilidade e velocidade que a polícia e as outras forças repressoras;
d) Seu serviço de informação tem que ser melhor que o do inimigo;
e) Tem que estar no comando da situação e demonstrar uma confiança tão grande que todos de nosso lado sejam inspirados e nunca pensem em hesitar, enquanto que os do outro bando estão atordoados e incapazes de responder.


SurpresaEditar

Para compensar por sua debilidade geral e falta de armas comparado com o inimigo, o guerrilheiro urbano utiliza a surpresa. O inimigo não tem nenhuma forma de lutar contra a surpresa e se torna confuso ou é destruído.

Quando a guerra de guerrilhas urbanas iniciou no Brasil, a experiência demonstrou que a surpresa era essencial para o êxito de qualquer operação de guerrilha.

A técnica de surpresa baseia-se em quatro requisitos essenciais:

a) conhecemos a situação do inimigo que vamos a atacar usualmente por meio de informação precisa e observação meticulosa, enquanto que o inimigo não sabe se será atacado ou não sabe nada em relação ao atacante;
b) conhecemos a força do inimigo que será atacado e o inimigo não sabe nada sobre a nossa;
c) atacando por surpresa, nós economizamos e conservamos nossas forças, enquanto que o inimigo não é capaz de fazer o mesmo e é deixado a mercê dos eventos;
d) determinamos a hora e o lugar do ataque, combinamos sua duração, e estabelecemos seu objetivo. O inimigo permanece ignorante de tudo isto.


Conhecimento do TerrenoEditar

O melhor aliado do guerrilheiro é o terreno porque o conhece como a palma de sua mão.

Ter o terreno como um aliado significa saber como utilizar suas irregularidades com inteligência, seus pontos mais altos e baixos, suas curvas, suas passagens regulares e secretas, áreas abandonadas, terrenos baldios, etc., tirando a vantagem máxima de tudo isto para o êxito das ações armadas, fugas, retiradas, encobrimento e esconderijos.

Os lugares impenetráveis e os lugares estreitos, as ruas sob construção, pontos de controle de polícia, zonas militares e ruas fechadas, entradas e saídas de túneis e aqueles que o inimigo possa bloquear, viadutos que devem ser cruzados, esquinas controladas pela polícia ou vigiadas, suas luzes e sinais, tudo isto tem que ser completamente estudado para poder evitar erros fatais.

Nosso problema é o de passar e saber onde e como esconder-nos, deixando o inimigo confuso em áreas que ele não conhece.

O guerrilheiro urbano familiarizado com o terreno difícil e irregular, avenidas, ruas, estradas, entradas e saídas, esquinas dos centros urbanos, suas passagens e atalhos, os lotes vazios, suas passagens subterrâneas, seus tubos e sistemas de esgoto pode cruzar com segurança pelo terreno não familiar para a polícia, onde podem ser surpreendidos em uma emboscada fatal em qualquer momento.

Por conhecer o terreno o guerrilheiro pode passar a pé, em bicicleta, em automóvel, 4x4, ou caminhão e nunca ser apanhado. Atuando em grupos pequenos com umas quantas pessoas, os guerrilheiros podem se reunir em uma hora em lugares determinados, prosseguindo o ataque, com novas operações de guerrilha, ou evadindo o círculo da polícia e desorientando o inimigo com sua audácia sem precedente.

É um problema sem solução para a polícia, num terreno tipo labirinto do guerrilheiro urbano, prender a alguém que não pode ver, ou tratar de fazer contato com alguém que não podem encontrar.

Nossa experiência é que o guerrilheiro urbano ideal é alguém que opera em sua própria cidade e que conhece completamente a cidade e suas ruas, suas vizinhanças, seus problemas de trânsito, e outras peculiaridades.

O guerrilheiro estrangeiro, que vem a cidade na qual o terreno não é familiar para ele, é um ponto fraco e se é designado para certas operações, pode colocá-la em perigo. Para evitar erros graves, é necessário que o primeiro conheça bem a localização das diferentes ruas.


Mobilidade e VelocidadeEditar

Para assegurar a mobilidade e a velocidade que a polícia não pode alcançar, o guerrilheiro urbano necessita dos seguintes pré-requisitos:

a) mecânicos;
b) conhecimento do terreno;
c) uma ruptura ou suspensão das comunicações e transportes do inimigo;
d) armamento leve.

Há que ter cuidado na execução de operações que duram escassamente uns momentos, e partindo do lugar em, veículos, o guerrilheiro urbano faz uma retirada rápida, escapando da perseguição

O guerrilheiro urbano tem que saber o caminho em detalhe e, neste sentido, tem que praticar o itinerário antes de tempo como treinamento para evitar caminhos que não tenham saída, ou acabanando em engarrafamentos, ou terminar paralisado por construções do Departamento de Trânsito.

A polícia persegue ao guerrilheiro urbano cegamente sem o conhecimento de que estrada ele vai tomar para sua fuga.

Enquanto o guerrilheiro urbano foge rapidamente porque conhece o terreno, a polícia perde a pista e dão por terminada a perseguição.

O guerrilheiro urbano deve lançar suas operações longe das bases logísticas da polícia. Uma vantagem inicial deste método de operação é que nos coloca a uma distância razoável da possibilidade de perseguição, o que facilita a evasão.

Em adição a esta precaução necessária, o guerrilheiro urbano tem que estar preocupado com o sistema de comunicação do inimigo. O telefone é o alvo primário para prevenir o acesso inimigo à informação mediante a sabotagem de seu sistema de comunicações.

Ainda tendo conhecimento da operação guerrilheira, o inimigo depende de transporte moderno para seu apoio logístico, e seus veículos necessariamente perdem tempo ao leva-lo pelo trânsito pesado das grandes cidades.

É claro que o trânsito congestionado e perigoso é uma desvantagem para o inimigo, como também o seria para nós se não estivéssemos adiantados em relação ao inimigo.

Se queremos uma margem de segurança e estar seguros de não deixar pistas para o futuro, podemos adotar as seguintes medidas:

a) interceptar de propósito a polícia com outros veículos ou por inconveniências casuais ou danos; mas neste caso o veículo em questão não deve ser legal ou ter placas de licença verdadeiras;
b) obstruir a estrada com árvores caídas, pedras, valas, letreiros de trânsito falsos, estradas obstruídas ou desvios, e outros meios engenhosos;
c) colocar minas caseiras no caminho da polícia, utilizar gasolina, ou jogar bombas Molotov para incendiar seus veículos;
d) disparar uma rajada de balas de metralhadora ou armas tais como a FAL contra o motor e pneus dos veículos envolvidos na perseguição.

Com a arrogância típica da polícia e das autoridades militares fascistas, o inimigo virá lutar com armas pesadas e equipamento, e com manobras elaboradas de homens armados até os dentes. O guerrilheiro urbano tem que responder a isto com armas leves facilmente transportáveis, para que sempre possa escapar com velocidade máxima, sem aceitar uma luta aberta. O guerrilheiro urbano não tem outra missão do que atacar e retirar-se.

Nos exporíamos a derrotas mais contundentes se nos sobrecarregamos com armamento pesado e com o peso tremendo das munições necessárias para disparar, na mesma perdendo o presente precioso da mobilidade.

Quando o inimigo luta contra nos a cavalo não temos desvantagem sempre e quando temos veículos. O automóvel anda mais rápido que o cavalo. Desde o interior do automóvel também temos o alvo do policial montado, derrubá-lo com metralhadora, revólver ou com coquetéis Molotov e granadas.

Por outro lado, não é tão difícil para um guerrilheiro urbano a pé fazer de um policial a cavalo um alvo. Acima de tudo, cordas estendidas ao longo de estradas, bolas de gude e rolhas são métodos muito eficientes de fazer ambos caírem. A grande desvantagem do policial montado é que se apresenta ao guerrilheiro urbano como dois alvos excelentes: o cavalo e seu cavaleiro.

À parte de ser mais rápido que um cavalo, o helicóptero não tem melhores oportunidades em uma perseguição. Se o cavalo é muito lento comparado com o automóvel do guerrilheiro urbano, o helicóptero é muito rápido.

Movendo-se a 200 quilômetros por hora nunca terá êxito em atingir desde cima a um alvo perdido entre as multidões e os veículos da rua, nem tampouco pode aterrizar em ruas para capturar alguém. Além disso, quando tenta voar a baixas alturas torna-se extremadamente vulnerável ao fogo do guerrilheiro urbano.

InformaçãoEditar

As possibilidades que o governo tem de descobrir e destruir o guerrilheiro urbano diminuem a medida que o potencial dos inimigos do ditador tornam-se maiores e mais concentrados entre as massas populares. A concentração de oponentes da ditadura exerce um papel muito importante na obtenção de informação dos movimentos de polícia e de homens do governo, como também ocultar nossas atividades.

O inimigo pode ser enganado por informação falsa, o qual é pior para ele porque independente de seu significado, as fontes de informação a disposição do guerrilheiro urbano são potencialmente melhores que as dos policiais. O inimigo é observado pela população, mas desconhece quem dentre a população passa informações aos guerrilheiros urbanos. Os militares e a polícia são odiados pelas injustiças e violência que tem cometido contra a população, e isto facilita a obtenção de informação prejudicial às atividades de agentes do inimigo.

A informação, que é somente uma pequena parte do apoio popular, representa um potencial extraordinário nas mãos do guerrilheiro urbano. A criação de um serviço de inteligência com uma estrutura organizada é uma necessidade básica para nós. O guerrilheiro urbano tem que ter informação essencial dos planos e movimentos do inimigo, onde se encontra, e como se movem, os recursos da rede bancária, os meios de comunicação e seus movimentos secretos.

A informação confiável passada ao guerrilheiro urbano representa um golpe certeiro contra a ditadura. Não há forma de defender-se quando se enfrenta uma perda importante de informação que põe em perigo seus interesses e facilita nosso ataque destrutivo.

O inimigo também quer conhecer que passos estamos tomando para que possa nos destruir ou prevenir de atuar. Neste sentido o perigo da traição esta presente e o inimigo o fomenta e nutre, e infiltra espiões na organização. As técnicas do guerrilheiro urbano usadas contra esta tática do inimigo é de denunciar publicamente os traidores, espiões, informantes e provocadores.

Já que nossa luta toma lugar entre as massas e depende de sua simpatia - enquanto que o governo tem uma má reputação devido a sua brutalidade, corrupção e incompetência - os informantes, espiões, traidores, e a polícia vem a serem os inimigos da população sem apoiadores, denunciados aos guerrilheiro urbanos, e em muitos casos, devidamente castigados.

Por sua parte os guerrilheiros urbanos não devem de evitar sua responsabilidade - uma vez que sabem quem é o espião ou informante - de liquidá-lo. Este é o método correto, aprovado pela população, e minimiza consideravelmente a incidência de infiltração ou espionagem inimiga.

Para o completo êxito na batalha contra os espiões é essencial a organização de um serviço de contra-espionagem ou contra-inteligência. No entanto, com respeito à informação, não pode ser reduzida a somente saber os movimentos do inimigo e evitar a infiltração de seus espiões. A informação tem que ser ampla, tem que incluir tudo, incluindo os dados mais significativos. Há uma técnica de obter informação e o guerrilheiro urbano a tem que dominar. Seguindo esta técnica, a informação é obtida naturalmente, como uma parte da vida das pessoas.

O guerrilheiro urbano, vivendo em meio da população e movendo-se entre eles, tem que prestar atenção a todo tipo de conversação e reações humanas, aprendendo a esconder seus interesses com grande juízo e destreza.

Em lugares onde as pessoas trabalham, estudam e vivem, é fácil obter todo tipo de informação de pagamentos, negócios, pontos de vista, opiniões, estado de mente das pessoas, viagens, interiores de edifícios, oficinas e habitações, centros de operações etc. A observação, investigação, reconhecimento, e exploração do terreno também são fontes excelentes de informação.

O guerrilheiro urbano nunca vai a nenhum lugar sem prestar atenção e sem precaução revolucionária, sempre alerta por se acontece algo. Olhos e ouvidos abertos, sentidos alertas, a memória gravada com todo o necessário para agora ou para o futuro, e para a continuação da atividade do soldado guerrilheiro.

A leitura cuidadosa da imprensa com atenção particular aos órgãos de comunicação em massa, a investigação de fatos acumulados, a transmissão de notícias e tudo observado, uma persistência em ser informado e em informando os outros, tudo isto compõe a questão intrincada e imensamente complicada de informação que lhe dá ao guerrilheiro urbano a vantagem decisiva.

DecisãoEditar

Não é suficiente para o guerrilheiro urbano ter a seu favor surpresa, velocidade, conhecimento do terreno e informação. Ele também deve demonstrar seu comando em qualquer situação e uma capacidade de decisão sem a qual todas as demais vantagens lhe resultariam inúteis.

É impossível levar ao fim qualquer ação, sem estar bem planejada, se o guerrilheiro urbano resulta ser indeciso, incerto ou irresoluto.

Ainda uma ação que tenha sido começada com sucesso pode terminar em derrota sem o comando da situação e a capacidade para tomar decisões falhar em meio a execução do plano. Quando este comando da situação e a capacidade para a decisão estão ausentes, este vazio é preenchido pela hesitação e o temor. O inimigo toma vantagem desta falha e é capaz de liquidar-nos.

O segredo para o sucesso de qualquer operação, simples ou complicada, fácil ou difícil, é o de confiar em determinados homens. No sentido estrito, não existe uma operação fácil: tudo tem que ser realizado com o mesmo cuidado praticado em casos mais difíceis, começando com a eleição dos elementos humanos, que significa depender da liderança e capacidade de decisão em qualquer situação.

Pode se antecipar o resultado de uma ação pela forma em que os participantes atuam durante a fase preparatória. Aqueles que estão atrasados, que não fazem os contatos designados, são facilmente confundidos, esquecem coisas, deixam de completar os elementos básicos do trabalho, possivelmente são homens indecisos e podem ser um perigo. É melhor não incluí-los.

A decisão significa colocar em prática, o plano que foi idealizado, com determinação, com audácia, e com uma firmeza absoluta. Somente basta uma pessoa que hesita perder tudo.


Mini-Manual do Guerrilheiro Urbano
Características da Técnica das Guerrilhas A Vantagem Inicial da Guerrilha Urbana Objetivos das Ações de Guerrilha Urbana


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