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"Revolução Feral"

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Em Demolition Derby #1, 1988, p. 30

Quando eu era uma criança bem jovem, minha vida estava cheia de um prazer intenso e uma energia vital que me fazia sentir que eu experimentava tudo ao máximo. Eu era o centro dessa existência maravilhosa e brincalhona e não sentia necessidade de depender em nada além de minha própria experiência de vida para me satisfazer.

Eu sentia intensamente, eu experimentava intensamente, minha vida era um festival de paixão e prazer. Meus desapontamentos e minhas tristezas também eram intensos. Eu nasci um ser livre e selvagem no meio de uma sociedade baseada na domesticação. Não tinha como eu escapar de ser domesticado. A civilização não irá tolerar o que é selvagem em seu meio. Mas eu nunca me esqueci da intensidade do que a vida podia ser. Eu nunca me esqueci da energia vital que havia se agitado em mim. Desde que eu comecei a notar que essa vitalidade estava sendo drenada, minha existência tem sido uma guerra entre as necessidades da sobrevivência civilizada e a necessidade de me soltar e experimentar a intensidade total da vida desprendida.

Eu quero experimentar essa energia vital novamente. Eu quero conhecer a natureza selvagem de livre espírito de meus desejos não oprimidos se realizando em um jogo festivo. Eu quero derrubar todas as paredes que estão entre mim e a vida intensa e apaixonada da liberdade indomada que eu desejo. A soma dessas paredes é tudo o que nós chamamos de civilização, tudo o que fica entre nós e a experiência direta e participatória do mundo selvagem. Uma teia de dominação cresceu em nossa volta, uma teia de mediação que limita nossa experiência, definindo as fronteiras aceitáveis de produção e consumo.

A autoridade domesticadora toma muitas formas, algumas das quais são difíceis de reconhecer. O governo, o capital e a religião são algumas das faces mais óbvias de autoridade. Mas a tecnologia, o trabalho, a linguagem com seus limites conceituais, os hábitos arraigados de etiqueta e propriedade - essas também são autoridades domesticadoras que nos transformam de animais selvagens, divertidos e ingovernáveis em produtores e consumidores domesticados, entediados e infelizes. Essas coisas se desenvolvem em nós traiçoeiramente, limitando nossas imaginações, usurpando nossos desejos, suprimindo nossa experiência vivida. E é esse mundo criado por essas autoridades, o mundo civilizado, o mundo em que vivemos. Se o meu sonho de uma vida cheia de prazer intenso e aventura selvagem for realizado, o mundo precisa ser transformado radicalmente, a civilização precisa acabar antes de expandir a natureza selvagem, a autoridade precisa acabar antes da energia de nossa liberdade selvagem. É necessário - para querer um mundo melhor - uma revolução.

Mas uma revolução que possa quebrar a civilização e restaurar a energia vital de desejo indomado não pode ser como qualquer outra revolução do passado. Todas as revoluções até hoje se concentraram em volta do poder, em seu uso e redistribuição. Elas não procuraram erradicar as instituições sociais que domesticam; no máximo elas apenas procuraram erradicar os relacionamentos de poder dentro dessas instituições. Então os revolucionários do passado miraram seus ataques nos centros de poder, tentando derrubá-los. Concentrados no poder, eles foram cegados pelas forças traiçoeiras da dominação que abrangem nossa existência diária e assim, quando conseguiram derrubar os detentores do poder, eles acabaram recriando-os. Para evitar isso, nós devemos nos concentrar não no poder, mas no nosso desejo de tornar-mos selvagens, de experimentar a vida ao máximo, para conhecer-mos um prazer intenso e uma aventura selvagem. Enquanto nós tentamos realizar esse desejo, nós nos confrontamos com as forças reais da dominação, as forças que nós encaramos a todo o momento, todos os dias. Essas forças não possuem um único centro que pode ser derrubado. Elas são uma rede que nos amarra. Então ao invés de tentarmos derrubar os detentores do poder, nós queremos é minar a dominação enquanto a confrontamos todos os dias, contribuindo para quebrar mais rapidamente a civilização que já está em colapso, e enquanto ela cai, os centros de poder irão cair com ela. Os revolucionários anteriores apenas exploraram os territórios bem mapeados do poder. Eu quero explorar e me aventurar nos territórios não mapeados, e nos territórios não mapeáveis da liberdade selvagem. A revolução que pode criar o mundo que eu quero tem de ser uma revolução feral.

Não podem haver programas ou organizações para a revolução feral, porque a natureza selvagem não pode brotar de um programa ou uma organização. A natureza selvagem brota ao libertarmos os nossos instintos e desejos, da expressão espontânea de nossas paixões. Cada um de nós já experimentou os processos da domesticação, e essa experiência pode nos dar o conhecimento que precisamos para minar a civilização e transformar nossas vidas. Nossa desconfiança de nossa própria experiência é o que provavelmente nos mantém de nos rebelar livremente e ativamente como gostaríamos. Nós temos medo de estragarmos tudo, nós temos medo de nossa própria ignorância. Mas essa desconfiança e esse medo foram introduzidos gradualmente em nós pela autoridade. É o que nos segura de realmente crescer e aprender. É o que nos torna em alvos mais fáceis para qualquer autoridade que está pronta para nos satisfazer. Preparar programas "revolucionários" é jogar com esse medo e desconfiança, é reforçar a necessidade de nos dizerem o que fazer. Nenhuma tentativa de se tornar feral pode ser bem sucedida quando baseada em tais programas. Nós precisamos aprender a confiar e agir baseado em nossos próprios sentimentos e experiências, se for para nos tornarmos livres.

Então eu não ofereço programas. O que eu irei compartilhar são alguns pensamentos em maneiras de explorar. Já que nós todos fomos domesticados, parte do processo revolucionário é um processo de transformação pessoal. Nós fomos condicionados a não confiarmos em nós mesmos, em não sentir completamente, em não experimentar a vida intensamente. Nós fomos condicionados a aceitar a humilhação do trabalho e pagamento como inescapáveis, para relacionas coisas como recursos a serem utilizados, para sentir a necessidade de nos provarmos e assim produzindo. Nós fomos condicionados a esperar decepção, para vê-la como algo normal, e não questioná-la. Nós fomos condicionados a aceitar o tédio da sobrevivência civilizada ao invés de nos libertamos e realmente vivermos. Nós precisamos explorar meios de quebrar esse condicionamento, de nos libertarmos de nossa domesticação o quanto pudermos agora. Vamos tentar nos tornar tão livres desse condicionamento que ele cessará de nos controlar e se tornará nada mais do que uma função que iremos utilizar quando necessário para a sobrevivência no meio da civilização enquanto tentamos miná-la.

De um modo bem generalizado, nós sabemos o que queremos. Nós queremos viver como seres livres e selvagens o máximo o possível em um mundo de seres livres e selvagens. A humilhação de ter que seguir regras, de ter que vender nossas vidas para comprar nossa sobrevivência, de ver nossos desejos usurpados serem transformados em abstrações e imagens para que nos vendam mercadorias nos enche de ódio. Por quanto tempo nós iremos continuar com essa miséria?Nós queremos fazer com que esse mundo seja um lugar onde nossos desejos possam ser imediatamente realizados, não apenas esporadicamente, mas normalmente. Nós queremos re-erotizar nossas vidas. Nós queremos viver não em um mundo morto de recursos, mas em um mundo vivo de amantes livres e selvagens. Nós precisamos começar a explorar a extensão de que somos capazes de viver esses sonhos no presente sem nos isolarmos, um entendimento que nos permitirá lutar contra a domesticação mais intensamente e assim expandir até que possamos viver mais selvagens.

Tentar viver o mais selvagem o possível agora irá também ajudar a quebrar o nosso condicionamento social. Isso irá iniciar uma malandragem selvagem em nós que irá mirar em tudo o que tentar nos domar, minando a civilização e criando novas formas de viver e compartilhar com cada um. Essas explorações irão expor os limites da dominação da civilização e irá mostrar a sua oposição inerente à liberdade. Projetos, desde sabotagem a pregar peças que exponham ou minem a sociedade dominante, até a expansão da natureza selvagem, até festivais e orgias e um compartilhamento livre generalizado, podem nos indicar a possibilidades incríveis.

A revolução feral é uma aventura. É atrever-se na exploração de se tornar selvagem. Ela nos leva em territórios desconhecidos para os quais não existem mapas. Nós só poderemos chegar a conhecer esses territórios se nós nos atrevermos a explorá-los ativamente. Nós devemos nos atrever a destruir qualquer coisa que destrói nossa natureza selvagem e a agir em nossos instintos e desejos. Nós devemos nos atrever a confiar em nós mesmos, em nossas experiências e em nossas paixões. E então nós não iremos deixar que sejamos acorrentados ou encurralados. Nós não iremos permitir que sejamos domados. Nossa energia feral irá rasgar a civilização em pedaços e criar uma vida de liberdade selvagem e de prazer intenso.

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